sexta-feira, janeiro 15, 2021

Na Amazônia a boiada segue passando

                                        
                                               Adriano Machado - 3 de out de 2020/Reuters
 
A foto acima fala por si, devem estar rindo de nós. Talvez nem saibam que já fomos a sexta economia do mundo. Que éramos respeitado na ONU, no Mercosul, na OMS e em todos os organismos internacionais. O Brasil era visto como um país amigável e promissor. Nossa diplomacia servia de exemplo para países latinos, africanos e outros emergentes como nós. 

Apesar de todos os absurdos cometidos pelo governo Bolsonaro, um em particular foi decisivo para acabar com a nossa imagem: a Amazônia. A ideia de facilitar a destruição da floresta se deu na fatídica reunião ministerial, do dia 22 de abril de 2020. Foi quando Salles, sem qualquer constrangimento, propôs liberar geral - "para a boiada passar". Era justamente o sinal que os criminosos de plantão queriam ouvir. Para eles, o recado estava dado: vão em frente queimando e desmatando; a impunidade os acompanhará!

Bolsonaro mal acaba de completar dois anos de governo e o estrago que vem fazendo é visível.  Para quem acompanha sua trajetória, a proteção do meio ambiente nunca fez parte do seu DNA. Nem como deputado e muito menos como presidente. Os órgãos de proteção ligados ao Ministério do Meio Ambiente, foram esvaziados. Em razão disso a área desmatada, que teve uma considerável redução durante o governo Lula, volta a crescer com Bolsonaro.

Ricardo Salles, o ministro responsável pela desastrosa gestão, vem dificultado o trabalho de fiscalização agravando ainda mais a péssima imagem do país no exterior. Os dados oficiais do INPE, que Bolsonaro e Salles costumam negar, envergonhariam qualquer país. O Ministério Público Federal, por dever de ofício, vem tentando afastar Salles do cargo "por desestruturação dolosa das estruturas de proteção ao meio ambiente". A situação do ministro está ficando insustentável.

Não foi por acaso que perdemos apoio e recursos de governos e organizações não governamentais. O mito virou mico. Nem a ONU convidou o Brasil para um recente evento sobre mudanças climáticas e o Acordo de Paris. Quem se preocupa com o meio ambiente sabe o que está se passando com as queimadas, quase sempre associadas a invasão de terras de preservação e a pratica do garimpo ilegal. Por sua vez, o governo também sabe que essa prática criminosa não encontra respaldo na sociedade. Na última pesquisa sobre o assunto,  90% dos brasileiros manifestaram o seu apoio a preservação dos nossos recursos naturais. 

O papa Francisco também é um grande aliado nessa luta. Sempre que pode chama a floresta de "Querida Amazônia", reforçando o compromisso dos latinos com aquela imensa riqueza natural da humanidade. A defesa da Amazônia está muito acima do que querem Bolsonaro e Salles. É uma luta de todos que pensam na vida futura e num mundo melhor. Em 2021 vamos redobrar nossa vigilância, aumentar nossa indignação, resistir: sempre!

PS - Bolsonaro virou o ano aprontando. Salles, comemorando. Quanto descaso com as vidas e com o meio ambiente. Ultrapassamos as 200 mil mortes por covid. E segundo o INPE, em 2019 (9100 km²) e 2020 (8400 km²) foram os dois anos com maior área desmatada na Amazônia Legal dos últimos anos. O INPE, é do governo: não é uma ONG. Pense nisso.