O fato político da semana é o esforço que Temer vem fazendo para se desvincular de seis anos de convívio com Dilma e o PT. Aliás, esse casamento além de antigo deu frutos: ganhos políticos, ministérios, cargos de confiança, presença nas estatais, viagens e outros negócios. Por mais que Temer tente esconder, seis anos é muito tempo para não perceber problemas de corrupção e de má gestão que agora reconhece. Quem melhor resume o dilema de Temer, é Clóvis Rossi: seu silêncio ao longo dos seis anos em que foi vice de Dilma, só pode ser lido como cumplicidade". (FSP 02-10)
O povo que não é bobo, logo vai se lembrar de dois ditados: "Nada como um dia depois do outro" e "cuspi no prato que comeu". Penso que esses dois ensinamentos populares são mortais e se aplicam ao recente ataque de Temer ao governo que serviu por tanto tempo. Sem conseguir ganhar confiança de investidores e percebendo sua popularidade descendo a ladeira, na última quinta-feira - Temer partiu para o ataque.
Não sei o impacto que vai causar a campanha em mídia nacional que procura afastar Temer do seu passado recente. Não me parece sob o ponto de vista ético o melhor caminho. Atacar Dilma, o PT e seus erros, pode ser um tiro no pé. Se desvencilhar de Dilma, depois de tanto tempo juntos, também não é uma tarefa fácil. Segundo Rossi, "o atual presidente é parte indissociável dela (Dilma)."
Quem também trata desse assunto, é Laura Carvalho (*). Segundo ela:"A dispendiosa campanha veiculada nos principais jornais do país na quarta-feira (5) estampa um retrato detalhado das consequências da crise econômica que vivemos e do ajuste fiscal iniciado em 2015". E no final conclui, que: " Estão tentando esconder a participação de Temer e de parte de seus ministros no governo eleito e derrubado".
E as reações não param por aí. Elio Gaspari (**), que não morre de amores por Dilma, assim se manifestou: "Na Presidência, o doutor e sua caravana de sábios decidiram torrar o dinheiro da Viúva com uma campanha publicitária essencialmente política, falando bem de si e mal do governo de sua antecessora e companheira de chapa." (FSP 9-10)
(*) Laura Carvalho, 32, é professora do Departamento de Economia da FEA-USP, com doutorado na New School for Social Reserch (NYC). Escreve na FSP.
(**) Elio Gaspari, dispensa apresentações. Escreve na FSP.
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