segunda-feira, novembro 14, 2016

E o mundo se pergunda: depois de Trump vem o quê?

Compromissos solares me fizeram chegar mais tarde em casa na noite de terça-feira (8). Atrás de informação sobre as eleições americanas encontrei William Waack falando direto de Washington. O apresentador, sem conseguir esconder sua contrariedade - deixava transparecer que a vitória de Hillary estava ameaçada(*). Não deu outra, Trump surpreendeu a todos e ganhou.

Passada a ressaca eleitoral americana, o mundo se pergunta: depois de Trump vem o quê?  A resposta não é simples: analistas políticos vão ter trabalho por muito tempo. O certo é que poucos realmente sabem o que o futuro nos espera. Reforçando o que já tinha comentado: Trump como Cunha são imprevisíveis.

A democracia tem disso, as urnas as vezes surpreendem. Foi assim com os britânicos, que votaram pela saída do Reino Unido da Comunidade Europeia. E mais recentemente, os colombianos também aprontaram: votando NÃO ao acordo de paz.

Agora chegou a vez dos americanos: votaram em quem prometeu construir um muro separando os EUA do México. Apoiaram uma insanidade. Um estadista construí pontes para se aproximar dos vizinhos. Busca parceiros para ampliar seu mercado. Respeita as diferenças e humaniza relações. Que Hillary não é "nenhuma Brastemp", todos sabiam. Que seu índice de rejeição é alto, também. Mas as circunstâncias e as consequências exigiam do eleitor um pouco mais de cuidado com o seu voto.

Aliás, as consequências já estão na rua. As bolsas no mundo inteiro caíram. O peso mexicano despencou. Parceiros tradicionais dos EUA na Ásia, Japão e Coreia do Sul estão permanentemente com reuniões de avaliação. A linha editorial de importantes jornais, como The Guardian, Financial Times, Der Spiegel, não sabem o que dizer. Seus articulistas batem cabeça tentando entender as causas do tsunami provocado pelo eleitor americano.

Quanto ao Brasil os efeitos desse resultado na nossa já debilitada economia, não são claros. Embora, depois da China os EUA seja o nosso segundo maior parceiro comercial, nossas relações nunca foram "um mar de rosas". Com o imprevisível Trump, ninguém sabe o que o futuro nos reserva. No momento, todos os indícios apontam para grandes dificuldades: em relação as mudanças climáticas (já comentado aqui no blog) e para os imigrantes.

Em Marrakesh, no Marrocos, onde a ONU realiza a primeira grande conferência do clima,  pós Acordo de Paris(7 a 18/11), com a presença de 60 chefes de Estado, o resultado caiu como uma bomba. Trump sempre foi um defensor dos combustíveis fósseis e durante a campanha já tinha se manifestado que não iria assinar acordo algum sobre mudanças climáticas. E quanto aos imigrantes, Trump também promete vida dura. O número estimado de brasileiros vivendo nos EUA é de 1 milhão. E somando todos os latinos são dezenas de milhões. E por falar em América Latina,  o tema passou ao largo da campanha. Aliás, como sempre.....

(*)  Trump durante toda a campanha desprezou o apoio da grande mídia. Repetidas vezes chamou as principais redes de comunicação como grandes focos de corrupção. Todos os grandes grupos de comunicação estavam contra ele. Pelo jeito até a Globo, de William Waack.. 



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