domingo, janeiro 03, 2021

Enquanto Lula decola, Bolsonaro afunda

Lula com o presidente da França Emmanuel Macron. Foto: Ricardo Stuckert

O Brasil é um país que sempre conviveu com suas diferenças políticas, sociais e regionais. Em alguns momentos encobertas por conveniência e em outras situações, expostas por interesses diversos. Se formos olhar da época do Império para cá muita coisa mudou. No entanto, a grande mudança comportamental se deu na eleição passada, quando o lado mais sombrio da nossa sociedade mostrou a cara. Por inúmeras razões logo me veio à lembrança  o eterno Cazuza, com sua poética indignação: "Brasil mostra a tua cara", de 1988. Atual como nunca, letra e música. (*) 

Em 2018, uma facada suspeita e um juiz parcial virou o Brasil de cabeça para baixo. Uma mídia tendenciosa e robôs  espalhando notícias falsas se encarregaram do resto. Deu no que deu. Agora a  indagação que fica é sobre 2022, uma eleição atípica que será definida por milhões de arrependidos. Segundo as pesquisas, já são mais de 30 milhões. Sem me ater aos números, se são esses ou não, o que mais importa são as profundas diferenças comportamentais entre Lula e Bolsonaro. 

Só que para isso as pessoas vão ter que se libertar dos preconceitos e voltar a olhar o Brasil com esperança. Por uma feliz coincidência, nós tivemos a oportunidade de comparar o ex-presidente Lula com o atual, na recente  agenda que os dois tiveram pela Europa. Lula soube valorizar os seus encontros como estadista. Por onde andou, brilhou. Muito à vontade, como se estivesse em casa, Lula foi aplaudido de pé no Parlamento Europeu. Em Paris, o presidente Emmanuel Macron o recebeu com honras de chefe de Estado. Por um momento deixem de lado o ranço. Quem de nós não se sentiu bem com o que viu, orgulhoso por um ex-presidente do Brasil voltar a ser respeitado. (foto acima)

Quanto a Bolsonaro, a atenção da mídia ficou por conta de uma caminhada sem máscara pelas ruas de Roma com um dos seus filhos. Não foi a COP 26, se mostrou perdido no G20 e escondeu dados oficiais sobre o crescente desmatamento da Amazônia. XÔ ATRASO!

(*) Nós precisamos falar com os jovens. Quarenta anos atrás, período de muita agitação política,  muitos não tinham sequer nascido. Eles precisam conhecer a nossa história.  Como foi o Movimento das Diretas, a mobilização que se fez para votar para presidente. Em 1984, quando hum milhão de pessoas se concentraram no centro do Rio de Janeiro em apoio ao direito de votar, eu estava lá. Quantos anos se passaram, mas a lembrança da multidão e daquela noite seguem na minha memória. Foi ali que eu senti a importância do voto e o valor da democracia. 

PS - Seguindo a linha editorial do blog de ser sucinto, encontrei no artigo de Celso Rocha de Barros "Lula no palco, Bolsonaro em fuga",  um resumo do que está se passando entre os dois: "Sem as condenações jurídicas, Lula volta ao centro do palco. Com medo de condenações futuras, Bolsonaro foge". Celso Rocha de Barros, é servidor federal, doutor em sociologia pela Universidade de Oxford- Inglaterra)

  


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