sexta-feira, abril 14, 2017

O verdadeiro DNA da Odebrecht

A imagem de Emilio Odebrecht fazendo sua delação premiada, não me sai da cabeça: rindo, sem o menor pudor, retrata com fidelidade o comportamento de uma classe dominante atrasada. Diante de um país dilacerado, com a autoestima no fundo do poço, o maior empresário brasileiro ri do estrago que fez. A cena é patética e nos faz sentir vergonha do Brasil.  Emilio, o "poderoso chefão da Odebrecht", mostra o verdadeiro DNA da Odebrecht ao confessar décadas de uma relação promíscua do público com o privado. Ao afirmar: "tudo que está acontecendo agora se fazia há 30 anos", o arrogante Emilio coloca sob suspeição a própria história da empresa.

Pobre país, cada semana uma agonia. Não se sabe o que vai acontecer nos próximos dias. Parece um filme de horror - sem fim. Como dizem que Deus é brasileiro (tenho lá minhas dúvidas), o feriado da Semana Santa deu uma trégua. Muitos políticos e delatores vão aproveitar a data para aliviar a culpa nos confessionários. Faz parte da nossa cultura. Tanto é verdade que a letra de Procissão, do século passado (1968), de Gilberto Gil, "olha lá vem chegando a procissão se arrastando que nem cobra pelo chão....", já se referia a religiosidade e cobras. Seria uma premonição do bom baiano antevendo o momento atual, onde outras cobras rezam pelo perdão?  Só que as cobras de hoje não se arrastam pelo chão: circulam com desenvoltura pelos corredores e salas do poder. São venenosas, mas não mordem. Lisas e calejadas, seus obscuros préstimos são oferecidos em troca de uma gorda propina.

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