quarta-feira, outubro 12, 2016

Doria pode repensar o "acelera". (entrevista ao El País)

Passada a eleição o prefeito eleito de São Paulo, já dá sinais de que pretende mudar algumas peças de campanha que foram decisivas no resultado que teve. Uma delas: a velocidade no trânsito. Confesso que custo a entender o paulistano. Vive na maior e na mais rica das nossas cidades, com um trânsito que faz o desempenho de um "fusca" se aproximar ao de uma Mercedes, já que ambos se arrastam por falta de politicas públicas de mobilidade urbana, e mesmo assim embarca na campanha do "acelera".

Em São Paulo, estudos comprovam que aumentar o limite de velocidade nas Marginais aumenta o número de acidentes - e por consequência - o número de mortes. Portanto, pressionar o novo prefeito à rever suas posições também trata-se de um caso de saúde pública.

Para os paulistanos amantes da velocidade, cabe dizer que as medidas restritivas da gestão de Haddad seguem uma tendência mundial. Estudiosos em trânsito afirmam, que: "diminuir a velocidade diminui a gravidade dos acidentes e melhora o trânsito como um todo".  O que me parece óbvio.

Como o que é óbvio para mim não quer dizer muito, olhem o que diz Boris Kerner um dos maiores especialistas no assunto(*):

"Numa via com trânsito intenso, mas fluindo, quanto maior a velocidade, maior a distância que o motorista vai adotar em relação ao carro da frente. O resultado é que, se a velocidade cresce, cabem menos carros em cada quilômetro de via".

"Já do lado da saúde pública, a redução se explica pelas consequências da velocidade nos casos de atropelamento: a 20 km/h, provavelmente qualquer atropelado pode sobreviver; a 30 km/h, 5% morrem; a 50 km/h, metade perde a vida; a 60 km/h, 85% morrem; a 80 km/h, ninguém sobrevive".  (**)

(*) Boris Kerner engenheiro radicado na Alemanha, trabalhou na Mercedes Benz com melhorias no trânsito para proteger a vida dos motoristas.

(**) Atualizando: A Marginal do Tietê registrou uma queda de 92% no número de atropelamentos fatais no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2015. Por quatro meses seguidos, entre março e junho deste ano, não houve nenhum registro de morte por atropelamento na Marginal Tietê; algo inédito em dois anos pelo menos, desde janeiro de 2014.


PS - Nas cidades mais civilizadas, pedestres e ciclistas são respeitados. Ocupam o espaço que tem direito com segurança. Nas ruas e avenidas a velocidade é controlada. São as cidades modernas, que buscam sempre conviver em harmonia, prezam pela sustentabilidade e valorizam a qualidade de vida das pessoas. João Doria precisa decidir o que quer para São Paulo.


Nenhum comentário: