segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Silêncio total: nas ruas e nas varandas.

No sábado, sem querer ser provocativo, levantei a bola: por que será que tanto desgoverno, falta de vergonha e corrupção não leva as pessoas para as ruas e para as varandas com suas panelas?  Não tive resposta. Sem ter a pretensão de entender o que move um grupo tão grande pessoas, como aconteceu com o impeachment de Dilma, fui atrás de quem conhece bem o assunto: os experientes jornalistas Elio Gaspari e Jânio de Freitas.

O primeiro começa assim: "Temer tem uma equipe de sonhos. Seu governo juntou Angorá, Índio, Botafogo, Justiça e Caju. No banco, o grande Lobão." Todos citados na delação de Odebrecht.

Num outro momento traduz o que significa esse Dream Team: "Moreira Franco foi nomeado para a Secretaria Geral da Presidência, Eunício de Oliveira preside o Senado e  Rodrigo Maia a Câmara. Renan Calheiros tornou-se líder do PMDG no Senado e Romero Jucá a bancada do governo. Edison Lobão presidirá a Comissão de Constituição e Justiça." Em resumo, pessoas envolvidas com a Odebrecht, prontas para blindar a Lava Jato. O que espanta é que muitos que queriam tirar Dilma, sabiam quem eram os" homens de Temer". E nada fizeram. Até Cunha chegou a ser paparicado por esses grupos.

Janio de Freitas vai na mesma direção e na sua coluna(FSP 12-2) busca explicar a falta de bonecos e panelas:. "Agora ficou mais fácil compreender o que se tem passado no Brasil. O poder pós-impeachment compôs-se de sócios-atletas da Lava Jato e, no entanto, não há panelaço para o despejo de Moreira Franco, ou de qualquer outro da facção, como nem sequer houve para Geddel Vieira Lima. Não há panelaços  nem bonecos inflados com roupas de presidiários." 

PS - Temer e seu grupo, para se apoderar do poder, derrubaram uma Presidência legitimamente constituída(*). Para isso construíram junto com a mídia e nas redes sociais um forte movimento de rua. Agora, que a ficha caiu, boa parte dos que foram para as ruas percebem que apoiaram o que há de pior na nossa politica. Como diz Jânio de Freitas, envergonhados pelo papel que fizeram, não querem ouvir falar de panelas e bonecos.

(*) O preço da derrubada de um governo sempre é alto. As vezes se paga com o sangue e outras vezes pelo descrédito. No nosso caso, quando Eduardo Cunha, que está preso, se vangloria de ser o responsável pelo impeachment: nossa credibilidade aqui dentro e lá fora vai para o ralo.  Embora difícil de quantificar, o preço politico, econômico e social - da falta de crédito - é enorme. 

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