Enquanto os juros sobem, sobe também a desconfiança em
relação a essa política adotada pelo governo. Ainda bem que não estou só. Vejam
só o que eu acabo de ler:
- “Por que os bancos centrais aumentam as taxas de juros? Em
português compreensível para civis mortais, pode-se dizer que o aumento dos
juros se dá para reduzir a demanda da economia, ou seja, para que as pessoas
moderem o consumo de bens e serviços. Assim, com a diminuição da demanda, tende
a haver uma redução de preços e uma queda geral da inflação”.
Simples, não. Só que não é o nosso caso. Até por que: “Depois
de sustentar o crescimento do PIB no ano passado, o consumo das famílias,
segundo o IBGE, ficou praticamente estagnado no primeiro trimestre deste ano”.
-“Ora, se não há crescimento do consumo, é lógico concluir
que a inflação não está sendo alimentada por esse consumo. E que também não haveria
necessidade de elevar os juros para conter uma demanda que já é pífia”.
A observação está corretíssima. Elevar os juros no momento
só vai dificultar o nosso crescimento.
-“Expliquem-se como quiserem os economistas de bancos e
analistas do setor financeiro, que defendem a alta da Selic. Publiquem
fórmulas, invoquem a necessidade de atuar sobre expectativas, mas nem a famosa
velhinha de Taubaté vai acreditar que faz sentido elevar juros num momento
conjuntural de PIB estagnado e de consumo e preços em queda”.
Sem dúvida. Não dá para fazer da taxa de juros a política de
combate a inflação nesse momento. O risco é grande e os benefícios pífios.
Juros altos atendem apenas os interesses dos setores financeiros e o que é pior
inibem os investimentos produtivos.
PS- em itálico as observações de Benjamin Steinbruch,
diretor presidente da CSN. (FSP 4/6)
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