sexta-feira, novembro 18, 2016

A reforma do ensino por medida provisória.

Vladimir Safatle escreve na Folha toda a sexta-feira. O bom sobre o que escreve é que não há consenso. Num dos seus artigos (28/8), ao tratar da reforma da educação via medida provisória,  dedica o encerramento do seu texto ao filósofo Nicolas de Condorcet, quem dizia: "A função da educação pública é tornar o povo indócil e difícil de governar".(*)

Seu artigo é uma critica as modificações do ensino médio, "editada por aquilo que alguns chamam de governo". Seu inconformismo que disciplinas como filosofia e sociologia deixem de ser disciplinas de fato e se transformem "em conteúdos transversais" lecionadas em aulas de história, "é condenar nossos filhos a um ensino mutilado", ressalta Safatle.

"Na verdade, o que procura se colocar é que filosofia e sociologia não são tão relevantes assim e poderiam muito bem ser eliminadas como disciplinas. Seus filhos poderiam muito bem viver sem elas. Mas coloquemos a questão implícita nesse debate na sua forma correta, a saber: por que há setores da sociedade brasileira que se incomodam tanto com seus filhos aprendendo filosofia e sociologia?", comenta Safatle no meio de sua instigante formulação.

O texto é longo e o tema fora do meu domínio. Recomendo a leitura. O final, provocativo e reflexivo, já antecipei: é a citação do filósofo Condorcet, atual até os dias de hoje.

(*) Nicolas de Condorcet, foi um filósofo e matemático francês. Preconizava um ensino que contribuísse para a liberdade do pensamento (1743/1794)


PS- Se no século XVII já havia pensadores atentos ao ensino, em pleno século XXI querer tratar da reforma da educação via medida provisória é no mínimo - sem noção.

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