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terça-feira, dezembro 17, 2024

Florestas e nascentes, a vida preservada

                         
                                                     
                                               "A gota que falta", de  Isodozol (*) 

Quando criamos o IMPAC - Instituto Mauro Passos de Proteção Ambiental e Climática, em maio deste ano, tudo aconteceu muito em função do Carlos Alberto Tavares Ferreira da Carbon ZERO. A grande pergunta que sempre fazia era se dava tempo de começar algo novo, tão desafiador como a temática ambiental e climática. Com o Instituto IDEAL, por exemplo, foram 17 anos de um trabalho voluntário. Como não tenho mais esse tempo, sem açodamento, fomos nos convencendo que poderíamos, sim, contribuir um dos principais debates desse século, a conscientização ambiental. (**)  

Portanto, o que se busca nessa primeira apresentação pública do IMPAC é mostrar nosso entusiasmo com esse novo momento. O tema proteção ambiental e climática é uma agenda global num mundo que está de cabeça para baixo. As duas coisas caminham juntas e exigem uma redobrada atenção. Em razão disso a prioridade vai estar sempre na simplicidade das ações e no envolvimento coletivo. Se nós quisermos ter florestas e nascentes preservadas, assegurando a continuidade da vida, a hora é agora. Não tem amanhã, o tempo se esgotou. 

O que se pretende com o IMPAC é justamente isso, iniciativas de fácil compreensão e implantação, que possam ser replicadas. Para Santa Catarina, o que nos motivou são dois projetos já em andamento no Paraná, o "Caminho das Araucárias" e o caminho das "'Águas Limpas", ambos da Carbon ZERO, do Carlos Alberto Tavares Ferreira. 

Para dar suporte as suas iniciativas, o IMPAC, através de um Termo de Compromisso com o Hotel Plaza Caldas da Imperatriz, vai implantar um centro de apoio à pesquisa da fauna e flora no Parque da Serra do Tabuleiro, na antiga Pousada da Mata que pertence ao hotel.  A responsabilidade do Instituto, além de recuperar e administrar o local, será de torná-lo uma referência e ponto de encontro para debater a temática do clima. Como principal atrativo para nossas atividades nada melhor que uma imensa floresta preservada, como um verdadeiro laboratório a céu aberto.    

No fundo, está se criando um espaço para a conscientização ambiental, fruto de uma relação de confiança entre duas partes. De um lado o IMPAC, que traz 17 anos de uma experiência exitosa com o Instituto IDEAL, na promoção e consolidação da energia solar no país. Do outro lado o Hotel Plaza Caldas da Imperatriz, que por confiar nos projetos apresentados nos deu total autonomia. O hotel sempre manteve biólogos no seu quadro de pessoal e programação para os hóspedes com palestras e caminhadas orientadas pela floresta. Logo, a sintonia existe.

A relação do Hotel Plaza Caldas da Imperatriz com o mundo acadêmico, principalmente com a UFSC, é antiga. Como resultado já foram produzidos dezenas de artigos e até mesmo algumas dissertações de mestrado e teses de doutorado. Em parte, muito se deve ao trabalho de três décadas do biólogo e professor Fernando Brüggemann, que recentemente se aposentou. Como legado, publicou dois livros sobre sua vivência única com a mata e os hóspedes. Uma relação sadia que deu certo. Agora, quem segue seu caminho, é o biólogo Guilherme Willrich. (***) 

Com esse breve relato, se quer valorar o passado e anunciar um novo ciclo com um olhar para o futuro. Obviamente, muito focado em novas parcerias que possam vir a contribuir naquilo que o Instituto IMPAC busca. O que se quer é aproximar a juventude da natureza e através dela conscientizar a sociedade da importância da preservação ambiental e da atenção que todos temos que ter em relação às mudanças climáticas. Sem dúvida, um desafio e tanto que precisa começar. É o que estamos propondo.

(*) Isolete Dozol, reconhecida aquarelista catarinense, amiga de longa data, nos presenteou com a ilustração do texto "Florestas e nascentes, a vida preservada",  com uma folha e uma gota.

(**) A professora Irene Reis, fundadora da Reinventando a Educação, em recente entrevista, por uma feliz coincidência, reforçou o que se busca: "Se fala de árvores abrindo a página do livro, mas não levamos as crianças para vê-las". 
 
(***) Quando se fala numa relação sadia e antiga que deu certo, estamos falando numa longa parceria entre a Universidade Federal de Santa Catarina e o Hotel Plaza Caldas da Imperatriz. Tanto assim que os termos de cooperação se renovam  automaticamente a cada cinco anos.  

   

      

quinta-feira, novembro 09, 2023

CARBON ZERO e Instituto IDEAL, unidos pela natureza



Quando há sintonia, tudo fica mais fácil. Com o tempo você percebe na conversa se o projeto que está sendo apresentado vai prosperar ou não. Foi exatamente isso que aconteceu na terça-feira, dia 7, na Comissão de Turismo e Meio Ambiente da ALESC. Presidida pelo deputado Marquito, rapidamente o que se buscava foi consensado. A Comissão entendeu a importância do estudo apresentado pela CARBON ZERO, que tem como objetivo identificar, quantificar e valorar ativos ambientais. Sejam eles, dos municípios, do estado, públicos ou privados.

A quantidade e a qualidade das informações trazidas pela CARBON ZERO, a nova parceira do Instituto IDEAL em Santa Catarina, logo chamou a atenção dos parlamentares. As perguntas que vieram e os encaminhamentos dados pela Comissão atenderam nossas expectativas. No ano que vem vamos construir com o apoio da ALESC um calendário que contemple todas as regiões do estado com a metodologia desenvolvida pela CARBON ZERO, que transforma em moeda corrente quem preserva seus ativos naturais. Os pagamentos são anuais. O que se aplica para nascentes e floretas, são créditos verdes. O que se aplica para os manguezais são créditos azuis. Na Região Metropolitana temos 35 mil hectares de mangue. É muita coisa. 

Na sequência, aproveitando a estada do CEO da CARBON ZERO, Carlos Alberto Tavares Ferreira, fomos atrás de possibilidades para se instalar os CAPES, Centro de Apoio a Pesquisa e Estudos. Tanto para os manguezais, como para o replantio das araucárias e a preservação das nascentes. Além de Florianópolis, duas outras cidades estão sendo observadas: Palhoça e Santo Amaro da Imperatriz.

PS - À noite recebo do Carlos cópia da recente Resolução do Parlamento do MERCOSUL, que declara a Araucária patrimônio natural e cultural do MERCOSUL. São os bons sinais que nos aproximam e nos unem. 

 

  

segunda-feira, julho 11, 2022

Proteger o Meio Ambiente é um dever Constitucional (a vida também **)



                          Mapa do Relatório do IPCC mostra o aquecimento provável no planeta. 

Por mais que você queira, não dá para acompanhar tudo que acontece no Brasil. Em parte porque o atual governo extrapolou em muito o razoável. Do escândalo de assédio na CEF aos pastores do MEC, da "porteira aberta" do ex-ministro Ricardo Salles na Amazônia aos constantes ataques a democracia, só mesmo com uma equipe de profissionais para dar conta de tanto desatino. Sozinho, por mais que me esforce, não dá para acompanhar. 

Com as devidas desculpas, foi exatamente o que aconteceu durante votação histórica no Supremo Tribunal Federal, na última sexta-feira, 01/7. Por 10 votos favoráveis e apenas um contra, o do ministro Nunes Marques, o STF concluiu o julgamento sobre o dever constitucional de proteção ao clima. A decisão determina que a União pare de obstruir o funcionamento do Fundo Clima.

Para a coordenadora do Programa de Defesa dos Direitos Socioambientais da Conectas, Júlia Neiva, "a decisão do STF é um marco para a litigância climática e fortalece o argumento de que a crise climática deve ser enfrentada com políticas públicas eficientes. Seguimos com a tarefa de cobrar do governo brasileiro o pleno funcionamento do Fundo Clima e de outros mecanismos importantes na defesa dos direitos socioambientais e climáticos".

Ao mesmo tempo que a decisão do STF nos conforta, é revoltante saber que é preciso correr atrás para se ter as garantias mínimas de preservação ambiental. Só para lembrar recentemente aconteceu o mesmo com o Fundo Amazônia, que até onde se sabe continua sem uma destinação. Para o Instituto Imazon, não há o que comemorar: das 3500 ações impetradas pelo MPF só 18% tiveram uma decisão definitiva e apenas em duas os infratores pagaram o valor estabelecido na condenação. 

No atual governo a preservação ambiental virou piada. Lideramos o ranking do desmatamento no mundo, com mais de um milhão de hectares/ano. Sozinho desmatamos mais que a metade do resto dos países. A ilegalidade corre solta. As motos serras roncam e as árvores caem. Uma tristeza.(*)

Quem ainda não está convencido do desastre que é o atual governo, lamento. Argumentos não faltam, o Brasil era respeitado e admirado por todos. A nossa economia chegou a ser a quinta no ranking mundial, agora nem entre as dez primeiras está. A preocupação com o meio ambiente, tema do comentário, em governos anteriores sempre foi motivo de preocupação. Os ministros que passaram pela pasta, todos, sem exceção, estavam empenhados em fazer o melhor. De repente tudo mudou, quem ganhou espaço foi a violência, o garimpo ilegal e o desmatamento. Uma tragédia ambiental tão grande, que levou a sociedade se unir e resistir as ameaças em curso.

(*) De janeiro a junho batemos todos os recordes, 5.000 quilômetros quadrados foram desmatados. Só para comparar, destruíram uma área de floresta equivalente a dez ilhas de Santa Catarina. 

(**) O assassinato do tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, Marcelo de Arruda, teve grande repercussão. Sua morte é fruto da intolerância política, afirma o secretário de segurança. Dois dias atrás, a jornalista Daniela Pinheiro entrevistou um mega empresário que está indo embora do Brasil  pelos mesmos motivos.  Clique aqui para ler. 

A tragédia precisou ser incluída no texto em função da ameaça que representa. 

quarta-feira, março 23, 2022

Dias da Floresta, da Água e de Floripa

                                Lagoinha do Leste, em Florianópolis. Foto: pxhere.com.

Março é um mês de celebrações. Por coincidência são comemorados o Dia Internacional da Floresta, o Dia Mundial da Água e o aniversário de 349 anos da nossa capital Florianópolis. Todos vizinhos de calendário: 21, 22 e 23 de março. Embora tenham muito em comum, em função da degradação e da preocupação meio ambiente/futuro, tentei juntar tudo num comentário só, mas desisti. Não ia dar certo.

A escolha acabou recaindo sobre o DIA INTERNACIONAL DA FLORESTA, 21 de março. O motivo, muito em função do que recebi para ler. A maior floresta do mundo, a Taiga, com 12 milhões de quilômetros quadrados, tem três vezes o tamanho da floresta amazônica. Sozinha representa 29% da cobertura florestal do planeta. (Fonte: Wikipédia)

A origem da palavra é russa e trata-se de uma  Floresta Boreal. Nasce no Canadá, passa pelo Alasca, Groelândia, Noruega, Suécia, Sibéria e Japão. Essa imensidão verde está sendo motivo de preocupação. Segundo estudiosos a floresta está passando por um processo que em vez de absorver CO², está liberando toneladas de gás carbônico para a atmosfera. As pesquisas fazem parte de estudos internacionais que acompanham grandes impactos ambientais e suas consequências nas mudanças do clima. 

                                                                FLORIPA - 349 ANOS !

Querida cidade, ao contrário do que dizem, "os do contra" são aqueles  que mais te protegem. Em razão da tua beleza a especulação é descontrolada. Sem qualquer pudor, engordam as praias, aterram os mangues e ocupam as dunas. Não escutam as pessoas que querem uma cidade preservada. Agem como se fossem donos, sem se importar com o amanhã. Os movimentos sociais estão aí, vivos, resistindo sempre.  

Feliz Aniversário!

quarta-feira, agosto 05, 2020

Bolsonaro e seus ministros

Em tempos de pandemia a gente tem que se reinventar. Os meses passam, corpo e mente precisam de animação. Nada muito complicado, desde que levado a sério. O que fazer com braços e pernas, a gente até sabe. Já a mente exige um pouco mais de atenção. Com uma demanda crescente nas redes sociais, veio uma preocupação. Se de repente me perguntarem quem é o pior ministro do governo Bolsonaro? As opções são tantas, que a resposta não é fácil. Então porque não pensar sobre isso...

Uma viagem no tempo me leva reunião ministerial do dia 22 de abril, em Brasília. De todas as infelizes intervenções, ao meu ver, a mais grave delas foi a do Ricardo Salles. Sua tamanha desfaçatez em propor ao governo que aproveitasse o momento, quando as atenções estão voltadas para o coronavírus - "e passa a boiada".

A exposição de Salles foi determinante na minha escolha do pior ministro. Outra preocupação que pesou na decisão, foi a percepção de que os malfeitos no meio ambiente são para sempre. Uma árvore secular cortada, uma queimada criminosa, um rio destruído pelo garimpo ilegal, são marcas que ficam na nossa memória. Vide Mariana e Brumadinho. 

Sem ação de fiscalização efetiva, com o Ibama reduzindo as sanções, a pressão nas áreas de preservação permanente e reservas indígenas - só cresce. Como também  cresce as canetadas do governo sobre o meio ambiente na pandemia, a chamada "passa boiada" de Salles.

Segundo levantamento feito pela Folha, entre março e abril deste ano, comparado com o mesmo período de 2019, os atos publicados pelo Executivo em relação ao meio ambiente foram 12 vezes maior. Entre decretos  e normativas: 16 no ano passado e 195 agora. 

Com o texto já revisado, pronto para ser liberado, ainda bem que me deu um estalo: nesse desgoverno, não existe o pior ministro. A pergunta  inicial que motivou o comentário, estava errada. Só percebi ao voltar a cena da reunião do 22 de abril. Bolsonaro deixou claro que não tem uma equipe, tem seguidores. A regra é essa, quem faz parte do ministério está ali para cumprir suas ordens. Claro que uns são mais servis do que outros, mas é só um detalhe....

PS - Com um ministro da Economia que vai deixar como legado, um rombo nas contas públicas e um exército de desempregados; um ministro nas Relações Exteriores, que isola o Brasil e só vê comunista; um ministro da Justiça, o passado e o atual, com atitudes pouco republicanas; um Ministério da Saúde, sem ministro, mas chegando nas 100 mil mortes. Enfim, fica o registro de uma triste história para se contar. O Brasil não merecia passar por isso.

quarta-feira, julho 22, 2020

Desenvolvimento: só sustentável


A foto acima, do dia 14, reúne o grupo escalado pelo Bolsonaro para defender o meio ambiente das criticas que vem sofrendo. Nas últimas semanas, aqui e no exterior, organizações da sociedade civil, fundos de investimentos e grandes grupos empresariais, vem cobrando do governo mais cuidado com o meio ambiente..

Como estão de máscara, seguindo as orientações da OMS, alguns podem não ser identificados. Se não estou errado, da esquerda para direita: Tereza Cristina, da agricultura; general Mourão, vice-presidente da República; Ernesto Araújo, relações internacionais; Ricardo Salles, do meio ambiente. De certa forma, direta ou indiretamente, tudo passa por eles.

Para defender o meio ambiente, não basta o cargo, tem que haver uma identificação com a causa. Portanto, na foto acima, cabe a pergunta: qual deles defende o meio ambiente?

A pergunta faz sentido. Para dar certo um desafio como esse, de recuperação da nossa imagem, não basta uma milionária campanha publicitária. Sem que haja o comprometimento do governo, é jogar dinheiro público fora. Na entrevista coletiva do dia 15, o general Mourão reconheceu publicamente  que o quadro se agravou e que o governo precisa agir.

O reconhecimento do vice- presidente da República  pelo descontrole ambiental, coincide com grandes mobilizações empresariais e de investidores. A inédita articulação de ex-ministros da Fazenda e do Meio Ambiente, em defesa do meio ambiente aumentou a pressão.

Em carta aberta, publicada dia 15,  investidores cobram a retomada econômica do país com o  fim do desmatamento na Amazônia e no cerrado. Independente de quando se dará a retomada econômica, a orientação tá dada: o passado não nos serve; desenvolvimento só sustentável.

.PS - Da amiga, Elbia Gannoum, presidente da ABEEólica, dia 22: "A retomada, quando acontecer, deve ser verde."

sexta-feira, maio 29, 2020

Ricardo Salles e o estouro da boiada

A fatídica reunião ministerial de 22 de abril, não para de repercutir: tanto aqui como lá fora. Quem mais perdeu, não foi Moro e nem Bolsonaro: fomos nós. Quando tornaram o vídeo público, o espanto foi geral. Uma reunião do presidente com seus ministros, de duas horas, nada decidiu. O nível das intervenções e o palavreado utilizado, só serviram para confirmar o que muitos já sabiam: se instalou um desgoverno, no maior país da América Latina.

Sem ser seletivo, mas por compromisso e preocupação com o meio ambiente, a expressão que mais tocou foi "o estouro da boiada". Abrir a porteira para passar regras facilitadoras de interesses obscuros, no momento em que todos estão focados na pandemia, depõe contra o gestor público. Ainda mais se ele for ministro.

A trajetória de Salles na condução do Ministério do Meio Ambiente, se caracterizou por  decisões contrárias ao meio ambiente, prejudiciais à imagem do Brasil e ofensivas aos ambientalistas. Foi assim com as queimadas, o Fundo Amazônia e o relacionamento hostil às ONG's. Como Salles não é um sem noção, tantas contradições exigem uma apuração.

Agora que o ministro, publicamente, expressou o significado do "estouro da boiada" até os brasileiros mais distraídos vão atender porque os que agem na ilegalidade, se sentem protegidos no governo Bolsonaro. Uma loucura, em todos os sentidos. O que estamos vivenciando com Salles no Ministério do Meio Ambiente, é a negação, explícita, das obrigações funcionais que tem com o cargo que ocupa. O Brasil vai pagar pelas consequências desse desatino, a conta já está chegando. (*)

(*) Diante do descaso do governo brasileiro com as questões ambientais, o Parlamento Europeu está discutindo a possibilidade de não assinar o Acordo Comercial entre a UE/Mercosul. O responsável tem nome, Ricardo Salles. 

segunda-feira, janeiro 27, 2020

Paulo Guedes em Davos

Por formação não sou um bom vendedor. Mas também por formação sei diferenciar "entregador" de vendedor. Quem sabe vender valoriza o que tem, seja o que for. Em Davos a nossa participação foi lamentável.

Ao atribuir a pobreza como "o pior inimigo da natureza", o ministro Paulo Guedes repete uma ultrapassada leitura, de cinquenta anos atrás, que associava os problemas ambientais a pobreza extrema. Como nada é por acaso, as declarações do ministro procuram tirar o foco do descaso que o atual governo tem com as questões ambientais, como se isso fosse possível.

As pessoas presentes em Davos sabem, que os três  mais recentes e graves desastres ambientais que vivenciamos são da responsabilidade do capital e não da miséria: está na conta da Vale as centenas de pessoas que morreram em Brumadinho; nos grileiros de terras públicas as milhões de árvores que queimaram na Amazônia; e foi de alguma petroleira o petróleo que chegou as praias do nordeste.

Não precisava o ministro buscar uma desculpa esfarrapada como a que usou, para encobrir o descaso com o meio ambiente. Só perdemos credibilidade ao afirmar "que as pessoas destroem o meio ambiente porque precisam comer". Ninguém come a lama de Brumadinho, o carvão ainda em brasa na Amazônia ou o petróleo que chegou na areia das praias do nordeste  - porque está com fome.

quarta-feira, novembro 20, 2019

Reagir ao descaso com o meio ambiente é tarefa de todos


Diante do que vem ocorrendo com o petróleo nas praias do nordeste e do anúncio dos maiores índices de desmatamento dos últimos anos, a sociedade precisa reagir. Não é possível ser indiferente ao que está acontecendo com o patrimônio natural do Brasil. Até hoje se desconhece a origem do petróleo que chega no nosso litoral. Sem uma resposta, a situação vexatória nos dá o direito de indagar as autoridades se temos capacidade para enfrentar um problema ambiental dessa gravidade.(*) 

O mesmo direito a sociedade tem de saber sobre a vulnerabilidade na proteção das nossas florestas. Os últimos dados do Inpe nos envergonham. Não se pode aceitar com passividade os índices de desmatamento desse ano. Em 2019, o ronco das máquinas e motosserras só não foi ouvido em Brasília. (**)

Embora todos estejam cientes dos desencontros crescentes e graves nos três Poderes da República, que acaba de fazer 130 anos, a vida segue. O povo precisa ser atendido nas suas necessidades básicas, e o patrimônio público devidamente cuidado e preservado. Essa preocupação mínima de qualquer governante, está cada vez mais distante. Como também me parece estar distante a motivação e a boa qualificação na estrutura pública. Nessas condições fica difícil enfrentar a complexidade do mundo atual. 

O filósofo Alain Deneault, em seu último livro "Quando os medíocres tomam o poder", chama a atenção para esse novo problema. Os tempos mudaram, as pessoas mais criativas não são bem vistas dentro da estrutura do Estado. O que os atuais governantes querem são seguidores, não inovadores. Como consequência dessa lamentável realidade, o compadrio alimenta a mediocridade. Ao se estabelecer essa prática, cresce a possibilidade de uma crise política. E com ela, o risco  de se perder o futuro da Nação. (***)

(*) Segundo consta, o presidente Bolsonaro não se sensibilizou a ponto de acompanhar in loco o maior desastre ambiental  do litoral nordestino.   

(**) Em Brasília o - silêncio - foi a estratégia do governo sobre o crescimento do desmatamento na Amazônia. Nos últimos 12 meses cerca de 10.000 km² foram devastados. O equivalente a 20 vezes a Ilha de Santa Catarina. Uma loucura. Quem sabe se consiga evoluir para uma ação civil pública por crime contra a humanidade. 

(***) Cazuza, nosso saudoso poeta, naquela época já citava nas suas músicas sua preocupação com o futuro da Nação. 



segunda-feira, julho 15, 2019

Plantem mais árvores, elas ajudam o planeta (Parte II)

Na década de oitenta, junto a um grupo de consultores internacionais, participei de um estudo para dar sustentação econômica a uma imensa área reflorestada com mais de 200 mil hectares. O reflorestamento ficava no Mato Grosso do Sul, próximo à fronteira com São Paulo. A busca de uma alternativa estava associada ao avanço de imensos formigueiros que vinham dizimando a floresta. Até hoje me lembro dessa história e de tudo que passamos por lá.


Agora os tempos são outros. O que se vê são florestas naturais sendo derrubadas para se ampliar pastagens. Uma insanidade. Recentemente postei no blog a necessidade de se inverter esse processo (clique aqui para ler). Preservar o que se tem de floresta e plantar mais árvores.


Por uma feliz coincidência, li a publicação do Secretário Executivo da Laboratório do Clima, Carlos Rittl, sobre as impressões de Brenda Brito após uma temporada na China (*). Brenda comenta que a poluição na China pode ser responsável pela morte antecipada de 1,1 milhão de pessoas por ano. Diante da gravidade do quadro, empresas e governo colocam como prioridade nas suas iniciativas a sustentabilidade dos seus projetos. Dois setores são estratégicos para o governo: energia renovável aliada à eletrificação de veículos e reflorestamento. Pura coincidência...


Sobre a energia renovável e mobilidade elétrica na China, deixo para comentar num outro momento. Quanto ao plantio de árvores para combater as mudanças climáticas, o governo chinês não se omitiu. A China lidera o ranking mundial: são 70 milhões de hectares reflorestados. Essa política de plantar árvores em larga escala, iniciou em 1990. Funciona como uma barreira a eventos climáticos extremos.(**)


(*) Brenda Brito é consultora sobre questões ambientais e gestão fundiária.

(**)  No nosso caso, os grandes reflorestamentos começaram a ser implantados na década de oitenta. A maioria se perdeu no tempo. Nunca foi uma política de longo prazo ambientalmente sustentável.  

sexta-feira, julho 05, 2019

O risco Brasil

Uma expressão que vem sendo repetida diariamente é a do "custo Brasil". Quase sempre associada à reforma da previdência, como se uma coisa estivesse - umbilicalmente - ligada à outra. No entanto, o que está em jogo é o "risco Brasil". Até porque problemas previdenciários existem em todos os países, com maior ou menor grau de agravamento.

Na real, o que mais preocupa o mundo é a postura do governo Bolsonaro sobre o meio ambiente. A cada dia, uma provocação: recorde na liberação de agrotóxicos, no desmatamento da Amazônia e no tensionamento das relações com organizações e países comprometidos com a questão ambiental. O caso mais recente é o constrangimento que o Brasil vem criando com a Alemanha e a Noruega, seus principais parceiros no Fundo Amazônia.

A partir do momento que não há comprometimento com o Acordo de Paris e as causas ambientais, os maus exemplos se sucedem pelo Brasil afora. No jornal Zero Hora do dia 30/6, Flávio Tavares inicia seu artigo "Nosso Tesouro", assim: "O maior tesouro não é uma mina de ouro nem uma montanha de dólares. O maior tesouro é a vida e aquilo que nos faz viver - a água".(*)

A motivação do seu artigo é uma ameaça ambiental em curso no Rio Grande do Sul. Um megaprojeto de extração de carvão  a céu aberto, numa área equivalente a 4500 campos de futebol. A mina fica junto ao Delta do Jacuí, a 10 Km de Porto Alegre.

(*) Flávio Tavares, 85 anos, jornalista, advogado e historiador, tem muita história para contar. Quando estudante de jornalismo em Porto Alegre, Flávio já  envolvia com as grandes causas. O alerta que faz sobre a insanidade que é liberar uma extração de carvão a céu aberto na entrada do Guaíba, chega em boa hora. Ainda há tempo de se evitar o pior. 

quarta-feira, junho 05, 2019

MEIO AMBIENTE, resistir é preciso

Dia 5 de junho é o dia do Meio Ambiente. Foram vários eventos pelo Brasil afora. Aqui não foi diferente, uma correria. Como não quis deixar de fazer o registro dos dois eventos que participei, seguem as fotos do seminário da ABGD e do debate na Assembléia Legislativa com a Procuradora da República, Analúcia Hartmann (foto abaixo). Sobre os posicionamentos do atual ministro do Meio Ambiente, sem comentários. Resistir é preciso.


segunda-feira, maio 20, 2019

Meio ambiente: uma luta de todos


A foto acima registra algo até então inédito: uma coletiva com os ex-ministros do Meio Ambiente do Brasil. (Fonte: O Globo)

O encontro, motivado pela preocupação de todos com o futuro do país, repercutiu aqui e lá fora. As constantes ameaças ao meio ambiente, não podem ficar sem resposta. As consequências dos desatinos praticados deixam feridas, que as gerações futuras irão nos cobrar. Omissão, não faz parte dos que lutam pela preservação do planeta. Podem nos tratar com desdem e nos rotular de eco-chatos", só não nos chamem de omissos.

A luta que travamos é do bem, por isso incomoda os inconsequentes. Eles no fundo sabem que estão do lado errado. Em vez de incentivar o debate sobre o crescimento do desmatamento e da redução de áreas de preservação, optam por ameaçar organizações da sociedade civil comprometidas  com o tema.

Durante a campanha, Bolsonaro já emitia sua má vontade em relação ao meio ambiente e ONGs. Como debater não faz parte de sua forma de governar, a sociedade precisa se conscientizar e reagir. Ir para a rua, como foram os estudantes. Educação, saúde, meio ambiente, mudanças climáticas, entre outras, são bandeiras que nos unem. 


PS - Na semana passada, quarta-feira (8), o presidente disse que Angra dos Reis, tem potencial para ser uma "nova Cancún". Bolsonaro também fez críticas e manifestou interesse em fazer mudanças, via decreto presidencial, na Estação Ecológica de Tamoios (Esec Tamoios), uma unidade de conservação federal de proteção integral onde é proibido qualquer tipo de intervenção humana. Por coincidência, foi nessa Estação Ecológica que Bolsanaro foi multado pelo IBAMA por estar fazendo o que não podia. Conforme foi noticiado, a multa foi retirada e o fiscal afastado.  Para Carlos Ritti, secretário executivo do Observatório do Clima, é como se tivéssemos no Brasil de 50 anos atrás.

  

terça-feira, novembro 06, 2018

Mariana, depois de três anos: o silêncio.


Ontem, 5/11, o nosso maior desastre ambiental completou três anos. Pouca coisa foi feita. Até aí, nenhuma novidade. Procurei matérias nos jornais que costumo ler, mas quase nada achei. Até parece que esqueceram de Mariana.  Quero ver se durante a semana levanto mais informações. Mesmo diante de tudo que estamos passando,  não podemos silenciar diante do que ocorreu em Mariana. Deveria ser o assunto da semana. O descaso com o meio ambiente é uma vergonha. E o pior está por vir...
(foto acima, JN, do dia 5)

sexta-feira, novembro 17, 2017

Iniciativas do bem

Pesquei na coluna do Rafael Martini (DC 15/11), a foto  acima. Espero que o Rafael não se importe. Diante da carência de boas iniciativas, nesse país sem rumo, toda a vez que um grupo se mobiliza para praticar o bem: vale a pena registrar.

Segundo Rafael, um grupo de 200 voluntários e mergulhadores profissionais se uniram para dar uma geral na bela Baía dos Golfinhos, em Governador Celso Ramos. O "mutirão" coletou do fundo mar, das praias e dos costões - 12 toneladas de lixo. O meio  ambiente agradece e a turma que gosta de sujar que se conscientize. Preservar e respeitar a natureza só faz bem.

PS - A quantidade de plástico nos oceanos é algo assustador. As correntezas chegam a formar verdadeiras ilhas de lixo. Uma recente pesquisa identificou material plástico presente em peixes que só são encontrados nas grandes profundezas dos oceanos.  

segunda-feira, maio 30, 2016

Na semana do Meio Ambiente, o 7º Seminário Energia + Limpa.

No mundo todo, a semana que começa se destina ao meio ambiente. Durante a semana, especialistas, estudiosos, governos e organizações engajados com o tema, se mobilizam participando de encontros, conferências e seminários para debater as causas e as consequências de tanta degradação ao meio ambiente para o futuro do planeta.

No Brasil de Mariana,  Belo Monte e de florestas desmatadas, nada a comemorar. Esses casos mais recentes, pela grandiosidade do impacto que causaram, fazem parte de um passivo ambiental que nos constrange. De todos os crimes ambientais praticados,  e que aguardam resposta, para mim o mais revoltante foi o que ocorreu em Mariana. As mortes e a devastação ocorridas no local não podem ficar impunes.

O Instituto IDEAL como sempre faz na Semana do Meio Ambiente, promove o seu seminário Energia + Limpa. A programação focada na expansão da energia solar, vai mostrar a importância de se incorporar a nossa matriz energética fontes alternativas de energia: limpas e renováveis.

PS- maiores informações no site do instituto: www.institutoideal.org  




terça-feira, dezembro 15, 2015

Pequim em alerta máximo.

Na semana passada, em plena COP21, a maior cidade do mundo - pediu socorro! Com todo desgaste que a notícia trás, as autoridades chinesas, pela primeira vez, dispararam o alerta vermelho - diante da névoa tóxica que encobriu a capital chinesa. Na segunda-feira passada (7), Pequim se rendeu a poluição do ar. Com 20 milhões de habitantes, sua rotina foi abruptamente alterada. A névoa que encobriu a cidade, obrigou o governo a tomar decisões drásticas: escolas, fábricas e circulação de carros tiveram que parar.

O problema das emissões na China, não é novo. Só que, assim como a névoa que encobriu Pequim, também era encoberto pelas autoridades chinesas.

 Agora, com a preocupação de todos com as mudanças climáticas fica mais difícil esconder os números da tragédia urbana em curso no planeta. Segundo estudo publicado no periódico científico "Nature", a poluição do ar é responsável diretamente por cerca de 3,3 milhões de mortes por ano. Estima-se que a cifra, na China, seja de 1,4 milhão. (Fonte:FSP)

quinta-feira, novembro 12, 2015

América Latina Sustentável - Belgrano, parte III

As tendências energéticas que Dr. Howard se baseou, de que o crescimento do consumo de energia seria crescente no mundo - se confirmou. Como também a leitura que fez, ao estimar que a maior parte desse crescimento viria dos países em desenvolvimento. Outra afirmativa sua "que o uso intensivo de energia gerada por combustíveis fósseis apresenta uma gama de problemas e desafios para a humanidade. Esses problemas e desafios incluem altos custos, poluição do ar, aquecimento global, riscos de segurança e depleção de recursos e desigualdades", vivenciamos nos dias de hoje.

De todos os problemas citados, penso que a poluição do ar e o aquecimento global, são os dois grandes temas. Além de por em risco a vida no planeta, são de difícil solução. Segundo Howard, "a poluição do ar causada pela queima de combustíveis fósseis não é um problema apenas de países em desenvolvimento. Estima-se que as emissões das usinas de energia tenham causado cerca de US$ 70 bilhões em danos à saúde humana, às instalações físicas e às plantações, na União Europeia (Krewitt et al., 1999). Isto equivale a 4,5 centavos de dólar por kwh, aproximadamente metade do preço médio da eletricidade no varejo".

PS- sem falar que a queima dos combustíveis fósseis, que causa poluição do ar, ataca a saúde e desiquilibra os ecossistemas. A energia gerada com combustíveis fósseis é responsável por 85% das emissões de dióxido de enxofre, 45% da emissão de particulados, 41% de emissões de chumbo, 40% das emissões de hidrocarboneto e 20% das emissões de óxido nitroso na atmosfera (Holdren e Smith, 2000). Só que poucos sabem. E os impactos dessa poluição - são graves: matam! 

quinta-feira, julho 09, 2015

Papa Francisco, precisamos de uma nova solidariedade universal!

Depois de resgatar décadas de registros e citações dos Papas que o antecederam, Papa Francisco encontra um mundo cada vez mais complexo e globalizado. Atento as mudanças, manifesta sua  preocupação de que a ideia que nos passam é de que a Casa Comum suporta um crescimento infinito ou ilimitado. Trata-se de um falso pressuposto de que existe uma quantidade ilimitada de energia e recursos a serem utilizados

Ágil como poucos, o Papa pop logo percebeu que suas palavras tinham que chegar no povo. Em poucas semanas a Carta Encíclica, em português, já se encontrava sobre a mesa do Instituto IDEAL. Na página 16, o seu grande recado: O MEU APELO!
Seguem algumas de suas citações:

- "O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar".

-"Desejo agradecer, encorajar e manifestar apreço a quantos, nos mais variados setores da atividade humana, estão a trabalhar para garantir a proteção da casa que partilhamos".

-"Os jovens exigem de nós uma mudança; interrogam-se como se pode pretender construir um futuro melhor, sem pensar na crise do meio ambiente e nos sofrimentos dos excluídos". 

-"Lanço um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós. O movimento ecológico mundial já percorreu um longo e rico caminho, tendo gerado numerosas agregações de cidadãos que ajudaram na conscientização".

-" Infelizmente, muitos esforços na busca de soluções concretas para a crise ambiental acabam, com frequência, frustrados não só pela recusa dos poderosos, mas também pelo desinteresse dos outros."

-"Precisamos de uma nova solidariedade universal".  



                                     

quarta-feira, julho 08, 2015

As preocupações do papa Francisco (parte II)

Depois do Papa Paulo VI veio João Paulo II, com interesse ainda maior sobre o tema - preservação da Terra. Foi ele que destacou que o mundo requer mudanças profundas "nos estilos de vida, nos modelos de produção e de consumo, nas estruturas consolidadas de poder, que hoje regem as sociedades".

Papa Francisco também registra na Carta Encíclica recém publicada, que seu predecessor, Bento XVI, renovou o convite a "eliminar as causas estruturais das disfunções da economia mundial e corrigir os modelos de crescimento que parecem incapazes de garantir o respeito do meio ambiente".

Depois de relembrar as importantes contribuições dos outros Papas que recolhem a reflexão de inúmeros cientistas, filósofos, teólogos e organizações sociais que enriquecem o pensamento da Igreja sobres as questões ambientais que ameaçam o futuro da humanidade, Papa Francisco chega ao Capítulo I da Carta Encíclica  - O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A NOSSA CASA!

Para não me alongar muito, deixo para comentar o que o Papa Francisco pensa sobre o que está acontecendo com a Terra para depois.