Mostrando postagens com marcador Amazônia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amazônia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, outubro 23, 2023

O alerta que vem da Amazônia


Na Amazônia os rios são as estradas

As consequências da seca no Norte e as inundações no Sul, tem trazido preocupação e muita incerteza. No ar fica aquela sensação de que "só sei que nada sei". Na última semana de setembro a usina hidroelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira, uma das maiores do Brasil, com 50 turbinas e 3.568 MW de potência, foi desligada por falta de água. As outras duas hidroelétricas na mesma bacia, Jirau e Belo Monte, convivem com semelhante problema: muita turbina para pouca água. As três em valores atualizados, custaram bem mais do que 100 bilhões de reais. Mais uma lição que a Amazônia nos dá.

Para quem é do setor e tem liberdade de opinião, nenhuma surpresa. A poucos quilômetros de Manaus, uma outra hidroelétrica, Balbina, nos envergonha. Construída pelos militares, é considerada por especialistas como "a pior hidroelétrica do mundo": se gastou muito para gerar pouco. O reservatório ocupa uma área de 2,3 mil quilômetros quadrados. Para efeito de comparação, são seis vezes a área da Ilha de Santa Catarina, sede da capital e suas quarenta e quatro praias. Com certeza, Balbina não devia estar ali. A imensa área inundada, só confirma a extensão do crime ambiental que fizeram. (*)

A retomada do tema tem inúmeras motivações. A primeira é de um procedimento habitual, sempre que o assunto desperta interesse nas pessoas ele volta a ser abordado. Como os textos são curtos, sempre se tem algo à acrescentar. No caso em questão o momento exige muita atenção e reflexão. A Amazônia está sob observação. A pressão para se construir novas usinas, é uma realidade. Os chamados "jabutis do Lira", também. As comunidades isoladas pela seca, precisam de atendimento imediato. A busca pela preservação  da maior floresta tropical do Planeta, é antes de tudo um processo civilizatório. (**)

Os debates estão crescendo dentro da sociedade. O atual governo "fechou a porteira" aberta pelo Salles, que tanto mal causou. A ação em curso contra o desmatamento e o garimpo ilegal tem apresentado bons resultados. As redes de facilidades alimentadas pelo governo passado, estão sendo desbaratadas. A Polícia Federal, o IBAMA, o Ministério Público, com o apoio das Forças Armadas estão agindo com rigor para acabar com grileiros, garimpeiros e traficantes que se sentiam em casa para promover seus crimes. 

Por sua vez, a ONU já confirmou Belém (PA), como sede da COP - 30.  A conferência do clima será em novembro de 2025. Um lugar próprio para encontrarmos soluções que ainda não encontramos. Uma oportunidade única para o Brasil. A hora de pensarmos nos ribeirinhos, nas áreas de preservação, nas comunidades indígenas, na riqueza da biodiversidade, na segurança dos que vivem e dependem da floresta, dos seus pequenos projetos que geram emprego e distribuem renda; é agora. 

(*) A maior usina solar do Brasil, Janaúba, em Minas Gerais, recentemente inaugurada, tem uma potência de 1,2 GW, podendo atender de energia elétrica hum milhão de residências. A usina conta com  2,2 milhões de módulos fotovoltaicos e o investimento foi de quatro  bilhões de reais. Para dar uma ideia de como avançamos, doze anos atrás estive no deserto do Arizona para conhecer uma dos maiores parques fotovoltaico que havia nos EUA, tinha 1/3 da potência instalada de Janaúba.

(**) Uma rede de gasodutos na Amazônia para atender "os jabutis do Lira", que ninguém sabe quanto vai custar, ou se sabe não diz, é impensável. Propor novas barragens na Amazônia, que custam muito e geram pouco, é insistir no erro. A área equivalente aos reservatórios das hidroelétricas da Amazônia, de forma descentralizada e bem distribuída, daria para gerar com painéis solares toda a energia que o Brasil precisa. Quanto a intermitência, um problema que costuma ser levantado, no futuro a solução virá através de grandes grupos de bateria de última geração. Um caminho natural à ser seguido pela mobilidade elétrica, como pelo hidrogênio verde.

PS - Na Amazônia os rios são as estradas, navegar é preciso. Só que na seca as pessoas não se deslocam, o que é básico para a população ribeirinha não chega. Estima-se que 500 mil pessoas estão nessa situação. Uma tragédia ambiental e humana. Dependendo do nível dos rios as capitais também sofrem as consequências. Toda a logística que envolve a floresta passa, necessariamente, por elas. Em Manaus, maior porto da região, a seca está prejudicando a sua operação. A movimentação de pessoas, turistas, carga e descarga está caótica. Na foto acima, uma imagem de Boa Vista e o desnível do rio Branco que banha a capital de Rondônia.  

 

  

 


segunda-feira, dezembro 13, 2021

Garimpo ilegal na Amazônia, uma longa e tenebrosa história (parte II)

Uma das grandes feridas na Amazônia foi Serra Pelada, a obra do coronel Curió. Sobre o desastre ambiental e social causado, o tempo não apaga. Através das lentes do fotógrafo Sebastião Salgado se pode testemunhar o estrago que fizeram para que alguns se beneficiassem. Um pouco dessa história tenebrosa iniciada na década de 70, foi resgatada pela jornalista Cristina Serra no seu recente artigo - Curió, Heleno e Bolsonaro. (FSP, 7/12)

A autora lembra que pouquíssimos ficaram ricos com o ouro. A maioria morreu de doenças, tiro, faca ou foi soterrado. No lugar, restou uma imensa cratera e um lago de mercúrio. Cristina relata que esse inferno foi controlado com mão de ferro por um militar do Exército, o então major  Curió. Cinco décadas se passaram e nada aprenderam. Bolsonaro e o general Heleno querem agora repetir a prática da devastação autorizando projetos que permitam o garimpo em outras regiões da Amazônia.

Pelo que foi noticiado, o general Augusto Heleno, do GSI, autorizou a implantação de sete garimpos de ouro na região de São Gabriel da Cachoeira, no extremo noroeste do Amazonas, na fronteira com a Colômbia e a Venezuela. Para uma das regiões mais preservadas da Amazônia, tudo indica que a porteira continua aberta para atender interesses da mineração e do garimpo. O alerta não vem do exterior como costumam dizer, é da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro. (Fonte: FSP, 8/12)

A insensatez com o meio ambiente não tem limite. Gerações inteiras vão pagar pela devastação da Amazônia. Nos três anos de Bolsonaro, pedidos para garimpar ouro na Amazônia dispararam. Desde de 2019, as cooperativas de garimpeiros solicitaram mais área para exploração na região do que nas últimas três décadas. Um verdadeiro caos, que de tão assustador que é precisa ser imediatamente contido. 

Diante um desafio de tamanha dimensão, a sociedade precisa se unir e exigir que se apure com rigor o que está se passando na Amazônia. Ela não é de nenhum governo. Sua devastação só interessa a quem está envolvido em garimpo e desmatamento ilegal. Não deixem a ilegalidade e a bandidagem tomar conta da floresta. O risco de que aconteça o pior é grande. Depois do que fizeram com Brumadinho e Mariana, a poucos quilômetros de Belo Horizonte; imaginem o que farão no meio da mata distante dos olhos de todos. (*)

(*) Estamos tratando de práticas ilegais ao meio ambiente que afetam as futuras gerações. Só para exemplificar a importância do tema, na Rede Linkedln onde exponho minhas preocupações, até sábado, 11,  tinha recebido  17.294  visualizações no feed.   

PS- A preservação da Amazônia é de nossa responsabilidade. Para nós latinos é o maior patrimônio natural que temos. Pela ordem alfabética, compõem a Amazônia Legal: Bolívia Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. 

        




quinta-feira, dezembro 09, 2021

Garimpo ilegal: negócios obscuros e destruição ambiental (parte I)

No país das ilegalidades a porteira está aberta e o gado vai passando. O sinal foi dado por Ricardo Salles, na fatídica reunião ministerial de abril de 2020. Pouco se sabe do ex-ministro do Meio Ambiente, tem gente que acha que ele está no exterior como tantos outros.  Já li que iria disputar uma vaga no Senado por São Paulo. Assim como Deltan e Moro, ele sabe o que fez. Só espero que o eleitor também se lembre... 

Na ameaçada Amazônia, a mata continua sendo devastada, as queimadas proliferam e os rios contaminados pelo mercúrio do garimpo ilegal seguem seu curso. Por mais distante que se esteja da criminalidade provocada por negócios obscuros e pela destruição ambiental, é nosso dever não calar. Registrar e denunciar, sempre! (*)

Aliás, foi o que fez o procurador da República, Paulo de Tarso Moreira Oliveira, "Desde o início da atual gestão, o governo federal vem deixando claro que pretende facilitar ao máximo a mineração na Amazônia. Esse projeto inclui estimular a mineração em terras indígenas, atividade hoje proibida". (Fonte: FSP, 5/12) (**)

Enquanto a desgraça ambiental nos persegue, no Equador, em Quito, a mais alta corte do país decidiu na semana passada se posicionar contra a abertura da Floresta de Los Cedros à mineração, por violar os Direitos da Natureza. A vitória no Tribunal para manter a mineração longe de Los Cedros é sem precedentes e deve ser comemorada. Segundo Natalia Greene em entrevista ao The Guardian, o Tribunal tomou uma decisão tão importante quanto os Direitos do Homem de Thomas Paine. (***)

(*) O Linkedln, a maior rede social do planeta, é um bom termômetro para medir o acolhimento das postagens que faço. Como quase sempre são temas polêmicos que provocam a reflexão, a boa aceitação ajuda. O retorno tem sido muito positivo.  

(**) Em três anos do governo Bolsonaro os pedidos para garimpar ouro na Amazônia dispararam. Desde de 2019, as cooperativas solicitaram mais área para exploração na região do que nas últimas três décadas. Denunciem! ( Fonte: FSP 5/12)

(***) Thomas Paine foi um dos mais eloquentes defensores e signatários da Declaração de Independência dos Estados Unidos e da Revolução Francesa. Conta a lenda que foi um dos maiores distribuidores de panfletos de sua época. Dois séculos depois suas palavras, ideias  e visão de mundo - ainda são atuais e libertárias.  Filósofo e político britânico, nasceu no Reino Unido em 1737. Morreu em 1809 em Nova York, no Greenwich Village onde vivia. Até a escolha do bairro que morava é emblemática. Nada é por acaso. Se Thomas Paine, um verdadeiro cidadão do mundo, fosse vivo estaria morando no Greenwich Village como um respeitado influencer .  

PS - Depois do Uruguai e da Argentina, o Equador é o país da América do Sul por onde mais andei. Quito, a capital, é a sede da Organização Latino Americana de Energia, a OLADE. Com 2 milhões de habitantes, é a segunda maior cidade do país, ficando atrás da cidade portuária de Guayaquil, com 2,6 milhões de pessoas. Quito cercada por  vulcões e a 2850 m de altura, resiste ao tempo. O sentimento de respeito a cultura, as tradições e a natureza se percebe em todos os cantos do Equador. 


 

terça-feira, novembro 30, 2021

Descaso com a Amazônia: a marca do governo

    
   Balsas escancaram o garimpo ilegal na Amazônia. Só não vê quem não quer. Foto: Greenpeace 

Quando na reunião ministerial de abril de 2020 o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sem qualquer constrangimento, disse para "abrir a porteira" e liberar geral, os interesses obscuros que sempre estiveram de olho na floresta fizeram da Amazônia terra de ninguém. Tamanho descaso resultou numa destruição florestal média de 11.405 km² por ano. Trata-se de um ato criminoso 75% maior do que a média do intervalo 2009-2018. (*)

As declarações e omissões relacionadas à Amazônia, estão presentes em quase todos os atos do governo. É como se houvesse um pacto contra a floresta. O dado oficial da devastação da Amazônia Legal de 2021, 13.235 km², representa o maior desmatamento já verificado na última década. Não foi por acaso omitido durante a COP 26, com claro intuito do governo se proteger de críticas mais duras ao descaso do Brasil com o meio ambiente. 

O capitão Jair zomba da situação caótica da Amazônia, ao comentar que a floresta é úmida e não pega fogo. Já o vice Mourão, de forma açodada, tornou publica a operação que a PF e a Marinha estavam prestes a  fazer contra o garimpo ilegal no rio Madeira. Bastou a imprensa mostrar no dia 26/11, para todo o Brasil, as centenas de bolsas operando ilegalmente, para que no dia seguinte os garimpeiros sumissem. (foto acima)

Mourão cobrado pelo fracasso da sua gestão como guardião da Amazônia, assim se manifestou: "Se você quer um culpado, sou eu. Não vou dizer que foi o ministro A, ministro B, ou ministro C. Eu não consegui fazer a coordenação e a integração, entre as forças militares e órgãos ambientais, da forma que ela funcionasse." Algo muito parecido com a declaração de um outro general que entrou para a história recente do Brasil, Eduardo Pazuello. Com a covid matando milhares de brasileiros por dia, pressionado  sobre a sua gestão, apontando para Bolsonaro, assim se manifestou: "Ele manda e eu obedeço..."

Por mais que queiram se explicar, a posição de Mourão e de Pazuello não sobrevive a um olhar mais rigoroso da sociedade. Afinal estamos falando de vidas que se foram, da floresta desmatada e do garimpo ilegal. As causas saltam aos olhos, tem um responsável e não basta um simples "mea culpa" dos generais. O público do "cercadinho", dos passeios de moto e dos que boicotam a vacinação - não asseguram uma reeleição.

(*) Cerca de 24 ilhas de Santa Catarina - por ano - foram desmatadas durante os três anos do governo.  No mapa, a Ilha de Santa Catarina é só um ponto. Mas para quem mora aqui é uma imensa e bela ilha.  Sem preocupação com o preciosismo, do centro ao Pântano do Sul são cerca de 40 km. Do centro a Ponta das Canas, também. Entre esses extremos, passamos pela Armação, Morro das Pedras, Campeche, Joaquina, Praia Mole, Galheta, Barra da Lagoa, Moçambique, Santinho, Ingleses, Praia Brava e Lagoinha. Sem falar nas lagoas Pequena, do Peri e da Conceição. Imaginem tudo sendo uma floresta, devastada a cada duas semanas! É de chorar... 

PS - "Em parceria com o ex-ministro Ricardo Salles, Jair Bolsonaro desmantelou os órgãos de controle ambiental. ao mesmo tempo em que incentivava o agronegócio predador, garimpeiros, madeireiros ilegais e grileiros que invadem unidades de conservação, terras indígenas e outras áreas da União. Essa política antiambiental não apenas  teve papel crucial nos resultados ominosos revelados pelos satélites como deixa pouca esperança para o futuro próximo". (Editorial da Folha de S. Paulo, 26/11).

  


sexta-feira, junho 11, 2021

Amazônia: o futuro está na tua preservação


Depois de retratar todas as dificuldades que a Amazônia atravessa, com grileiros, garimpeiros e o desmatamento ilegal, se faz necessário refletir sobre o que fazer com o maior ativo natural do planeta. Num primeiro momento, o óbvio: preservá-la! 

Quando se sobrevoa aquela imensidão verde, logo vem a vontade de ajudar. E não é uma questão de modismo, é só olhar para o futuro e se perguntar - existe no planeta algo igual? Como a resposta é não, cabe a nós protegê-la. 

Se a pandemia serviu para alguma coisa, foi de nos alertar que novos vírus virão e que o meio ambiente precisa ser preservado. Portanto, investir no conhecimento abre as portas para inúmeras oportunidades. Os chamados empregos verdes, foco do atual presidente dos EUA, Joe Biden, de certa forma caminham nessa direção.

Uma mudança real de paradigma está por vir, o que vai exigir boas práticas ambientais dos  nossos governantes. No nosso caso em particular, a Amazônia é o centro das atenções do mundo. A responsabilidade socioambiental do governo Bolsonaro é um desastre absoluto. O maior vexame  é o Fundo da Amazônia, criado com recursos dos governos da Noruega e da Alemanha, com bilhões de dólares disponíveis, parado desde quando Salles assumiu o Ministério do Meio Ambiente. 

Segundo estimativas da Bloomberg, em 2025 governança e sustentabilidade devem atrair US$53 trilhões em investimentos. Uma revolução que veio para ficar. Das empresas vai ser exigido certificação de boas práticas, para não serem barradas no mercado e perder acesso a financiamentos.

Nessa transformação em curso, o "fazer certo" passará a ter valor. Claro que isso não se aplica para quem acha que a Terra é plana e madeira ilegal é para contrabandear. No entanto, para quem sonha com startups e créditos de carbono virando ativo digital a floresta Amazônica tem um imenso potencial econômico associado à sua preservação. O que falta é atitude. 

PS - Se ainda tem  alguém em dúvida se essas mudanças vieram para ficar, dezenas de empresas globais em carta pública exigem medidas duras da União Europeia para eliminar o desmatamento. Segundo o INPE, em abril o desmatamento foi o maior da série histórica. 

segunda-feira, abril 19, 2021

Salles, a bola da vez

 Não sei quantas vezes registrei no blog, a insustentável  situação do Salles. Tudo começou a se voltar contra ele, depois da reunião do dia 22 de abril do ano passado, quando um inconsequente ministro do Meio Ambiente abriu a porteira "para a boiada passar". 

Agora está na mira do Congresso, do TCU e do Supremo Tribunal Federal. Ao que parece,  Salles está isolado. Pelo que é noticiado, ao seu lado sobrou o crime organizado da madeira, da grilagem e do garimpo. Suas atitudes foram longe demais, é a bola da vez. (*)

Por trás de tudo está a maior apreensão de madeira ilegal, durante uma operação da Polícia Federal. O chefe da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva, recentemente afastado do cargo, não está para brincadeira. Mesmo fora do comando da operação, está cobrando providências do Supremo Tribunal Federal. O delegado acusa Salles de prevaricação. ( blog 7/4)

Para facilitar a compreensão do que está se passando com as ilegalidades cometidas na Amazônia, vamos pensar numa situação análoga: diante de uma denúncia de trabalho infantil, a Policia Federal encontra centenas de crianças sendo exploradas. Todos os responsáveis pela ilegalidade cometida são presos. Horas depois, num helicóptero do governo, chega o ministro do Trabalho acompanhado dos donos do negócio ilícito. O responsável pela operação da Polícia Federal é afastado; e, como se nada tivesse acontecido, as crianças voltam ao trabalho. (**)

(*) Desde quando nomeado ministro do Meio Ambiente, Salles sempre  deixou claro de que lado estava. Suas atitudes foram muito além do aceitável. Agora, é a bola da vez Já vai tarde.

(**)  Quando se trata de criança, a revolta é bem maior. Só quis mostrar a que ponto chegamos. Voto tem consequência.

                                              Salvem a Amazônia

                                             Ajudem a floresta

                                             Lutem pra protegê-la

                                             Libertem das mãos criminosas

                                             Enfrentem as ameaças

                                             Sem medo e sem tréguas    

  

quarta-feira, abril 07, 2021

Em meio a dança das cadeiras, esqueceram do Salles


                      Operação Handroanthus GLO. Foto: Polícia Federal. 

Em plena Semana Santa, com ministros saindo e outros chegando, tudo muito confuso, acabaram se esquecendo do Salles. Claro que o Planalto deve ter outra explicação, da minha parte só pode ter sido esquecimento. No pacote de aceno para os EUA de Biden, sempre se soube que estaria na bandeja a cabeça dele e do Araújo. Afinal, era o trunfo que o governo  tinha de aproximação com o "Tio Sam". O Araújo já se foi, falta o Salles.

Nessa semana a situação do Salles voltou a se agravar. O confronto desta vez foi com o Chefe da Polícia Federal do Amazonas, Alexandre Saraiva. Saraiva, não deixou barato, publicamente, enquadrou Salles. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo declarou: "aqui a boiada não passa". 

Direto como tem que ser um servidor público, responsável com suas atribuições, o delegado Alexandre afirma: é a primeira vez que vê um ministro do Meio Ambiente se posicionar contra ações para proteger a Amazônia. De tudo que se viu e ouviu do descaso de Salles com a preservação da floresta, nada foi tão grave. Sua permanência no cargo é insustentável.

A critica não veio de uma ONG, veio do chefe de uma instituição do Estado brasileiro, em cumprimento de sua função. Há mais de 10 anos ocupando cargos de superintendência na Polícia Federal (Roraima, Maranhão e agora Amazonas),  Alexandre Saraiva é doutor em ciências ambientais e sustentabilidade pela Universidade Federal do Amazonas.

Segundo Saraiva, as ações que prenderam milhares de toras nativas durante a operação Handroanthus da PF, os grupos envolvidos não podem ser chamados de empresários. Para ele - "trata-se de uma organização criminosa".  A operação se deu no oeste do Pará, em dezembro do ano passado. A entrevista na íntegra está disponível na Folha do dia 5. (na foto acima: parte das toras apreendidas)

domingo, março 14, 2021

Amazônia: preservada ou destruída

" Em 1967, o presidente Castelo Branco, em recepção no Palácio das Laranjeiras, concedeu 3,5 milhões de hectares ao empresário americano Daniel Ludwig para dar início ao Projeto Jari na divisa do Pará com o Amapá. Enquanto durou e escondeu suas atividades ilegais, ali funcionou a maior companhia de extração de madeira e produção de celulose do mundo e a mais extensa propriedade do planeta pertencente a uma só pessoa." (Alvaro Costa e Silva, 13/3)

Se você desconhecia o relato acima, siga lendo abaixo o meu blog. A Amazônia continua exposta a negócios obscuros. 

Na semana em que num único dia morreram mais de 2300 pessoas do covid 19, se consolida um sentimento internacional sobre a responsabilidade do presidente  Bolsonaro pela mortandade de quase 300 mil brasileiros. Um macabro retrato do país. (*) 

Quando comento sobre a preservação da Amazônia, escrevo sobre a vida. Quando alerto sobre a destruição da floresta, falo sobre a morte. No caso da Amazônia como do COVID 19, morte e vida são consequências das atitudes do próprio governo.  Se ainda perdura alguma dúvida sobre isso, volte a reunião ministerial de 22/4/2020. 

Naquele dia o recado foi dado pelo ministro Salles, "que passe a boiada". Pela expressão que fez, só Nelson Teich, o atônito ministro da saúde, se surpreendeu com a desfaçatez de Salles. A sociedade precisa entender que existem duas florestas em disputa. A Amazônia S/A, do Bolsonaro e do Salles; e a Amazônia que todos queremos - preservada e sustentável. A disputa tá colocada e os interesses são inconciliáveis.  Não existe meia preservação, meio garimpo ou meio desmatamento. As máquinas quando entram na floresta, é para destruir. (**)

Infelizmente, a imensa maioria dos brasileiros não conhece a Amazônia. O que, em parte, ajuda a explicar a dificuldade da luta pela  preservação da floresta. Um recente artigo que recebi de pessoas que conhecem bem a região, confirma minha percepção.

Na Amazônia legal existem 211 sistemas isolados de suprimento de energia elétrica. No Acre,  Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima. A carga total próxima de 500 MW, é atendida basicamente por termoelétricas a diesel. O custo do diesel subsidiado e a poluição que causa, são passivos econômicos e ambientais pagos por todos nós. Se a sociedade soubesse já teria exigido uma resposta mais sustentável para o problema. 

Na metade do ano passado conversei bastante com Alexandre Hanklain e Ciro Campos, dois dos autores do artigo: "Um leilão para limpar a matriz elétrica da Amazônia". Atualmente o atendimento de energia elétrica às comunidades isoladas, é precário e na base do diesel. O custo anual, 8 bilhões de reais. E 3,5 milhões de toneladas/ano de CO², vão para a atmosfera. Como está, não pode continuar. Roraima, o único estado isolado do sistema interligado nacional, até pouco tempo recebia energia da Venezuela. Uma situação de total dependência energética, que poucos conhecem. (***)

O que o artigo propõe é justamente que se busque através de um leilão de fontes renováveis, limpar a matriz elétrica da Amazônia. A pergunta que deixo é se alguém pode ser contra isso? A resposta está no título do comentário, que Amazonas se quer: a preservada ou a destruída!

(*) Não foi por acaso que o ex-presidente LULA, na entrevista do dia 10, deu uma atenção especial para o descaso do atual governo com a pandemia. Não foi por acaso a repercussão  que sua mensagem teve; aqui dentro e lá fora.

(**) Nelson Teich, médico, chegou no Ministério da Saúde preocupado com a vida da pessoas. Na primeira reunião ministerial que participou, visivelmente constrangido, se espantou com as palavras de Salles. Logo depois deixou o governo. No dia 15 de maio, foi substituído por um general. Na época o Brasil contabilizava 15 mil mortos. Agora, sobre o comando do general Pazuello, são quase 300 mil.  Repetindo: 300 mil mortos!

(***) Alexandre Hanklain, é coordenador do Fórum de Energias Renováveis de Roraima. Ciro Campos, é pesquisador do Instituto Socioambiental (ISA). Os 8 bilhões de reais que se paga por ano com diesel, é rateado por todos os consumidores de energia elétrica do Brasil. O instrumento é a CCC, Conta de Consumo de Combustível.

PS - Na década de 80 coordenei o projeto da Eletrobras que objetivava levantar e equacionar os sistemas isolados, no recém criado Estado do Mato Grosso do Sul. Com 8 bilhões de reais/ano, dá para fazer uma revolução na matriz elétrica da Amazônia. Para preservar a floresta é preciso vontade política. O governo tem obrigação de incentivar os projetos sustentáveis, são eles que geram emprego e renda local.  

quinta-feira, março 04, 2021

O descaso com a Amazônia deve ser tratado como crime contra a humanidade

Quem diria, o recado tá dado: destruam a Amazônia.  Façam dela o que quiserem.   A força tarefa do Exército recém  criada para proteção da Amazônia, sob o comando do vice presidente, sem qualquer motivo aparente,  foi dissolvida. O que já era terra de ninguém, ficou mais exposta aos interesses espúrios. A Amazônia está virada numa S/A,  e quem está de olho no cargo de CEO é o Salles. (*)

Quando Bolsonaro em campanha prometeu que não iria demarcar "nem um centímetro de terra a quilombolas e indígenas", não estava blefando. Para ele a Amazônia é a maior fazenda do planeta à ser explorada. Muito embora o direito à regularização fundiária está assegurado pelo artigo 68 da nossa Constituição; propositalmente não anda. Nos dois anos do governo Bolsonaro, pasmem, o Incra titulou três áreas, somando 332 hectares. Um dado que deveria envergonhar qualquer governante. (**)

A situação está tomando o caminho do "estouro da boiada", recomendada por Salles na famosa reunião ministerial de abril de 2020. Os interesses obscuros são muitos, vão: do garimpo ilegal, passando pela ocupação de terras de preservação permanente, queimadas e desmatamentos ilegais. A preocupação é tamanha que levou o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, suspender uma lei estadual de Roraima, sancionada neste ano, que autorizava o uso de mercúrio nos garimpos. Moraes considerou a lei estadual um risco à proteção ambiental. ( FSP 22/2).

 Mas os riscos não param aí.

Na terça-feira, 23, o coronel do Exército, Luiz Carlos Marchetti, foi exonerado por Salles. Era o superintendente do Ibama no Mato Grosso do Sul. Saiu atirando. Para o seu lugar Salles nomeou um Policial Militar de São Paulo. Não conheço o coronel Luiz e nem o policial de São Paulo, mas conheço o Ibama. Que vergonha, seu Salles: lugar de coronel e de policial militar não é lá!

(*) Que Bolsonaro tá queimando o Mourão, todos sabem. Nem nas reuniões tem participado. O fim  da Operação Verde Brasil, liderada pelas Forças Armadas, com o objetivo de coibir o desmatamento e as queimadas na Amazônia, é mais uma etapa do desgaste. Mourão é quem coordenava a operação. Assim como Moro, Mourão também entrou em rota de colisão com o capitão.

(**) A Amazônia é o maior ativo ambiental do planeta. Qualquer governante sem noção da importância deste patrimônio natural, que se cuide: vai responder por crime contra a humanidade. 

PS - A  tragédia sanitária é o assunto do momento. Na quarta-feira, 3, a confirmação de um novo recorde: 1.910 mortes.  Propositalmente tenho colocado a Amazônia em pauta, porque tem tudo a ver com o descaso do governo: quem não cuida do meio ambiente, não liga para a vida. Se tem gente que ainda não entendeu....lamento. 


sexta-feira, janeiro 15, 2021

Na Amazônia a boiada segue passando

                                        
                                               Adriano Machado - 3 de out de 2020/Reuters
 
A foto acima fala por si, devem estar rindo de nós. Talvez nem saibam que já fomos a sexta economia do mundo. Que éramos respeitado na ONU, no Mercosul, na OMS e em todos os organismos internacionais. O Brasil era visto como um país amigável e promissor. Nossa diplomacia servia de exemplo para países latinos, africanos e outros emergentes como nós. 

Apesar de todos os absurdos cometidos pelo governo Bolsonaro, um em particular foi decisivo para acabar com a nossa imagem: a Amazônia. A ideia de facilitar a destruição da floresta se deu na fatídica reunião ministerial, do dia 22 de abril de 2020. Foi quando Salles, sem qualquer constrangimento, propôs liberar geral - "para a boiada passar". Era justamente o sinal que os criminosos de plantão queriam ouvir. Para eles, o recado estava dado: vão em frente queimando e desmatando; a impunidade os acompanhará!

Bolsonaro mal acaba de completar dois anos de governo e o estrago que vem fazendo é visível.  Para quem acompanha sua trajetória, a proteção do meio ambiente nunca fez parte do seu DNA. Nem como deputado e muito menos como presidente. Os órgãos de proteção ligados ao Ministério do Meio Ambiente, foram esvaziados. Em razão disso a área desmatada, que teve uma considerável redução durante o governo Lula, volta a crescer com Bolsonaro.

Ricardo Salles, o ministro responsável pela desastrosa gestão, vem dificultado o trabalho de fiscalização agravando ainda mais a péssima imagem do país no exterior. Os dados oficiais do INPE, que Bolsonaro e Salles costumam negar, envergonhariam qualquer país. O Ministério Público Federal, por dever de ofício, vem tentando afastar Salles do cargo "por desestruturação dolosa das estruturas de proteção ao meio ambiente". A situação do ministro está ficando insustentável.

Não foi por acaso que perdemos apoio e recursos de governos e organizações não governamentais. O mito virou mico. Nem a ONU convidou o Brasil para um recente evento sobre mudanças climáticas e o Acordo de Paris. Quem se preocupa com o meio ambiente sabe o que está se passando com as queimadas, quase sempre associadas a invasão de terras de preservação e a pratica do garimpo ilegal. Por sua vez, o governo também sabe que essa prática criminosa não encontra respaldo na sociedade. Na última pesquisa sobre o assunto,  90% dos brasileiros manifestaram o seu apoio a preservação dos nossos recursos naturais. 

O papa Francisco também é um grande aliado nessa luta. Sempre que pode chama a floresta de "Querida Amazônia", reforçando o compromisso dos latinos com aquela imensa riqueza natural da humanidade. A defesa da Amazônia está muito acima do que querem Bolsonaro e Salles. É uma luta de todos que pensam na vida futura e num mundo melhor. Em 2021 vamos redobrar nossa vigilância, aumentar nossa indignação, resistir: sempre!

PS - Bolsonaro virou o ano aprontando. Salles, comemorando. Quanto descaso com as vidas e com o meio ambiente. Ultrapassamos as 200 mil mortes por covid. E segundo o INPE, em 2019 (9100 km²) e 2020 (8400 km²) foram os dois anos com maior área desmatada na Amazônia Legal dos últimos anos. O INPE, é do governo: não é uma ONG. Pense nisso.

quarta-feira, setembro 16, 2020

A destruição da Amazônia e a omissão do governo

Incêndio próximo ao município de Humaitá, 26/8, no Amazonas (Ueslei Marcelino/Reuters)

Em meio à pandemia até o mico-leão-dourado mudou de habitat, apareceu num vídeo produzido para mostrar uma Amazônia preservada. De responsabilidade da Associação dos Criadores de Gado do Pará, o vídeo virou notícia no mundo todo. Até o vice Mourão e o ministro Salles aproveitaram o simpático mico,  para melhorar a imagem. Se deram mal, o leão-dourado vive na Mata Atlântica. 

Enquanto o governo evita falar sobre a Amazônia, a última pesquisa publicada sobre a preocupação dos brasileiros com a floresta mostra que mais de 80% dos entrevistados estão indignadas com a tragédia amazônica. É quase uma unanimidade, dá para dizer que só ficou de fora quem ganha com a prática criminosa. Ampliar os apoios, se articular e construir um movimento de resistência em defesa da Amazônia, é urgente. 

A partir do conhecimento do mal que fazem grileiros de terra, garimpos ilegais, desmatamento e queimadas criminosas, se consegue ganhar a opinião pública. As cenas das queimadas na Amazônia e no Pantanal são muito fortes. A invasão em terra indígena e a proliferação do garimpo ilegal, abrindo feridas na floresta e contaminando rios com mercúrio; é algo tão acintoso quanto a omissão do governo.  

Uma recente reportagem de Fabiano Maisonnave e Lalo de Almeida na Folha, dia 10, alerta que na "terra de Mourão", garimpo ilegal atua sob vista grossa do Exército. E que a Operação Verde Brasil 2 envia informações contraditórias sobre o combate à atividade na região. A denúncia é muito grave e precisa ser apurada.

A matéria começa assim: "Apesar de a espessa fumaça dos incêndios florestais atrapalhar a visão não há como perder a cena: diante da orla de Humaitá, no sul do  Amazonas, dezenas de balsas de garimpo de ouro operam ilegalmente no rio Madeira, 24 h por dia".(*)

Segundo a reportagem a atividade ocorre a algumas centenas de metros do 54º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército, uma das unidades participantes da Operação Verde Brasil 2. A Operação é da responsabilidade do vice-presidente, o general Mourão.(**)

(*) A denúncia tem materialidade, faz parte da reportagem fotos das balsas de garimpo. Tanto Mourão como Salles tem responsabilidade sobre o que acontece de ilegal na Amazônia. 

(**) A cidade de Humaitá, a 700 km de Manaus, com uma longa tradição de garimpo ilegal e um histórico de resistência a fiscalização, guarda outra particularidade: trata-se da terra natal da família do general Mourão. (FSP 10/9)  

sexta-feira, setembro 04, 2020

Amazônia: desmatamento não traz desenvolvimento

 Em plena pandemia com o PIB do segundo trimestre confirmando o pior desempenho da economia na nossa história recente (- 9,7%),  o agronegócio mostra a sua força e cresce na crise. A conjugação de três fatores são responsáveis pelo bom desempenho: inovação tecnológica no campo, o mercado chinês e a desvalorização do real.

Como não sou do setor, os fatores acima identificados não passam de intuição. Se estão certos, cabe aos especialistas analisarem. São eles que podem nos dizer, se os bons resultados vão se repetir nas próximas safras. O conhecimento acumulado e a tecnologia desenvolvida, asseguram uma alta produtividade no campo. No entanto, a mesma certeza já não se tem sobre as relações do atual governo com a China. Quanto a desvalorização do real, que impactam nas exportações, tudo indica que deve continuar. (*)

Na leitura despretensiosa que faço, a grande incógnita sobre o futuro do agronegócio está na Amazônia. Garimpeiros e posseiros estão a vontade para agir na ilegalidade. Com a porteira aberta, as moto serras roncam e os garimpos avançam. A região mais observada do planeta, virou terra de ninguém. Segundo o historiador Herbert Klein, 84, pesquisador da Universidade de Stanford, "o desmatamento é inimigo do agro". Profundo conhecedor da América Latina, o professor Klein avalia que os grupos que estão destruindo a Amazônia, não fazem bem para a agricultura e muito menos para o desenvolvimento econômico.

Segundo ele o governo brasileiro tem sido inconsequente tomando ações  contra o meio ambiente e a China, com impacto direto sobre o comércio agrícola brasileiro. Se não controlar a destruição da Amazônia, o acordo UE/MERCOSUL corre um sério risco. O país além de perder o mercado europeu, também  irá enfrentar dificuldades no relacionamento com os vizinhos latinos.

(*) A frase não é minha,  é do Paulo Guedes: "a gente tem que errar muito para o dólar chegar a R$ 5,00 no final do ano". Estão tá...

 PS - A entrevista com o professor Klein está disponível no Caderno AGROFOLHA,  de 01/9.


quarta-feira, setembro 02, 2020

Amazônia: a encenação continua

 O nosso maior patrimônio natural está sob ameaça. Durante o atual governo a situação se agravou ainda mais. O ministro Ricardo Salles, desde da sua posse, faz da proteção ambiental uma grande encenação. Seu descaso com a floresta está perpetuado na sua célebre frase; "a gente aproveita a pandemia e passa a boiada". (reunião ministerial de 22/4)

Na última semana Salles se envolveu em  mais duas polêmicas. A primeira delas foi a denúncia do avião da FAB, transportando garimpeiros ilegais até Brasília. A outra, do dia 28, se refere ao bloqueio de verbas de fiscalização na Amazônia. Sobre o avião o MPF está apurando; já em relação ao bloqueio das verbas, alguns analistas afirmam que não passou de um jogo de cena. 

Para dar um ar de preocupação com o meio ambiente, em entrevista à Folha, dia 28, Salles declarou sua surpresa pelo congelamento de R$ 60 milhões, destinados ao Ibama ( 20.9 mi) e ao ICMBio (39,8 mi). Segundo ele, na quinta-feira (27), o Ministério do Meio Ambiente foi informado do bloqueio de recursos para fiscalizar o desmatamento ilegal e às queimadas. (Fonte: Danielle Brant, Isabella Macedo e Daniel Carvalho) 

A versão de pronto chamou a atenção, afinal o que Salles quer é "passar a boiada". No mesmo dia, à noite, diante da repercussão negativa, o vice Mourão afirmou que os recursos não estavam bloqueados. Para quem acompanha o vai e vem dos dois, a impressão que ficou é que estava tudo combinado. O enfraquecimento da fiscalização, é mais uma sinalização para os depredadores da Amazônia que a porteira está aberta.

Por trás dos desatinos cometidos contra a floresta, os brasileiros sentem tristeza e indignação. A mais recente pesquisa do Observatório Febraban, mostra isso: 83% dos entrevistados estão insatisfeitos com as medidas do governo para preservar a Amazônia. O resultado não poderia ser outro. Se em 2019 a destruição da Amazônia já trazia números gritantes, a situação em 2020 será ainda pior, comenta Phillippe Watanabe. (FSP 28/8)

PS - O que está acontecendo na Amazônia, é crime. E tem responsável. O voto tem consequência. Valorize o seu voto. 

quarta-feira, agosto 26, 2020

Proteger a Amazônia, compromisso do poder com a militância


O papa Francisco deve estar celebrando a reunião de Angela Merkel e a ambientalista Greta Thunberg, em Berlin. A foto acima percorreu o mundo. A mulher mais forte do planeta e uma jovem determinada que vem conquistando seu espaço. Na pauta: a proteção da Amazônia.

Nunca militância e poder estiveram tão juntos. Quando se aliam para enfrentar o problema com pragmatismo, reacende a esperança. Ao focar no acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, Angela Merkel comprou a briga. Se Greta foi lá para ouvir isso, pode comemorar: a Amazônia agradece.

Não sei se o governo do atraso vai fazer a leitura certa, ou isolar ainda mais o Brasil. Se o acordo comercial for barrado pela União Europeia, nossos vizinhos vão nos cobrar caro. Diplomacia é uma carreira estratégica num mundo cada vez mais global. Só que nem todos pensam assim.

Quanto ao meio ambiente, um ministro que se auto-desqualificou, na reunião ministerial do dia 22 de abril, pouco tem a contribuir. Suas intervenções e declarações  reforçam seu despreparo. As notícias que circulam é que seus dias estão contados. Pode ser uma saída para melhorar nossa imagem. Afinal, pior que está não fica. 

Embora afastado do Mercosul e cético em relação ao seu futuro, sempre defendi a integração dos povos latinos. O tempo passa e os avanços são mínimos. Quem sabe, por um acordo comercial e uma agenda de proteção ambiental, a Amazônia  nos una.(*)

(*) O Mercosul está sem um norte. Os dois principais parceiros Argentina e Brasil, não se falam. Nossa política externa só tem olhos para o Trump. Isolacionista, desestimulou a aproximação que havia com os demais países latinos. Segundo Mathias Alencastro, doutor em ciência política pela Universidade de Oxford, até a Coreia do Norte e do Sul mostram mais vontade em negociar do que nós. E, conclui: "Impossível negar a responsabilidade do governo Jair Bolsonaro".  

quinta-feira, agosto 13, 2020

Árvore é vida. Desmatar e queimar: é crime.



 

A preservação da Amazônia é dever do Estado. Embora a "boiada" continue passando por lá, seguindo a orientação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a sociedade tem que se indignar. Quanto  as queimadas e desmatamentos noticiados, se criminosos, precisam ser reprimidos e punidos. 

A distância que nos separa da Amazônia e da devastação ambiental em curso, dificulta a reação da sociedade. Ainda mais quando o próprio governo não tem interesse de nos aproximar do problema. O desafio que temos pela frente é dar vida às árvores. Trazê-las para o imaginário das pessoas, mostrando que não há futuro para a humanidade sem elas. (*)

Recentemente li um estudo sobre a importância das árvores nas nossas vidas. A publicação é do dia 10, da DW. Muito oportuna, mostra a necessidade de se reflorestar as cidades. Segundo a matéria, só esse ano, a prefeitura de Paris vai entregar quatro florestas urbanas para melhorar a qualidade de vida dos parisienses. Já em Nova York, o poder público plantou um milhão de árvores a mais. (**)

Quando se trata de micro clima, as árvores são fundamentais no bem estar urbano. Elas filtram a poluição do ar, fornecem sombra, absorvem CO² e ajudam a regularizar ventos e chuvas. Sem falar no  combate ao estresse, que os exercícios ao ar livre nos possibilitam e o belo cenário que formam. Portanto, se imaginem vivendo numa cidade sem praças, parques e bosques. Já pensaram nisso? (***)

(*) Assim como está ocorrendo com o coronavírus e as mais de 100 mil mortes, as árvores derrubadas e queimadas não sensibilizam o governo.

(**) A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha. Seus artigos e reportagens são reconhecidos no mundo todo. Suas notícias independentes são reproduzidas em 30 idiomas.

(***) Campus da UFSC em tempo de quarentena. Bem arborizado.  

domingo, julho 19, 2020

Desmatamento na Amazônia: a culpa é do satélite

O ministro da Ciência e Tecnologia, o tenente-coronel Marcos Pontes, dia 15,  em entrevista coletiva, tranquilizou a coordenadora do INPE Lúbia Vinhas, "você não foi punida: foi promovida". Que alívio, o crescente desmatamento  verificado na Amazônia não foi erro dela. Ainda bem, a culpa pode ter sido do satélite. Sobre o nosso descrédito no exterior, o governo também vai resolver: a promessa é do general Mourão. A crise ambiental que agora ganhou a simpatia de empresas e fundos de investimento, não pode mais ser atribuída a ONGs e simpatizantes das causas ambientais.

O Brasil é maior do que os desencontros desse governo. Não podemos aceitar a nossa incapacidade de enfrentar uma pandemia, que vai deixar mais de 100 mil mortos. Como também não dá para permitir a devastação de milhões de árvores de nossas florestas. Um país como o nosso não pode conviver com  grileiros de terras públicas, milícias urbanas e o crime organizado. Boa parte dos que elegeram Bolsonaro, agora lamentam o  voto  que deram. A consciência, para quem tem, é implacável.

De quarentena, escrevendo um livro, invento histórias para o dia passar. Até sobre um blogueiro governista cheguei a exercitar se valia a pena um conto, logo desisti. Só consegui chegar a alguém tomado pelo ódio, sem nenhuma preocupação ética com o  que escreve. No caso da Amazônia e do coronavírus, por exemplo, não tem como encobrir com fake news situações vexatórias com intuito de  confundir a opinião pública. Os números falam por si.

Só mesmo quem escreve de má fé, para fechar os olhos sobre crimes ambientais e as mortes por coronavírus. Por trás desses blogueiros do ódio, está uma rede que alimenta robôs para enganar as pessoas. Foi assim durante a campanha de 2018, continua assim durante o governo. Uma atividade abominável que atraiu milhões de eleitores desavisados. Finalmente os que agiram assim, estão na mira do Supremo Tribunal Federal e na CPI das Fake News no Congresso. Os podres começam a aflorar. Ainda bem, precisamos fortalecer a democracia. 


sexta-feira, abril 24, 2020

O corona vírus e a "Querida Amazônia" (e o Moro ...)


Fotografia de Sebastião Salgado publicada na Folha de S.Paulo. Clique aqui para ver todas a reportagem. 


Depois que o papa Francisco começou a chamar "Querida Amazônia", logo passei a chamá-la assim também. Uma forma carinhosa de se relacionar com o maior patrimônio natural da humanidade. E, com certeza, um dos mais ameaçados. O que paira por trás das ameaças, é o pior dos mundos: a especulação e a exploração criminosa de bens e recursos naturais.

O Ministério da Justiça tem obrigação de identificar e autuar esses criminosos ambientais, através de uma ação coordenada e permanente da Polícia Federal na região. O ministro Sergio Moro sabe que são inaceitáveis as cenas que chegam da "Querida Amazônia". No último sábado, dia 18, a Folha nos brindou com um encarte sobre o Xingu, com fotos de Sebastião Salgado e texto de Leão Serva.(*)

O encarte especial aborda uma possibilidade ameaçadora: a chegada do coronavírus nas populações indígenas. A preocupação de sanitaristas que trabalham na região é de uma situação explosiva, que pode dizimar uma boa parte dos povos das floresta. Lá não tem UTI e muito menos respiradores artificiais. Segundo especialistas a chegada da pandemia de Covid-19 é inevitável. Em parte pelas atividades ilegais na região,  agravado pelo visível descaso com a preservação da "Querida Amazônia".

Segundo o Jornal do Brasil, de acordo com o sistema de monitoramento do Imazon, a floresta perdeu 240 km² de área verde, só no mês de março. Para dar uma ideia dessa insanidade ambiental/florestal: é desmatar num único mês uma área equivalente a metade da Ilha de Santa Catarina, onde fica Florianópolis e suas 44 praias. (**)

(*) Enquanto escrevia o texto, Moro anunciava sua demissão. Se vai se efetivar ou não, só o tempo vai dizer. O inexplicável silêncio de Moro, já sinalizava o mal estar. 

(**) O Imazon é um instituto brasileiro de pesquisa, com pesquisadores brasileiros, sem fins lucrativos, fundado em Belém há 30 anos.

ATUALIZANDO - às 11 hs, numa coletiva,  o ministro anuncia sua renúncia.     



segunda-feira, dezembro 02, 2019

"Desmatamento cultural"


As explicações de Bolsonaro sobre desmatamento ilegal e queimadas na Amazônia, nos envergonham. Recentemente atribuiu a uma questão cultural os crimes que são cometidas na mais importante floresta do planeta. As reações vieram de imediato. Entre elas, a de Edison Manso, de São Paulo: "Tudo é cultural. Até os crimes. O que não pode é um presidente da República se socorrer disso para justificar um crime". (FSP, 22/11)


Sem demonstrar muito interesse em apurar os fatos com o devido rigor, o alvo seguinte de Bolsonaro foi Leonardo DiCaprio, Reconhecido internacionalmente por seu envolvimento na defesa do meio ambiente  e um ativista pelas questões climática, o ator,  sem prova alguma, foi acusado por Bolsonaro de estar repassando recursos para ONG's criminosas que atuam na Amazônia.


O mais recente capítulo desse lamentável episódio que vivenciamos no atual governo, se deu na semana passada. Organizações não governamentais, ONG's, reconhecidas aqui e lá fora pelo excelente trabalho que fazem, também foram atingidas de forma inconsequente e descabida pelo presidente.  A  World Wide Fund, mais conhecida como WWF, fundada em 1961, com sede na Suíça, foi uma delas. (Foto acima, fonte: WWF Brasil)


Em Alter do Chão no Pará, a arbitrariedade foi além. Quatro brigadistas, que atuam para combater as queimadas ilegais na região, foram presos. Mandatos de busca e apreensão foram emitidos nas ONG's Projeto Saúde & Alegria, Instituto Aquífero Alter do Chão e Brigada Alter do Chão. " Desmatamento cultural", até quando? Precisamos reagir.





segunda-feira, novembro 25, 2019

Amazônia ameaçada: "É isso daí"


Depois de ver seu maior patrimônio ambiental em chamas, suas praias paradisíacas tomadas pelo petróleo e Angra sob a ameaça de virar Cancún, Bolsonaro assume oficialmente seu descaso com o meio ambiente.

Sem qualquer constrangimento, Bolsonaro vem ocupando o papel do presidente que tudo pode. Sua última ameaça foi o anúncio de exportar árvores nativas da floresta Amazônica. A luz vermelha acendeu para ambientalistas e brasileiros que ainda se sentem responsáveis pelo futuro do país. Ninguém merece ouvir tamanho disparate.

Liberar a exportação das madeiras nobres da Amazônia, além de ilegal, é atender lobbies da pior espécie. Gente disposta a enriquecer destruindo o patrimônio natural de uma nação. Um crime contra a humanidade. O motivo alegado também não se sustenta. Agride a nossa inteligência. Algo tão simplório que nem deveria merecer a atenção.

O argumento de que a liberação do corte ilegal irá trazer mais recursos para fiscalizar a floresta só tolo para acreditar. Não dá pra esperar o fato consumado para reagir. Cabe a nós, como sociedade organizada, pautar a preservação da Amazônia como prioridade nacional. Criar um movimento amplo, da dimensão da própria floresta. 

segunda-feira, setembro 09, 2019

Amazônia: para te salvar, só a pressão da opinião pública.

Embora a floresta amazônica continue ardendo em chamas e as árvores permaneçam sob ataque das motosserras, se percebe algo além de fumaça no ar. A reação da sociedade sobre o crime ambiental que está sendo praticado trouxe esperança. O posicionamento da Igreja Católica, com o aval do Papa Francisco, foi decisivo. Como decisivo também foram as inúmeras manifestações do mundo todo a favor da preservação da floresta.

O governo, preocupado com as pesquisas de opinião pública, recuou. A arrogância do ministro Ricardo Salles e a falta de bons argumentos sucumbiram às manifestações que ocorreram dentro e fora do Brasil. De alguma cabeça pensante deve ter vindo a orientação de parar com o insano enfrentamento. Ainda assim é preciso estar atento e resistir. 

Um dos principais responsáveis pela péssima imagem que o Brasil deixou nesse episódio foi, sem dúvida, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. No domingo, 8/09, ele escreveu na Folha de S.Paulo no caderno de opinião. Li e reli o que o ministro escreveu. A impressão que me deu é que tem dois "Ricardos": o que fala e o que escreve. O que fala segue a linha do seu chefe. O que escreve tem mais a ver com o "me engana que eu gosto".

Para não tomar muito tempo dos que acessam o blog, identifiquei no último parágrafo do extenso texto do ministro a síntese do "me engana que eu gosto": "Em meio a tudo isso, buscamos reestruturar a gestão do meio ambiente. Fomos eleitos para desmontar o aparelhamento ideológico. É o que está sendo feito, e isso é fundamental para seguirmos cuidando do meio ambiente de maneira eficiente e bem sucedida". (*)

(*) A que aparelhamento ideológico o ministro Salles se referia? Às ONG's que foram denunciadas sem qualquer prova ou o grupo de fazendeiros do Pará que organizou o "Dia do Fogo"?