Das inúmeras mensagens que recebo sobre a luta que governo trava para se manter, poucas são instigantes a ponto de merecerem uma maior atenção. A do professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Aldo Fornazieri - é uma delas (14/12). Longe de ser um "dilmista", Fornagieiri comenta que Dilma tem três desafios pela frente: o querer ficar, o por que ficar e o como ficar. Segundo ele, o primeiro é o mais fácil de responder. Já os outros dois motivos, bem mais complexos, registro em outro momento.
QUERER FICAR
QUERER FICAR
"Em seus pronunciamentos pós-desencadeamento do processo de impeachment, a presidente Dilma tem dito que quer ficar no cargo e apresenta as justificativas que fundamentam a sua vontade. De fato, o “querer ficar” é a questão mais fácil de ser respondida por Dilma, pelo governo, pelo PT e por todos aqueles que são contra o impeachment. Afinal de contas, o impeachment não tem uma fundamentação jurídica consistente, Dilma não cometeu nenhum ato doloso e ela tem a legitimidade conferida pela soberania do voto popular.
É preciso perceber que as circunstâncias que envolvem a fundamentação do pedido de impeachment de Dilma são de natureza completamente diferente daquelas que envolveram o pedido de impeachment de Collor. No caso deste último, o pedido foi precedido de uma CPI que investigou um amplo espectro de fatos, estabeleceu nexos e elos corruptos e desnudou atos dolosos que lastrearam o pedido de impedimento de forma consistente.
No caso do pedido de impeachment de Dilma ele foi feito a seco, sem investigações prévias, sem estabelecimento de fatos conclusivos, sem a evidência inequívoca de dolo. Seu fundamento são ilações e a vontade dos que o formularam e os interesses dos políticos e dos partidos que o apoiam. Desencadear um processo de impeachment sem lastro em fatos é de tal gravidade e de tal irresponsabilidade que não pode fugir à classificação de golpe político. É legítimo que ao se defender o “querer ficar” se denuncie o caráter golpista do movimento que quer tirar Dilma do poder. É um golpe dos inconformados (Aécio e o PSDB), dos vingativos (Eduardo Cunha) e dos ambiciosos (Temer e parte do PMDB)."
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