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segunda-feira, maio 27, 2024

No Sul a maior tragédia ambiental do país tem responsáveis

A maior tragédia ambiental, social e econômica que se tem notícia, parece não ter fim. Prestes a completar um mês, cada dia é um sofrimento e um desafio a mais do povo gaúcho. O rastro da destruição são cenas de muita dor e tristeza. Sem falar no que vem pela frente; o enorme desafio da reconstrução de uma desgraça que tomou proporções até então impensáveis. Embora se soubesse que o volume das chuvas é cada vez mais intenso e frequentes, pouco se fez para amenizar a tragédia. Uma verdadeira catástrofe que atingiu 80% dos municípios do Rio Grande do Sul.  

O que está acontecendo em Porto Alegre é um absurdo. A cidade vive um caos de gestão que nem o "porto está alegre" ao ver suas comportas emperradas, as vezes soldadas e dias depois derrubadas. No meio de uma cidade ameaçada, aflora água dos bueiros e amontoam-se sacos de areia onde haviam as comportas. Tudo isso sendo mostrado ao vivo, durante um mês, numa das 10 principais cidades do país. Uma crise de gestão inexplicável. A responsabilidade das autoridades precisa ser apurada com rigor.

Com o retorno das chuvas volta a insegurança que, obviamente, abala a esperança. Por ser da região, com preocupação e conhecimento sobre o que está ocorrendo, venho escrevendo artigos nas redes sociais sobre o que penso. Na última semana, segundo registro da própria rede Linkedln, se deu um surpreendente crescimento nas visualizações sobre meus três últimos comentários de 215%, todos relacionados a maior tragédia ambiental do país.

Um dado importante que confirma o interesse das pessoas e exige apuração de responsabilidade. De uma forma muito simplificada, cinco capítulos que se interligam ajudam a entender o que se passou no Rio Grande do Sul. O primeiro é político, o descaso e o despreparo das autoridades constituídas. O segundo é a força do negacionismo se alastrando na sociedade, principalmente alimentada por mentiras nas redes sociais. Foi assim com a covid e agora sobre as mudanças do clima. O terceiro capítulo está diretamente associado ao clima, chuvas cada vez mais intensas e frequentes. O quarto item é sobre a ocupação desordenada e inconsequente do solo. Por último, a falta de conhecimento e gestão sobre o que fazer com a água que chega.

Para não me estender vou tratar cada capítulo durante o mês de junho.

PS - As chuvas intensas agora estão em Santa Catarina, onde uma cidade importante como Rio do Sul foi alagada seis vezes no ano.    

 


 


segunda-feira, maio 20, 2024

Senhores governadores do RS e de SC

 


                                                        Rio do Sul/ SC , a sexta enchente Foto: Rafael Dell Antonia/ Arquivo pessoal

A vida é um eterno aprendizado. As enchentes que tem causado destruição e morte, de forma repetida, nos dois estados do Sul, são resultantes de algo natural e vital: a chuva. Segundos os estudiosos ela tem aparecido com frequência e intensidade crescente, em razão das mudanças climáticas. Um fenômeno global, que ameaça a humanidade embora muitos insistem em negar essa realidade.

Nos tempos atuais, com projeções e previsões precisas, não cabem mais mentiras e nem desconhecimento. A preservação da vida e a mitigação dos efeitos catastróficos como os que observamos no Rio Grande do Sul, exigem respostas e gestão responsável. A sociedade está cansada da má fé,  desatenção e descaso das autoridades. 

Em Santa Catarina, felizmente, as chuvas não causaram tanta desgraça como no estado vizinho. No entanto continuam ameaçando os catarinenses, como aconteceu no último final de semana. Não se pode aceitar que Rio do Sul, uma cidade polo de uma região importante do estado, seja inundada pelas águas da chuva pela sexta vez.

As medidas que os governantes tomam são sempre paliativas, pós tragédia. Eles não conseguem se antecipar e evitar o pior. Para o escoamento do lago Guaíba e da Lagoa dos Patos, como para Rio do Sul, em SC, a Carbon ZERO tem estudos de canais extravasores que resolveriam o problema das enchentes. O CEO da empresa, Carlos Alberto Tavares Ferreira, um parceiro nosso, tem disponibilizado seus estudos e se colocado à disposição das autoridades. Só que no meio à tragédia, as prioridades são outras. Ninguém te escuta. (*)

Uma das maneiras para quebrar esse ciclo vicioso é envolver a sociedade. Através dos meios de comunicação, redes sociais e sociedade civil organizada, furar a bolha que protege a má gestão de problemas que se arrastam no tempo. Na rede LinkedIn, onde escrevo com frequência, a repercussão sobre a tragédia no Rio Grande do Sul tem mobilizado milhares de pessoas como Saulo Rahal, da JRS. Sua contribuição para o debate foram projeções de bombeamento de água que teriam evitado as inundações em Porto Alegre, região metropolitana e cidades como São Lourenço, Pelotas, Rio Grande e São José do Norte.

A curiosidade numa rede com a magnitude da Linkedln, foi imediata. Só no primeiro dia três mil seguidores já tinham tomado conhecimento das sugestões da Carbon ZERO e seus projetos estruturantes de escoamento de água emergencial. Dada a urgência de uma situação caótica que resultou no maior desastre ambiental, econômico e social do país, o que se fez foi mostrar que o Rio Grande do Sul não pode ficar refém de um volume de chuva e do tipo de vento na Barra do Rio Grande. Ambos são condições criadas por fenômenos naturais, que podem se repetir a qualquer momento. Portanto, senhores, fica o alerta.   

(*) Canais extravasores são dispositivos de segurança de uma gestão hídrica, calculados para facilitar o escoamento de grandes volumes de água.   

sábado, maio 04, 2024

Tragédia no Sul, união e solidariedade

LULA, como tem que ser, presente!

As fortes chuvas no Rio Grande do Sul, estão deixando um quadro de destruição e mortes como nunca visto. O estado, que ainda está se recuperando das últimas enchentes, novamente enfrenta uma tragédia humana de dimensão catastrófica. O número de mortos e desaparecidos cresce a todo dia. O acumulado de chuva desce dos rios e está elevando o nível da água na região metropolitana de Porto Alegre, para índices ainda não registrados.  Os técnicos que acompanham os dados hidrológicos e os níveis dos rios que desaguam no Guaíba, alertam para um risco maior. Os rios estão assoreados, as matas devastadas e os solos menos permeáveis.  A mão do homem contribuiu para isso. Até uma grande usina térmica a carvão foi cogitada de ser construída na beira do Guaíba. Insanos! (*)

O que está ocorrendo no Rio Grande do Sul, não é muito diferente do que vivenciamos em Santa Catarina e em outros estados da federação. Ao meu ver pelo menos duas desatenções da sociedade contribuem para esse estado de insegurança que estamos submetidos, uma ambiental e outra política. Para entender melhor o que estamos passando, é preciso exigir mais qualificação das autoridades. As cidades estão sofrendo por incapacidade de gestão, é nos municípios que as pessoas vivem. Nos estados, de onde deveria vir a ajuda, os recursos são escassos e as prioridades - infelizmente - são outras. Em geral, a resposta vem da União.

Os noticiários que invadem as nossas casas ao longo dos anos, mostram ao vivo grandes desastres climáticos. Fóruns internacionais sobre esse tema acontecem pelo mundo, sem que os acordos sejam respeitados. O Brasil que deveria liderar o tema, pela sua biodiversidade e extensão territorial, também se enrola. Um Congresso conservador e com pouco compromisso com as mudanças climáticas, impede que as prioridades se modifiquem no tempo. Basta acompanhar as chamadas emendas parlamentares, boa parte delas uma aberração orçamentária com clara finalidade eleitoreira.

As dificuldades impostas pelas chamadas "pautas bombas" de responsabilidade dos presidentes da Câmara e do Senado, nos faz refém do que há de pior no Congresso. A negação de valores republicanos, presente em todos os cantos e momentos, apequena a atividade política. O governador Eduardo Leite, numa tragédia de dimensão nacional, não se conteve e pediu socorro ao presidente Lula pelo Twitter. A pegadinha não deu certo. Lula se fez presente e uniu todos num grande esforço de apoio ao povo gaúcho. Que aprenda a lição e respeite seus eleitores. (foto acima)

(*) A maior enchente  registrada no Rio Grande do Sul ocorreu em 1941.  Agora o volume de água acumulado no Guaíba já superou o nível verificado na época.

PS - Você pode contribuir nesse grande movimento nacional de ajuda ao povo gaúcho. Uma das possibilidades é através das universidades federais do RS - pixrssolidariedade@gmail.com


  


quarta-feira, março 13, 2024

Santa Catarina, as mudanças climáticas e seus efeitos

 

       Jurerê, praia alargada. O aviso é da prefeitura. Só que o mar vem buscar o que é dele 

O recente estudo sobre a redução do desmatamento na Mata Atlântica, nos envergonha: Santa Catarina é o estado da Região Sul que menos reduziu seus índices de desmatamento. Na área urbana, uma cidade da importância de Rio do Sul passou por cinco grandes inundações num único ano. Um verdadeiro descaso com as pessoas que convivem com essa tragédia anunciada. No litoral as medidas para combater o aquecimento do mar, não passam de paliativos. A moda agora é engordar as praias (foto acima). Para completar o combo que alimenta os impactos das mudanças climáticas em Santa Catarina, as usinas térmicas a carvão em Capivari de Baixo ganharam uma sobrevida até 2040. (*) 

Independentemente de quem votou em quem, a desatenção em curso com as mudanças climáticas, nos apequena como sociedade. Como toda agenda de governo focada em atender demanda de alguns setores, sem ouvir o todo, a de Santa Catarina não é nada transparente. De tal forma que acaba comprometendo ainda mais a imagem de um estado que procura se apresentar como diferenciado. Se enganam, pois são políticas públicas qualificadas e debatidas que podem dar suporte a pujança de um estado. Vide o caso de Rio do Sul, como promover um evento para falar de novos investimentos, empregos verdes, crescimento sustentável, tecnologia de ponta - se a cidade continua refém das chuvas. 

A boa reflexão, precisa estar sempre presente, não tem hora nem lugar. Ela nos faz pensar e nos permite absorver conhecimento e discernimento. No passado em plena ditadura, tinha uma música do Raul Seixas, Maluco Beleza, que falava em lucidez. Na época, uma ousadia, um jovem se manter lúcido para poder entender o mundo hostil e bruto que o cercava. Seis décadas se passaram, a brutalidade continua presente e a lucidez diuturnamente atacada pelas redes sociais. Não tem futuro sem que a sociedade se alimente da lucidez.

O agravamento das mudanças climáticas mesmo sendo parte da responsabilidade de nós mesmos, as causas e os efeitos se confundem com fenômenos naturais. O enfrentamento também é de nossa responsabilidade. Sem essa reflexão e o convencimento advindo dela, Rio do Sul continuará sujeita a novas enchentes, os mangues não serão preservados e as matas continuarão sendo derrubadas. Essa constatação, que deveria nos incomodar profundamente, são poucos os que se preocupam.  

Depois de 17 anos de um trabalho voluntário à frente do Instituto IDEAL, promovendo a energia solar o que era para ser feito, está feito. A energia solar é a fonte de energia que mais cresce no Brasil e no mundo. A caminhada começou em 2007 dando uma palestra para as crianças na Escola Sarapiqua, em Florianópolis. Sempre tivemos nas nossas ações a compreensão que era através dos jovens que devíamos começar. Deu certo, depois vieram: as escolas, universidades, federação das industrias, centros de pesquisa, palestras nos bancos de fomento, nas Embaixadas do Brasil em quase todos os países latinos, nos EUA  e em boa parte dos países europeus.

Com muito esforço conseguimos levar o Concurso ECO- Lógicas, de pesquisa e desenvolvimento nessa área, para o mundo acadêmico, premiando trabalhos desenvolvidos em mais de uma dezena de países da América Latina, que sempre foi nosso principal foco. No próximo dia 22 de março, está convocada a Assembleia Extraordinária, onde vamos propor aos sócios fundadores do Instituto IDEAL, o fim de um ciclo exitoso que passa agora pelo fechamento das nossas atividades. 

Novos desafios como as mudanças climáticas estão batendo na porta. A humanidade vem sentindo com preocupação seus efeitos cada vez mais devastadores. O problema já devidamente identificado, é global. Só que as soluções locais não acontecem. A situação de Rio do Sul, já citada, é vexatória. Santa Catarina precisa agir localmente e rapidamente. Na última semana araucárias foram envenenadas em Chapecó, milhares de outras foram afogadas pelos reservatórios das barragens. A devastação ambiental entorno do anel viário na região metropolitana de Florianópolis, é gigante. 

Nosso próximo compromisso vai ser um olhar para a proteção ambiental e construir parcerias que agilizem o processo, agregando conhecimento e reconhecida expertise. Não se tem mais o tempo como se teve para introduzir a energia solar na nossa matriz energética. As bruxas estão soltas, os mangues estão ameaçados e podem ser aterrados, as araucárias correm o risco de continuarem sendo envenenadas, os fortes ventos e chuvas intensas podem estar se formando.

Com intuito de ganhar tempo estamos em tratativas com a Carbon ZERO, de Carlos Alberto Tavares Ferreira, de São José dos Pinhais, para uma parceria. Já estivemos na Comissão de Meio Ambiente e Turismo da ALESC, a convite do presidente da Comissão, o deputado @marquito.sc, para apresentar a capacitação técnica da Carbon ZERO e em que projetos poderíamos  contribuir para que políticas públicas avancem na proteção ambiental. Santa Catarina tem aproximadamente 150 mil pequenas propriedades rurais, onde a família poderia agregar renda por proteger a mata que está dentro da sua propriedade. 

(*) Segundo o jornalista Marcelo Leite, um escândalo que ganhou uma página inteira na FSP, de  5/6/2022. Por trás de tudo, o lobby da Associação Brasileira do Carvão Mineral.   

PS - Ressaltando: se alguém injeta veneno numa araucária, como ocorreu em Chapecó, para ganhar dinheiro com a madeira das árvores que matou, porque não receber através de crédito de carbono uma determinada renda para proteger os ativos ambientais que tem na sua propriedade. Isso só vai ocorrer através da conscientização do agricultor lá na ponta e de políticas públicas bem debatidas na ALESC. A sociedade agradece.   

  




quarta-feira, março 06, 2024

Mudanças climáticas, se há um consenso é que o mar está subindo

Os sinais da natureza estão dados, tanto no hemisfério Norte, como no Sul. Com altas temperaturas e grandes incêndios, frio intenso e fortes chuvas, geleiras derretendo e o nível do mar subindo, as mudanças climáticas e suas consequências estão entre nós.  As informações que nos chegam, não encontram respostas com a mesma velocidade e racionalidade. Não se trata só de uma ação tardia às ameaças locais, mas ficamos reféns de desastres ambientais crescentes em intensidade e bem mais frequentes no tempo. (*)

Para quem mora numa ilha cercada de praias, mangues, lagoas e dunas, a proteção ambiental das belezas naturais que encontramos em Florianópolis, deveria ser uma obsessão - compromisso de cada cidadão. Ao contrário do que alguns insistem em rotular novas visões de cidade, proteger não significa congelar o desenvolvimento. Os melhores indicadores de urbanismo, mobilidade, meio ambiente e qualidade de vida, se encontram justamente em cidades que se diferenciam da mesmice. (**)

Quando as gestões se perpetuam através de compromissos obscuros, a primeira coisa que acontece é o fim do diálogo. O poder público passa a se aproximar e dialogar com os interesses do capital privado. A transparência tão desejada pelos munícipes desaparece, e o silêncio vira regra. Os mal feitos são acobertados pela maioria dos vereadores e a cidade deixa de ser a cidade que se quer. Talvez por ter sido duas vezes vereador na capital, a constatação que ora relato - me incomoda profundamente.

Quem acompanha o blog de Olho no Futuro, sites de notícias e redes socais, sabe das preocupações que expresso nas publicações. Recentemente a Ilha que todos conhecem e se encantam, está passando por um processo de engordamento das suas praias. Como se trata de um projeto que interfere diretamente no movimento do mar, que como sobe desce, pelo alto custo e pelas modificações que está causando, a iniciativa deveria ser melhor debatida com a sociedade. Os prefeitos podem se achar, mas não são donos das cidades. Muitos quando deixam o cargo, o legado que fica é uma cidade desfigurada.

Já estamos na terceira praia que passa por esse processo de alargamento, sem que se tenha informações detalhadas e oficiais sobre o que está acontecendo. Como um ex-vereador interessado no tema e comprometido com a cidade e seu futuro, todo o sábado passo em Jurerê Internacional para acompanhar a obra (foto abaixo). No último dia 2, uma novidade no cenário, um largo e profundo canal cortando parte da praia já aterrada. Não se sabe se foi água da chuva represada, se é água não tratada despejada de forma criminosa, ou até mesmo uma necessidade da obra. Ao fundo aparece a draga botando areia. O que se busca é informação, que aliás é obrigação de qualquer gestor público.                      


A um quilômetro dali uma situação inversa chama a atenção de qualquer um. Em Canajurê, onde ficam as marinas, a praia foi totalmente modificada. A movimentação do mar está retirando o aterro que fizeram para alargar a praia de Canasvieiras e botando a areia em Canajurê. Como consequência a praia ficou larga e perdeu profundidade. Só pra exemplificar o estrago as lanchas estão impedidas de atracarem no velho trapiche que está ali a mais de trinta anos. Pelo silêncio que reina entorno do assunto, algo a encobrir deve ter. (foto abaixo)                    


(*) Rio do Sul, cidade polo de uma importante região, passou por cinco enchentes em um ano.

(*) As capitais do Texas e do Wisconsin, Austin e Madison, se encontram na lista das melhores cidades para se viver nos EUA. Entre os principais motivos: suas universidades, ambas entre as 100 melhores do mundo, a integração vida acadêmica/comunidade, novos negócios/empregos e urbanismo focado na qualidade de vida das pessoas. Conheço bem as duas. 

sexta-feira, dezembro 01, 2023

Lula, a COP 28 e o Congresso Nacional


A primeira declaração pública do presidente Lula na COP 28, foi um claro recado. Com cuidado, Lula expressou um sentimento verdadeiro das dificuldades que o mundo vem encontrando para enfrentar uma ameaça que paira sobre a humanidade. Desde quando os países se reúnem para tratar das mudanças climáticas, de efetivo pouco aconteceu. 

Os interesses entorno do assunto são muitos e estão presentes a mais de um século nas nossas vidas. Não é por acaso que as grandes economias, China e EUA, são as que mais poluem e, por consequência, mais dificuldades colocam nas deliberações dos fóruns internacionais que tratam do tema. Atento a esse jogo, o presidente Lula propôs a criação de um organismo independente para gestão do clima no planeta. De forma a blindar um problema global da política local. 

Lula sabe que mesmo sendo uma das principais lideranças das mudanças climáticas no planeta, sua vida no Congresso Nacional não é nada fácil. O presidente da Câmara, Arthur Lira, por exemplo, é um conhecido criador de "jabutis". Já foi assim durante a discussão sobre a Eletrobras e, recentemente, repetiu a dose incluindo "o jabuti das térmicas a carvão". Embora no seu estado, Alagoas, não tenha carvão, ressuscitou a mais poluente das fontes fósseis ainda presente na matriz energética mundial. (*) 

O que o presidente Lula anunciou na COP, guardada as devidas proporções, foi o que fez Tabaré Vasquez no seu primeiro mandato como presidente do Uruguai.  Sua ideia prosperou graças a um grande acordo com os partidos, que se comprometeram de tratar a questão energética como política de Estado, independente do governo de plantão. O Uruguai é citado em todos os fóruns internacionais como um país que deu certo e que tem a matriz energética mais renovável do planeta. (**)

Sem querer julgar, mas por ter sido deputado federal, membro da Comissão de Energia, do Brasil e no Parlamento do Mercosul, transformar o setor elétrico num criatório de "jabutis" é uma insanidade. Ainda mais se o contrabando legislativo foi aprovado de madrugada, com o plenário esvaziado. Não se trata só de um equívoco energético, é uma desatenção com o país na semana que os olhos do mundo esperam boas novas do nosso governo no COP 28. Sem dúvida foi um tiro no pé, ou, se preferirem, uma facada nas costas. 

Portanto, o que aconteceu é muito grave e envolve bilhões de interesses. A sociedade precisa cobrar o que aconteceu na fatídica noite de 29/11, quando uma sessão da Câmara  Federal, no apagar das luzes, incluiu a recontratação de térmicas a carvão até 2050. A ousadia foi tanta que o Projeto de Lei 11.247/2018, pasmem, tratava do marco legal das eólicas offshore. Olhem só o tamanho do "jabuti", misturaram vento com carvão. (***)

(*) Não é comum um político assumir risco por um projeto polêmico, que não vai lhe trazer voto, nem criar emprego na sua região. Ainda mais se pode virar num escândalo. Aí tem.

(**)  Os três mandatos da Frente Ampla no Uruguai, consolidaram a energia como tema de Estado. Um belo acordo político, conheço bem o que se passou por lá.

(***)  Só por curiosidade: Arthur Lira sabe quanto vai custar recontratar térmicas a carvão até 2050? Qual o valor do megawatt hora ofertado? Quem vai pagar a conta ambiental, econômica, política e social? Se a Aneel foi consultada sobre o impacto na tarifa?   

segunda-feira, novembro 27, 2023

Rio do Sul/SC, uma cidade refém das chuvas

                                Rio do Sul, 18/11, a quinta enchente do ano.  Foto: da prefeitura                                                    

Quem mora em Rio do Sul está desesperado. Sem um plano definitivo que proteja a cidade das chuvas, que acontecem cada vez com mais frequência e intensidade, a ameaça de uma nova enchente é real. Só esse ano a cidade passou por cinco grandes cheias. A segunda maior da história de Rio do Sul ocorreu nas primeiras horas do sábado, 18/11. O rio subiu 13,04 m. A maior de todas as enchentes tinha ocorrido em 1983, quando rio Itajaí-Açú atingiu a cota de 13,58 metros. Uma tragédia hídrica que já faz parte da história da cidade. 

Rio do Sul, fica no Alto Vale do Itajaí, foi fundada em 1931. Com cerca de 72 mil habitantes é uma cidade próspera, industrializada e polo de uma importante região do nosso estado. Ou seja, não pode ser tirada dali e muito menos continuar sendo ameaçada por novas enchentes. Portanto, sendo bem objetivo, Rio do Sul não pode esperar mais. Seus habitantes, o comércio, a indústria e seu futuro coberto de incertezas, exigem uma pronta resposta. 

Como não se pode mudar a cidade de lugar, só há uma maneira de resolver o problema: controlar as grandes vazões do rio. Isso é possível através de um canal extravasor, que limite a vazão do rio a uma determinada cota de tal forma que evite a inundação da cidade. O canal extravasor é uma obra de engenharia com estudos de topografia, geologia e hidrologia. Se bem resolvida, acaba com o problema. Ela serve para desviar do leito do rio os grandes volumes de água que chegam. É um "by-pass".

Até aqui, nada do comentário é novidade: são fatos ocorridos. Na semana passada, Carlos Alberto Tavares Ferreira, CEO da CARBON ZERO, parceira do Instituto IDEAL em Santa Catarina, nos encaminhou um estudo e as fotos da obra realizada no Paraná por sua empresa, semelhante ao que se está sugerindo para Rio do Sul. Com o controle da vazão do rio, a cidade passa a ficar protegida das enchentes. Uma resposta definitiva para a agonia de uma cidade inteira e seus arredores. 

Diante da gravidade da situação, de pronto levamos ao conhecimento do deputado Marquito, que preside a Comissão de Turismo e Meio Ambiente, a contribuição de um estudo semelhante para Rio do Sul para apreciação da Comissão. A Assembleia Legislativa de Santa Catarina tem sido impecável no atendimento e apoio aos municípios catarinenses, em relação as dificuldades advindas das mudanças climáticas no nosso estado. Portanto, fica o nosso reconhecimento à ALESC e mais uma vez a nossa disposição em ajudar. 

PS - No mês passado, a convite do deputado Marquito, @marquito.sc, a CARBON ZERO e o Instituto IDEAL estiveram na Comissão de Turismo e Meio Ambiente apresentando seus projetos na área ambiental para Santa Catarina. O acolhimento foi muito positivo.  


terça-feira, novembro 21, 2023

Os efeitos das mudanças climáticas

                  Subestação Nova Santa Rita/RS, alagada devido às enchentes do Rio Caí 

Quando se fala em mudanças climáticas, boa parte das pessoas não associa seus efeitos com as tragédias que estamos vivenciando. A foto acima é emblemática, jamais poderia ter acontecido. Qualquer pequeno descuido, o Rio Grande do Sul vai enfrentar o maior apagão da sua história. Pode-se até questionar se ela estava no lugar certo, só que agora não dá para tirar dali. Quando as águas baixarem, o que deve acontecer é a construção de uma barreira de contenção protegendo toda a subestação para evitar a repetição do que aconteceu agora, com riscos incalculáveis para a sociedade.

Em Santa Catarina, uma cidade importante, polo de uma região, Rio do Sul sofre com as frequentes cheias que tomam conta da cidade. Não é possível submeter sua população a tanta humilhação. Todos sabem que quando vier uma chuva forte o rio vai transbordar e a cidade vai inundar. Se nada for feito a tragédia vai fazer parte da história de vida daquela gente. Como é impossível mover a cidade, só resta construir um canal de fuga a montante  de Rio do Sul, que desvie parte da vazão do rio para que novas enchentes não aconteçam.

Na semana passada, Carlos Alberto Ferreira, da CARBON ZERO, parceiro do Instituto IDEAL, nos passou o estudo e a obra realizada no Paraná de desvio do Rio Canais. Uma resposta da engenharia e da hidrologia que poderia perfeitamente ser aplicada em Rio do Sul. Prontamente entramos em contato com o presidente da Comissão de Turismo e Meio Ambiente da ALESC, o deputado Marquito, para agendar uma reunião na Comissão com o objetivo de apresentar um estudo para minimizar o impacto das enchentes em Rio do Sul.

Em Belo Horizonte, onde fui homenageado por duas décadas de dedicação voluntária às energias alternativas e uma América Latina sem Carbono, não fiz referência a esse legado. O tempo que usei foi de preocupação com o futuro. A hora é de repensar para não errar. A maior cidade da América Latina, São Paulo, não pode ficar sem luz porque ventou. Na região Norte, milhares de pessoas correm risco de vida porque não choveu. No Sul, três importantes estados, estão com seus habitantes expostos e a economia refém das  adversidades  climáticas. De tanto ministérios que temos, o que nos falta é o "Ministério do Repensar". Aliás, estratégico para qualquer país: por questões políticas, sociais, ambientais,  econômicas e do conhecimento. Pensar só faz bem.


 



 

segunda-feira, novembro 06, 2023

De olho nos manguezais


A vida é um piscar de olhos. Quanto antes você perceber isso, melhor. Com o passar do tempo é bom procurar novos desafios, construir parcerias, aprender e se motivar. O importante é não se perder na hora de identificar o que você está procurando. Quando achar, procure dar o melhor de si. Não se preocupe com o seu tempo, muitas vezes o legado que fica é bem maior que uma realização.   

Já faz um bom tempo que acompanho o trabalho de Carlos Alberto Tavares Ferreira, presidente da Fundação Tavares Ferreira e CEO da Carbon ZERO. Suas iniciativas e projetos tem a ver com o que fazemos, o que naturalmente nos aproximou. O "Caminho das Araucárias", o "Caminho das Águas", a proteção das nascentes e um olhar cuidadoso para os manguezais, abre um leque de oportunidades para realimentar quem quer se reinventar. 

Quando o Carlos Ferreira fala sobre o mangue, a primeira barreira que surge é a do desconhecimento. Presente em boa parte da nossa costa, é o ecossistema com maior concentração de carbono por área. A capacidade dos mangues protegidos armazenar quantidade de carbono expressiva, sempre foi do conhecimento da ciência. Só que o inventário de potencial da natureza costeira, nunca foi levado a sério. Segundo Carlos,   estima-se  que 8% do potencial global esteja no Brasil. 

Na semana passada a CARBON ZERO nos brindou com um estudo de levantamento de área de mangue em Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu. Para nossa surpresa são 35 mil hectares de manguezal. O relatório apresentado mostra também que quando comparados a outros biomas vegetados do Brasil, eles armazenam até quatro vezes mais carbono nos primeiros 100 centímetros de solo. Mas essa riqueza é totalmente negligenciada, comenta Carlos: o mangue é visto como um lugar sujo, com muito lixo e forte odor, porque historicamente serviu para o descarte de esgoto de muitas cidades costeiras. 

A CARBON ZERO e o Instituto IDEAL, depois de longas conversas, firmaram uma parceria, vamos trabalhar juntos. As tratativas com a UFSC, com a Comissão do Meio Ambiente e Turismo da Assembleia Legislativa, o SEBRAE/SC, o Consórcio CIM da Granfpolis já começaram. No caso dos manguezais, em particular, queremos introduzir um novo olhar: através de políticas de monitoramento regional, com a criação de centros de pesquisa, que a CARBON ZERO  tem expertise, aproximar através de palestras e materiais educativos uma relação de preservação, acolhimento e valorização dos mangues. 

Só protege o meio ambiente quem se sente parte dele.   

PS - Na foto abaixo durante a reunião com o Consórcio dos Municípios da Grande Florianópolis,  no último dia 27/10, o CEO da CARBON ZERO, Carlos Ferreira, ao fundo, fez uma bela apresentação para o deputado Marquito, presidente da Comissão do Meio Ambiente e Turismo, sobre o imenso potencial dos mangues. De pronto o deputado @marquito.sc, primeiro à esquerda, abraçou a causa e marcou para o dia 7/11, às 17 horas, uma apresentação na ALESC.


   

segunda-feira, outubro 30, 2023

Mudanças climáticas, uma realidade

                       Santo Amaro da Imperatriz, nascentes preservadas água de qualidade

Quem acompanha a rede Linkedin sabe que 3500 impressões em um dia, é bastante. As visualizações quase sempre dependem do tema e do número de seguidores de quem escreve. No nosso caso em particular, a importância está no tema que abordamos. O último artigo publicado, "O alerta que vem da Amazônia", trata das consequências da seca que deixou 500 mil pessoas sob risco real de vida. Por ser um fenômeno natural, ficou a sensação de uma desatenção com as comunidades ribeirinhas.

A sociedade acompanhou em tempo real a extensão do estrago de uma seca prolongada na região Norte, ou das fortes enchentes no Sul. As duas situações eram de certa forma previstas, mas deixaram um imenso problema social através de uma grave desestruturação econômica no Sul e uma grave fragilidade  na logística local no Norte. Se vamos aprender ou não com os recados da natureza, é a pergunta que não quer calar.

Nos últimos dias com a presença do Carlos Ferreira, CEO da Carbon ZERO, deu para aprender e conhecer melhor a necessidade de nos prepararmos para o futuro. Independente da região ou bioma, as mudanças do clima estão acontecendo. Tanto assim que tivemos 40 graus no inverno com chuvas torrenciais e secas prolongadas num mesmo momento. O que os estudos apontam é que natureza, cada vez com mais intensidade e frequência, está nos alertando sobre o que vem por aí.  

Os encaminhamentos e soluções globais tem se mostrado insuficientes, tanto na guerra entre países como nos Acordos do Clima. Sem desmerecer a importância desses fóruns internacionais, precisamos incorporar protagonismo e desenvolver cuidados sobre o que temos governabilidade: fazer o que podemos e sabemos fazer. Na tragédia das enchentes em Santa Catarina, até no básico falhamos. A operação das comportas das barragens de contenção, que era pra ser um procedimento rotineiro e técnico, virou  um vexame. Até agora não se sabe direito se a abertura das comportas foi na hora certa ou não.   

Duas coisas que foram trazidas pelo Carlos, da Carbon ZERO, podem e devem de imediato serem acolhidas por aqui. A preservação dos mananciais de água e a identificação dos ativos ambientais nos municípios. Sem água, não há vida. O Caminho das Águas é uma experiência exitosa no Paraná, que busca assegurar água de qualidade para as futuras gerações. Já os ativos ambientais, são riquezas naturais dos municípios que podem gerar recursos para investir no desenvolvimento sustentável das cidades e na proteção dos seus munícipes. As mudanças climáticas estão batendo na porta e vão entrar. O que a gente precisa é se preparar para minimizar seus efeitos. 

PS- Carlos Alberto Tavares Ferreira, presidente da Fundação Tavares Ferreira, foi homenageado recentemente pela Câmara Municipal de Curitiba, por ter plantado no último ano 8.640 árvores na cidade. Seu projeto é plantar 100 mil em 10 anos. No mês passado, Carlos foi homenageado pela Câmara Municipal de São Paulo, por preservar nascentes de água em áreas de proteção permanente da Fundação Tavares Ferreira. De lá sai uma água de qualidade que abastece sete  milhões de pessoas em São Paulo. Uma população equivalente a do estado de Santa Catarina.  

      



 


   

quinta-feira, outubro 05, 2023

O Mercado de Crédito de Carbono

                         Mudanças climáticas, os sinais do tempo: os rios secam os peixes morrem

Em Brasília, no dia 4, o Senado aprovou o projeto que Regulamenta o Mercado de Crédito de Carbono. Por aqui, um esforço a mais a ser construído. Pelo potencial natural que temos, o Brasil pode vir a liderar esse ativo ambiental na América Latina. Novamente, uma das barreiras à ser vencida é o conhecimento. Nossos parceiros como a Carbon Zero e a Fundação Tavares Ferreira, tem nos mostrado o caminho e nos estimulado nessa caminhada. O mundo está perdendo o controle sobre as mudanças climáticas, o que pode nos levar a temperaturas que a humanidade não vai suportar. (*)

Para que houvesse acordo no Senado, o texto aprovado na Comissão de Meio Ambiente deixou de fora o agronegócio. Ou seja, atividades como a criação de gado ou plantação de cana podem ou não aderir o mecanismo e se submeter às suas leis. Com certeza uma articulação da bancada ruralista, que gosta de manter posição independente de uma melhor avaliação. Pela necessidade de respostas urgentes as questões climáticas, não dá para ficar de fora e muito menos se fechar à novas possibilidades. Quantificar o potencial natural de uma nascente, de uma mata, de um replantio, de uma pastagem e - até de um município - pode gerar crédito de carbono. 

Por outro lado, o Mercado de Crédito de Carbono só vai se estabelecer e acessar os recursos disponíveis num ambiente de alta credibilidade. Com uma governança eficaz que garanta transparência e prestação de contas continuada. As operações devem ser devidamente rastreadas e registradas, de modo que os créditos possam ser identificados de maneira segura e inequívoca. As reduções ou remoções de emissões derivadas das atividades de mitigação perduraram no tempo. Os impactos positivos desse novo olhar para o mundo, sem dúvida estão em sintonia com o desenvolvimento sustentável que todos desejamos. Recursos não faltam, vontade política talvez....

(*) Na recente experiência com o projeto Caminho das Araucárias, em tratativas com a UFSC, Sebrae/SC, Fundação Tavares Ferreira, Carbon Zero e o Instituto IDEAL, já deu pra ver a importância do aprendizado. Os municípios talvez não saibam como se beneficiar através de certificados de ativos ambientais. Em outras palavras, é possível a partir da preservação dos bens naturais: gerar emprego, renda e recursos para atender as prefeituras. 


 

 


domingo, junho 13, 2021

O que tem em comum Greta Thunberg, o prefeito de São Sepé e uma rede de hotéis




 
                                       Hotel Plaza Caldas da Imperatriz em Santa Catarina 
                                                            (foto: Marcelo Schmidt)

O que pode haver em comum entre uma jovem ativista global, o prefeito de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul e uma tradicional rede de hotéisA princípio nada, afinal são histórias diferenciadas no tempo e, aparentemente, sem nada em comum.

A sueca Greta Thunberg, 18 anos, é uma celebridade mundial. O prefeito de São Sepé (RS), João Luiz Vargas (PDT), 68 anos, é um político local. A rede Plaza de Hotéis, presente no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e na Bahia, foi fundada em 1958.

Greta Thunberg se tornou conhecida por sua determinação em defesa do clima. Com apenas 16 anos resolveu deixar de ir a aula às sextas-feiras, para protestar contra os governantes que nada faziam para reverter as mudanças do clima que ameaçam o planeta. Em apenas dois anos o protesto isolado de uma adolescente, se transformou na maior mobilização de jovens ao redor do mundo.(*)

Em São Sepé, o prefeito João Luiz se elegeu em 2020 tendo como mote de campanha "carvão aqui, não". São Sepé, com 23 mil habitantes e uma economia baseada na agropecuária, está situada sob a maior reserva de carvão do país. Legitimado pelas urnas e coerente com sua campanha, o prefeito acaba de decretar o reconhecimento da emergência climática global. De tal maneira o prefeito oficialmente se opõe ao potencial carbonífero da região, consciente de que o mundo passa por uma transição energética livre de combustíveis fósseis que afeta o clima e impede o desenvolvimento sustentável. 

A terceira história que aparentemente não tem nada em comum, repito, é da Rede Plaza de Hotéis que foi certificada pelo consumo de energia elétrica renovável, proveniente de Usinas Eólicas, Solares, Biomassa e Pequenas Centrais Hidrelétricas, em suas instalações. Em plena crise que se abateu sobre o setor do turismo a empresa tomou a decisão de optar por energia renovável e reduziu em 96 tCO² equivalentes de emissões de gases de efeito estufa, destaca o certificado.

Se juntarmos as três histórias, o que elas têm em comum foi a tomada de uma decisão certa em determinado momento. Nos três casos, independente da dimensão de cada um, por trás teve uma atitude. As mudanças só ocorrem quando se toma uma atitude. Nada acontece por acaso. O futuro da humanidade depende de se fazer o certo na hora certa. Pense nisso e tome uma atitude.

(*) Greta Thunberg é uma das favoritas ao Prêmio Nobel. Atitude é que não falta a "pirralha", como Greta foi chamada em Davos por um patético presidente latino.         

segunda-feira, abril 26, 2021

Cúpula do Clima: Biden sai na frente.

Na última semana as atenções do mundo estavam voltadas para Joe Biden. Com a recente vitória sobre Trump, Biden segue seus compromissos de campanha. Em apenas quatro meses, metade da população americana está vacinada. O número de vacinados por dia atingiu a marca de 2,5 milhões de pessoas. O julgamento e o desfecho do caso George Floyd, foi rápido e justo. Já em relação à Cúpula do Clima, Biden se apresentou como uma liderança global. Em relação aos três importantes acontecimentos citados, na era Trump a resposta seria: NO!, NO!, NO! 

Não foi coincidência a comparação que fiz entre Biden e Trump, no  parágrafo acima. A intenção foi contrapor diferentes visões de mundo sobre temas tão relevantes. Afinal, de forma resumida, pautei quase tudo: à ciência, o direito das minorias e às condições de vida futura da humanidade.  

Como podem ver, muita coisa mudou em tão pouco tempo nos EUA. Principalmente se comparado com o governo anterior. Quando insisto na valorização do voto, é justamente pensando nas suas consequências. A escolha do eleitor, como se viu nos EUA, está sendo transformadora. Dependendo do governante, as vacinas aparecem, são criados novos empregos e se pensa no futuro. (*)

Depois da pandemia, que não sei quando vai passar, a esperança não pode faltar. Entre as muitas coisas que recebo, guardo algumas. A última que me lembro ter guardado foi uma publicação do "The Economist", feita por mais de 50 especialistas., que analisa o futuro dos países quando a pandemia passar.

Segundo The Economist o tema mudanças climáticas, será um assunto muito sensível e priorizado. Alguns estudiosos levantam a possibilidade de haver uma relação do surgimento de novos vírus, com a degradação ambiental. O que, aliás, coincide com as inúmeras citações do papa Francisco quando se refere à sustentabilidade do planeta Terra.

Na campanha de Biden sustentabilidade/investimento, como  saída para a criação de  novos empregos, foi tratada à exaustão. Uma transformação radical em relação aos empregos tradicionais, que traz à esperança de volta.

À rigor, pouco se sabe como vai ser o "day after" da pandemia. Quando as incertezas são muitas, novas oportunidades acabam surgindo. Alguns setores da atual atividade econômica vão desaparecer e outros vão aparecer. É um novo ciclo.  

(*) Trump recebeu o troco do eleitor nas urnas. Na história recente foi um dos poucos casos em que um presidente americano não se reelegeu.

PS - Quanto a participação do Brasil na Cúpula do Clima, uma vergonha. No ritmo que segue o desmatamento, com a "boiada do Salles passando" e as motosserras roncando, em 2030 não vai ter mais árvores para cortar. Sem árvores para cortar, não há o que desmatar. Trágico mas real.     

domingo, fevereiro 28, 2021

Mudanças climáticas: Texas com neve e sem energia

Você sabia que o Texas é o segundo estado mais rico dos EUA. E que isso se deve por ser o que mais produz energia. Há poucos dias, mais de 3 milhões de pessoas ficaram sem energia por causa da neve. Só que o Texas é um dos estados mais quentes dos EUA. Por uma relação pessoal com Austin, fui procurar entender o ocorrido. (*)

Com cerca de 30 milhões de habitantes, o Texas produz energia solar, eólica, gás e petróleo em grandes proporções. Surpreendido pelo frio que chegou a menos 16 graus, o sistema energético colapsou. Sem energia para bombear a água e com as baixas temperaturas, os canos congelaram. Sem água e sem aquecimento nas casas, a onda de frio deixou os texanos perdidos diante do inusitado. O governo local, que não estava preparado para enfrentar uma nevasca tão  intensa, declarou estado de calamidade. (**)

Austin, a capital, foi a  região mais atingida. As aulas foram suspensas e a companhia que atende o sistema de energia tem se desdobrado para repor o sistema. Houve uma queda considerável na produção de petróleo e gás, sendo que o gás é responsável pelo aquecimento das casas.

O Texas é o único estado continental dos EUA, com uma rede própria de distribuição de energia. Um erro, pois ao optar por sua independência energética ficou impedido de receber energia dos estados vizinhos. A conta que está chegando aos consumidores, é assustadora. São duas formas de tarifação, uma fixa e a outra variável. Quem optou pela segunda, que não considera o impacto dos efeitos do clima na produção de energia, recebeu um incremento na fatura bem acima dos mil dólares. 

(*) Meu filho é professor do Department of Political Science, da Universidade do Estado do Texas. Minha única neta nasceu e mora em Austin.

(**) A inesperada onda de frio no Texas (-16 graus), só pode ser atribuída as mudanças do clima. A chegada do vírus covid 19 e suas mutações,  que já matou mais de 2,5 milhões de pessoas, 255 mil só no Brasil, ainda sem uma origem definida, pode também estar associada a degradação da natureza.

PS - A energia do petróleo sempre será cara. É cara, porque é finita. Além do mais polui, afetando o clima. As mudanças climáticas tem provocado calamidades pelo mundo afora.  Suas consequências são imprevisíveis. O futuro da humanidade está no conhecimento. Só ele será capaz de nos ajudar a enfrentar os desafios que virão. Negar a ciência, é ir contra vida. O preço que pagamos pela insanidade de alguns, é alto.


quarta-feira, dezembro 02, 2020

Greta Thunberg, a importância de se ter atitude

Dois anos atrás uma jovem sueca de 16 anos, resolveu protestar. Ninguém sabia quem era. Em muito pouco tempo, Greta Thunberg passou a ser conhecida por jovens de todo o mundo. Essa inesperada transformação na sua vida se deve ao fato de sua atitude, diante de uma grave ameaça ambiental. Inicialmente, Greta me pareceu uma manifestante a mais que desapareceria no tempo. Um modismo, como tantos outros. 

Ao ler a entrevista dela para Leonardo Sakamoto da UOL, 21/11, de pronto senti a necessidade de rever minha primeira impressão. Sua liderança é uma realidade. Nada que aconteceu com ela nesses dois anos, Personalidade do Ano pela revista Times e cotada para ser o Prêmio Nobel da Paz, mudou a sua forma de ver o mundo e de agir.  

A visibilidade global que agora tem, começou num protesto solitário em frente ao parlamento da Suécia. Sua atitude mudou sua vida e a de milhões de jovens que acompanham seus passos. Aonde vai junta multidões e quando começa a cobrar respostas para as mudanças climáticas, põe em cheque as principais lideranças mundiais. Greta fala o que pensa, sem se preocupar com quem está falando. (*)

Ao longo da entrevista ela revela seu amadurecimento. Ao afirmar, por exemplo:  "Uma pessoa desconhecida pode causar grandes mudanças. Você não precisa ser a mais barulhenta, a mais poderosa, a mais rica ou a mais privilegiada para mudar o mundo, basta ter coerência e atitude". E, conclui "Nunca devemos desencorajar as pessoas de agir, nunca devemos subestimar o incrível poder da voz"; Greta mostra para que veio.

Indagada sobre o tempo que temos para evitar o pior, novamente demonstra sabedoria. "Não há um ponto que diga que tudo está perdido. Não tem uma resposta científica, para essa pergunta. O futuro depende de nós. Da ciência, do conhecimento e da vontade das pessoas quererem mudar".  (**)

Greta não gosta de falar de sua vida pessoal, continua se achando uma ativista local que virou global. Sabe que seu tempo vai passar e espera que um dia as pessoas entendam que somos nós - os causadores das mudanças climáticas. A importância desse reconhecimento, está em admitir o nosso fracasso comum. Só assim a humanidade vai sentir a necessidade de se comprometer com as mudanças que o mundo precisa.  

(*) No ano passado Bolsonaro chamou Greta de "pirralha".  Sobre esse episódio, assim ela se manifestou: "Um comportamento próprio de quem fez do Brasil um vilão do clima".  

(**) O tripé ciência, conhecimento e vontade de mudar, nunca esteve tão presente no mundo atual. Nos dois países com maior número de mortes por covid 19, Brasil e EUA, a negação desses valores foi incentivada por seus respectivos governantes: Bolsonaro aqui e Trump lá.

PS - Mais de 80% dos brasileiros defende o meio ambiente e se preocupa com as mudanças do clima. Portanto, o Brasil é bem maior do que pensam Bolsonaro, Mourão e Salles. Não seremos conduzidos pelo atraso, pela violência, pelo ódio e por mentiras. O que nos move, é a esperança de um país melhor. Faça a sua parte, incorpore - atitude - na sua vida!  

sexta-feira, dezembro 20, 2019

Mudanças climáticas e meio ambiente: que final de ano.

No último mês do ano, os EUA notificaram a ONU que vão sair do Acordo de Paris. Assinado em 2015 por 197 países, o tratado é a principal iniciativa global em defesa do clima. Agora,  a atenção se volta para a China e a Índia, duas economias crescentes, historicamente descuidadas com o meio ambiente.(*) 

Já em relação a nós, nada a comemorar. O país continente da América Latina, ignora o seu papel nesse tema tão importante para a humanidade. O governo Bolsonaro não se envergonha do que vem fazendo. O Brasil tem dado péssimos exemplos. O desmatamento cresce e as queimadas também. Por conta dessa  nova postura, nos comportamos na COP 25, em Madri, como um "vilão ambiental". Algo até então impensável pelos nossos compromissos passados.

Ao contrário do que os governantes pensam, o mundo nos observa. Desafetos de Bolsonaro, como Ricardo Galvão e Greta Thunberg estão na lista da mais tradicional publicação científica do planeta, a revista Nature. E olhem que no mundo todo, as personalidades contempladas são apenas dez. Todas identificadas por defender a ciência e pela postura ética de enfrentar desafios. (**)

(*) China, EUA e Índia, são os países que mais afetam o clima.

(**) Ricardo Galvão, o único brasileiro destacado pela revista Nature, foi exonerado do Inpe por Bolsonaro. Greta Thunberg, ativista sueca de 16 anos, vem conseguindo despertar nos jovens a consciência por um mundo melhor. Foi chamada por Bolsonaro de "pirralha". Lamentável.

sexta-feira, dezembro 13, 2019

"A pirralha"

Na semana passada, Greta Thumberg, a sueca de 16 anos, se tornou a mais jovem personalidade do ano da Revista Times. Por coincidência, naquela mesma semana Greta tinha entrado em confronto com o senhor Messias, o presidente do Brasil. O simples fato de uma "pirralha" ter tirado do sério o presidente do mais importante país da América Latina, já lhe fez merecedora do título.

Bolsonaro foi afastado do Exército, por mal comportamento, no final da  década de oitenta. Sua punição, ser reformado como capitão com 33 anos de idade. Ficou na Câmara como deputado federal até 2018. Um longo período, sem qualquer destaque parlamentar. Em 2018, se elegeu presidente do Brasil. Encerra seu primeiro ano de mandato, com a pior avaliação de um presidente eleito, segundo pesquisas publicadas recentemente.

Já Greta Thumberg,  tem apenas 16 anos e milhões de seguidores pelo mundo afora. Quase todos jovens como ela. Além da sua família e alguns vizinhos, poucos sabiam quem era aquela jovem de trança. Só veio a se tornar uma celebridade global em agosto de 2018, quando resolveu faltar a aula e foi sozinha protestar na frente do parlamento sueco contra os políticos que nada faziam para preservar o planeta.

De lá pra cá sua vida mudou, como a de Bolsonaro também. Ele se incomoda com o seu sucesso, a ponto de chamá-la de "pirralha". Ela, não precisa dele para nada. 

terça-feira, novembro 05, 2019

EUA confirmam sua saída do Acordo de Paris

A lamentável decisão dos EUA pode ter um pouco de tudo, só não foi uma surpresa. Em junho 2007, Trump já se  achava "o senhor do tempo". Sem qualquer constrangimento,  sinalizava para o mundo seu descompromisso com as mudanças do clima. Por  mais que  queira entender, não  encontro resposta. Mesmo que tenha sido para defender a poderosa indústria do petróleo americana, historicamente alinhada aos republicanos, a decisão tomada não se sustenta.(*)

No mês passado, John Goodenough, com 97 anos, ganhou o Prêmio Nobel de Química. Sua pesquisa, as baterias do futuro. Segundo Goodenough, elas irão incorporar de vez a energia solar na vida das pessoas. Uma mudança de modelo, que irá revolucionar o mundo. Por pura coincidência, o novo Nobel faz parte da Universidade do Texas, terra do petróleo. 

As baterias avançam rapidamente e logo ganharão escala. Trump sabe que a combinação inovação e mercado sempre geram grandes negócios. Abrir mão desse novo invento, que está diretamente associado as mudanças do clima, substituindo o uso do petróleo em larga escala, é um brutal equívoco. Chineses e indianos, não perdem boas oportunidades. Já lideram o mercado dos painéis solares e estão prontos para liderar o das baterias do futuro. E não vão faltar parceiros. Afinal, fazem parte do Acordo de Paris, junto com outros 200 países. Os americanos logo irão cobrar de Trump, pelo grave erro cometido.

(*) Recentemente, a Aneel resolveu dificultar a entrada da energia solar na vida das pessoas. A reação do setor e da sociedade foi imediata. A Aneel voltou atrás. Não dá para se opor a energia do sol e muito menos se negar a defender o planeta. Acordem, seus atrasados!



                                                                                                                                                                                                                                                                         

quarta-feira, agosto 21, 2019

No Brasil das queimadas e do desmatamento, o descaso com a ONU



                                             Foto: Max Haack/Secom PMS


A hospitaleira Salvador, capital da Bahia de Todos os Santos, mantém sua tradição: recebe de braços abertos as 5.000 pessoas que vieram participar da Semana do Clima. Um evento internacional, promovido pela ONU e muito mal acolhido pelo governo brasileiro. Em nenhum momento a Climate Week para a América Latina e Caribe teve a devida atenção por parte do governo Bolsonaro (*).


A conferência é um encontro preparatório para o Fórum Mundial sobre mudanças climáticas, marcado para dezembro em Santiago, no Chile (**). Independente do que  acha sobre o aquecimento global e suas consequências, o
presidente precisa, devido ao cargo que exerce, ser respeitoso com as instituições às quais o Brasil faz parte, ainda mais se tratando da Organização das Nações Unidas (***).


(*) Para evitar um constrangimento maior, que parece não incomodar o presidente, o prefeito de Salvador, ACM Neto, assumiu as honras da casa. Abriu o evento com essas palavras: "Precisamos superar as discussões ideológicas e partidárias porque esse é um tema que interessa a todos".


(**) O Brasil tinha sido escolhido para sediar o Fórum Mundial do Clima. Bolsonaro, antes mesmo de tomar posse, desconsiderou o compromisso assumido. O Chile acabou ocupando o nosso espaço.


(***) No atual governo, cada dia é uma agonia. Principalmente quando se trata da boa diplomacia. O retrocesso é visível. O Brasil é membro fundador da ONU (24/10/1945). E cabe a nós fazer o discurso anual de abertura da Assembleia Geral da ONU. Aliás, uma tradição que se mantém através dos tempos. E, pasmem: graças ao reconhecimento da organização ao trabalho de um brasileiro, Osvaldo Aranha.




quarta-feira, julho 31, 2019

Sobre o futuro do clima

Sobre o futuro, Arturo Alárcon, especialista sênior na área de energia do BID (Inter-American Development Bank), comentou sobre a nossa incapacidade de compreender perfeitamente como funciona o clima. E que o desconhecimento não pode ser desculpa para não se agir. O clima está mudando por causa da atividade humana. Precisamos reagir. (Fonte: Linkedin, 29/7)

A China, maior produtora de painéis fotovoltaicos no mundo e líder na geração de energia solar, está vendo seus painéis solares gerando menos do que deviam: a causa, a poluição do ar. Pesquisadores chineses estimam que uma melhoria nos índices de poluição aumentaria a geração solar em mais de 10% no país, o que geraria uma economia de 5 a 7 bilhões de dólares até 2030. (Fonte: ISTO É Dinheiro)

No Brasil o grau de fragilidade dos nossos compromissos com o clima está na Amazônia, com o  desmatamento crescente; e no campo com as queimadas de extensas áreas. Se não fosse o descaso das autoridades e uma incompreensão de parcela da sociedade, até que seriam duas situações bem fáceis de serem resolvidas. A causa está bem bem identificada e a responsabilidade também.

Três episódios recentes do Brasil de Bolsonaro que falam por si:


- O chanceler da França, Jean-Yves Le Drian, que esteve aqui, não gostou do que viu. Pelo Acordo de Paris, o governo Bolsonaro tem que parar com o desmatamento e replantar 12 milhões de hectares de floresta. Simples assim.

- Segundo o New York Times, o governo brasileiro deu uma guinada. Não mostra simpatia com a preservação do meio ambiente e nem com o aquecimento global. Apoia publicamente a liberação do garimpo na Amazônia, sem sequer associar aos desastres de Mariana e Brumadinho.

- De forma provocativa e descabida o presidente Bolsonaro declarou que preservação de floresta é coisa de vegano. Sem comentários.

PS - Só um gênio como Cazuza consegue retratar com tanta profundidade um país como o nosso. A música é de 1988, e a letra mais atual do que nunca: "BRASIL, Mostra a tua cara/ Quero ver quem paga/ Pra gente ficar assim.".