Conheci Nice na década de setenta. Nunca mais voltei. Do que não esqueço, ainda que o tempo não pare, foi a atenção com o bom urbanismo. A avenida na beira do mar, o imenso calçadão iluminado e os prédios baixos, fazem parte das minhas lembranças. Em Nice, a boa insolação e o espaço púoblico são sagrados. Nenhum prédio impede a chegada do sol na praia. (*)
Na noite do dia 14, feriado nacional na França, o horror: um caminhão avança sobre a multidão que celebrava a Queda da Bastilha, principal data francesa. As cenas do atentado, me fizeram relembrar a Nice dos anos setenta. O calçadão que tanto chamou minha atenção pela largura e a boa iluminação, agora era palco de mais uma insanidade.
A discussão pós atentado, se repete: autoridades sendo cobradas, a mídia atrás da autoria, policia batendo cabeça e o mundo aguardando - aonde e quando será o próximo ataque.
Já comentei que essa é uma luta desigual, infelizmente! Quem poderia prever que um caminhão alugado, conduzido por um motorista de uma transportadora, portanto devidamente habilitado, pudesse fazer o que fez: quase uma centena de mortos por atropelamento - todos civis.
O efeito do ataque sacudiu com os organizadores da Olimpíada do Rio Maravilha, onde governador e prefeito batem boca - em público - justamente sobre a falta de segurança no Rio de Janeiro (**). A luz vermelha acendeu: procedimentos estão sendo revistos, diárias da Força de Segurança Nacional foram reajustadas e os precários alojamentos dos policiais militares parece que passam por melhorias. Enfim, é o Brasil: torcendo por medalhas e rezando para que tudo dê certo.
(*) Nice: seu compromisso e atenção com o planejamento urbano é um belo exemplo para se comparar com Camboriú. Balneário catarinense, que teve seu crescimento acentuado depois da década de setenta, onde o sol encoberto pelos espigões tem muita dificuldade de se encontrar com a areia da praia. Para quem gosta de praia com sombra, um lugar ideal.
(**) Se na França, que convive permanentemente com o terror, a policia bem treinada e equipada não consegue evitar atentados como os de Nice, como não se preocupar com o Rio de Janeiro: onde os policiais protestam pela falta de condições de trabalho e o governador interino - por falta de dinheiro - decreta estado de calamidade pública.
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