Ainda longe de casa, mas ligado nos acontecimentos explosivos da semana com as prisões de Garotinho, Sérgio Cabral e a exótica invasão por 50 insanos da Câmara Federal - optei pelo futuro como registro do fato da semana. Entre o atraso que representa a iniciativa dos 50 insanos e o desfecho da dupla de obscuros gestores, retrato fiel do Brasil de hoje, tratar da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que se encerrou dia 18, em Marrakech, me pareceu bem mais motivador.
Ainda nem curado da ressaca eleitoral, Trump já vem sendo alvo de manifestações. Em várias cidades dos EUA, americanos inconformados com o resultado foram para as ruas protestar. Enquanto isso em Marrakech, na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a reação dos participantes contra Trump é mais global: focada num presidente recém eleito que - publicamente - desconsidera o tema.
Um mal começo para Trump. Parece desconhecer que quem defende a sustentabilidade do planeta, não deveria ser tratado com desdém. Ainda mais partindo de um presidente americano: os EUA, segundo maior poluidor do planeta, tem um imenso passivo ambiental para com a humanidade. Se Trump não mitigar essa "herança maldita", seu mandato corre o risco de ser acompanhado por uma crescente onda de protestos.
Quem também acabou mal na foto foi o Brasil. Numa jogada bem típica do nosso Congresso incluíram na Medida Provisória 735, um contrabando: a possibilidade de se fornecer R$ 5 bilhões em incentivos ao carvão. Como que um país com todas as condições naturais para se tornar líder no setor de energias renováveis, consegue "sujar sua barra" perante o mundo para atender o lobby do atraso!
Não dá para atender dois senhores: o Brasil firmou em Paris no ano passado, junto com outros 190 países, um acordo para zerar suas emissões de carbono até 2050. Portanto, só nos resta vetar o artigo 20 da MP 735 que propõe o subsídio ao carvão. Qualquer outra saída nos desmoraliza perante os olhos do mundo. Com as mudanças do clima não se brinca. Com compromissos internacionais, também!
PS- O acordo de Paris prevê que qualquer país que queira se retirar do compromisso assumido, depois de ter assinado, precisa esperar pelo menos quatro anos. Portanto, em tese, os EUA estão comprometidos até 2020. Quer Trump queira ou não.
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