quinta-feira, março 09, 2017

Ainda sobre a reforma da Previdência

A leitura que venho fazendo sobre a reforma da Previdência me fez conhecer o trabalho da professora Sarah Parker, diretora do Instituto do Envelhecimento, da renomada Universidade de Oxford. Seu último livro "How Population Change Will Transform Our World", ainda sem tradução para o português, é uma obra densa e objetiva que expõe causas e efeitos do envelhecimento mundial, comenta Ana Estela de Souza Pinto repórter especial da Folha.

Segunda Ana, a professora Parker vai muito além de olhar só para a velhice. Ensinou políticas públicas na Universidade de Chicago, onde se envolveu com programas em áreas de aposentadoria, planejamento familiar e empregabilidade.

Seu texto fluente e enxuto, se descola da mesmice: "como haverá cada vez mais velhos vivendo cada vez mais - isso fará as aposentadorias entrarem em colapso". Sua preocupação maior é com os jovens. No nosso caso específico,  segundo a ONU: o Brasil envelhece, mas terá metade da população em idade produtiva até 2050. O foco tem que ser emprego para essas pessoas. Sem que elas estejam formalmente empregadas, não há reforma da Previdência que se sustente. A regra é: a aposentadoria dos aposentados é mantida pela contribuição dos trabalhadores que estão na ativa.

A professora Sarah indaga o que está sendo feito para esses jovens em termos de consequências econômicas e políticas públicas sérias. "Quando pobreza, urbanização e desemprego se encontram com uma fatia ampla de jovens entre 15 e 24 anos, os conflitos se acirram". E acrescenta: "nunca houve no mundo tantos jovens nessa faixa etária."  E, conclui: "As questões não estão apenas no passado. Estamos enfrentando no século 21 problemas para os quais instituições do século 20 estão despreparadas".  Bingo!

PS - Aqui no blog sempre que dá procuro confrontar os problemas atuais e futuros com a gestão que se tem. Penso que boa parte da crise que vivenciamos se deve a esse desencontro: "novos problemas x velha gestão". E não é uma questão menor e muito menos simples de ser resolvida. Ninguém quer ver sua zona de conforto ameaçada: se protegem do novo e insistem nas velhas práticas.

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