segunda-feira, dezembro 07, 2009

Corrupção: o lado obscuro da política.

Boa parte dos políticos, que diante das câmaras se apresentam como pessoas dignas, honestas e fiéis as suas convicções, costumam trocar de partido como trocam de camisa e também enriquecem, numa velocidade espantosa, incompatível com uma atividade política honesta e transparente. Nos meus 10 anos de mandato pude constatar um incremento considerável do lado obscuro da política que permeia todo o processo: desde a definição das candidaturas até chegar ao tipo de mandato do parlamentar. Essa forma condenável de se fazer política tem se tornado uma prática constante. Com a corrupção contaminando todo o processo, passa a fazer parte da nossa cultura, o que explica a recorrência dos escândalos e a nossa incapacidade histórica em lidar institucionalmente com eles, como nos ensina Sandra Jovchelovitch.

Essa jovem senhora, psicóloga social e professora da London School of Economics, no Reino Unido, acaba de publicar seus estudos sobre os políticos no Brasil. Um belo trabalho, uma boa leitura. Embora reconhecendo que a corrupção e o uso do bem público não são um privilégio brasileiro, segundo ela, o que nos diferencia em relação a um escândalo de corrupção britânico, é que lá a opinião pública exige respostas, e o Estado pune os corruptos. Enquanto aqui um corrupto de carteirinha tem grandes chances de se reeleger como o mais votado. Vai ter muito dinheiro para sua campanha, e pouca reação da sociedade. No Brasil, segundo Sandra, há uma reafirmação de um fatalismo: “a política é assim”, “esses caras são todos iguais”, “quem pode faz o mesmo”. Então o eleitor, desgostoso com o que vê, acaba votando no corrupto que já conhece, o que em parte responde pelo retorno de figuras políticas à vida pública mesmo após escândalos.

Lamentavelmente quem promove escândalos, só pensa em si. Busca no que é público, o ganho fácil. Não tem noção do mal que está fazendo a imagem do país e o constrangimento que submete a nação. A corrupção é um crime. E a criminalidade é uma patologia social que tem origem, de certa forma, nas desigualdades da nossa sociedade. A professora Sandra coloca o dedo na ferida quando descreve a relação do criminoso exatamente como a relação do político corrupto que rouba na esfera pública. A dinâmica do psicopata é de não sentir culpa, não se sentir responsável. E essa dinâmica é muito semelhante à da corrupção na esfera política, afirma a doutora Sandra.

Vejam que análise precisa. Qual o político pego com dinheiro nas cuecas, nas meias, nos bolsos que demonstrou arrependimento? Qual o gestor público que sonegou informações à Receita está arrependido? Mansões, castelos, fazendas todos virtuais. Seus proprietários desconheciam o bem que tinham? Ou preferiram se utilizar da “imunidade parlamentar” para encobrir e proteger seus interesses privados? Pense nisso você também. Principalmente na hora de votar.

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