A mídia tem lado e defende seus interesses. Numa disputa eleitoral, muitas vezes ela é decisiva. Ela faz parte do jogo pesado do poder. Mike Lofgren, autor do Estado Profundo, descreve o poder paralelo nos EUA e suas consequências. O eleitor, ao votar, nem percebe como ele é influenciado por uma nuvem sem rosto e sem alma, que controla a política e os políticos. Da minha parte, que alimento semanalmente um blog, seria ingênuo achar que essa "nuvem" não se propagou e está por aqui.
O resultado eleitoral de duas capitais do sul, ilustram bem como a mídia trata a notícia conforme seus interesses. Me refiro a derrota encoberta de Angela Amin, no primeiro turno em Florianópolis; e, por outro lado, a comentada derrota de Manuela d'Ávila em Porto Alegre. Duas mulheres com desempenho distinto nas urnas, tiveram um tratamento bem diferenciado dos seus resultados. Vamos aos fatos:
"Descartado", é a expressão que uso para a derrota que vai além da imaginação. É uma onda que se forma e engole o candidato. Foi o termo que usei para descrever o resultado do Rio; Crivella foi descartado. Muito pior do que o seu desempenho, foi o de Angela Amin, do PP, em Florianópolis. Antes da eleição ninguém podia imaginar, que Angela Amin fosse ficar em quarto lugar. Duas vezes prefeita da capital, deputada federal, numa ampla aliança com o PSDB/MDB/PSL; Angela teve apenas 7,4% dos votos. Sem dúvida o pior desempenho que se viu, entre as capitais do país. Só que esse fato merecedor de uma análise, foi simplesmente abortado pela mídia. Como nada é por acaso, fica o registro.
Em Porto Alegre, Manuela d'Ávila, do PCdoB, atacada nas redes sociais e na mídia; foi para o segundo turno. Numa disputa acirrada, enfrentando todas as dificuldades que lhe foram impostas, Manuela saiu da eleição maior do que entrou. Seu bom desempenho, apesar do estranho sumiço da candidatura do Fortunati e de enfrentar os governos municipal, estadual e federal - a mídia se encarregou de esconder. Desculpem, mas sou obrigado a repetir: nada é por acaso.
PS - A expressão idiota vem do grego e não era usado de forma depreciativa. Se referia a uma pessoa individualista, que só pensava em si. Se recusava a admitir que fazia parte de uma comunidade da qual se servia e à qual deveria servir. (Sören Kierkegaard, filósofo dinamarquês - 1813/1855)
Quando são muitos pensando só em si, o individualismo passa a ser a regra. A sociedade regride e a nação não resiste. O caso mais emblemático dos que se aproveitam de tudo que podem, foi a lista que o TCU divulgou. Milhões de pessoas se aproveitaram da miséria dos outros; solicitaram o auxílio emergencial indevidamente. Segundo o TCU, o crime coletivo rendeu aos oportunistas, 40 bilhões de reais. Só para lembrar, quando lançado o auxílio emergencial era para atender pessoas em situação de extrema pobreza.
PS - O TCU identificou 7 milhões de pagamentos indevidos. Entre os "espertos": advogados, servidores públicos, empresários. militares, políticos entre outros. O Tribunal aguarda a devolução. Por enquanto, apenas 5% devolveu. Um retrato da nossa sociedade, zombam de nós.
Brasil! Mostra a sua cara. Cazuza, nunca foi tão atual. Morreu em 1990, com 32 anos.
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