No sábado, sem querer ser provocativo, levantei a bola: por que será que tanto desgoverno, falta de vergonha e corrupção não leva as pessoas para as ruas e para as varandas com suas panelas? Não tive resposta. Sem ter a pretensão de entender o que move um grupo tão grande pessoas, como aconteceu com o impeachment de Dilma, fui atrás de quem conhece bem o assunto: os experientes jornalistas Elio Gaspari e Jânio de Freitas.
O primeiro começa assim:
"Temer tem uma equipe de sonhos. Seu governo juntou Angorá, Índio, Botafogo, Justiça e Caju. No banco, o grande Lobão." Todos citados na delação de Odebrecht.
Num outro momento traduz o que significa esse Dream Team:
"Moreira Franco foi nomeado para a Secretaria Geral da Presidência, Eunício de Oliveira preside o Senado e Rodrigo Maia a Câmara. Renan Calheiros tornou-se líder do PMDG no Senado e Romero Jucá a bancada do governo. Edison Lobão presidirá a Comissão de Constituição e Justiça." Em resumo, pessoas envolvidas com a Odebrecht, prontas para blindar a Lava Jato. O que espanta é que muitos que queriam tirar Dilma, sabiam quem eram os" homens de Temer". E nada fizeram. Até Cunha chegou a ser paparicado por esses grupos.
Janio de Freitas vai na mesma direção e na sua coluna(FSP 12-2) busca explicar a falta de bonecos e panelas:.
"Agora ficou mais fácil compreender o que se tem passado no Brasil. O poder pós-impeachment compôs-se de sócios-atletas da Lava Jato e, no entanto, não há panelaço para o despejo de Moreira Franco, ou de qualquer outro da facção, como nem sequer houve para Geddel Vieira Lima. Não há panelaços nem bonecos inflados com roupas de presidiários."
PS - Temer e seu grupo, para se apoderar do poder, derrubaram uma Presidência legitimamente constituída(*). Para isso construíram junto com a mídia e nas redes sociais um forte movimento de rua. Agora, que a ficha caiu, boa parte dos que foram para as ruas percebem que apoiaram o que há de pior na nossa politica. Como diz Jânio de Freitas, envergonhados pelo papel que fizeram, não querem ouvir falar de panelas e bonecos.
(*) O preço da derrubada de um governo sempre é alto. As vezes se paga com o sangue e outras vezes pelo descrédito. No nosso caso, quando Eduardo Cunha, que está preso, se vangloria de ser o responsável pelo impeachment: nossa credibilidade aqui dentro e lá fora vai para o ralo. Embora difícil de quantificar, o preço politico, econômico e social - da falta de crédito - é enorme.
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