quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Trump e Temer: desencontros e contradições.

Segundo o relatório da Bloomberg New Energy Finance da semana passada, três países acabam de detalhar seus próximos projetos de energia renovável: a França com 3 GW de energia eólica; a Arábia Saudita, 700 MW em solar; Qatar com 500 MW em solar. Todos em operação até 2020.

Por outro lado, na contramão do mundo, Donald Trump insiste em ajudar a indústria do carvão (*). Diante da posição adotada pelo novo governo americano, Maros Sefcovic, vice-presidente da Comissão Européia de Energia, declarou a Bloomberg que a Europa está pronta para assumir a liderança em defesa do clima (**). Segundo ele, "algumas das ações que foram anunciadas pelos EUA, nos leva a assumir esse importante desafio".

De acordo com os estudos do Parlamento Europeu, as emissões de gases de efeito estufa da UE em 2015 ficaram 22% abaixo do aferido em 1990. O mesmo estudo mostra que as metas previstas para 2020, de que 20% da demanda de energia deveria ser atendida por fontes renováveis - está garantido.

Em 2016, os investimentos em fontes renováveis no mundo superaram o que foi investido na produção de energia via combustíveis fósseis. O Brasil da era Lula/Dilma se preparou para uma matriz energética mais limpa. No setor eólico, por exemplo, já produzimos tudo aqui. No setor solar, as primeiras fábricas de painéis fotovoltaicos estão chegando. (***)

(*) Conforme já comentado no blog, ao ser pressionado pelo lobby do carvão - Temer recuou evitando o pior.

(**) Aquecimento global vai muito além da America First, de Donald Trump. E a Europa sempre esteve à frente dessa luta. Nada mais natural que se torne líder mundial na defesa do clima.

(***) Enquanto Trump insiste com o "made in USA", o Brasil de Temer segue outro caminho. Ao sinalizar com uma redução drástica nas exigências contratuais de conteúdo nacional, muito do que fazemos aqui vai ser importado. A indústria naval brasileira, que tinha ressurgido na última década, está sujeita a desaparecer. O mesmo pode acontecer com o setor eólico e o solar fotovoltaico. Até parece que ter uma política industrial forte, criar empregos, renda e impostos, não é relevante para o país. Não estamos defendendo e nem propondo um "Brazil First", só que cuidar da casa é obrigação primeira de qualquer governo.

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