segunda-feira, dezembro 19, 2016

Dom Paulo Evaristo Arns (1921/2016).

A morte do arcebispo emérito de São Paulo e cardeal dom Paulo Evaristo Arns foi o fato da semana. Quando indagado se temia a morte saiu-se com essa: "Estou preparado. Não tenho medo, mas também não tenho pressa".

Relatar sobre a importância do seu papel na nossa história, não é tarefa de um só. Assim que comecei a escrever, logo percebi a dificuldade. De pronto me veio a dúvida sobre o foco a ser dado: a luta política, a defesa dos direitos humanos, a religiosidade, o caráter, a coragem ou o profundo amor pelo próximo.

Na carência de bons exemplos que temos, dom Paulo vai deixar um vazio ainda maior. Poucos, muito poucos, enfrentaram com tanta coragem  os poderosos de plantão como ele. Por isso busquei no final de semana algo que o referenciasse de forma diferenciada. Optei por montar um texto a cinco mãos, onde cada autor é responsável por um parágrafo.

Espero que aprovem. E que dom Paulo também.


" Desde moleque, imaginava um dia escrever um texto sobre - Meu Tipo Inesquecível. Cumpro hoje esse sonho, ao escrever sobre dom Paulo Evaristo Arns, o único personagem público realmente inesquecível, das centenas que conheci em mais de meio século de jornalismo.

A morte sem dúvida é democrática, mas certamente é injusta. Quando assistimos na vida pública brasileira à ascensão e projeção de homens moralmente cada vez menores, a morte nos leva um gigante do Brasil.

Sua trajetória esteve sempre associada à defesa dos direitos humanos. Dom Paulo subiu morros, foi às periferias e enfrentou os generais da ditadura para dar proteção a perseguidos, de operários a advogados.

Sua coragem sempre foi aquela das pessoas sábias e serenas, que dialogam sem preconceito com qualquer adversário e não enxerga inimigos em seu redor, caráter marcante de um apóstolo da pluralidade e da tolerância. Sempre teve lado: o lado dos mais pobres.

Dom Paulo Evaristo Arns entra para a história como um dos homens mais importantes do Brasil nos anos de chumbo. Sua coragem no combate à ditadura militar teve papel importante para que hoje todos possam manifestar sua opinião sem medo da opressão do Estado."

As pessoas que escreveram os parágrafos que selecionei para criar o texto acima, pela ordem: Clóvis Rossi, Mariana Passos, Pedro del Picchia, Luiz Inácio Lula da Silva e Rafael Martini.

PS- estamos testando algumas modificações no blog: uma "nova cara" para um novo ano. Vamos ver se dá certo.

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