segunda-feira, novembro 07, 2016

O que a esquerda precisa é se reinventar..

O assunto mais comentado da semana foi a derrocada da esquerda nas eleições municipais. E o mais festejado por parte da grande mídia foi o resultado pífio do PT. Até como justificativa de que não houve um golpe, as eleições municipais serviram. Já com o pensamento em 2018, querem passar a ideia de uma onda anti esquerda varrendo o país. Entretanto esse desejo de setores da sociedade, não é um fato consumado

Em primeiro lugar os partidos mais a esquerda - em geral - nunca se deram bem em eleições municipais. Tanto assim que o PT, no seu quarto mandato no governo, não tinha mais do que 15% das prefeituras. As razões pelas quais as esquerdas não avançam nos municípios são muitas para trata-las aqui.

Outro fato importante, penso que até determinante, foi a Lava Jato. As denúncias contra o PT alimentaram o noticiário por dois anos, com uma repercussão na mídia nunca antes vista. Daqui para frente a Polícia Federal, o Ministério Público e o juiz Sérgio Moro, terão outros renomados políticos e partidos para apurar. Se com a mesma intensidade, ou não, só o tempo vai dizer. (*)

Em 2018 a base de Temer, grande vencedora das eleições de 2016, pode ter muita coisa para explicar aos eleitores. Longe de querer agravar o momento atual, não se pode desconsiderar:  a nova fase da Lava Jato, as consequências da MP 241, os efeitos do desemprego na economia, a desconfiança das pessoas em relação ao governo apontada em recentes pesquisas e o julgamento no TSE das contas de campanha da chapa Dilma-Temer.(**)

O desencanto da sociedade, mesmo numa eleição municipal como a de agora, já deu seu recado nas urnas: mais de um terço dos eleitores não compareceu, votou branco ou nulo. E olhem que temas, como: taxas de juro, segurança, educação, saúde, aposentadoria, desemprego, infraestrutura e programas sociais, por exemplo, não estavam sendo julgados.

A notícia da semana, que não surpreendeu ninguém, foi a falência do Rio de Janeiro. Durante décadas governado pelo PMDB, viveu sem limite e "sem teto": gastando mais do que podia. Durante anos esconderam a má gestão e a bandalheira. Agora, no desespero, o que estão propondo é desumano. No pacote anunciado chama a atenção um aumento para 30% da contribuição previdenciária dos servidores e dos aposentados. Em outras palavras: uma redução considerável no salário e nos benefícios de servidores e aposentados do estado do Rio de Janeiro.

Nesses dois anos que nos separam de 2018 outras "maldades" virão e a esquerda pode renascer das cinzas. Países como Brasil, de grandes desigualdades, sempre terá espaço para candidaturas mais identificadas com as causas sociais. O que a esquerda precisa é se reinventar. Historicamente, não gosta de ouvir e adora falar para os mesmos. Um grande erro: não amplia seus espaços e não renova o discurso (***). Outra dificuldade que vislumbro é se terão humildade suficiente para se unirem numa "frente ampla", como fizeram os uruguaios.. Lá os "frentistas" já venceram três eleições seguidas. Algo impensável num país onde a política era dominada por "brancos e colorados".

(*) O Acordo de Colaboração do Grupo Odebrecht , o maior até agora, sai até o final do ano. O que se comenta é que mais de uma centena de políticos serão implicados na delação.

(**) A decisão do TSE sobre as contas de campanha Dilma-Temer deve sair em 2017. Tudo indica que será pela rejeição. Se deixarem Temer de fora - vai pegar mal. Se a posição do TSE for pelo afastamento da chapa, o Congresso elege um presidente tampão.

(***)Que me desculpem as velhas raposas, na politica: sem desprendimento, não há renovação. 


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