No grupo mais próximo a Temer(**), se percebe que cresce o movimento pelo esvaziamento da Lava Jato. Nas internas, o que se ouve é que já cumpriu com o seu papel. Foi através da Lava Jato e de uma mídia seletiva(***) que conseguiram chegar ao poder. E, por tabela, enfraqueceram Lula e o PT.
Enquanto isso, a oposição segue batendo cabeça. Sem constrangimento boa parte dela votou em Rodrigo Maia, um dos algozes de Dilma. No Senado, nada de diferente: "o Índio" fez a festa. Se elegeu com 61 votos. Oposicionistas se defendem diante da insensatez da iniciativa, alegando que o apoio se deu pela importância de estarem fazendo parte da Mesa. "Me engana que eu gosto".
Para tentar entender o que está se passando com o Brasil, onde "as Casas do Povo", cada vez nos representam menos, fui atrás de quem recentemente nos deixou: Zygmunt Bauman(****). Uma cabeça brilhante, que alerta para as armadilhas do mercado."Estamos a trinta anos na orgia do consumo", as desigualdades mudaram de forma e a classe média, sem perceber, está se "precariando". Sem falar que muitos ainda não entenderam que o mercado é bruto e incapaz de corrigir desigualdades, comenta Bauman.
A história da humanidade é animadora. Já superamos várias crises, ressalta Bauman na entrevista que deu ao Milenium. A leitura que faz sobre o futuro é que o mundo vai ser outro, sem ter claro sobre como será. Pensa que as crises agudas, como as de agora, vão continuar. No entanto, acredita que no longo prazo prevalecerá a inteligência, o conhecimento e a criatividade, que sempre ajudaram a mover a humanidade. Bauman morreu no mês passado.
PS- Enquanto estamos bem servidos dos "Índios", "Botafogo", "Angorá", "Caju", "Primu" e tantos outros citados na delação da Odebrecht, nos falta pensadores, humanistas e sociólogos. O resultado disso acaba refletindo na sociedade que temos.
(*) Se a Lava Jato surpreender os incrédulos, muita coisa vai mudar. Todos os homens mais pertos do presidente, e ele próprio, estão citados nas delações da Odebrecht. Os comentários que correm é que Moreira Franco, o Angorá da Odebrecht, já se protegeu: virou ministro.(**) Dos 56 políticos citados na delação da Odebrecht, o PMDB lidera. O próprio Temer, várias vezes citado.
(***) Por coincidência, nada além de coincidência, depois que Dilma foi afastada a mídia ficou sem rumo. Desorientada, não sabe como tratar com "os corruptos do momento".
(****)Zygmunt Bauman (1925- 2017) é o humanismo em estado puro. Nascido na Polônia, sociólogo e pensador viveu seus últimos anos na Inglaterra. Foi um intelectual completo e inquieto. .
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