sexta-feira, dezembro 18, 2009

São Paulo x Floripa

São Paulo, em menos de duas décadas, deixou de ser a “terra da garoa” para se transformar na capital do dilúvio. O que antes molhava e logo passava, hoje mata! A cidade ficou refém da sua desorganização. Nada acontece de um dia para o outro, é um processo. É um aterro, um morro ocupado, árvores cortadas, asfalto impermeabilizando o solo, o loteamento clandestino, a avenida mal projetada, o vereador venal, o fiscal corrupto, o empresário depredador, o prefeito omisso, e o caos se estabelece. Essa tem sido a regra do crescimento desordenado das nossas cidades. “Mortes, desabamentos, perdas materiais de toda a ordem, momentos de desespero, transtornos e, mesmo para os não diretamente atingidos pelas enchentes, uma sensação de impotência e revolta”. Nada que está entre aspas foi escrito agora. Trata-se de um editorial da Folha de março de 1999, como nos lembra Fernando de Barros e Silva. A morte urbana de São Paulo já vinha sendo anunciada há muito tempo. Seus gestores pouco fizeram. Alagamentos e congestionamentos fazem parte do cotidiano da cidade.
Aos munícipes, cabe pagar impostos devidamente corrigidos e a conta crescente com a propaganda oficial. Afinal para dar seqüência aos projetos políticos dos nossos ilustres prefeitos nada como uma boa campanha de marketing.
Duas recentes decisões da Câmara Municipal de Florianópolis estão na contra mão da boa gestão urbana: a não aprovação do defeso do Itacorubi e do Estudo de Impacto de Vizinhança. O que mais chamou a atenção é de que numa Câmara, onde o prefeito tem folgada maioria, o resultado tenha sido contra ao encaminhamento do Poder Executivo. Ou estamos diante de uma encenação, o que é grave, ou os vereadores precisam explicar seus votos a seus eleitores. Nos dois projetos, só identificamos um setor interessado nesse resultado. Portanto não é a vontade da cidade. Florianópolis, embora muito menor que São Paulo, já vem dando sinais de esgotamento e caminha a passos largos para o colapso urbano. Votações como as citadas agravam essa situação e comprometem o futuro da cidade.

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