terça-feira, março 07, 2017

Sobre a reforma da Previdência.

Conforme já devem ter observado não tenho pautado no blog a reforma da Previdência: mesmo reconhecendo sua importância na vida das pessoas. E não é por constrangimento: apesar de ter me aposentado com 53 anos de idade pelo INSS. Com carteira assinada desde dos 20 anos me aposentei proporcionalmente (33 anos de contribuição) quando me elegi deputado federal. Ao contrário do que muitas "excelências" faziam, abri mão de uma outra aposentadoria proporcional como parlamentar - por não concordar com esse tipo de benesse.

Portanto, a dificuldade que tenho de abordar esse tema em parte se deve a complexidade do assunto, agravada pela desconfiança que tenho da gestão desses recursos. Ao meu ver, falta: transparência, conhecimento e compromisso com os fundos previdenciários, sejam eles públicos ou privados. Ao que se sabe centenas deles criados por prefeituras, estados e empresas estatais, são deficitários. Ao que se sabe, muitos deles cobram dos participantes uma parcela significativa da complementação que tinham direito - para cobrir furos oriundos de má gestão.

E o que é pior: ninguém sabe o tamanho do rombo e nem onde isso vai parar! 

O que me resta fazer é ler o que andam falando sobre a tal reforma. Aí, mais inseguro fico. O problema que vejo não é se aposentar com 65 anos de idade: o problema é estar empregado com 65 anos de idade. As pessoas ao longo desse período laboral, cada vez mais vão ter dificuldade em acumular o tempo de contribuição. A tendência: é de grandes períodos trabalhando na informalidade, ou pior - sem trabalho!

Se o que estou comentando faz sentido, duas coisas vão acontecer: o crescimento da miséria e o aumento da informalidade. O primeiro caso, é óbvio: a previdência é um instrumento de política pública que ameniza o grau de pobreza. Já quanto a informalidade, me arrisco a pensar que no Brasil do "jeitinho", muitos trabalhadores vão buscar junto ao empregador o pagamento previdenciário por fora. Com isso, aumentam a sua renda líquida, reduzem o custo do empregador (via precarização do trabalho) e se livram da ameaça que as novas regras vão gerar - deles nunca se aposentarem.

PS- Aos 68 anos continuo trabalhando. Me considero um privilegiado, não por estar trabalhando. Mas por estar fazendo o que gosto. Sei que muitos como eu, também estão nessa condição. No entanto, se olharmos a realidade do Brasil, não passamos de uma gota no oceano. A Previdência, não é para o Padilha, o Jucá e tantos outros que fazem parte do noticiário. A Previdência é para as pessoas comuns. Gente simples que sonha com a aposentadoria como uma segurança na velhice, só que o seu sonho corre o risco de nunca se realizar.

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