sábado, novembro 21, 2009

Direto de La Paz

Gosto de escrever de onde estou. É uma forma das pessoas acompanharem o que voce está fazendo e ao mesmo tempo conhecerem a extraordinária diversidade latina. Não conhecia La Paz. Quero ver se hoje, antes de voltar, consigo passear um pouco. Já deu prá ver que para quem gosta de caminhar como eu, nem pensar. A altura, a topografia e as calçadas não permitem. A Universidad Católica Boliviana, onde fiz minha apresentação ontem, fica numa colina e não tem elevador. Para chegar até o auditório no terceiro andar, falta ar. É uma sensação desagradável. Já o evento, foi muito produtivo. As pessoas da universidade agradáveis e hospitaleiras, os debatedores com muita informação e conteúdo acadêmico. A universidade líder do Projeto JELARE, que envolve universidades do Brasil, Chile, Alemanha, Guatemala, Letônia e Bolivia, é a Universidade de Hamburgo, na Alemanha. Ralf Behrens, responsável pela relação universidade/empresas, apresentou a boa parceria da universidade com a Airbus, maior fabricantes de aviões do mundo, cuja sede é em Hamburgo. A Airbus emprega 10 mil engenheiros e a universidade teve que adaptar seus cursos para atender essa demanda. Segundo Ralf, o mesmo está acontecendo com a indústria eólica e solar de lá. É um novo setor que precisa de qualificação, são os empregos verdes, que não faziam parte do histórico escolar das universidades. Também gostei muito da apresentação do Dr. Roger Carvajal, Viceministro de Ciência e Tecnologia da Bolivia. Embora bastante questionado pelo plenário, saiu-se bem mostrando os compromissos do governo com a inovação tecnológica.

No entanto, se na academia era esse o clima, propositivo e fraterno, nas ruas de La Paz os jornais estampavam na capa manchetes como a do La Razón: "Sube la tensión en Sudamérica por dos conflitos bilaterales". A principal matéria do jornal tratava dos quatro governos, de paises vizinhos, que se enfrentam: Chile x Perú e Venezuela x Colombia. Até parece a Copa América, mas não é. São agressões verbais crescentes, movimentação de tropas nas fronteiras, ameaças de conflitos bélicos. Um despropósito total. Paises que precisam se integrar para responder em bloco os desafios sociais e econômicos, direcionam agora seus escassos recursos para compra de armas e deslocamento de tropas. Aonde querem chegar? Num conflito armado, onde todos perderão? Acho que está na hora do Brasil, com a liderança que tem na região, buscar o diálogo e o entendimento entre nossos irmãos latinos, antes que seja tarde.

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