segunda-feira, outubro 12, 2020

A economia batendo cabeça, voto tem consequência

Alguém já se perguntou a razão dos investidores estarem deixando o Brasil. A reposta, ao meu ver, está nos quatro "i": incerteza, insegurança, indiferença e indignação. Quando os quatro "i" se juntam, tudo fica mais difícil. A nossa moeda vem perdendo valor junto ao dólar e moeda fraca não atrai ninguém. Prova disso é o saldo entre aplicações e retiradas de não residentes; mais que dobrou em 2020 em comparação com 2019.

Portanto, a incerteza sobre o nosso futuro está posta e exige uma política econômica mais qualificada do que essa do Guedes. Quando se trata de insegurança, o foco é outro: está diretamente ligado a sociedade. Uma sociedade empobrecida, torna as pessoas inseguras. Essa situação de insegurança se estendendo no tempo, trás um outro problema - o da indiferença. Por último vem a indignação, resultado do conjunto da obra.

Em Brasília o assunto é a pauta econômica. Com muito bate boca em público e sem margem de manobra orçamentária, só reforça a incerteza sobre a retomada da economia em 2021. Para agravar o quadro social - o fim ou a redução do auxílio emergencial - está batendo na porta de milhões de brasileiros. (*)

Claro que sempre cabe uma visão mais otimista da nossa realidade. No entanto os números não nos favorecem. A Bloomberg, por exemplo, uma das principais agências de risco do mundo, coloca o real como a terceira moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar. Só ficou atrás do dólar do Suriname e da "cuacha" da Zâmbia. 

O caderno da Folha sobre o mercado, do dia 5, também trás os dados do IBOVESPA. Em dólar, a bolsa brasileira teve o pior desempenho do mundo. Uma queda de 42,5% que agrava o cenário político e fiscal. (Fonte: Goldman Sachs)

Especialistas ouvidos pelo jornal dizem que a Covid 19 continua sendo um problema, só que o governo não ajuda. Segundo Bruno Giovannetti, professor da FGV, "a economia está muito ruim e a perspectiva futura é de incerteza". Outra preocupação que os economistas trazem é sobre a crise ambiental na Amazônia, que deixou o país mal visto lá fora. O Brasil se isola e Bolsonaro nem toca no assunto. (**)

(*) Bolsonaro está refém do auxílio emergencial. Sabe que a sua popularidade está associada a esse pagamento. Sua proposta inicial era de R$200,00; foi para R$600,00. E agora Guedes não sabe o que fazer.

(**) No momento a preocupação de Bolsonaro é acabar com a Lava Jato. Se esqueceu do muito que deve a Moro. Que aliás se escafedeu. 

PS- A inflação de setembro de 0,6% -  foi a maior desde 2003. Voto tem consequência.

Um comentário:

Unknown disse...

Os políticos eleitos nós municípios precisarão de muita criatividade para lidar com este quadro econômico terrível. Voto tem e terá consequências! Obrigado por ajudarnos a melhor enxergar este contexto em que você vivemos.