Portanto, a dificuldade que tenho de abordar esse tema em parte se deve a complexidade do assunto, agravada pela desconfiança que tenho da gestão desses recursos. Ao meu ver, falta: transparência, conhecimento e compromisso com os fundos previdenciários, sejam eles públicos ou privados. Ao que se sabe centenas deles criados por prefeituras, estados e empresas estatais, são deficitários. Ao que se sabe, muitos deles cobram dos participantes uma parcela significativa da complementação que tinham direito - para cobrir furos oriundos de má gestão.
E o que é pior: ninguém sabe o tamanho do rombo e nem onde isso vai parar!
O que me resta fazer é ler o que andam falando sobre a tal reforma. Aí, mais inseguro fico. O problema que vejo não é se aposentar com 65 anos de idade: o problema é estar empregado com 65 anos de idade. As pessoas ao longo desse período laboral, cada vez mais vão ter dificuldade em acumular o tempo de contribuição. A tendência: é de grandes períodos trabalhando na informalidade, ou pior - sem trabalho!Se o que estou comentando faz sentido, duas coisas vão acontecer: o crescimento da miséria e o aumento da informalidade. O primeiro caso, é óbvio: a previdência é um instrumento de política pública que ameniza o grau de pobreza. Já quanto a informalidade, me arrisco a pensar que no Brasil do "jeitinho", muitos trabalhadores vão buscar junto ao empregador o pagamento previdenciário por fora. Com isso, aumentam a sua renda líquida, reduzem o custo do empregador (via precarização do trabalho) e se livram da ameaça que as novas regras vão gerar - deles nunca se aposentarem.
PS- Aos 68 anos continuo trabalhando. Me considero um privilegiado, não por estar trabalhando. Mas por estar fazendo o que gosto. Sei que muitos como eu, também estão nessa condição. No entanto, se olharmos a realidade do Brasil, não passamos de uma gota no oceano. A Previdência, não é para o Padilha, o Jucá e tantos outros que fazem parte do noticiário. A Previdência é para as pessoas comuns. Gente simples que sonha com a aposentadoria como uma segurança na velhice, só que o seu sonho corre o risco de nunca se realizar.
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