terça-feira, dezembro 06, 2016

A extensão e as consequências das mentiras.

Quem não se lembra do golpe do "bilhete premiado"?  A safadeza era muito comum no interior pela demora que havia com os números sorteados. Ainda hoje, não com a mesma frequência, milhares de pessoas caem no mesmo conto do bilhete. Com a chegada da internet a possibilidade de enganar os outros se multiplicou. Basta criar uma boa história que o resto as redes sociais se encarregarem de fazer. Na semana passada, o dono das lojas HAVAN, Luciano Hang, de Brusque, se viu obrigado a ir na TV afirmar que a loja é dele - e não do LULA! Imaginem o quanto a extensão da mentira, via redes sociais, devia estar ameaçando o seu negócio. Gastou uma fortuna para desconstruir uma inverdade.

Esse fenômeno chamado popularmente "Me engana que eu gosto" devia merecer uma maior atenção. Na minha despretensiosa análise, sérias consequências estão associados ao processo: na política, na economia, no mundo dos negócios, mas principalmente na formação da cidadania.

Para não me estender, dois episódios recentes com a Petrobras são emblemáticos: o valor da empresa e suas consequências na bolsa (ou no bolso dos investidores) e o preço dos combustíveis na bomba (ou no bolso dos consumidores).

Na semana passada uma revista de circulação nacional tentou associar a virada da Petrobras a nova gestão, já que a estatal tinha perdido 85% do seu valor de mercado. Ilustra a matéria  um gráfico que mostra a variação do valor das ações de 6,86 em abril para 18 reais em outubro desse ano.No entanto, para quem leu a matéria com atenção, a reação da empresa se deve - principalmente - ao preço do barril de petróleo no mercado internacional: "A mudança ocorreria num momento em que o mercado internacional de óleo e gás retoma a trajetória de alta dos preços dos barris de petróleo. Está longe dos US$ 100 de dois anos atrás, mas aponta para uma perspectiva bem melhor do que no início do ano".  Em outras palavras, independentemente das condenáveis ações de Cerveró, Paulo Roberto, Duque, Delcídio e tantos outros, a Petrobras continua sendo uma empresa promissora como sempre afirmamos. A matéria, nas entre linhas, também confirma nosso entendimento sobre o real valor de uma empresa petroleira: o que define o seu valor no Brasil e no resto do mundo - são suas reservas de petróleo e o preço do barril.

Ainda sobre a nova gestão, outro fato recente que também preocupa foi o anúncio de um desconto no preço da gasolina e do diesel que nunca chegou nas bombas (e, por consequência, no bolso do consumidor). Ontem, um novo anuncio: só que dessa vez foi um aumento na gasolina e no diesel. Pior do que o aumento,  a justificativa: a Petrobras pretende implantar uma política de reajustes mensais procurando acompanhar as variações do mercado internacional. Quem de nós consegue acompanhar contratos, variações cambiais, cartel da OPEP e tantas outras variáveis que determinam o preço do barril? Querem enrolar: Não se deixe enganar !

PS- Pode até não haver nenhum ilícito, agora seria muito bom que se apurasse ganhos expressivos na bolsa com as variações do preço das ações da Petrobras. Informação privilegiada tem muito valor.


URGENTE- A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) começa a decidir a partir desta terça-feira, 6, importantes casos envolvendo o Grupo X, de Eike Batista, e a Petrobrás, com importantes impactos no mercado de capitais. No dia 16, o órgão regulador julga Eike por uso de informação privilegiada na negociação de ações da OSX, braço de construção naval do grupo. Hoje, a autarquia dá seu veredicto no primeiro de quatro processos sancionadores em que há acusações de irregularidades na Petrobrás.(Fonte: Estadão. Publicado horas depois do comentário que fiz)

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