quarta-feira, janeiro 19, 2011
O Chile, quem diria.
Considerado como modelo na América Latina, o Chile do recem empossado Sebastián Piñera, surpreendeu a todos com os violentos protestos na região de Puerto Natales, no sul do país. Turistas de todas as parte ficaram impedidos de retornar sofrendo constrangimentos, passando fome e sede. Entre eles duas catarinenses de Joinville que conseguiram, como num filme de James Bond, sair do país atravessando a fronteira com a Argentina escondidas num carro de um pescador. Foram 5 horas de estrada numa tensa viagem. Só se sentiram seguras quando chegaram a El Calafate, às 4 horas da manhã. Passado o susto vão ter muita historia para contar em sua cidade natal. Agora, o que chama a atenção é tudo isso ter acontecido no Chile conhecido por sua tradicional hospitalidade. A causa da revolta é o principal motivo desse comentário. Como um povo pacato e acolhedor reage de forma tão irracional diante o anúncio do aumento do gás? Mesmo sendo o gás natural um produto fundamental para combater o frio naquela região, a reação surpreendeu o governo chileno e ganhou destaque na imprensa internacional. Gás e petróleo são recursos naturais que logo se esgotarão. Historicamente são subsidiados, no Chile e em outros países vizinhos. O subsídio é a pior das políticas: incentiva o consumo, reduz as reservas e ameaça o abastecimento. Essa, portanto, foi apenas uma de muitas outras manifestações que virão. Não há petróleo e gás para segurar a atual demanda mundial. Vivemos na sociedade do desperdício e o tempo da descoberta de novas tecnologias corre contra nós. Estudos mostram que a demanda mundial por energia primária vai subir 50% até 2035. Se no Chile já falta gás hoje imaginem nesse horizonte. Urbanismo, energia, meio ambiente e tecnologia são palavras chaves para esse século. Se não estivermos convencidos disso, os recursos naturais se esgotarão, a mobilidade urbana e a vida nas cidades se tornarão cada vez mais difíceis. Está mais do que na hora de implantarmos um novo modelo de desenvolvimento. Sustentável, limpo e renovável. Por uma feliz coincidência é no Chile que estão as melhores condições de insolação. Quem sabe o governo chileno depois dessa pressão não busque no sol a energia que necessita para o seu desenvolvimento.
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