quarta-feira, outubro 05, 2016

Desencanto com as urnas.

O resultado das urnas muitas vezes surpreende. Não me refiro ao que ocorreu em São Paulo e muito menos ao desastre eleitoral do PT. Em São Paulo, a máquina do PSDB e a forte rejeição ao PT, de certa forma explicam a eleição de mais um "poste". Quanto ao PT depois de um longo bombardeio diário ao governo de Dilma (*), a Lula e ao partido, convenhamos: amargar uma derrota  com a dimensão que teve não me surpreende.

Então por que esse desencanto com as urnas, podem me perguntar?

O que tem me deixado incomodado são outros votos em outras urnas. Me refiro ao voto do "não" domingo na Colômbia e o inexplicável resultado de junho, quando o Reino Unido optou por deixar a União Europeia. Dois resultados que saíram das urnas e surpreenderam o mundo. As consequências, ainda não devidamente mensuradas, são assustadoras. Apontam para um futuro incerto nas suas regiões de influencia, tanto na política, na economia como na paz (caso da Colômbia).

Depois das urnas apuradas, líderes e eleitores ficam se perguntando: e agora?

Em Londres, passados três meses da apuração das urnas, a primeira ministra Theresa May, ainda não sabe o que fazer. Na Colômbia, o resultado de domingo ainda é mais grave. Um país dividido, com conflitos armados que perduram por décadas, cujo saldo são mais de 200 mil mortos. Salvo melhor juízo, por um fim a essa situação tem que ser prioridade da nação. Ao negar o pacto de paz construído pelo governo e as Farc, os colombianos  optaram pela volta ao passado. Que a sabedoria e o tempo os ajude.

(*) embora Michel Temer insista em dizer que não tem nada a ver com a crise deixada por Dilma, segundo Clóvis Rossi "o atual presidente é parte indissociável  dela". E comenta: "seu silêncio ao longo dos seis anos em que foi vice de Dilma, só pode ser lido como cumplicidade". (FSP  02-10)

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