sexta-feira, dezembro 04, 2009

Por toda minha vida


A população do Uruguai é pequena, 45 vezes menor que a do Brasil. No último domingo, numa noite fria, chuvosa e ventosa, um mar de gente tomou conta da Rambla para comemorar a vitória da Frente Ampla. A razão de tamanha manifestação, segundo os uruguaios, está no encantamento que as pessoas têm pela história de "Pepe". É o reconhecimento coletivo a alguém que por toda sua vida lutou por sonhos.

Ontem à noite, quando escrevia, interrompi meus trabalhos para assistir “Por toda a minha vida”. Um belo documentário da Rede Globo sobre a vida de Raul Seixas, morto há vinte anos. O “maluco beleza”, como ficou conhecido, assim como “Pepe” tinha uma magia. Era também um sonhador, inquieto, polêmico e que segundo seus amigos só fazia o que lhe dava prazer. Casado seis vezes, pai de três filhas, cada uma de uma mãe, Raul viveu intensamente. Alguém, como ele, que já misturava naquela época “maluques com lucidez” e que falava nas suas músicas em “sociedade alternativa”, era um gênio fora do seu tempo. Sua percepção em relação às agressões praticadas pelo homem na natureza e as conseqüências disso, aparece com realismo no documentário. Raul passeando com sua Brasília pelo Leblon, são atingidos por uma grande onda num dia de forte ressaca. A Brasília é arrastada pela água e fica bastante danificada. O repórter da TV entrevista Raul sobre o ocorrido. Sua resposta: “o mar ta certo quem mandou aterrar a praia”. No seu enterro em Salvador, sua terra natal, milhares de fãs queriam levar seu caixão embora. Para eles Raul não tinha morrido.

Vinte anos depois em Montevidéu, uma população explode de felicidade, “Pepe” é o novo presidente. Confirma-se mais uma profecia de Raul “sonho que se sonha junto é realidade”.

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