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quinta-feira, maio 03, 2018

A tragédia em São Paulo

A maior e mais rica cidade do Brasil, se chocou diante a tragédia ocorrida no Dia do Trabalhador. Aliás, uma tragédia anunciada. Até aí, nada de novo: uma série de irregularidades e descontrole público. Depois do ocorrido ficamos sabendo que existem 70 prédios nessas condições. Em São Paulo, tudo é grandioso até o descaso do poder público. 

Uma situação difícil que se agrava a cada ano. Não há uma politica pública efetiva que atenda o déficit habitacional, o que faz crescer o número de dependentes por moradia. Segundo o IAB/SP, falta politica pública e quando tem é muita lenta. A própria prefeitura reconhece a necessidade de 370 mil novas unidades habitacionais em São Paulo.

Para atender uma demanda dessa ordem de grandeza, só com muito recurso. No entanto, as notícias não são nada animadoras. No próximo ano, municípios, estados e União vão estar "contando moedas".  Em ano de eleição as torneiras se abrem, só que depois vem a conta.

PS - Embora o prédio que desabou seja da União, ninguém entendeu a ida de Temer ao local da tragédia.   Quase acontece outra tragédia: vaiado pelos populares, Temer teve que ser retirado do local às pressas.

quinta-feira, março 08, 2018

Prisioneiros do atraso (parte III)

Não consigo calar diante do atraso. E nem me sinto melhor do que ninguém. No entanto, como bom observador das ruas por onde passo, me causa perplexidade a falta de visão dos gestores da nossa cidade. Um exemplo em tempo real: esquina da Beira Mar com a Dona Benta, ontem às 13 horas. Todo o dia é assim. Por favor, não botem a culpa nos turistas. Eles já se foram.



Para quem não conhece Florianópolis, essa cena é diária e retrata com fidelidade o caos da mobilidade urbana. E que se agrava a cada ano. No caso em questão, o engarrafamento ocorre pelo simples fato da sinaleira estar mal posicionada. Onde está não permite que carros e ônibus se acomodem na via. Resultado, tranca tudo. A foto acima fala por si.

 PS- Não sei porque me veio à cabeça uma música do Biquini Cavadão, que fala mais ou menos assim: "Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém. Aqui embaixo, as leis são diferentes. Como querem ordem e progresso. Enquanto a zona continua no congresso.......


segunda-feira, março 05, 2018

Prisioneiros do atraso (parte II)

Não costumo repetir o assunto, só mesmo quando há necessidade de mais informações, quando há interesse das pessoas pelo tema ou então pela relevância da matéria. Foi exatamente o que percebi em relação ao meu comentário da última sexta-feira: "Prisioneiros do atraso". As três condições foram preenchidas. (foto abaixo: sexta, final de tarde, trevo da Dona Benta)


1- A necessidade de mais informações - Pouco se sabe do que a Prefeitura pretende realmente fazer para resolver o problema da mobilidade urbana. Promessas não bastam. A situação se agrava a cada ano. 

2- O  interesse das pessoas -  O blog é um registro diário que faço. Quem acessa são pessoas interessados em ler minhas observações. No último final de semana  mais de mil leram o comentário - "Prisioneiros do atraso".

3-  Mobilidade urbana, um tema relevante - A falta de atenção com a mobilidade das pessoas, não pode perdurar. A gravidade do tema exige um debate permanente. O mais técnico possível, identificando e implantando medidas de curto, médio e longo prazo, que olhem para o futuro de Florianópolis e o bem estar dos que aqui vivem. .

Enquanto no trânsito as pessoas se sentem prisioneiras nos seus carros parados, em casa estão presas pela violência que anda solta. As duas situações são inaceitáveis e exigem vontade política, planejamento e  investimentos. Em Florianópolis, infelizmente, não é isso que se vê.

Relendo meu pronunciamento em solenidade realizada pelo Tribunal Regional Eleitoral, no CIC, no dia 18/12/2000, por ocasião da diplomação dos vereadores eleitos de Florianópolis, separei um trecho que bem retrata nossas atuais preocupações:

  "É exatamente dentro da compreensão do que são as demandas de uma cidade, e como elas se apresentam no tempo, que o Poder Público, planejadores e legisladores devem se situar e desenvolver suas atividades. Neste campo, ninguém é dono da verdade e o sistema decisório deve ser sempre o mais aberto possível, revitalizando e incentivando a relação entre o indivíduo, o coletivo e a natureza. Ter sempre presente que em qualquer ato, por menor que seja, a cidadania tem que ser respeitada."

PS- Austin, a capital do Texas, onde estive recentemente, é uma das cidades com maior número de carros por habitantes.  Sua população é o dobro da de Florianópolis.  No centro da cidade, não se vê engarrafamento, na saída da Universidade do Texas, com 56 mil alunos, também não. Estacionar nas ruas centrais, nem pensar. As grandes rodovias que cruzam os EUA, passam ao largo de Austin, sem interferir no trânsito local. No aeroporto, se chega por uma via rápida. O transporte público é de ótima qualidade.  

sexta-feira, março 02, 2018

Prisioneiros do atraso

Para cruzar a rua Deputado Antônio Edu Vieira, com a esquina da Dona Benta, no Pantanal, todo o dia é uma agonia. Um verdadeiro inferno, que acaba com o humor de qualquer um. A última "obra" viária naquela região, tem cerca de 20 anos. De lá para cá, só mais carros. (foto abaixo - ontem)



Passo todos os dias por ali, quase sempre a pé. Quando uso o carro, só estresse. Não anda. A cidade está um caos, se arrasta até nas vias onde o trânsito devia andar, como na Beira Mar, na SC-401 e na Via Expressa. Os anos passam e a situação só se agrava. Em razão disso, nos tornamos prisioneiros do atraso.

Em dezembro de 2000, quando me reelegi vereador, coube a mim a tarefa de falar em nome dos vereadores eleitos. Era o primeiro mandato do milênio. E assim comecei meu pronunciamento:

"Senhores vereadores, temos o compromisso de legislar para esta maravilhosa cidade com o extremo cuidado de não condená-la, como ocorreu com tantas outras, a uma saturação do seu espaço urbano, deixando como herança para as gerações futuras uma cidade com a sua qualidade de vida já esgotada".

E depois de citar legados de importantes urbanistas, que imortalizaram suas obras em cidades como Buenos Aires, Londres, Barcelona, Bilbao e tantas outras, finalizei meu discurso cobrando dos novos vereadores responsabilidade para com Florianópolis:

"No século que ora se inicia, diálogo, respeito à cidadania e transparência no uso dos recursos públicos será  o tripé da sustentação das administrações dos grandes conglomerados urbanos." (*)

"Por fim senhores vereadores, é neste contexto que nos inserimos. Nosso trabalho e nossos compromissos precisam estar em sintonia com uma sociedade cada vez mais  atenta e preocupada com o destino de Florianópolis. Acabou a figura do vereador corretor, do vereador subserviente, que limita o seu mandato às imposições do Poder Executivo e alimenta relações de compadrio com seu eleitorado". (**) 

(*) O tripé, diálogo, cidadania e transparência no uso do recurso público, como identificação de boa prática: perfeito.  Só que a realidade é outra.

(**) Até parece que os nossos representantes no Poder Legislativo, vereadores, deputados e senadores, querem estar em sintonia com a sociedade.  Quanta ingenuidade.

PS - Dói reconhecer como o atraso avançou em duas décadas. Somos prisioneiros  de um trânsito caótico e de uma violência  crescente. Assistimos, inertes, a qualidade de vida e o respeito a cidadania serem corroídas pelo tempo. 


terça-feira, dezembro 12, 2017

A violência está solta, e a sociedade é refém

A violência está solta: no trânsito, nas ruas, dentro  dos presídios, nas escolas, contra as mulheres, em grandes e pequenas cidades. De repente, sem perceber, a sociedade virou refém da violência. Muito mais pela observação do que por formação, a sensação é de que estamos perdendo de 7x1 o enfrentamento com essa preocupante realidade.

Ao contrário do que muitos acham, não atribuo ao Estado a responsabilidade única dessa situação. A criminalidade cresce por várias razões, inclusive pela ausência do Estado. Acredito também que a falta de oportunidade, as desigualdades sociais, a impunidade, a baixa escolaridade, a desatenção com valores básicos da cidadania, ajudam a formar esse caldo facilitador da violência.

A novidade, se é que pode ser assim chamada, é que a violência se alastrou. O que antes era um problema da periferia dos grandes centros urbanos, agora chegou nos bairros e  nas ruas de qualquer cidade brasileira. Lamentavelmente, a violência se banalizou e já faz parte do dia a dia das pessoas.

Aqui em Florianópolis, no final de semana, cinco pessoas foram assassinadas. O ano vai fechar com o dobro de homicídios do que os registrados no ano passado. Em 2016 foram 73. Em 2017, até o momento,  138 homicídios.  A pacata cidade, que conheci e me apaixonei no verão de 1973, não é mais a mesma. Ainda me recordo o impacto que causou na sociedade, o assassinato de uma jovem no inicio dos anos 80. O crime ocorreu no norte da ilha e foi capa de todos jornais. 

Os anos se passaram e a criminalidade foi se estabelecendo. O resultado está aí, diante dos nossos olhos: um final de semana com cinco homicídios. E o que é pior, sem o devido destaque, como se matar fosse uma banalidade. O Diário Catarinense, por exemplo, se limitou a uma pequena chamada na Capa (foto abaixo). Enquanto isso, a violência continua solta. 

segunda-feira, junho 19, 2017

América sem Carbono: é o que se quer.

Começa hoje o seminário Cidade Bem Tratada, na Assembleia  Legislativa do Rio Grande do Sul. Porto Alegre amanheceu nublada e fria. Temperatura perto dos 10 graus. Acho que durante os debates no seminário e na TV "o tempo vai esquentar". Afinal o Estado aposta no carvão e nós do Instituto IDEAL- numa América sem Carbono.

Poucos por aqui sabem que a energia solar fotovoltaica cresceu 340% em 2016. E tão pouco sabem, que Rio Grande do Sul ocupa o terceiro lugar no ranking nacional de instalações já realizadas. E que em países com forte presença do uso da carvão na matriz energética, como Alemanha, Austrália e EUA, o custo da energia solar já é competitivo com a energia produzida pela queima do carvão.

Segundo o relatório da Bloomberg, de 15 de junho, o uso do carvão como fonte de energia desaba na Europa e nos EUA (*). E por aqui a ENGIE, maior empresa privada de geração de energia, dona das grandes usinas térmicas a carvão operando no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, já anunciou que vai se desfazer de suas usinas.(**)

(*) A Bloomberg é a principal agência de risco no setor de energia.

(**) A ENGIE, antiga Tractebel, é a maior empresa de energia elétrica do mundo. A decisão de abandonar a energia elétrica produzida pela queima de carvão, recentemente anunciada, está de acordo com a politica global da empresa em defesa do clima e das energias renováveis.

PS- num final de semana onde Joesley e Temer mostram o que realmente são, a boa nova ficou por conta da Parada Gay em São Paulo. Três milhões de pessoas ocupam as ruas em paz para protestar contra o governo e em defesa do Estado laico. 

terça-feira, abril 25, 2017

Mobilidade urbana: o que nos ensina a Coreia. (parte II)

Já vimos que os desafios de Seul e São Paulo são muito parecidos: organizar, no sentido mais amplo possível, a vida de duas grandes cidades. Uma tarefa para poucos que exige: planejamento, espírito público e inteligência.

O tema que nos cabe comentar é o da mobilidade urbana. Enquanto o metrô de São Paulo se arrasta no tempo, o de Seul se expandiu quatro vezes mais. Segundo especialistas, os motivos são: trâmites burocráticos simplificados, investimentos pesados, parceria privada já consolidada e soluções criativas.(*)

Segundo o coreano Joomho Ko, doutor em transportes, sempre lhe perguntam sobre o entrave e os altos custos com as desapropriações - já que a capital da Coreia é tão adensada quanto São Paulo. Sua resposta, "esse não é e nem deveria ser um problema". Não faz sentido pensar em grandes custos com as desapropriações se as obras são essencialmente subterrâneas, comenta Joomho.

Mais adiante na sua entrevista, é indagado sobre as desapropriações das áreas onde serão instaladas as estações. Novamente Joombo nos ensina o caminho das pedras.  "Não precisa desapropriar e nem construir grandes prédios. Basta aproveitar o que já existe", diz Ko. Entram nesses casos as chamadas "soluções criativas": qual o grande prédio comercial que não gostaria de ser entrada e saída de passageiros do metrô, pergunta Ko.

A reportagem da Folha, de Alencar Izidoro, também ouviu os responsáveis pelo metrô de São Paulo, o governo estadual, controlado pelo PSDB há mais de duas décadas. Segundo Alckmin são realidades diferentes, inclusive econômicas (**). E sobre os frequentes atrasos nas obras da linha 4 e na implantação da linha 17, o governador atribui ao abandono das obras por parte dos consórcios contratados (***).

(*) Muitas vezes se deixa de pensar em "soluções criativas", via de regra bem mais em conta, para atender os interesses escusos das grandes empreiteiras.

(**) Enquanto a renda per capita no Brasil está próxima aos 10.000 dólares, a da Coreia do Sul está próxima aos 30.000 dólares. (Fonte: Banco Mundial)

(***) Abandono das obras por parte das empresas contratadas é um problema de gestão. De má gestão, governador Alckmin.


PS - Aqui em Florianópolis, contribuiremos para o debate sobre energias renováveis, com foco em mobilidade urbana elétrica e geração distribuída, em nosso 8° Seminário Energia + Limpa. Acesse o link, confirme sua presença. Será nos dias 7 e 8 de junho, na FIESC. A entrada, como em todas as edições, é gratuita, e aberta ao público.

segunda-feira, abril 24, 2017

Mobilidade urbana: o que nos ensina a Coreia.


Quem mora em Florianópolis, enfrenta todos os dias um trânsito caótico. Quem precisa passar pelo trevo do Restaurante Dona Benta no final de tarde, só com muita paciência. E o que é pior: a situação só se agrava. A última obra viária no local foi no final dos anos noventa, quando era vereador. Passo por ali caminhando todos os dias, a impressão que fica é falta de planejamento e de inteligência. (foto acima)

O comentário que faço não se limita a Florianópolis, uma cidade de porte médio. A falta de atenção com o planejamento urbano é geral. E quanto maior a cidade, pior. Claro que como tudo, existem as exceções. Os bons exemplos, infelizmente, quase sempre vem de fora. Recentemente li que em Seul, a "metrópole irmã" de São Paulo, as obras não atrasam e nem as decisões políticas atrapalham.(*).

Seul, a capital da Coréia do Sul tem 10 milhões de habitantes. Na região metropolitana são 25 milhões de pessoas. São Paulo tem 12 milhões na cidade e 21 milhões na região metropolitana. Duas cidades quase iguais em tamanho, com as mesmas dificuldades e desafios inerentes às grandes concentrações urbanas. As coincidências não param aí: a primeira linha de metrô foi inaugurada no mesmo ano, 1974.

No entanto, as coincidências em relação ao metrô param aí: a atual rede de metrô em São Paulo tem 78 km, a de Seul tem 327 km. Enquanto o metrô de São Paulo tem 68 estações, o de Seul tem 302. Sem falar que em São Paulo existem seis linhas e em Seul, nove. Em razão disso, o metrô de São Paulo transporta 4,7 milhões de passageiros por dia e o de Seul 6,9 milhões. Em outras palavras: são 2,2 milhões de pessoas a mais por dia que se movimentam em Seul sem usar seus carros. (**)

Para tratar desse tema instigante e atual, que exige inteligência e visão de futuro, o Instituto IDEAL promoverá na primeira semana de junho, seu 8° Seminário ENERGIA + LIMPA. O foco desse ano é justamente debater com especialistas sobre a mobilidade urbana no futuro. Programa-se.

(*)  A matéria é de Alencar Izidoro (FSP).

(**) A única solução para a mobilidade urbana nas grandes cidades é o transporte público de qualidade. Não há outra possibilidade. Em Hong Kong, a cidade mais adensada de todas, o uso da malha viária que a cidade oferece, além de ser gratuito é creditado aos usuários um pequeno valor para estimular o uso. Em Londres, áreas mais criticas, sujeitas a grandes engarrafamentos, só é permitido o acesso a taxis e ônibus. Desconhecer o problema, como é muito comum por aqui, só agrava a situação.

P.S.: Amanhã sigo tratando do mesmo assunto: mobilidade urbana, Seul X São Paulo.

quinta-feira, outubro 06, 2016

Prefeitos eleitos, e agora?

Vencida a primeira etapa das eleições, passada a fase dos lamentos e comemorações, agora começam as cobranças. Muitas das promessas de campanha vão ficar pelo caminho. Outras tantas, limitadas por questões orçamentárias. E, por fim, aquelas que não conseguem sair do papel por incapacidade dos gestores. Poucos dos eleitos estão conscientes e preparados para fazer mais com menos.

Um estudo recente da FSP sobre o Ranking de Eficiência dos Municípios, que deveria ter sido lido por todos os candidatos, mostra a realidade dos nossos municípios. Segundo o estudo a avaliação dos prefeitos é baixíssima (só 26% aprovam) e o grande problema vem das áreas básicas de atendimento: saúde e educação. Segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), a situação deve se agravar com a diminuição de repasses federais e estaduais. Menos arrecadação, menos repartição.

PS - Para minha surpresa o estudo mostra que os estados do Rio Grande do Norte e do Ceará são líderes entre os Estados com prefeituras mais eficientes. E o Rio Grande do Sul, apesar do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) médio alto, seus municípios são ineficientes por conta de muitas emancipações. Cresceu muito o número de novos municípios. Quase sempre criados por interesses políticos, sem a menor condição de sobreviver.