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sábado, maio 09, 2020

Bolsonaro, teu problema é o vírus (parte II)

Diante tantas incertezas, duas certezas: tem gente morrendo e a recessão é dramática. Independente do que Bolsonaro acha e do que vem fazendo, a Covid 19 não é uma simples "gripezinha".  


Com essa breve introdução, que imagino consensual, reforço a tese que o problema do Bolsonaro não é o Congresso, a imprensa e nem o STF. Seu problema é o coronavírus e suas consequências. A conta é alta e difícil de administrar. Para quem só pensa na reeleição, um desastre. Imaginem ter que explicar durante um processo eleitoral mortes e desempregos crescentes durante o seu governo.

Um estudo recente do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (5/5), traçou três cenários possíveis do impacto do coronavírus na economia: um otimista, o de referência e outro pessimista. Segundo o estudo, dependendo do cenário, a redução de empregos no Brasil, por causa da pandemia, varia de 5 a 15 milhões. Nos EUA, 33 milhões de empregos sumiram durante a crise.

Outro dado que chamou a atenção, foi o do IBRE/FGV. Para o Instituto são 500 bilhões a menos circulando em 2020. O número de tão impactante que é, merece ser detalhado. Os bilhões citados tem CPF e CNPJ, ele é formado por dinheiro tirado do bolso de milhões de pessoas e pelo aperto de milhares de empresas de todo o porte.

O empobrecimento vai ser tão grande, que a gente não tem noção. São 500 bilhões de reais até o final do ano. Uma sangria que irá atingir toda a cadeia social e econômica, uma tragédia. Portanto, se os números se confirmarem, a recessão em curso vai nos deixar fragilizados como nunca tivemos. 

Um país empobrecido não se levanta facilmente. A retomada é lenta e sofrida.

ATUALIZANDO - no dia que em o STF e o Congresso Nacional decretavam luto oficial por três dias, pelas mortes do coronavírus terem ultrapassado a barreira dos 10 mil óbitos, Bolsonaro anunciava um churrasco e andava de jet ski em Brasília. Ninguém merece tanta pobreza de espírito. 

quinta-feira, fevereiro 28, 2019

Afastem-se das armas

Bandidos preferem roubar armas ou celulares? A pergunta é pertinente e serve de base para o meu comentário. Se você pensa como eu, o risco agora é dos bandidos entrarem na sua casa para roubar - as quatro armas que te deram o direito de ter.  E não adianta dizer que você é da turma dos desarmados: vão te torturar. Os bandidos, a partir de agora, estão de olho é no armamento que está disponível na residência e no comércio de milhares de brasileiros incautos. Simples assim.


Como deputado federal votei no Estatuto do Desarmamento (Lei nº10.826/03). No entanto, pouco sei sobre armas. Nunca tive e nem pretendo ter. Em razão disso, o registro que faço tem mais a ver com o sentimento do que com o conhecimento. Feita as devidas ressalvas, segue o que penso:


1- Desde quando armar a população é sinal de segurança?


Mesmo armado você não se sentirá seguro para defender sua propriedade e sua família. Você sabia que esse tipo de assalto com invasão da sua casa ou do seu negócio, quase sempre é praticado por um grupo de assaltantes? Você sabia que pelo fato de estarem agindo em grupo, esses bandidos se tornam mais violentos e preparados para o enfrentamento? Você sabia que em São Paulo, nossa principal e mais policiada cidade, menos de 3% dos roubos ocorrem em residências? Com um armamento em casa (até 4 por pessoa) o número de assaltos deve crescer. Arma é o que bandido mais quer. 


2- Agora esqueçam São Paulo, vamos olhar para as pequenas cidades. 


Obviamente correm o risco de uma nova onda de violência: arrastões relâmpagos com intuito de roubar  armas de seus pacatos habitantes. Já que estão com a cidade controlada, nada melhor que levar as armas também. Até a chegada da polícia muito sangue já correu. Pensem nas inúmeras cidades espalhadas por esse país, sem qualquer proteção. Já pensaram? Esse é o Brasil real. Vide os assaltos nas caixas eletrônicas.


3- Os bandidos não vão deixar de agir porque a população está armada. 


Pelo menos é o que sinto. Há um ditado popular que diz: "quem tá na chuva é para se molhar". Assim se sentem os bandidos quando saem em grupo para  praticar o crime:  para eles a vida não tem valor.  O enfrentamento é diário e já faz parte do  DNA dos assaltantes. Seja no confronto direto com a polícia ou numa disputa sangrenta entre  facções criminosas. Não vão se sentir ameaçados diante de um assustado cidadão, com uma arma tremulando na mão.   


4- Ter arma em casa não vale a pena: afastem-se das armas. 


Combater a arma em casa, deveria se tornar uma campanha nacional. Não só pelas razões acima, como também pelo feminicídio. A sociedade está perplexa diante da violência doméstica contra as mulheres. Imaginem agora se o agressor estiver armado.


5- A indústria da arma é uma das mais antigas e rentáveis do mundo.



Com o novo decreto a indústria do armamento tá rindo sozinha. Seria até ingenuidade achar o contrário. O assunto vai longe e como sempre existem outros interesses em jogo. Quem poderia explicar melhor tudo isso, é o ministro da Justiça Sergio Moro (*). Após receber representantes do setor fora da agenda, se negou a tocar no assunto. Pegou mal. Literalmente, deu um tiro no pé.


(*) Assim se manifestou Moro em 2016, ao liberar os grampos ilegais que envolviam o ex-presidente Lula e a então presidente Dilma Rousseff: "A democracia, em uma sociedade livre, exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras". Então tá.


PS - No final de dezembro o ex-governador do Espírito Santo, Gerson Camata, foi assassinado com um tiro no pescoço. O crime foi praticado por um antigo assessor. A arma estava com a licença vencida. Camata, quando senador, apresentou o projeto de lei 292/99, que deu origem ao Estatuto do Desarmamento. Triste fim para o bom político que foi. Nos deixou justamente em razão do uso indevido de uma arma, sua luta de sempre.

 

- O Carnaval está começando: afastem-se das armas.





sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Reforma da Previdência: aposentadoria incerta, limitada e distante

A proposta de Emenda à Constituição do governo sobre a Reforma da Previdência chegou ontem, dia 21, na Comissão de Justiça da Câmara. O próprio governo reconhece que a Casa irá modificá-la. Só não sabe o quanto. O que sinto é um sentimento de muita preocupação em relação ao futuro. As dúvidas são muitas. De tudo que li e ouvi, a única certeza que tenho: é de que a vida das pessoas vai piorar.

Senão vejamos:


- Para receber o teto o trabalhador vai ter que contribuir por 40 anos. Nos tempos atuais e futuros quem consegue ficar empregado por 40 anos...


- Quem aceitaria/suportaria contribuir com até 22% do seu salário para a nova Previdência .....


- Quanto a idade mínima, novamente o que pega é quem emprega pessoas com mais de sessenta anos. Esse tempo a mais, para homens e mulheres, vai ser um inferno: muita gente sem idade para se aposentar e sem emprego. Pense nisso.


- Segundo Alckmin, que defende a reforma, é "desumano" retirar o SM dos idosos. Tirando Paulo Guedes e seus seguidores, boa parte da sociedade também acha desumano abandonar idosos a sua própria sorte. Protegê-los é obrigação do Estado.  

 

PS - No fundo todos sabem que a reforma é um jogo de interesses. Só não podem dizer. O mundo mudou, os empregos também. Os trabalhos que haviam não existem mais. A informalidade é crescente e os salários decrescem. O sistema previdenciário, por consequência, se enfraquece a cada ano. Para nós aposentados, a vida segue. Para os que estão chegando, o pior está por vir:  uma aposentadoria incerta, limitada e distante.  Na previdência, não se aplica o ditado: "Não há mal que dure para sempre".  Gostaria muito de estar errado.  


quarta-feira, abril 04, 2018

Martin Luther King, um líder

                               Estátua de Martin Luther King - Universidade do Texas, Austin

Quem não se lembra das multidões que acompanhavam Martin Luther King. Quem não se lembra dos seus pronunciamentos, que a todos emocionava. Quem não se lembra da sua luta e de seus sonhos. Há exatos cinquenta anos, um atentado a bala calava sua voz. Cinco décadas se passaram. No entanto, até hoje o líder americano do levante dos negros contra o ódio racial é lembrado no mundo todo.

Assim como Mandela, que durante anos mofou na prisão por defender bandeiras sociais e humanitárias, o legado que esses homens deixaram  sobrevivem ao tempo. Agora, o que se vê é um vazio de boas causas e uma ausência de lideranças. Uma tristeza. Como costumo dizer, regredimos. Reflitam sobre isso.


A Universidade do Texas - UT, uma das mais importantes dos EUA,  em janeiro promove a Semana Martin Luther King. Milhares de pessoas se deslocam para Austin para debater o papel histórico do líder negro. Embora Martin Luther King, não tenha nascido no Texas e nem estudado por lá, a principal avenida do campus leva o seu nome. E o que  chama  mais a atenção por essa referência toda a Martin Luther King,  é o fato do Texas ser  um estado rico, conservador e um dos últimos a libertar os escravos. Na foto acima, o Centro de Estudos Sociais da UT.  

PS - Martin Luther King, nasceu na Geórgia. Morreu em Memphis, em 4 de abril de 1968. Um assassino de tocaia praticou o crime. Suas palavras ainda ecoam: "Eu tive um sonho"; "Eu vi a terra prometida"; "Talvez não chegue até lá com vocês, mas quero que saibam que nós, como um povo, chegaremos um dia à terra prometida." 

quinta-feira, março 29, 2018

Basta de volência


Quem se preocupa com o  futuro, já deve estar se perguntando: para onde vamos? Nas ruas, tanto nas manifestações politicas como no trânsito a agressividade é crescente. A intolerância aos que pensam diferente, extrapola as condições mínimas de respeito e civilidade. De uma simples vaia, própria da democracia, vieram as ofensas, os ovos, as pedras e agora as balas. O que ocorreu com a caravana de Lula no Paraná é um fato gravíssimo. A próxima agressão, qual será? A bala dirigida, sem autor, numa emboscada,  como ocorreu com Marielle? 

Nos EUA reconhecido por sua sociedade armada, os jovens estão nas ruas dando basta a violência. A causa, mais um assassino armado matando sem piedade como ocorreu recentemente na Flórida. O protesto estudantil está nas ruas e não para de crescer.  Segundo John Stevens, do New York Times "Raramente durante minha vida vi o tipo de participação cívica dos estudantes e seus apoiadores demonstraram em Washington e outras grandes cidades dos Estados Unidos no sábado (24)." (foto acima)

A violência tem que ser combatida, onde for: numa emboscada no centro do Rio de Janeiro, numa escola na Flórida ou numa estrada do Paraná. Não podemos aceitar que ela se alastre entre nós.

quinta-feira, setembro 21, 2017

O Brasil em chamas, tremor no México e as ameaças de Trump

Altas temperaturas e  clima seco, a combinação perfeita para o aumento das queimadas. O Brasil também está em chamas fora dos poderes constituídos. A natureza continua dando sinais de esgotamento e se mostra cada dia mais vulnerável. A secura, pela falta de chuva, e as altas temperaturas  em pleno inverno, só confirmam os efeitos preocupantes das mudanças climáticas.

Em Brasília, onde tudo acontece, "o fogo amigo" e as queimadas fazem parte do dia a dia da capital. Com racionamento de água desde de janeiro, todos aguardam a chegada da chuva. O sinal dos reservatórios das hidroelétricas do Sudeste e Centro-Oeste, com apenas 25% de água acumulada, já levou o Conselho de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) a se reunir extraordinariamente na última terça-feira (19). Se não fosse a economia estagnada, provavelmente, o racionamento de energia estaria sendo debatido.

Na mesma semana, o México enfrenta um segundo tremor em menos de duas semanas. Além de 7 graus de magnitude, a proximidade do epicentro da capital deve elevar o número de mortos. Por falar em destruição não natural, mas provocada pelos homens, o presidente dos EUA, Donald Trump, em discurso na tribuna da Assembleia Geral da ONU ameaçou acabar com a "Coréia da Morte".  

Pela primeira vez um presidente dos EUA aproveita o principal evento da ONU, para intimidar e ameaçar a destruição total de uma nação. Que tristeza. Bravatas à parte, Trump e Kim se merecem. Quanto ao mundo, que a tudo assiste, só resta exigir que parem as ameaças. Cenas de destruição e morte, só as causadas pela natureza: que muitas vezes não conseguimos evitar.

terça-feira, setembro 12, 2017

Buenos Aires: 25 anos atrás - alerta máximo

Dia 11 de setembro de 1992, faz os portenhos se lembrarem do maior atentado promovido por forças externas a um país da América Latina. Não me lembrava da data, mas por coincidência o hotel que estou em Buenos Aires fica a uma quadra da Embaixada de Israel - que explodiu 25 anos atrás. Com a presença do primeiro ministro Benjamin Netanyahu, que veio homenagear as vítimas, Buenos Aires acordou em estado de alerta máximo. As ruas na volta da antiga Embaixada, agora transformada em praça (fotos acima), estavam isoladas por um forte esquema de segurança. Não passava ninguém.

O caso continua em aberto e cercado de mistério. Em 2015, o procurador responsável pelo caso da AMIA (*), Alberto Nisman, é encontrado morto em seu apartamento, em Puerto Madero. Até agora não há responsáveis pelo atentado.

(*) Dois anos depois, em 1994, o alvo foi a Associação Mutual Israelense Argentina - AMIA. Total de mortos: 86 pessoas.

sexta-feira, janeiro 20, 2017

A morte de Teori.


Ao que parece: o que aconteceu na última quinta-feira, 19, com o avião que levava o ministro do STF, Teori Zavascki, até Parati - foi um acidente. Chovia muito e a visibilidade baixa. No entanto, as especulações associadas "a teoria da conspiração" tomaram conta das redes sociais. Afinal, a vitima era responsável direto por tudo e por todas informações obtidas na Operação Lava Jato. Se Eduardo Cunha, por ser um "arquivo vivo", se movimenta de um presídio para outro cercado por policias federais, como pode alguém como Teori andar livre, leve e solto no litoral do Rio de Janeiro. Teori, é "a chave do arquivo".

O que mais intriga é que todos sabiam que o ministro Teori vinha sofrendo ameaças. Tão logo soube da notícia da morte do pai, seu filho, o advogado Francisco Zavascki, fez questão de relembrar as ameaças que se estendiam a todos os seus familiares(*). Penso até que seria ingênuo imaginar, que num país onde se mata por trocado, um escândalo que envolve centenas de pessoas e bilhões de dólares, não teria ninguém pensado em "apagar" quem detinha todas as informações sobre suas falcatruas. Por mais que um acidente explique tudo, "a teoria da conspiração" vai permanecer viva para sempre. Afinal, a morte de Teori é um alivio para muita gente. Os mais devotos, agradecerão a Deus pela fatalidade. E os mais pragmáticos, já se imaginam livres das grades, aliviados de punições mais duras. Quanto muito irão usar o ultimo "modelito" de tornozeleira eletrônica. E a vida segue.

(*) Francisco Zavascki deixou a seguinte mensagem nas redes sociais: "Acredito que a lei e as instituições vão vencer. Porém, alerto: se algo acontecer com alguém de minha família, vocês sabem onde procurar....Fica o recado !" E bota recado nisso.

segunda-feira, dezembro 12, 2016

Renan: peitou e levou.

Por essa os desavisados de sempre não esperavam: Reinan (*), depois de expor em rede nacional de TV um Oficial de Justiça ao ridículo, recebe a benção do Supremo. Não sei qual vai ser a reação dos batedores de panela. Talvez incomodados com o desfecho passem a jogar as panelas no Reinan (**). Quem vai adorar é a Tramontina. Reinan, o "sete o vidas", vai sair dessa com a cara de sempre.

O estrago que Reinan fez aos ministros da Suprema Corte foi um verdadeiro strike. Independente do voto que deram, ninguém ficou bem na foto (***). Aliás, quem também não ficou bem na foto foi o juiz Sérgio Moro: entre risos e afagos com Aécio (para não me estender comento depois).

Confesso que não queria escrever mais sobre o ocorrido com o Reinan e o Supremo, até porque expos como nunca nossas instituições. Além do mais com a dinâmica dos escândalos diários que vivenciamos, a chegada do tsunami da Odebrecht tornou o resto menor. Mesmo assim, depois do que li achei por bem registrar o que segue:

(*) REINAN - mais uma sacada genial do José Simão. Segundo ele Reinan assim se manifestou depois de enfrentar o STF:" Se é para a felicidade do Temer e para votar a PEC do Teto, diga ao povo que FICO. Para sempre".

(**) "O que os sócios do poder insistem em não perceber é que os dois pilares que sustentam o governo Temer estão condenados a desmoronar, já que aprofundam o abismo entre o sistema político e a sociedade brasileira. A opinião pública levanta-se tanto contra o salvamento dos políticos investigados quando contra a aprovação de reformas antidemocráticas." Laura Carvalho, professora da USP. Doutora na New School of Social Research (NYC)

(***) "É como se o país estivesse reatando com o passado no qual éramos considerados uma República de Bananas. Isso é muito claro. Basta ver o olhar que o mundo lança sobre o Brasil hoje. É um olhar de desdém. Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF.

PS- Não me esqueci da bomba da semana: a lista da Odebrecht. Entre os citados: Temer e gente muito próxima dele. O que vai acontecer com o projeto de poder desses senhores é o grande temor de Temer. Afinal a delação da Odebrecht só tá começando. Segundo pesquisas publicadas no domingo pela Folha de São Paulo - o governo derrete. E o bom humor acaba com qualquer governo que se arrasta pelo chão. No país do futebol não é diferente. Olhem só a escalação de um leitor da Folha,  dia 11, Mauricio Huertas: Santo, no gol. A defesa com: Caju, Feio, Caranguejo e Gripado. No meio do campo: Primo, Próximus e Velhinho. No ataque: Boca-Mole, Botafogo e Angorá. "Parece escalação de time de várzea, mas é a seleção da política nacional envolvida na delação da Odebrecht", comenta Maurício. Segundo a delação de Cláudio Melo Filho, por trás de cada codinome um político envolvido. Pelo que saiu na imprensa parece que Alckmin é o goleiro "Santo" e na ponta esquerda, Moreira Franco é o "Angorá".

Coisas do futebol ........  

segunda-feira, outubro 24, 2016

Cunha: reforça a tese do golpe.

De tudo que li sobre Cunha nesse final de semana (e não foi pouco) o que mais chamou minha atenção foi o que transcrevo abaixo. A gravidade do que está relatado, se confirmado, reforça a tese do golpe.

"Assim que soube, pela filha Danielle Dytz, que a Polícia Federal batia à sua porta, no Rio de Janeiro, o ex-deputado Eduardo Cunha entrou em desespero e telefonou para o Palácio do Planalto. Como Michel Temer estava retornando do Japão, a ligação foi atendida pelo ministro Geddel Vieira Lima, articulador político do Palácio do Planalto.

'Geddel, eu vou ser preso! Vocês precisam fazer alguma coisa!', teria dito Cunha no telefonema. O ministro ouviu calado, mas estava ao lado de Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil, que, nas horas seguintes entrou em contato com advogados de Cunha para saber se ele precisaria de alguma coisa.

Este relato está na revista Veja, na reportagem de Robson Bonine e revela não apenas a intimidade entre Cunha e a cúpula do PMDB, como também o potencial destrutivo de uma eventual delação do novo homem-bomba da República.

No Planalto, a ligação foi interpretada como uma ameaça. Até porque Cunha já sinalizava que pretendia relatar em seu livro sobre o impeachment como Michel Temer e seus aliados conspiraram para conquistar a presidência da República.

Cunha narraria ter fechado um acordo com o então ministro Jaques Wagner para que os deputados do PT votarem contra sua cassação no conselho de ética. Em seguida, ele teria decidido arquivar todos os pedidos de impeachment.

O ex-presidente da Câmara comunicou sua decisão a Temer, mas, estranhamente, esse acordo vazou para os jornais nos dias seguintes, impedindo assim que fosse sacramentado.

O resultado foi que o PT rompeu com Cunha, ele aceitou um dos pedidos de impeachment, comprovando a tese de "desvio de finalidade", Dilma foi afastada e Temer está no poder.

Mas agora, preso em Curitiba, ele pretende ser a primeira pessoa na história a afastar dois presidentes da República".

Fonte: New adVenture Ltda

quarta-feira, setembro 28, 2016

O impeachment e a nossa jovem democracia.

Registro abaixo dois comentários sobre golpe e golpistas, de Luis Fernandes (*):

- a palavra "golpe", em português, tem variados significados. Um desses significados é o de "artimanha". No rito congressual do impeachment , a artimanha se materializou na ampliação e flexibilização da definição de "crimes de responsabilidade" para abarcar as chamada "pedaladas fiscais" - práticas administrativas e orçamentárias recorrentes em sucessivos governos federais e em outras unidades da Federação - e, em seguida, empregar seletivamente esse "conceito ampliado" para cassar um mandato conferido soberanamente pelo eleitorado. A alegação de crime se torna mero subterfúgio para alcançar um objetivo político.

- Numa democracia jovem e ainda pouco consolidada como a brasileira, o risco que corremos é o da banalização do instituto do impeachment, transformado em recurso usual da disputa política para apear governantes que tenham perdido eventual maioria congressual. Em regime presidencialista, isso estimula nas oposições (quaisquer que sejam elas) posturas de desrespeito à legitimidade do mandato conferido pela soberania popular nas urnas, minando e ameaçando a estabilidade do sistema democrático.

* Luis Fernandes, é Doutor em Ciência Política.

PS- na nossa jovem democracia, Itamar Franco foi vice de Collor. Marco Maciel, de Fernando Henrique (duas vezes). José  Alencar, de Lula (duas vezes). Todos se portaram dentro do esperado: sem artimanhas, ameaças e traições. Prova disso é que a história não reservou - a nenhum deles -  o papel de golpista.

terça-feira, setembro 13, 2016

O cachorro morto e os cães vivos (por Fernando Brito)

Ao contrário de muitos, este blog não festeja a execução pública de Eduardo Cunha como um episódio edificante à democracia e à ética na política.

Óbvio que é o papel de qualquer parlamentar decente votar pela exclusão de um tipo abjeto destes do parlamento.
A questão não são os decentes, são os indecentes.
Afinal, há décadas todos sabem que Cunha é um mafioso e isso não o impediu de ter maioria absoluta entre os deputados – os mesmos que hoje cortaram-lhe a cabeça – para eleger-se presidente da Câmara.
O que se revela é que, no parlamento brasileiro, nem mesmo prevalece a velha história da “honra entre ladrões”. Os ladrões estão lá, mas nem nisso há honra.
Os solitários 10 votos mostram que o agora esquálido e cambeta Cunha foi lançado ao rio como “boi de piranha”, para que as forças que um dia o tiveram como “boi sinuelo” – aquele que guia o rebanho – pudessem atravessar a água rasa da moralidade.
Ainda é cedo para saber se vai ser devorado sem tugir ou mugir – os comentaristas da Globonews  comemoravam na base do “agora ele vai para as mãos de Moro – no estranho senso de justiça que anda por aqui. Uma anomalia onde um juiz de província faz o Supremo parecer um bando de lenientes e cúmplices da corrupção, de tanto que se comemora tirar de lá um réu e jogá-lo ao “ferrabrás”.
Não é previsível o que fará, se não houver um acordo para livrá-lo – à ele e à mulher – do Torquemada curitibano. Num dos “melhores” momentos da noite, a deputada Clarissa Garotinho disse – e Rodrigo Maia mandou retirar dos anais (perdoem-me os que perceberem duplo sentido na palavra)  da Câmara – que um dos papéis do decaído deputado era o de “psicopata”.
Ele não percebeu que, desde o dia em que comandou a implementação do processo de impeachment – do qual exigiu da tribuna a paternidade – tornou-se um cachorro morto para uma matilha de cães muito vivos.
Vivos e vorazes.

domingo, setembro 04, 2016

Por que as pessoas estão nas ruas?

Temer, era para estar feliz. Afinal, realizou seu sonho: está na China participando da cúpula do G20. No entanto, sua atenção está longe dali. É no Brasil que mora o seu temor. O "Fora Temer" avança e dá sinais que veio para ficar. Em Florianópolis, uma cidade de maioria conservadora, na noite da sexta-feira, milhares de pessoas tomaram conta do centro da cidade. A surpreendente manifestação contra Temer, proporcionalmente, foi a maior já registrada no país até agora. (Fonte: DC 3-9)

A cidade acordou no sábado perplexa com as fotos que viu. O impacto foi tamanho que levou o Diário Catarinense, um jornal também conservador, se perguntar: "Por que Florianópolis foi para as ruas". Analistas e cientistas políticos locais começam a se interessar e estudar o ocorrido - que também não sei como explicar. Quanto muito arrisco a dizer que tem mau cheiro no ar: e que durante o processo de impeachment, o número de pessoas com esse sentimento cresceu. Se foi fraude, farsa ou golpe, pouca importa: o povo não gostou do que viu.

Para reforçar a tese do golpe, na última sexta-feira, dois dias depois do impeachment, por suposto crime administrativo - pela assinatura de decretos orçamentários -, o Senado flexibilizou as regras para abertura de créditos suplementares sem necessidade de autorização do Congresso. Em resumo: Dilma só pode pedalar a bicicleta, já Temer pode pedalar o quiser. (Senado toma decisão que inocenta Dilma - por Luis Nassif)

PS- os filósofos alemães Jurgen Habermas, Axel Honeth e Rainer Forst, a americana Nancy Fraser e o canadense Charles Taylor, todos reconhecidos internacionalmente, assinaram um manifesto internacional de repúdio ao que classificam como "golpe branco" contra a democracia brasileira. Como se sabe intelectuais desse nível não assinam qualquer coisa.


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sexta-feira, setembro 02, 2016

Impeachment: a fila anda.

A semana que se encerra levou muita gente a acessar o blog. Sem surpresas, afinal não é todo dia que se derruba um presidente. Recordo quando estive nos EUA, há dois anos, visitando uma grande planta solar no deserto do Arizona. Naquele momento, a oposição a Obama impediu que ele pagasse os custos da máquina pública (salários e custeio).

Os republicanos, em maioria no Congresso, pararam tudo. Foram dias muito difíceis. Diante de um país parado e do agravamento da crise, alguns republicanos mais sensatos mudaram sua posição e Obama conseguiu governar. Em nenhum momento foi cogitado seu impeachment.

Conheço Dilma há muito tempo, desde quando foi secretária de Minas e Energia no Rio Grande do Sul. Nestes anos todos, ao que se sabe, seu patrimônio pouco mudou, diferentemente de muitos senadores que a julgaram. Sua vida nestes últimos meses foi virada de cabeça pra baixo. Ao que consta, não apareceram contas no exterior como as de quem ajudou e tramou seu processo de impeachment.

Acompanhei parte de sua gestão quando ministra no primeiro governo Lula. Eu, então, era deputado federal ligado ao setor de energia. Logo nos desentendemos e nos afastamos. Nunca mais nos falamos. Repetidas vezes manifestei aqui no blog minhas críticas a sua gestão. Não que isso tenha a menor importância, tanto que o foco do impeachment foi outro - não a sua gestão.

Por isso que a decisão tomada incomodou tanta gente. Há muito mais constrangimento no ar que motivo para festejar. Basta passar os olhos no Washington Post e no New York Times, dois dos jornais mais importantes do mundo (e que não morrem de amores por Dilma) que detonam nos seus editoriais de ontem a linha sucessória brasileira: "Temer, Rodrigo Maia e Renan. Os três, são investigados por corrupção". Dilma, não se entregue: a fila anda.

quarta-feira, agosto 31, 2016

O Impeachment: Sequelas e Riscos. (De Olho no Futuro)

Depois do que se viu no Senado (...), é recomendável olhar para o futuro com muita atenção. O que nos espera, salvo melhor juízo, são tempos difíceis: turbulência na politica, incerteza na economia e ameaça às conquistas sociais. O processo de impeachment também deixou sequelas que não sei se o tempo irá resolver. Parcela significativa da sociedade, que se sentiu atingida pelo golpe parlamentar, não vai compactuar com esse processo. O legado deixado por esse triste momento da nossa jovem democracia, quer queiram ou não admitir, são feridas abertas e um rastro de incompreensão. Até sentimentos mais baixos, que nunca fizeram parte da nossa cultura, afloraram e vão exigir da sociedade reflexão e compromisso com o país. Nas redes sociais, cada vez mais presentes e ativas, o preconceito se espalhou tendo o ranço como consequência. A agressividade presente em manifestações, em alguns momentos, se transformou em violência física. O risco é a repetição desses fatos nos dividir como povo e nação. A história um dia vai cobrar de todos que direta ou indiretamente contribuíram para esse lamentável desfecho.

PS - No dia em que Dilma se defendia com altivez no Senado,  a Colômbia festejava o fim de uma luta interna de 60 anos. A paz selada entre o governo e as FARC, construída como um bem público, foi a forma encontrada para que todos os colombianos vivam pacificamente no campo e nas cidades.

segunda-feira, agosto 29, 2016

Sobre o destino de Dilma (traduzido do editorial do Le Monde)

Na semana passada, o principal jornal francês e um dos mais respeitados do mundo, o Le Monde, assim se manifestou em editorial:

"Dilma Rousseff cometeu erros políticos, econômicos e estratégicos. Mas sua expulsão, motivada por peripécias contábeis às quais ela recorreu bem como muitos outros presidentes, não ficará para a posteridade como um episódio glorioso da jovem democracia brasileira.........

Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros."



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terça-feira, julho 05, 2016

O mistério da multiplicação dos eleitores.

De repente, do nada, Santa Catarina ganhou destaque nacional com a apuração da misteriosa multiplicação dos eleitores em 29 cidades. Esses municípios, acredite se quiser, tem mais eleitores do que habitantes.

O levantamento que apurou transferências irregulares de títulos foi da RBS TV. Segundo o jornal Diário Catarinense de hoje, com chamada de capa, a causa do fenômeno: falsas declarações de domicilio eleitoral. São cidades pequenas, com menos de 5000 habitantes, onde muitas vezes 100 votos decidem uma eleição.

A reflexão que ora faço, é que a fraude eleitoral praticada em alguns municípios catarinenses se agrava em função do momento que atravessamos. O desencanto com a politica é real .....e mesmo assim, prefeitos e vereadores continuam apostando na má pratica politica para atingir seus objetivos. Quando a gente se depara com situações como essa, fica difícil acreditar que amanhã será outro dia.....


domingo, junho 05, 2016

"Machado e Machadinho", a nova dupla da Lava Jato.

Olhando assim, "Machado e Machadinho" poderia até ser uma dupla sertaneja das tantas que surgem no mercado. Como o nosso foco é outro, "Machado"  é Sérgio Machado e "Machadinho" seu filho Expedito Machado. O pai Sérgio, ex-presidente da Transpetro, nasceu no ninho tucano onde chegou a se eleger senador durante o governo de FHC. Depois bateu asas e aterrissou no PMDB. Pelas boas relações que tem (ou tinha) com a cúpula do partido, permaneceu na presidência da Transpetro até o ano passado. Alvo da Lava Jato, Sérgio Machado não resistiu a pressão. Para se livrar do pior, começou a gravar conversas comprometedoras de pessoas muito próximas e de amigos.

Nesse vale tudo da Lava Jato, onde as pessoas mostram o que realmente são, outro que está na lista das delações premiadas é seu filho caçula Expedito. Segundo a imprensa, mora em Londres e administra um fundo de investimento. Expedito, se sair ao pai e abrir a boca cabeças vão rolar. Com  as informações que tem como gestor de um fundo de investimento no exterior, sua aguardada delação deve estar tirando o sono de muita gente. Como atua em Londres, tem gente achando que - meu reino por esta lista - daria um bom tema de marchinha para o próximo Carnaval.

quinta-feira, março 17, 2016

O grampo: onde vamos parar?



Buscar boas notícias faz parte de um compromisso que procuro contemplar no blog. Ontem por exemplo, comentei a boa nova entre o nosso governo e o da Alemanha sobre a mobilidade do futuro. No entanto, diante de um cenário político e econômico sombrio, tudo pode acontecer. Já estava preparando outro tema interessante quando, no inicio da noite, ouvi a voz do Lula e da Dilma na TV. No primeiro momento, achei que se tratava de mais uma pegadinha. Quando soube que era o vazamento de um grampo, a ficha caiu. Era mais um ataque bem orquestrado envolvendo os interessados em desestabilizar o governo.  Aonde querem chegar, todos sabemos. Agora, onde vamos parar..... poucos sabem.

Sei que diante do clima de confronto que se estabeleceu, ninguém quer refletir. Mesmo assim, fica o registro: independente de quem for o grampeado, a violência de expor sua privacidade em rede nacional nos envergonha como brasileiros. Quando a pessoa exposta se trata da presidente do país, a agressão fica marcada para sempre na vida da nação.

sábado, março 12, 2016

Conflitos de rua: a democracia em risco.

Não me envolvo com as redes sociais. Não vou além de registrar meus comentários no blog. No entanto, recebo muitas informações. Pelo pouco tempo que tenho, sou obrigado a fazer uma triagem. Neste final de semana, em razão das manifestações contra o governo marcadas para amanhã - veio de tudo. Independente do que ocorrer domingo nas ruas, deixo uma pequena contribuição para reflexão  do que mereceu minha atenção:

- Para quem acha que a democracia e a estabilidade das instituições são um valor em si mesmo, algo pelo qual lutamos muito, evidentemente que essa radicalização é alarmante. Já para quem acha que essa crise indica uma contradição mais profunda da sociedade, que não vai se resolver sem uma transformação violenta, a radicalização pode ser boa. O mesmo vale para os partidários de processos revolucionários ou regimes autoritários. Mas, para a maioria das pessoas, preocupadas com a situação social e econômica, esse agravamento é ruim, independentemente das suas posições políticas.

- A situação é hoje muito grave. Todos os poderes da República estão submetidos a essa dinâmica de radicalização. Mesmo o poder que deveria ser o mais neutro, o Judiciário, já entrou na berlinda. Há fortes críticas e suspeitas à lisura e funcionamento de setores do Judiciário ou do sistema de Justiça mais amplo, que inclui a Polícia Federal e o Ministério Público.

- O processo de radicalização, quando vira esse ciclo vicioso de ação, reação e provocação, torna-se autônomo e se retroalimenta. Não adianta tentar dialogar, porque você não vai encontrar bom senso em ambos os lados. O pessoal não vai depor as armas e sentar para conversar. A única saída é romper com o outro círculo vicioso, da crise econômica e política. O governo tenta há um ano, de maneira mais ou menos desastrada, fazer isso e governar. A rede pode estar radicalizada, mas as lideranças da sociedade civil, dos trabalhadores, das associações, dos empresários, do Poder Judiciário, do Congresso, precisam se articular para tentar achar uma saída para a crise.

PS - trechos da entrevista  sobre A radicalização e a polarização política colocam em risco a estabilidade das instituições e da democracia brasileira, do sociólogo e cientista político Fernando Lattman-Weltman.

- nunca tive Facebook e nem quero me encontrar com tanta gente. Como não gostaria de ter seguidores e muito menos amigos que não conheço. Sem querer fazer juízo de valores, trata-se apenas de uma questão pessoal.