sexta-feira, setembro 18, 2026

A crise climática e as eleições

Os efeitos do El Niño já estão sendo sentidos. Os três estados do Sul são os mais impactados. Os cientistas mostram de forma detalhada porque o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná vêm sofrendo as consequências das chuvas intensas e dos fortes ventos. Está tudo explicado pela ciência. O aquecimento das águas do Pacifico mais o encontro dos rios voadores, carregados de umidade, que se formam na Amazônia, acabam provocando os desastres naturais que estamos assistindo. 

As imagens de satélite de alta precisão não deixam dúvidas, mostram porque esse encontro se dá na Região Sul. Com todas essas evidências, ainda insistem na desinformação. Lamentavelmente, o assunto mudanças climáticas não virou pauta na eleição desse ano. Em recente programa de entrevistas com os presidenciáveis da Rede Globo, Flávio Bolsonaro fez pouco caso e mostrou seu despreparo ao atribuir a falta de saneamento básico como responsável pelas mudanças climáticas.

Não se trata de um caso isolado, os programas eleitorais se distanciaram dos problemas locais, regionais, nacionais e globais. Se reduziram a ataques de lado a lado sem mostrar programas e compromissos de um futuro governo. As guerras em curso continuam. O preço do petróleo, as taxações de Trump, os incêndios na Europa e a maior tragédia provocada por uma avalanche de neve na fronteira do Nepal com a China passaram batido como se não fizessem parte da nossa realidade.

Se não bastasse, nos últimos dias, um pilantra aventureiro, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso por fraude bancária, tomou conta do noticiário político. A três semanas das eleições, os fatos apurados mostram o tamanho do escândalo. Não se trata mais de quanto roubaram, mas para onde foram os bilhões do Vorcaro.  

Para nós, que pregamos a conscientização ambiental como um caminho para enfrentar as consequências das mudanças climáticas; que acreditamos no voto consciente como a única possibilidade de reforçar a democracia e proteger nossa soberania, é doído assistir ao que estamos assistindo.  O caminho é de pedra e a caminhada é longa. O desafio maior é manter a lucidez e seguir em frente. O Brasil é muito maior que essa gente.

segunda-feira, agosto 31, 2026

A Globo e seus interesses

Uma grande empresa de comunicação tem que saber se comunicar. Ao anunciar para os brasileiros uma série de entrevistas com os candidatos à presidência da República, era de se esperar muito mais da programação da Globo. Por ter uma vivência política, dez anos de mandato, o que se viu em horário nobre foi a troca da boa e necessária informação pelo ataque sistemático aos candidatos.   

Dois profissionais calejados que estavam ali focados apenas nos malfeitos dos convidados acabou dando o rumo das entrevistas. Quanto aos acuados entrevistados, pasmem,  passaram boa parte do seu tempo se explicando. Profissionalmente, não foi uma programação construtiva que tenha priorizado a informação para um voto mais consciente. Lamentável.

Só para exemplificar essa desatenção jornalística, ou orientação superior equivocada, não perguntaram ao candidato Lula o impacto das ameaças dos EUA ao nosso processo eleitoral. O atual presidente vem sendo pressionado por forças externas e internas sob a tutela dos EUA, com a clara intenção de interferir na nossa eleição.

A gravidade do momento é tamanha que o mundo já está alerta. O presidente Lula tem utilizado o seu bom relacionamento regional e global para proteger o Brasil dessas descabidas provocações. Recentemente Lula teve uma longa conversa com Trump, reforçando a sua posição que bravatas, taxações e ameaças não podem ser usadas num processo eleitoral, contaminando o resultado e pondo em risco nossa jovem democracia.

Como nada é por acaso, a Globo ao optar por constranger seus convidados em vez de informar o eleitor, deve ter seus motivos. Enfim, que viva a democracia. Vote consciente!    

segunda-feira, agosto 24, 2026

Nunca o voto consciente foi tão importante

 O que está em jogo na eleição de 2026, só não vê quem não quer: de um lado um Brasil soberano senhor do seu destino, inclusivo e democrático, já a outra opção uma republiqueta controlada a distância sem alma e sem futuro. A escolha é nossa, sem fraude, através de um sistema eleitoral consolidado e reconhecido no mundo todo. Porque então tanto confronto e pouco debate. Para os distraídos a resposta seria "são os novos tempos". Para os mais atentos fica evidente que os dois principais postulantes ganham em não se expor. Um por ser alvo de todos e o outro pelo despreparo, sua visível insegurança e uma história de vida obscura.

O debate no primeiro turno com todos, dificilmente vai acontecer. O que para nós cidadãos e eleitores é muito ruim. Se isso se confirmar, o bate-boca nas redes sociais vai tomar conta da eleição. A esperada  renovação da Câmara e do Senado ficará muito aquém das nossas expectativas; todos perdem. O nosso país está passando por um momento histórico único e não pode perder essa oportunidade. Não é hora de aventurar é tempo de avançar. Pensem nisso. VOTE CONSCIENTE!   

sábado, julho 25, 2026

A Sociedade do cansaço, coincidências...

 

A Sociedade do cansaço, coincidências...

Dia 26 de julho é a data comemorativa ao Dia Mundial de Proteção aos Manguezais, instituído pela UNESCO em 2015. Através do Instituto IMPAC estamos promovendo no Jardim Botânico de Florianópolis um evento que conscientize a sociedade da importância dos mangues nas nossas vidas. Um desafio e tanto, aproximar as pessoas de algo distante do seu cotidiano. Nem sempre os manguezais são acolhedores.

Que coincidência, foi justamente nesse período de grande envolvimento e algumas frustações que foram superadas, que numa farmácia ofereceram o “Guia da felicidade para tempos difíceis”, um pequeno livro sem fins lucrativos da psicanalista, escritora e doutora em psicologia, Vera  Iaconelli.  Na página 20, a reconhecida autora nos faz refletir sobre algo que está contaminando a sociedade - para que tanta pressa?

Por outra feliz coincidência ela cita o filósofo coreano Byung-Chul Han, autor do livro “Sociedade do cansaço”, um alerta sobre a maluquice que é a produtividade constante. Para ele “o cansaço não é de cada um, ele é social". O modo acelerado - do fazer – nos leva a ser impacientes com a sensação constante da falta de tempo. O que para a nossa saúde mental é péssimo. Com base nisso, Byung-Chul Han, desenha “o panorama patológico da sociedade atual, que inclui doenças neurais como depressão, transtorno de déficit de atenção e esgotamento”.  Um combo pra lá de perigoso, que nos faz pensar na vida que queremos.

Após filosofar, vem a indagação: o que os manguezais tem a ver com isso? Aparentemente nada, mas em relação a uma sociedade cansada é uma possibilidade de se encontrar com uma boa causa motivacional. Afinal, se trata de um projeto que independe do tempo. Um longo processo de conscientização ambiental que vai exigir compromisso e conhecimento. Uma visão de mundo diferente dessa que estamos vivenciando. Pensem nisso!     

segunda-feira, junho 08, 2026

Os manguezais catarinenses

Ilustração de Guarás por Isolete Dosol

No Dia Mundial do Meio Ambiente, 05 de junho, pela importância da data, muito pouca coisa aconteceu. Diante da gravidade do momento que o mundo está atravessando, não nos cabe ficar lamentando. Com inúmeras guerras em curso, gente morrendo, um cenário de destruição insana invadindo nossas casas todos nossos dias, faz sentido as pessoas se recolherem. Só é possível a vida voltar à normalidade, se houver paz.

No caso do Brasil em particular, um agravante a mais: o brutal retrocesso civilizatório em curso. Por vias transversas ameaças externas comprometem o nosso futuro como nação. Um grupo desconectado do país, sem qualquer pudor, vem acuando a sociedade de forma sorrateira criando taxações e narrativas que nos impedem de ter tranquilidade e as condições necessária para o Brasil se desenvolver. 

Com esse grau de incerteza que estamos submetidos, cada um à sua maneira vai resistindo. A forma encontrada pelos ambientalistas é fazer a boa política, tendo como o foco as mudanças climáticas e a proteção ao meio ambiente. Nós do Instituto IMPAC, dentro de uma perspectiva de longo prazo, vimos na conscientização ambiental um espaço de contribuição. Em 2025 criamos o projeto "Um Dia na Mata", uma experiência exitosa que levou 734 alunos de escola públicas de Santa Catarina para uma trilha guiada por biólogos no pé da Serra do Tabuleiro.

Este ano, quando procuramos o presidente da Comissão do Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, o deputado Marquito, e a UFSC, através do professor Paulo Horta, de pronto encontramos algo em comum para incluir na programação da Semana do Meio Ambiente: conscientizar as pessoas sobre a importância dos Manguezais Catarinenses.

Prontamente se juntaram ao grupo o professor Paulo Pagliosa, da UFSC, e o CEO da Carbon ZERO, Carlos Alberto Tavares Ferreira. Com a contribuição de todos foi se formando o esqueleto do evento com um claro objetivo de despertar curiosidade e trazer conhecimento. Ele está sendo proposto como um começo e não um fim. Monitoramento ambiental, valoração dos ativos naturais, geração de emprego e renda, projetos de restauração e conservação, proteção contra erosão e eventos climáticos extremos e capacidade de capturar e armazenar carbono fazem parte do evento.

O nosso litoral é rico em manguezais, de Joinville a Laguna, sempre se encontra algum. Florianópolis e Região Metropolitana são abençoadas, um verdadeiro berçário de manguezais. A boa nova, no meio dos desencontros e descasos, veio da BBC News Brasil. Segundo o post, após décadas de destruição os manguezais estão entrando num ciclo de recuperação. Para o nosso evento uma ótima notícia. Quem conhece cuida. Vida longa para os manguezais!  Até 


domingo, maio 17, 2026

Setor Elétrico, nada é por acaso (parte V)

O setor elétrico brasileiro sempre foi uma referência na América Latina e no mundo. Sua trajetória só veio a ter essa dimensão graças a Eletrobras. Sem ela nada disso teria acontecido. Como nada é por acaso interesses pouco republicanos se uniram durante o governo Bolsonaro para se apropriar da Eletrobras e do seu legado. Tudo se formalizou em junho de 2022 com a privatização da empresa. O que se tem agora é insegurança no atendimento, desperdício de energia renovável, falta de planejamento e tarifas abusivas. (*)

Com as incertezas cada vez mais presentes em artigos especializados do mundo acadêmico, de consultores independentes e de investidores, os questionamentos são diários. O maior e mais presente problema que afeta a sociedade nesse momento, sem dúvida são as tarifas abusivas. A situação chegou no limite tanto em relação as  praticadas no mercado livre, como no cativo. O preço que estamos pagando pela energia elétrica no Brasil ultrapassou o que seria aceitável. Alguma coisa tem que ser feita - já! Com a palavra a Aneel. 

Como a demanda por energia cresce no mundo todo, nas próximas duas décadas muitas coisas vão acontecer. A humanidade não vai ficar sem energia, novas fontes virão para atender nossas necessidades. Durante anos comento sobre isso, as baterias estão chegando como os carros elétricos estão nas ruas. Em 2010 apresentamos o trabalho América sem Carbono, como conclusão de curso na Universidade de Belgrano, na Argentina. 

Com colegas argentinos, uruguaios e paraguaios o foco do curso era pensar no futuro. Pelo envolvimento do Instituto IDEAL com as fontes alternativas, como a solar e eólica foi possível pensar fora do convencional. As pilhas de auto poder energético já vem sendo testadas. Dentro de pouco tempo estarão disponíveis nas prateleiras dos supermercados. Nas nossas casas um mini reator atômico do tamanho de um micro ondas. Obviamente, super protegido, risco zero. Nas ruas nem postes, nem fios. (**)

Por fim algo mais surpreendente ainda, toda a energia consumida pela humanidade viria do espaço. Uma mega usina solar receberia a energia do sol sem interrupções. Pensem nisso, uma energia limpa, infinita, que mudaria tudo que temos hoje. A inteligência nós temos,  conhecimento também. Portanto, avançar num projeto piloto planetário é uma questão de tempo. A energia chegaria a todos com preços variados conforme o grau de consumo de cada país. Os investimentos viriam de fundos globais remunerados pelos países cooperados. O que pode parecer algo impensável hoje, pode não ser amanhã. Enfim, vale a pena pensar.

(*) O que fizeram com a Eletrobras foi um atentado à soberania nacional. Todos os envolvidos sabiam o que estavam fazendo. Atualmente o que se observa é que em pouco tempo o setor virou um grande balcão de negócios. Pouca transparência e consumidores reféns de uma tarifa que só cresce. A própria FIESP veio a público se manifestar sobre a imprevisibilidade presente no setor elétrico e as consequências das tarifas abusivas. 

(**) Quem já viu um filme de ficção deve se lembrar que nas cidades do futuro, nada de postes e fios.