Ontem, cumprindo com meus exames de rotina, cedo estava no laboratório. Duas constatações, logo observadas por quem escreve diariamente, me pareceram merecedoras de um comentário no blog. A primeira, sobre as mulheres. A segunda, sobre a prepotência e o desrespeito aos outros. Infelizmente, presente em parte da nossa sociedade.
Quanto às mulheres, o registro que faço é para parabenizá-las. Incorporaram o cuidado com a saúde como um compromisso de vida. Das vinte pessoas que esperavam para serem atendidas, dezesseis (16) eram mulheres e apenas quatro (4) eram homens. As mulheres, de diferentes idades. Os homens, todos bem maduros. Essa fotografia de uma manhã qualquer, num laboratório qualquer, nos permite afirmar que as mulheres - seguramente - se cuidam mais que os homens.
Sobre o segundo comentário, do quanto nos falta para atingirmos uma cidadania plena, que vá além de direitos e deveres, mais focada na prática de cada indivíduo, o registro que ora faço é o retrato fiel do atraso da nossa sociedade. No momento em que estava sendo atendido, a atendente e eu somos interrompidos por um senhor querendo saber se tinha que pegar senha. Ao ser informado que sim, saiu-se com essa: "puta que pariu tenho que pegar senha".
Quando me virei para responder, já estava saindo batendo a porta. Pelas roupas que vestia, pelas pulseiras e correntes que exibia, pela sua farta "cabeleira ouro trigo" e, principalmente, por sua arrogância, logo me veio a lembrança outras pessoas com esse mesmo perfil. Em momento algum aquela "farsa de cidadão", se lembrou das mulheres, crianças e outras pessoas que estavam ali desde cedo para serem atendidas.
Enquanto não nos indignarmos com pessoas assim, que acham que pelo dinheiro que tem, ou que aparentam ter, estão acima dos outros, nossa possibilidade de uma sociedade mais respeitosa e amigável ficará sempre num segundo plano. A cidadania, que é a prática dos direitos e deveres de um indivíduo(a) com o Estado, nunca será plena: pois falta a boa prática.
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