Convivi quatro anos com Luiza na Câmara dos Deputados. Mulher simples e atenciosa, deputada atuante e preparada, companheira sempre presente e solidária. Um exemplo de mulher. Para minha surpresa fiquei sabendo que foi condenada em última instância a pagar R$ 353 mil à Prefeitura de São Paulo. Interessado pelo caso, li com atenção toda a matéria. E pela primeira vez, vi na condenação de um gestor público, a confirmação da pessoa extraordinária que é Luiza Erundina.
Foi condenada em função de ação popular movida por um advogado de São Paulo, por ter usado verba pública na greve geral dos transportes de 1989. A matéria faz referência que a ex-prefeita só foi condenada porque colaborou com a Justiça, agilizando o processo. Centenas de outras ações contra os ex-prefeitos de São Paulo, Paulo Maluf, Celso Pitta, mofam na Justiça, porque os advogados utilizam todo o tipo de subterfúgio para que os seus processos prescrevam.
Outra prova da pessoa que é Erundina foi oferecer o apartamento em que vive para a penhora. O apartamento de 80 metros quadrados é o seu único bem. A primeira prefeita de São Paulo, eleita em 1989, com mais de vinte anos de mandatos, tem como patrimônio um pequeno apartamento. Pensem nisso! Só essa informação já é um salvo conduto para Luiza Erundina. Num país onde política se confunde com corrupção, deputado com magnata e poder com dinheiro, alguém que fez política por tantos anos, controlou o terceiro maior orçamento da nação, teve o poder nas mãos de administrar a maior cidade da América Latina, dá provas de sua honestidade e do seu caráter ao apresentar para a Justiça seu patrimônio: um pequeno apartamento.
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