quarta-feira, dezembro 23, 2009

Um balanço de 2009

Para manter um blog por um ano, com 300 comentários, se precisa de disciplina e muita leitura. Durante o ano priorizei escrever sobre meio ambiente, clima, energia renovável e desenvolvimento sustentável. Temas atuais e ao mesmo tempo futuristas. Abordei, mas com certa reserva, os fatos políticos. A grande mídia se encarregou de noticiar os maus exemplos praticados por boa parte dos nossos políticos. O resultado, não poderia ser pior. As pessoas a cada dia que passa se afastam mais dessa atividade vital para a democracia que é a política.

Na noite de ontem, o Presidente Lula falou à nação, fazendo um balanço do ano de 2009. O presidente estava feliz e apresentou dados de um país que enfrentou uma crise mundial com competência, e saí dela fortalecido e respeitado internacionalmente. O futuro que o presidente sinalizou, também é promissor. Dois grandes eventos globais, a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, vão dar visibilidade e trazer investimentos para o Brasil. Faltou a meu ver, o presidente com a popularidade que tem cobrar dos partidos rigor com que é público e compromisso com país.

No meio acadêmico, onde minhas atividades tem me levado com freqüência, sou indagado pelos jovens sobre o que nos falta para sermos uma grande nação. A resposta é imediata e com toda a convicção: faltam aos nossos governantes e representantes valores e princípios. Essa perda de consciência ética, do respeito ao que é público, tem contaminado em maior ou menor grau todos os partidos, e, por conseqüência, a base da democracia, que é a boa prática política.

Ferreira Gullar, uma das minhas leituras obrigatórias, mas de quem discordo muitas vezes, soube retratar como ninguém a crise que atingiu os partidos e o Congresso nos últimos anos. Na Folha de S.Paulo, do dia 20, assim ele escreveu:

“Os graves escândalos que têm abalado a vida política nacional não podem ser explicados como resultado apenas de desvios de conduta de alguns políticos, mas, sim, como resultado de causas mais complexas, de um processo de deterioração dos valores políticos e éticos que vem de longe.
Na verdade, a conjunção de diversos fatores, somados ao baixo nível moral dos atores da cena política, levou ao afrouxamento de certos princípios fundamentais que devem nortear a ação daqueles que se pretendem representantes do povo. As causas desse afrouxamento serão muitas, tantas que não me acho capaz de identificá-las, mas é inegável que elas atuaram e atuam não apenas no Congresso, mas igualmente em todas as áreas em que se desenvolve a ação política. A sensação é de que os políticos, na sua maioria, em vez de servirem à sociedade, optaram por dela se servirem para granjear poder e riqueza.”

Depois dessa precisa radiografia do quadro político, Ferreira Gullar, acredita que a própria crise de credibilidade irá possibilitar as mudanças necessárias. Segundo ele, dialeticamente, a crise moral que atingiu os partidos e o próprio Congresso Nacional criou, ao mesmo tempo, as condições propícias para mudanças radicais

Como comentei no início, aí vem, novamente, minha discordância com o autor. Do que já vivenciei, nem os partidos e muito menos os maus políticos querem corrigir e reorientar a prática de se fazer política. Corruptos e corruptores se completam. Eles fazem parte do mesmo jogo. Transitam com naturalidade na ilegalidade. Dinheiro sem origem, como o gravado e divulgado no episódio chamado de “mensalão do DEM”, envolvendo o governador de Brasília, só veio à tona, por desentendimento entre parceiros da falcatrua. Aquelas imagens, que até hoje nos revoltam, mostram o quanto estão se lixando para o povo que os elegeu. Esperar que pessoas públicas, já contaminadas, sem compromisso com a ética, irão de repente refletir sobre o que fizeram e abraçar a bandeira do arrependimento, se comprometendo com mudanças, transparência e respeito aos cidadãos, só se for uma graça do Natal. Para mim, do Papai Noel, essa turma só quer o saco. Afinal, cabe muito mais dinheiro que nas meias e nas cuecas.

Boas Festas para todos. Volto dia 4 de janeiro.

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