Bem antes da conferência do clima em Copenhague, já começavamos a discutir um seminário sobre o Mercosul pós Copenhague. No final de novembro, levamos a idéia ao ministro Carlos Minc. Em dezembro, apresentamos o projeto nas Comissões do Meio Ambiente e na de Energia, durante a última reunião do Parlasul, em Montevidéu. Para mim debater com os países membros do Mercosul esse tema é fundamental como política de integração regional. Salta aos olhos o potencial das energias renováveis como instrumento de integração energética. Podos os países têm condições e potencial natural de desenvolverem projetos nessa área. Com o frustante resultado da semana passada em Copenhague cresce a necessidade de novos encontros. Buscar o consenso de todos, como é a metodologia da ONU, dificilmente vai dar certo. Tentar aproximar grupos de países com interesses comuns é bem mais fácil.
A 38ª reunião da cúpula do Mercosul, realizada dia 8 de dezembro, em Montevidéu, terminou com críticas à paralisia e aos desencontros do bloco. Sobrou para o Brasil. Todos alegam que o desequilíbrio entre a economia brasileira e as demais é muito grande. Na área comercial, buscar sinergia entre economias tão desiguais como forma de atenuar a crise é quase impossível. O Paraguai, por exemplo, acumula um déficit de 600 milhões de dólares junto aos sócios do Mercosul. E não tem na sua lista de exportação produtos com valor agregado que possam recuperar esse déficit. No entanto, pelos condições do país, o Paraguai poderia se tornar um grande produtor e exportador de biomassa. A energia eólica, que acaba de dar um grande salto em função do leilão realizado no Brasil, tem tudo para se estabelecer no litoral sul da Argentina, conhecido pelo seu regime de ventos fortes e permanentes. O Uruguai, que importa todo o petróleo que consome, poderia perfeitamente ter uma matriz energética mais limpa e independente se incorporasse o sol, o vento e a biomassa como fonte de energia. São coisas factíveis, que podem evoluir dentro de um projeto de integração regional. Por isso, acreditamos no evento que estamos propondo para março do ano que vem. "Mercosul pós Copenhague", pode se tornar um encontro com respostas para a integração regional e para as mudanças climáticas. Se der certo, vai ser bom para todos. O evento vai ser aqui em Florianópolis, na Universidade Federal.
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