quarta-feira, dezembro 21, 2011
Seu Chico
Através do Ci fiquei sabendo da morte do Seu Chico. Foi no final da tarde de terça-feira. Logo me veio a lembrança o bar e a luta da comunidade para mantê-lo em pé. Da varanda, onde ele gostava de ficar olhando o mar, recebia a todos com um seu jeito suave de ser. Carismático, chefe de familia exemplar, Seu Chico vai deixar saudades. Ontem no seu enterro, numa tarde quente e ensolarada, centenas de amigos foram até o Campeche se despedir do velho homem do mar. Tinha gente de todas as tribus: a turma do bar, da política, os nativos e familiares. Ao longo dos 20 anos do bar, sem perceber, Seu Chico criou sua própria tribu. Da praia da Joaquina a do Campeche o único lugar para se parar, ter uma sombra, comer um pastel, tomar uma cerveja, era o Bar do Seu Chico. Muito antes da expressão "point" existir, o Bar do Seu Chico já era o "point". Pai do Lázaro e de mais de uma dezena de outros filhos, Seu Chico lutou até o final para manter o bar em pé. No ano passado, atendendo uma ordem judicial, a Prefeitura derrubou o bar. O motivo alegado é que ele estava sobre as dunas. Vinte anos sobre as dunas. Uma instalação simples, de madeira, onde ele antigamente guardava seu pequeno barco de pesca. Ontem mesmo, depois do enterro, fui olhar como a especulação imobiliária está descaracterizando o Campeche. Fiquei estarrecido com a ocupação das dunas. São condominios enormes, com centenas de apartamentos, um do lado do outro. De imediato me veio a lembrança as máquinas derrubando o Bar do Seu Chico. Ele, um homem simples, um pescador, não pode ficar ali. Mas se fosse um empreendedor ....... e tivesse ......talvez seu bar fosse hoje um resort.
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