sexta-feira, dezembro 04, 2015

"'É uma palhaçada", diz Bandeira de Mello sobre o impeachment.


Nesta semana  tenho varado a madrugada. Prazo final da monografia de pós-grado, não foram poucos os dias que entrei noite a dentro. Como a Argentina e o Uruguai não adotaram o horário de verão, fiquei no prejuízo, durmo uma hora a menos em relação aos meus colegas de trabalho.

Na quarta-feira, além das obrigações acadêmicas, a noite foi dividida com o patético anuncio do impeachment. Uma palhaçada como disse, Bandeira de Mello. Logo depois, ouvindo nos noticiários da noite o rápido, preciso e oportuno pronunciamento de Dilma, novamente veio a coceira: uma vontade incontrolável de escrever.

Já era tarde quando escrevi e publiquei no blog "Cunha x Dilma = retaliação". Ontem, bem cedo, reli o texto. Para minha surpresa, dezenas de outras pessoas já tinham lido. Longe de achar que a minha opinião tem alguma importância sobre tão relevante fato politico, por impulso, quase sem perceber - me vi novamente escrevendo.

Busquei, avidamente, na leitura - dividir com outros a indignação que sentia com a chantagem praticada por Cunha.

Para minha surpresa até o advogado do PSDB, ex- ministro da Justiça do governo FHC e autor do pedido de impeachment, Miguel Reale Jr, também expôs Cunha: "Não foi coincidência que Cunha tenha decidido acolher o impeachment no momento em que os deputados do PT decidiram votar favoravelmente a sua cassação no Conselho de Ética. Foi uma chantagem explicita. "

- A presidenta Dilma, em rede nacional, sem citar Cunha - mandou seu recado: "Não paira contra mim nenhuma suspeita que fundamenta esse pedido. Não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro púbico. Não possuo conta no exterior, nem ocultei do conhecimento público existência de bens pessoais." 

- De Jânio de Freitas: "A única coisa clara é que Eduardo Cunha cometeu uma represália e fez prevalecer a chantagem".

O Editorial  do Diário Catarinense, que não morre de amores por Dilma e seu governo, também bateu forte: "Cunha comanda uma das casas legislativas de forma prepotente e vingativa, comporta-se como se estivesse acima da lei e não consegue justificar os delitos de que é acusado. O que fica deste deplorável episódio é um pouco mais de desencanto com a política e a certeza de que o Brasil merece lideranças mais qualificadas." 


PS- diante todas incertezas presentes e do desgaste que o país sofre com um num processo de impeachment de um presidente, a pergunta que não quer calar - é: uma "chantagem explícita", como qualificada pelo autor do pedido - não é um grave vício de origem - que por si só já invalidaria o processo?.

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