Não sei se nossa história já tinha registrado fato tão inusitado: dois governadores, de um mesmo estado, estarem presos na mesma época. O que ocorreu na semana passada com a prisão de Garotinho e Sérgio Cabral, deixou o Rio sem rumo. As manifestações dos servidores estão por toda a parte. O humor do taxista é diretamente proporcional ao clima de tensão que a cidade vive: de cara. já foi avisando - no centro não vou. A conversa de rua é de que novos figurões do PMDB do Rio já estão com celas reservadas no Complexo Penitenciário de Bangu.
Garotinho e Cabral já foram muito amigos. De tanto que aprontaram hoje se detestam: por sorte estão em celas separadas. A dupla do barulho e seus aliados (Rosinha Garotinho e Pezão) governaram o Rio por quase vinte anos. Por coincidência, quase o mesmo tempo que Temer lidera o PMDB. Penso que longas conversas tiveram sobre o que fazer com o Rio, sede da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. O legado dessas administrações é o pior possível: literalmente empobrecido, quase falido, sem as menores condições de cumprir com suas obrigações, o Estado do Rio desde 1999 está sobre o controle politico e administrativo dessas pessoas.
Buscam agora ajuda do governo federal para enfrentar a crise. A moeda proposta é a antecipação dos royalties do petróleo. Já fizeram isso no passado: só que época o buraco não era tão grande e o barril do petróleo valia bem mais. Em 1999, no governo Garotinho, a União repassou 8 bilhões de reais por conta dos royalties. Em 2013 foi a vez de Sérgio Cabral empenhar os recursos provenientes dos royalties, cerca de 3 bilhões de reais. Em 2014, quem aproveitou da "artimanha" foi Pezão - no total quase 10 bilhões de reais. (Fonte: O GLOBO 22-11)
PS- Como deputado federal, em 2005, elaborei um projeto de lei que previa uma melhor distribuição dos royalties do petróleo extraído offshore. Pela Constituição, o mar pertence a União. Nada mais justo que a riqueza dessa exploração beneficiasse todos. Na época Rosinha Garotinho era a governadora do Rio. Diante visões bem distintas sobre a distribuição dos royalties tivemos alguns enfrentamentos. Fica o registro: desde aquela época o Rio já dependia dos royalties para fechar suas contas.
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