Uma das propostas de Doria que mais polêmica causou foi o aumento da velocidade dos carros nas marginais (marca da campanha - acelera). Para uma cidade como São Paulo que convive com um trânsito caótico (10 km/h), penso que boa parte dos paulistanos comprou a ideia sem pensar muito no que é o seu dia real. Pelo que sei, marqueteiros consideraram que aumentar a velocidade dos carros foi decisiva na vitória de Doria sobre Haddad. O resultado, que de certa forma veio confirmar a forte cultura do carro, nos faz pensar no esforço que precisa ser feito para aproximar as pessoas da boas opções que existem para não se usar tanto o carro: as ciclovias e o saudável hábito de andar a pé que poucos utilizam.
Nos EUA como na Alemanha, onde a cultura do carro também é um fato, excelentes estradas e soluções urbanas mais inteligentes acabam minimizando o efeito danoso da invasão dos carros na vida das pessoas. A sociedade cobra e os gestores incorporam nos seus programas de governo políticas públicas transversais que contemplam sustentabilidade e qualidade de vida como prioridade.
Na foto acima a rodovia I 35, que faz parte do trecho que liga Washington a Austin, capital do Texas. Nos 2500 km percorridos de uma excelente estrada duplicada, acreditem: nenhum pedágio! Nos EUA, com uma malha viária bem maior do que a nossa e a frota de carros e caminhões também, o número de acidentes e mortos passam longe da triste realidade das nossas estradas.
Não sei que tempo vamos levar para nos conscientizar da necessidade de mudar nossos hábitos. Nem sei se vai ser pelo bolso (sempre é bom lembrar que o petróleo é finito), por políticas públicas que incentivem as pessoas a repensar o transporte individual (basicamente o carro) ou pela chegada de uma nova geração que trás consigo uma nova maneira de ver o mundo.
PS- Dados do Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga), publicados pelo Estado há uma semana, mostram que o porcentual de queda nos acidentes de trânsito, entre janeiro e agosto deste ano comparado com o mesmo período de 2015, foi três vezes maior na capital do que no Estado como um todo – 16,7% na cidade e 5,5% no Estado. Para especialistas do setor, a velocidade reduzida é o principal motivo.
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