Enquanto as atenções do país estavam voltadas para a violência no Espirito Santo e possíveis desdobramentos no Rio de Janeiro, dois dos maiores jornais de circulação nacional - são censurados. Através de uma decisão do juiz Hilmar Castelo Branco, de Brasília, Folha de São Paulo e o Globo ficaram impedidos de noticiar a polêmica criada entorno de um hacker e a primeira-dama, Marcela Temer.
O hacker está preso em São Paulo, condenado a cinco anos de prisão. Quem conduziu pessoalmente as apurações foi o então Secretário de Segurança de São Paulo, Alexandre Moraes. Muito próximo de Temer, no momento é o indicado por ele para o Supremo Tribunal Federal.
Só que com a censura, o que estava adormecido aflorou. O que poucos sabiam, agora é de domínio público. O que pode aparecer nas gravações de tão grave, ninguém sabe. O que vazou até agora é que a primeira-dama teria comentado com o irmão sua preocupação com um assessor de Temer, que Marcela deixa a entender ser o responsável por fazer o serviço sujo do presidente. A reação do Palácio para preservar o casal presidencial, foi imediata. O subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo do Vale Rocha, foi quem assinou a petição contra a Folha em nome da primeira-dama.
Independente do que consta na gravação, uma coisa é certa: o vazamento da noticia - por envolver o presidente - passa a ser do interesse público. Não cabe a censura. Se a relação de Temer com seu assessor levou a primeira-dama expor sua preocupação com o próprio irmão, nos vem a lembrança a frase de Shakespeare que atravessa séculos: "tem algo de podre no Reino da Dinamarca".
PS - no final da tarde a decisão do juiz Hilmar Castelo Branco foi derrubada. Ainda bem. A cidadania agradece.
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