quarta-feira, dezembro 21, 2011

Desprezar as ruas, é esquecer a história

Tudo começou há um ano atrás, quando um vendedor na Tunísia tocou fogo no próprio corpo. Assim começou o movimento que passou a ser conhecido como Primavera Árabe. Como uma avalanche, o povo indignado foi para as ruas derrubando históricos ditadores no norte da África. Enraizados no poder por décadas, governavam com mão de ferro. Bajulados por boa parte dos líderes ocidentais, que, de olho no petróleo da região, fechavam os olhos para a tirania que eles praticavam contra o seu próprio povo. Nunca passou pelas cabeças mofadas desses tiranos que regimes consolidados durante décadas, pudessem cair em função de mobilizações e manifestações populares. Para seus analistas políticos isto era impensável. Sempre acreditaram que ameaça maior era de fora para dentro. Erraram feio, os inimigos do regime estavam dentro das casas, esperando o momento de tomarem ruas e praças. Em 14 de janeiro, como resultado dos protestos crescente na Tunísia, Ben Ali e sua família fogem para a Arábia Saudita. Antes mesmo de completar um mês, no dia 11 de fevereiro, no Egito, Hosni Mubarak renuncia. As imagens dos protestos na praça Tahrir correm o mundo. O povo toma gosto. O todo poderoso Muammar Gaddafi, 42 anos no poder, não resiste ao ímpeto revolucionário e é morto no interior da Líbia. Em novembro, no Iêmen, o ditador Ali Saleh anuncia eleições livres em 2013. Na Síria, Bashar Assad continua resistindo. Até quando, ninguém sabe. A que preço, todos sabemos: milhares de mortos por todo o país. Que fique a lição: não desprezem o clamor das ruas!

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