quinta-feira, dezembro 17, 2009

Trens: de um passado distante a um futuro incerto

As poucas experiências que eu tive com os trens foram sempre prazerosas. Me lembro bem da minha primeira viagem. Foi de Rio Grande a Bagé, no Rio Grande do Sul. Estudante do “científico”, fomos participar dos jogos estudantis. Uma viagem demorada mas inesquecível. Como nos governos Collor e FHC acabou-se com o pouco que havia de transporte ferroviário, acredito que aquela linha esteja desativada. Depois só voltei a andar nos trens fora daqui. Modernos, pontuais e rápidos, comprovam o equívoco histórico do Brasil que foi não priorizar uma malha ferroviária nacional.
Agora, começam a discutir o trem-bala. A ligação Rio/São Paulo por um trem de alta velocidade (TAV). O governo tem pressa, quer implantá-lo até a Copa. Os riscos são grandes. O maior deles é do projeto não ser sustentável. Os estudos apontam que a demanda não vai viabilizar o projeto. O número de passageiros por ano teria que ser bem acima de 10 milhões. Difícil de ser alcançado, já que as duas cidades são atendidas por uma ponte aérea eficiente e tradicional, que deixa os passageiros no centro do Rio. O preço estimado da passagem é alto, está acima de R$200,00. Isso já deixa de fora um considerável número de pessoas. E um projeto dessa envergadura precisa de volume de passageiros, é que nem metrô.
Alias, nunca vou esquecer da sabedoria de um taxista de Brasília, sobre o metrô de lá. Logo que começou a operar, perguntei para ele: tá dando certo? “Deu certo prá quem construiu”, respondeu ele. “Não tem ramificação doutor, essas coisas sem ramificação não funcionam”. A ramificação que ele se referia, é a porta de entrada de mais pessoas no sistema. É a possibilidade que se tem de ampliar o número de usuários, permitindo um preço mais acessível na passagem. Fora isso, é subsídio em cima de subsídio, o que não deixa de ser estranho, para um trem moderno, ligando as duas mais importante cidades do país, transportando, quase que exclusivamente, pessoas de alto poder aquisitivo.

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