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segunda-feira, novembro 22, 2021

"O presidente Jair Bolsonaro é nocivo à economia do Brasil"

Por falar em economia, a nossa vai de mal a pior.  Segundo José Luiz  Setúbal, presidente da Fundação Jose Luiz Egydio Setúbal, com quem me relaciono na rede Lnkdln,  "só os fanáticos não conseguem ou não querem ver o desastre". De uma tradicional família de banqueiros, é óbvio que suas manifestações  tem outro peso. (*) 

Em busca de outras fontes para dar sustentação ao comentário, cheguei ao The Economist e a sua manchete "o presidente Bolsonaro é nocivo à economia do Brasil".  Quando um dos principais jornais do mundo, fundado em 1843, em Londres, destaca o nosso fracasso econômico, é sinal que algo de muito sério está se passando por aqui. A dureza da palavra escrita tem valor agregado. Em qualquer grande jornal ela é discutida pelo Conselho Editorial, antes de ser publicada. Nunca é uma expressão grosseira de um sem noção.

Para me sentir mais confortável, já que não sou economista, tenho por hábito colocar na análise que faço a energia como referência. Com todo o respeito a outros indicadores e opiniões, ela é vital  para a humanidade. Para reforçar o que penso, a Aneel já projetou o  reajuste da energia elétrica para 2022 em cerca de 20%. Como sempre, bem acima da inflação. E pior: incidindo sobre um preço praticado em 2021 absurdamente alto!(**)

Quem vai pagar essa conta somos nós e quem mais vai sentir, serão os mais pobres. Até aí nada de novo, é o que está se passando nos três anos desse desgoverno.  Só que agora o capitão Jair está falando para um povo vacinado, carregado de tristeza, cansado de tantas mentiras e empobrecido diante de uma inflação crescente. A vida para milhões de brasileiros nunca foi tão sofrida como agora. Segundo estudiosos, se esse grupo de pessoas fosse um país dentro do Brasil, seria o terceiro país mais pobre do mundo.  

(*) A fundação criada pela família Setúbal atua em iniciativas sociais dedicadas à melhoria da qualidade de vida na infância, na pesquisa e ensino do conhecimento. Temas relevantes, com os quais me identifico.

(**) Além da energia elétrica, olhem só o que mais subiu esse ano: a gasolina passou de R$4,00 para R$7,00; o diesel de R$3,7 para R$5,4; o etanol de R$3,2 para R$5,3 e o GNV de R$3,2 para R$4,3. Se compararmos com a Argentina, por exemplo, encher o tanque de um carro pequeno no Brasil representa 30% do salário mínimo, enquanto no país vizinho, 6%! Sem falar no gás de cozinha, cujo botijão já compromete 12% do salário mínimo. Dependendo do tamanho do tanque e do consumo de gás, metade do SM já se foi. O SM que no governo Lula era 400 dólares, com Bolsonaro vale 180. Isso se chama - empobrecimento! 

PS - Enquanto passeava de moto nos Emirados Árabes, o capitão Jair deve ter observado os preços dos combustíveis. Diferenças à parte, lá a energia é tratada como política de estado e fator de desenvolvimento. Enquanto aqui, para um público de um cercadinho cada vez mais esvaziado, a desculpa é "a Petrobras é um problema". Cabe lembrar que o atual presidente da Petrobras é um general do Exército de sua inteira confiança  e muito bem remunerado...

segunda-feira, fevereiro 22, 2021

Empregos verdes: de onde virão os recursos (parte I)

Depois de explicar porque os novos empregos serão verdes, senti a necessidade de explicar de onde virão os recursos. Serão investimentos privados e pulverizados. Como a demanda por energia é crescente e perene, os empregos verdes estarão sempre presentes.

Outros setores mais dependentes de incentivos públicos, vão encontrar dificuldades para criar empregos. A dívida global crescente, põe em xeque o crescimento de quase todos os  países. O endividamento  já se encontra  próximo dos US$ 300 trilhões. Quando se chega nesse ponto, novos empréstimos, ou investimentos externos ficam mais escassos.(*) 

No caso do Brasil seu isolamento com o mundo, agrava ainda mais a situação. A sorte de Bolsonaro foi encontrar as reservas em dólar do país num patamar "nunca antes visto";  300 bilhões de dólares. Só que sobre isso não falam, já que o excelente resultado veio dos governos do PT. 

Da nossa dívida pública, estimada em R$ 5 trilhões, R$ 1,4 trilhão vence em 2021. Um ano onde o debate do auxílio emergencial estará presente, pressionando um governo sem rumo e sem caixa. Para agravar ainda mais a situação, 15 milhões de desempregados e a metade das famílias num alto grau de endividamento.  

Quanto a energia que todos dependemos, seus reajustes são sempre acima da inflação. Esta realidade vai motivar novos investimentos em energia solar. E isso vai acontecer em larga escala. Sempre uso como argumento que a política tarifária é o principal incentivo para a energia solar. A expectativa é de uma revolução energética em curso, acompanhada de milhares de novos empregos. E serão verdes. (**)

(*) A pandemia afetou todos os continentes e impactou a economia na maioria dos países. Como todos precisam de ajuda, fica bem mais difícil à ajuda chegar.

(**) A energia solar tem um diferencial sobre qualquer outra fonte, ela é um grande lego. Você pode comprar o número de painéis planejado por etapas. Pense nisso.... 

PS - Recente estudo da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia,  projeta R$ 142 bilhões de novos investimentos em geração de energia elétrica até 2025. Para atender no prazo as obras, só criando muito emprego: centenas de milhares.  

segunda-feira, outubro 12, 2020

A economia batendo cabeça, voto tem consequência

Alguém já se perguntou a razão dos investidores estarem deixando o Brasil. A reposta, ao meu ver, está nos quatro "i": incerteza, insegurança, indiferença e indignação. Quando os quatro "i" se juntam, tudo fica mais difícil. A nossa moeda vem perdendo valor junto ao dólar e moeda fraca não atrai ninguém. Prova disso é o saldo entre aplicações e retiradas de não residentes; mais que dobrou em 2020 em comparação com 2019.

Portanto, a incerteza sobre o nosso futuro está posta e exige uma política econômica mais qualificada do que essa do Guedes. Quando se trata de insegurança, o foco é outro: está diretamente ligado a sociedade. Uma sociedade empobrecida, torna as pessoas inseguras. Essa situação de insegurança se estendendo no tempo, trás um outro problema - o da indiferença. Por último vem a indignação, resultado do conjunto da obra.

Em Brasília o assunto é a pauta econômica. Com muito bate boca em público e sem margem de manobra orçamentária, só reforça a incerteza sobre a retomada da economia em 2021. Para agravar o quadro social - o fim ou a redução do auxílio emergencial - está batendo na porta de milhões de brasileiros. (*)

Claro que sempre cabe uma visão mais otimista da nossa realidade. No entanto os números não nos favorecem. A Bloomberg, por exemplo, uma das principais agências de risco do mundo, coloca o real como a terceira moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar. Só ficou atrás do dólar do Suriname e da "cuacha" da Zâmbia. 

O caderno da Folha sobre o mercado, do dia 5, também trás os dados do IBOVESPA. Em dólar, a bolsa brasileira teve o pior desempenho do mundo. Uma queda de 42,5% que agrava o cenário político e fiscal. (Fonte: Goldman Sachs)

Especialistas ouvidos pelo jornal dizem que a Covid 19 continua sendo um problema, só que o governo não ajuda. Segundo Bruno Giovannetti, professor da FGV, "a economia está muito ruim e a perspectiva futura é de incerteza". Outra preocupação que os economistas trazem é sobre a crise ambiental na Amazônia, que deixou o país mal visto lá fora. O Brasil se isola e Bolsonaro nem toca no assunto. (**)

(*) Bolsonaro está refém do auxílio emergencial. Sabe que a sua popularidade está associada a esse pagamento. Sua proposta inicial era de R$200,00; foi para R$600,00. E agora Guedes não sabe o que fazer.

(**) No momento a preocupação de Bolsonaro é acabar com a Lava Jato. Se esqueceu do muito que deve a Moro. Que aliás se escafedeu. 

PS- A inflação de setembro de 0,6% -  foi a maior desde 2003. Voto tem consequência.

segunda-feira, setembro 28, 2020

Voto tem consequência: a crise econômica e você

 A fumaça das queimadas está dificultando que muitos brasileiros enxerguem  o buraco que se meteram. Assim como queimar florestas só faz bem para os que estão ganhando com a devastação, fechar os olhos para as ilegalidades também. 

Nem sempre somos movidos pelos mesmos motivos, até porque não somos iguais. Portanto, se falta sensibilidade ambiental para alguns, nada melhor que convencê-los que por trás das tragédias estão os interesses obscuros. Para conscientizá-los precisamos tratar sempre com a verdade, ampliando o interesse pela  crise de governança que enfrentamos. Ela vai muito além das questões ambientais e das "rachadinhas" que nos envergonham .

Em plena pandemia, com as pessoas já bem debilitadas, qualquer notícia se amplifica. Dependendo dela, o efeito é devastador. Na semana passada, por exemplo, circulou entre correntistas de alguns bancos a informação do "rendimento negativo". A realidade é dura e logo vai ser percebida. A insegurança sobre o futuro de suas economias nos banco acaba com qualquer um. 

Para Paulo Guedes, que trocou conhecimento pelo humor, a explicação para o aumento no preço do arroz foi  porque "os pobres estão comendo mais". Seu chefe, que se auto intitula um zero em economia, também já disse:  "não vou tirar dos pobres para repassar aos paupérrimos".  Sobre o dinheiro que está perdendo valor nos bancos, nenhum dos dois comenta nada. 

Sem ser economista e muito menos banqueiro, posso dar algumas pistas sobre rendimentos negativos em fundos de renda fixa. Uma das preocupações dos analistas é em relação aos gastos do governo em 2021. Ao se confirmarem as projeções,  o real continuará enfraquecendo  e o investidor vai atrás de economias mais seguras. Com isso o dólar dispara, a inflação volta e o empobrecimento se agrava. Nessas horas quem se dana é você, caro eleitor/leitor. (*)

(*) Em 2019, sem a pandemia, o PIB foi um dos menores da nossa série histórica;  1,1%. Em 2020, com a pandemia, o PIB deve encolher 6¨%; portanto uma considerável perda de riqueza nacional. Em 2021, a dívida pública deve chegar a 100% do PIB; o Brasil passa a ser o mais endividado entre os países emergentes. Em 2022, eleições... 

PS- Um pequeno trecho do "Coração teimoso", do poeta e amigo  Dinovaldo Gillioli:

tem gente que ainda não enxergou

 tem gente que ainda não entendeu

em que buraco o país se meteu      

quinta-feira, julho 09, 2020

Guedes x Meirelles

Ao contrário do Guedes, Meirelles nunca foi um "Chicago Boys". Sua passagem acadêmica nos EUA foi em Harvard. E na atividade profissional, foi na presidência do Banco de Boston. Quando convidado por Lula para tocar a economia, boa parte do PT ficou incomodada. No entanto, Meirelles se saiu bem: real valorizado, juros baixos, emprego em alta, inflação sobre controle, balança comercial favorável ao Brasil  e, por consequência, muitos dólares de reserva (mais de 300 bi).

Quando Guedes se aproximou de Bolsonaro, foi recebido como o Posto Ipiranga. Carta branca na economia do país. Sua primeira tarefa foi implantar a Reforma da Previdência. Para isso contou com tudo que pediu: uma grande campanha de marketing, capaz de ganhar a opinião pública, para obter os votos no Congresso. O foco da campanha: acabar com as desigualdades.

Com o passar do tempo, logo se viu que acabar com as "desigualdades" não passava de um slogan. Dados recentes divulgados pelo Tesouro no dia 7, apontam para um rombo de 318 bilhões nas contas do governo. No entanto, o que mais chama atenção é que as "desigualdades" se agravaram. Segundo  o próprio Tesouro, o sistema de proteção social dos militares em 2019 foi 17 vezes maior do que o valor gasto com o trabalhador privado que se aposenta pelo INSS. (Fonte: UOL, Brasília)

Guedes não fala sobre isso, são águas passadas. Agora o que se comenta são suas relações com fundos de pensão das estatais. Por falar em estatal, se puder Guedes vende mais algumas. Seu sonho de privatista é vender a Eletrobras. O valor pouco importa. Falam em 20 bilhões, nada comparado com o rombo das contas públicas na sua gestão. Guedes quer se desfazer de uma empresa criada em 1962, que organizou o setor elétrico brasileiro e nos assegurou o desenvolvimento industrial que tivemos. Não é hora de calar, precisamos reagir: nas redes sociais, no Congresso e nas ruas. 

domingo, julho 05, 2020

Bolsonaro, seguidores em queda

Quando Bolsonaro levou Guedes e um gaiteiro para tocar Ave Maria, na sua live da quinta-feira, 25, a perplexidade foi geral. Sem conseguir esconder o constrangimento, até o mais fiel dos bolsonaristas deve estar se perguntando:  que governo é esse?


No meio da quarentena e com tempo, me arrisco à explicar. Com um ano de governo, portanto antes do coronavírus, Leandro Colon, já identificava no seu artigo "O pobre espera sua vez" (FSP), que embora populista Bolsonaro não tinha compromisso com os pobres. "Seu tempo foi gasto com bobagens ideológicas para atacar adversários e jornalistas. Para ele, combater à pobreza nunca foi prioridade. Sem saber o que fazer, não quer vincular seu governo de direita aos programas sociais da era petista".

 

Agora, com a chegada da pandemia, a incompetência ficou ainda mais exposta. A "gripezinha" não para de matar e o vírus continua entre nós. Para recuperar a sua imagem associada ao descaso com o coronavírus, até o gaiteiro foi acionado. Mas é tarde, o estrago está feito. Bolsonaro já está sentindo nas pesquisas a sua popularidade em queda. O que corre nos bastidores, é que seus seguidores são bem menos do que ele pensa. Segundo a Datafolha, 03/7, fiéis a Bolsonaro são 15%.


A economia se arrasta pelo chão e os números apresentados, desanimadores.  Guedes sabe disso e sua passagem por Chicago, pouco ajuda. O Brasil de Bolsonaro é um país de desempregados e de investidores que não investem. Quem estuda melhor o comportamento das pessoas na crise do coronavírus, já percebeu uma aversão ao risco. Como consequência, uma retomada da economia mais lenta, uma sociedade empobrecida e uma forte  preocupação em relação ao nosso futuro. 


segunda-feira, junho 29, 2020

Trinta milhões de brasileiros na informalidade

Quando um país chega a ter 35% dos seus trabalhadores na informalidade, acordem: o país está afundando. O Brasil, como o Titanic, tem todas as condições de navegar com segurança em mar revolto. Conta a história que o naufrágio do Titanic se deu por conta da arrogância do seu comandante, que desconsiderou o risco de um iceberg. Nada muito diferente do que passamos por aqui, com a chegada da pandemia e o descaso do presidente no combate ao vírus. 

 Bolsonaro está sendo pressionado pelos números. A economia não reage,  o desemprego só aumenta e o coronavírus não dá trégua. Na última live do presidente, dia 25, uma cena patética. Bolsonaro aparece com Guedes querendo demonstrar preocupação com o quadro. Sem ter o que dizer sobre criação de emprego e a volta da normalidade, se limitou a anunciar uma nova ajuda emergencial. Já comentei sobre isso e insisto: sem emprego não há solução.  

Na última quarta-feira (24), o IBGE já tinha divulgado que 9,7 milhões de trabalhadores ficaram sem remuneração em maio por conta da pandemia. Empregos formais, com carteira assinada, que se foram num piscar de olhos. Como essas pessoas vão se adaptar à nova realidade, ninguém sabe. São tempos difíceis, de muitas incertezas e alto risco. Quem tem condições de investir, está se segurando. Já os investidores de fora estão se afastando do Brasil, por motivos óbvios. (*)

Bolsonaro não aprende e nem quer aprender. Em tempos de mar revolto, o que se espera é uma orientação - um rumo. Grandes navegadores como Amyr Klink e a família Schurmann, já mostraram o que fazer para enfrentar as tempestade no mar. Seus feitos, reconhecido por todos, nos ensinam que a saída está na ciência, na tecnologia e no conhecimento. Três temas distantes do presidente.

(*) Bolsonaro ainda conta com 30% de seguidores. Só que o índice deve continuar caindo. O crescente desemprego, o empobrecimento da sociedade e as mortes com o coronavírus, tornam insustentável qualquer governo. Não há fake news e rede de robôs que dê jeito. Ainda mais agora que o Tribunal de Contas da União está apurando pagamento indevido do auxilio emergencial. O  escândalo é grande, envolve mais de 600 mil pessoas.

PS - Segundo Arminio Fraga, que não é comunista, "a renda per capta terá caído cerca de 14%, em 2020. Trata-se do maior fiasco econômico de nossa história".  

quarta-feira, abril 08, 2020

Coronavírus, os efeitos estão aí e os desencontros também

As brigas continuam, idiotices e notícias falsas também. A pandemia está batendo na nossa porta e os grandes desafios estão a caminho. No entanto falta gestão e responsabilidade. Tem gente importante brincando com o vírus. Os números que chegam lá de fora são alarmantes: milhões de infectados, milhares de mortos. Até Trump baixou a guarda diante da calamidade. O Brasil virou piada e se isolou: a Terra não é plana, nem o coronavírus é "gripezinha". 

No blog anterior comentei a minha preocupação sobre os desencontros da área econômica e suas consequências. De forma intuitiva usei a queda do consumo de energia elétrica como referência. Agora, de posse dos números oficiais, dá para dar uma ideia da dimensão do estrago. Nessa semana a CCEE (Câmara Comercializadora de Energia Elétrica) estimou que o consumo de energia no Brasil caiu 8% só na segunda quinzena de março. E no mercado livre que concentra grandes clientes comerciais e industriais, a queda foi ainda maior - 9,4%.

Para quem não é do setor, talvez essa queda significativa não dê a dimensão da crise. Para explicar melhor o ocorrido nada melhor que visualizar o problema. O Brasil é um dos países que mais investiu em parques eólicos. Pelas boas condições de vento que temos, somos o 5° país do mundo nesse segmento. São mais de 600 parques, que somam 15 GW e geram 9% da energia que consumimos. (Fonte: ABEEólica) 

Que coincidência, todos os parques eólicos do país geram 9% da energia que o Brasil consome. Segundo a CCEE, 9%, é o que deixamos de consumir em razão de "gripezinha". Sem comentários.  

segunda-feira, abril 06, 2020

O futuro em risco

Que o Brasil tá sem rumo, todos sabem. Basta olhar as duas crises que estamos vivendo: a do coronavírus e da economia que agoniza. A primeira veio de fora, uma pandemia que chegou em todos continentes. Sobre ela, não há muito à fazer além de nos prepararmos  para enfrentá-la.

Quanto a crise econômica, ela já estava aqui e é de responsabilidade do Guedes.  Um ano e três meses de pura enganação. Os investimentos externos não vieram, o dólar disparou, a bolsa desabou, desemprego aumentou e o Posto Ipiranga virou piada de salão. 

Durante décadas trabalhei no planejamento do setor elétrico brasileiro. Como deputado na Câmara  Federal e no Parlamento do Mercosul, fui membro titular da Comissão de Minas e Energia. Um dos principais indicativos do humor da economia, sempre foi o consumo de energia elétrica nos setores industrial, comercial e residencial.

Na última terça feira, dia 31, me chamou a atenção uma notícia perdida no meio da crise que atravessamos. O governo adia leilões de energia elétrica e atribui a medida a "excepcional mudança de hábitos de consumo". Quanta desfaçatez; ou melhor me engana que eu gosto.

Não houve "mudança de hábito de consumo", como alega o ministério. O que aconteceu foi uma considerável redução no consumo de energia elétrica, já identificada em 2019, com o PIB de 1,1%, agora agravada pelo anúncio do PIB ZERO, em 2020.(*)

O governo precisa agir porque a luz vermelha já acendeu. O baixo consumo levou o preço da energia desabar no mercado livre. A causa é que as distribuidoras fazem contratos de longo prazo e estão com energia sobrando. A demanda por energia nos três setores (industrial, comercial e residencial), caiu significativamente. A conta não fecha e vai ser alta. 

(*) Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel da Economia em 2001 e professor da Universidade de Columbia, em recente entrevista ao jornal Estado de SP, alerta que o futuro do Brasil está sendo colocado em risco.  

quarta-feira, abril 01, 2020

A pandemia e os efeitos econômicos

No mundo todo a pandemia coexistiu com a economia. Até parece uma gangorra, quando o número de infectados sobe a economia desce.  Aqui, Bolsonaro pretende mudar o foco, como se fosse possível no meio da pandemia a economia reagir. 

Sem querer ser pessimista, mesmo sendo vencida a crise epidemiológica, ainda assim vai levar um bom tempo para a economia se estabilizar. Crescimento mesmo, só para o próximo ano. Por isso, insisto na tese do dinheiro novo. Ou, para ser mais direto: imprimir dinheiro. Por exemplo, criar uma renda mínima de um salário mínimo por mês para todos que estão isentos do Imposto de Renda. Essa medida poderia valer até 2022.

Vinicius Torres Freitas, mestre em administração pública pela Universidade de Harvard, é um dos que vem defendendo essa ideia há um bom tempo. No seu último artigo "Na coronacrise, é preciso dar dinheiro", ele mostra que injetar recursos públicos ajuda a combater o vírus e a mover a economia. 

Sua percepção da economia real, feita por 17 milhões de negócios modestos, muitos dos quais já à beira da ruína, precisa sobreviver. Para Vinícius, só com dinheiro novo que lhes chegue sem custo. Como se fosse uma doação, afirma.

Mesmo assim, a retomada vai ser lenta. As pessoas vão estar receosas e terão menos renda. A economia mundial também vai andar devagar. Depois do coronavírus, o mundo vai enfrentar seus efeitos na economia.. Novamente será uma crise global, cuja superação passa por uma sociedade mais solidária  construída sobre novos valores.

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quarta-feira, março 25, 2020

Coronavírus, o que fazer...

Do nada o coronavírus chegou e se espalhou pelo mundo. Dois dos maiores países do mundo, Estados Unidos e Índia, que até então acompanham de longe as movimentações do vírus, passaram a tomar medidas extremas. A realidade nos assusta e suas consequências, mais ainda.

Pelas manifestações que me chegam, boa parte das preocupações é sobre o "day after". O que fazer? A dúvida é de todos e  respostas não existem. O estrago na economia é real e não dá para esconder. No meio que circulo, o setor fotovoltaico, fornecedores e instaladores querem saber o que vai acontecer. Para quem viu a energia solar nascer, é duro admitir que as consequências virão. Material importado, dólar explodindo, consumo de energia em queda e pouca gente em condições de investir. 

As informações são ainda muito especulativas. Tudo vai depender do tempo do vírus. Quanto antes se resolver melhor. Uma projeção do efeito econômico da quarentena na cidade de São Paulo, é de R$ 2 bilhões por semana. Se você for ler a matéria, o número pode ser outro. E a incerteza permanece.

Um artigo recente me chamou atenção. Impensável, antes do corona vírus. Agora passa a ser visto como um novo olhar econômico para o Brasil. Diante do tsunami viral, Vinicius Torres Freire propõe criar dinheiro e doá-lo. Imprimir dinheiro para evitar falências e agir sobre a fome de milhões de pessoas. Claro que é possível, o dinheiro somos nós que fazemos. A Casa da Moeda ainda nos pertence.

O que está sendo proposto, não é nada diferente que os bancos centrais de outros países já fizeram. Na crise de 2008, Estados Unidos, Europa e Japão imprimiram dinheiro para movimentar a economia. Assim financiaram indiretamente seus próprios governos e subsidiaram empresas. O Banco Central americano começou a fazê-lo outra vez, na semana passada.

O debate está nas páginas do liberal Financial Times, a voz do poder econômico global. Seria uma forma de evitar o pior, uma depressão inimaginável, comenta Vinicius Torres.

PS - Imprimir dinheiro para ressuscitar uma economia deprimida era um plano de economistas americanos de esquerda. Quanto a um possível impacto inflacionário, todos  concordam que não haveria. Durante uma grave recessão o consumo é bem mais racional. 

sexta-feira, março 13, 2020

E o PIB não decola

                                             Charge de Zé da Silva

Quando Guedes e Bolsonaro priorizaram a "reforma da previdência", o pacote apontava para a  retomada da economia. Os investimentos externos viriam e com eles emprego e prosperidade. A reforma foi aprovada e as promessas não se concretizaram. Ao contrário, o que se viu foi uma crescente retirada de dólares por parte dos investidores. Só esse ano, antes do coronavírus, cerca de 50 bilhões de reais deixaram o país. 

Numa semana em que a bolsa derreteu e o dólar explodiu, o silêncio do governo é desanimador. A declaração de Guedes, para variar, foi muito infeliz. Só serviu para alimentar a crise. Segundo ele, tá tudo sobre controle. Bolsonaro também não ajuda. Para ele, a pandemia em curso "não passa de uma fantasia". Depois de ter um assessor direto infectado, mudou o discurso.  

Assim como a medicina, a economia exige conhecimento. Ambas dispensam notícias falsas e relações movidas pelo ódio, que só nos afastam de um futuro promissor. O "pibinho" já estava entre nós bem antes do coronavírus chegar. Portanto, são duas coisas distintas a nos atrapalhar. A preocupação está na complexidade, na dimensão e nas consequências das duas situações presentes.

Para Helio Beltrão, engenheiro especializado em finanças na Universidade de Columbia, as bolsas desabaram e o dólar disparou por causa de desatenção com a economia, não do coronavírus. 

Segundo o especialista, a Selic baixa, 4,25%, está incompatível com o cenário de estresse internacional que tem causado fuga de capital e alta do dólar no Brasil. A política do Banco Central de intervenção por vendas de nossas  reservas em dólar não é sustentável. E agora...



quarta-feira, fevereiro 12, 2020

Economia estagnada, só não vê quem não quer

O ministro Paulo Guedes acaba de desqualificar todos servidores públicos da União, ao chamá-los de  "parasitas". Sua inabilidade no trato com as pessoas, só prejudica o país. Foi assim com a  Reforma da Previdência, e será assim com outras reformas que estão sendo anunciadas. Vivemos a era da truculência e da enganação. Até acho que a estagnação da economia, em parte, tem a ver com isso. A leitura que faço, nada mais é que uma observação do quadro atual.

Durante anos trabalhei na área do planejamento energético nacional. Estudávamos o crescimento do mercado e a expansão do sistema. Com essas informações elaborávamos os planos decenais da Eletrobras. Os cenários eram tecnicamente observados e sempre apontavam para o crescimento da demanda de energia, acima do próprio PIB. Como, historicamente, essas projeções se confirmavam: passaram a ser vistas como uma verdade dentro do setor. 

Recentemente a CCEE anunciou o que já se esperava,  uma queda no consumo de energia. A comparação se deu entre a primeira quinzena de 2020 em relação ao mesmo período de 2019. Se alguém ainda tinha dúvida que a economia está estagnada, com essa informação a dúvida acabou. A produção industrial caiu, dólar e combustíveis em alta, trabalhos precarizados e a informalidade se apropriando da mão de obra. Um quadro que nada promissor, que procuram esconder. Só que a enganação não dura para sempre e a truculência cansa.(*)

(*) Não vivemos mais o tempo da eleição. Governar é mais que estar no governo. O povo cansou, o encanto acabou. A realidade agora é outra. 

PS- Um estudo recente do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da FGV, confirma que a crescente geração de empregos informais, é um dos fatores que explicam a queda de produtividade no Brasil. Aliás um tema recorrente aqui no blog. O atraso nos persegue. 


sexta-feira, novembro 29, 2019

Sobre a alta do dólar?

A pergunta tem que ir para a pessoa certa, o responsável pelo Posto Ipiranga. Bolsonaro sempre disse que não era com ele. Portanto, perguntem para o Guedes os motivos do dólar ter chegado a maior cotação desde a criação do plano Real.

Antes que apontem que o culpado é o Lula, nada melhor do que se informar. Afinal, não se tem notícia do real ter perdido tanto valor em relação ao dólar como agora. Como a orientação do governo é se blindar, a busca por resposta ficou muito mais pela intuição do que pela informação.

Para alguns analistas que evitam ser citados, a causa está na queda da taxa básica de juros. Os investidores daqui e de fora se acostumaram com o dinheiro rendendo no banco em razão das altas taxas de juros. Como a fonte secou, buscam novas alternativas. Comprar dólar é uma delas.

Já outros preferem responsabilizar o Trump, que vira e mexe deixa seu amigo Bolsonaro numa saia justa. Alegam que as desavenças nas relações comerciais com a China, trazem incertezas em relação ao rumo da economia mundial. Respeito, mas não penso assim. Está mais para jogo de cena para os dois lados ganharem.

Por último, segundo outras autoridades do governo, o dólar estar sem controle se deve a piora nas contas externas do país. Até pode ser, só que não querem aventar essa possibilidade por um motivo muito simples: foi nos dois governos de Lula que o Brasil construiu seu maior superávit em dólar. Cerca de 370 bilhões de dólares.

Assim, como não há interesse de valorizar governos passados e o atual está blindado, pouco resta a fazer. Cada um vai buscar na intuição a sua resposta. No meu caso, por exemplo, penso que a alta do dólar está associada ao descrédito do Brasil lá fora. Quem tinha dólar aqui, agora tá tirando. Quem ia trazer, agora está desistindo. Resumindo: não existe moeda estável em país instável. Simples assim.    

terça-feira, abril 30, 2019

Guedes diz que somos 200 milhões de patos!

Em entrevista à Globo News, dia 20, o ministro Paulo Guedes afirmou que somos 200 milhões de patos. Independente do contexto,  houve um certo exagero ao generalizar a "patolândia". Que tem muito pato por aí, até concordo com o ministro. Mas por outro lado, se tem alguém que não devia falar dessa "patalhada" toda é o próprio Guedes.


O ministro chegou no governo com todo o poder. Os dias passam e os meses também. O desemprego aumenta e a pobreza cresce. Duas preocupações  diretamente ligadas a uma economia estagnada. A situação se agrava e a pauta continua sendo a mesma: a reforma da previdência. (*)


Para os patos de boa fé, cabe lembrar que a reforma em si não cria emprego e nem move a economia. A mensagem do governo de uma economia de um trilhão de reais em 10 anos, não passa de uma promessa. A "economia" prometida sai do bolso de cada pato que vier a se aposentar. Portanto, se trata de menos dinheiro na economia, restringindo  o consumo de bens e serviços. Simples assim.


Sempre procurei fazer o certo. Já estou aposentado por tempo de serviço e nunca pensei requerer aposentadoria proporcional na Câmara. Ao contrário de muitos que andam por aí, posso expressar minha opinião sobre a reforma da previdência sem qualquer constrangimento. Por isso, insisto: o problema é bem maior que a reforma.  


Se nada acontecer com a nossa economia no curto prazo,  Brasil corre o risco de virar uma Argentina. Em 2015, quando Macri se elegeu, fazia o meu pós grado na Universidade de Belgrano.  O dólar, que na época trocava por 15 pesos vale hoje 45 pesos. A inflação dos últimos 12 meses é de 54,7%. A miséria  nas ruas de Buenos Aires é visível. O governo está parado e a popularidade de Macri não para de cair.


Um dos mais respeitados jornais do mundo, o conservador Financial Times, na semana passada comentou que a Argentina "luta contra uma inflação recorde, desaceleração do crescimento e enfraquecimento da moeda". Segundo a matéria a Argentina é o segundo país com maior risco no mundo, atrás apenas da Venezuela (que ironia).


Assim como Bolsonaro, Macri não assume sua responsabilidade por uma economia estagnada que só faz crescer a pobreza.  Como aqui, Macri  prefere atribuir a crise financeira  ao passado. Se defende atacando os governos anteriores do fracasso da sua gestão.(* *)


O que nos diferencia da Argentina é a nossa reserva em dólar, criada nos governos anteriores. Diante da crise que estamos passando pode ser usada para combater  o desemprego e gerar renda.  Não custa tentar. O tempo corre contra nós.


(*) Em março o número de desempregados voltou a subir. Segundo o IBGE, nós temos agora 13,4 milhões de pessoas desempregadas. Para alguns analistas, o resultado é reflexo de uma economia "anêmica".  


(**)  As centrais sindicais da Argentina estão convocando uma greve geral para hoje. As principais empresas aéreas já anunciaram a suspensão dos seus voos.

    

sexta-feira, julho 27, 2018

Toda a guerra beira à insanidade

Toda a guerra, no sentido mais amplo da palavra, beira à insanidade. Seja ela entre nações, grupos políticos,  facções criminosas , torcidas organizadas e todos os demais conflitos. A do momento,  a guerra comercial de Trump também é assustadora. Não consigo ser simpático a nenhuma delas. Para mim representam o atraso.

No meu último comentário, dia 26, manifestei minha preocupação em relação  a guerra comercial que Trump está impondo ao mundo. Age como um "menino grande", que derruba seu armário cheio de brinquedos sem medir as consequências. No dia seguinte ao registro que fiz, do silêncio nada inocente dos postulantes ao cargo de presidente sobre essa guerra, como por obra do acaso os principais jornais do mundo noticiavam a reaproximação de Temer com os históricos parceiros dos EUA: a União Européia.

ATUALIZANDO (27/7)


Como esperava, a notícia foi comentada nas páginas de economia e do mercado. No espaço reservado a politica, nenhuma observação. "Os postulantes a presidência", só pensam em tempo de TV e coligações obscuras. Como acreditar num próximo governo...


O acordo entre os EUA e a União Européia, pode travar ainda mais as negociações em curso entre o Mercosul e o bloco europeu. Aliás, falando como ex-membro do Parlamento do Mercosul (2003/2007), negociações emperradas há muito tempo.(*)

(*) Segundo José Augusto Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), "o risco é que a União Européia pode querer reduzir o ritmo da já lenta negociação com o Mercosul, de olho num acordo mais interessante com os americanos". Na dúvida perguntem aos nossos presidenciáveis.



sexta-feira, julho 13, 2018

O próximo deficit da União: uma ameaça ao futuro

"Olha lá vai passando a procissão se arrastando que nem cobra pelo chão". A música de Gilberto Gil me veio a cabeça tão logo soube o que fizeram no Congresso Nacional. Não dá nem para dizer que se aproveitaram da nossa distração com a Copa, até porque nos mandaram para casa antes do tempo. O que se viu foi uma maioria despreparada e inconsequente, se arrastando por benesses, pondo em risco a nossa frágil condição orçamentária.

O que esses senhores fizeram, sem medir as consequências, foi consolidar um déficit  bem maior do que o anterior. Segundo especialistas, o vale tudo de ontem na sessão do Congresso Nacional vai inviabilizar o próximo governo. O déficit pode chegar a 260 bilhões de reais. O que impede qualquer possibilidade de crescimento no médio prazo.

Já andei pelo Congresso e conheço bem como as coisas funcionam por lá. Tem gente séria que procura fazer o melhor do seu mandato. Mas quando vejo o que fizeram dia 12, onde uma expressiva maioria ajudou a promover o caos nas contas públicas, só resta a sociedade rezar. O que vem por aí é jogo duro. E não tem nada a ver com a Seleção. O que nos preocupa é o  futuro do país. Para a maioria dos deputados e senadores, pátria amada só quando cantam o Hino Nacional.

PS - Atualizado sábado, 14. Parabéns pela Bélgica. Uma bela campanha. Que o futebol coletivo, presente também na final, nos deixe algum ensinamento. 

OBS - Atualizando domingo, 15. Daqui a pouco começa a final da Copa e vou assistir de sangue doce. Sem estresse. Que vença o melhor. A saída antecipada do Brasil veio a confirmar o que já tinha comentado: não é o futebol que nos deixa alienados. Vejam o que fizeram na última semana no Congresso Nacional. Um estrago! E a sociedade... 

sábado, maio 26, 2018

Que semana tensa: desgoverno e fake news.

Quando deixei a praia do Cassino, na segunda-feira passada, sem pressa para chegar, logo me deparei com a primeira grande manifestação de caminhoneiros na entrada de Pelotas. Como já relatei, foram quase 1000 km ao longo da BR 101 registrando protestos de toda a natureza. Uma experiência  única para um blogueiro caseiro. Pura coincidência: "repórter por um dia", no meio do furacão que parou o país. Tudo ao vivo e a cores.

De tudo que presenciei, o que mais me preocupou foram as chamadas "notícias falsas". Uma arma contra a cidadania. O seu alcance é devastador. Seus autores, inconsequentes e insanos agem de forma pensada. O alvo pode ser você, um determinado grupo de pessoas ou a sociedade como um todo. Logo que cheguei no gabinete do prefeito de Imbituba, que me aguardava para uma reunião (*), o alvoroço era grande. O assunto era um vídeo que mostrava tanques do Exército se aproximando de Tubarão para retirar os caminhoneiros da estrada(**). Como tinha acabado de passar por Tubarão e não havia nenhuma movimentação do Exército em toda a BR 101, foi fácil desmentir.  Só que o clima de insegurança e pânico que queriam criar: estava criado.

A mesma intenção de provocar o caos, se repetiu ao longo da semana  em relação aos super mercados e postos de gasolina. Novamente, as redes sociais se encarregaram de agravar a crise via as "Fake News". Quanta insensatez. Diante da falta de governo, tudo fica mais fácil. As notícias falsas ganham certa veracidade e se espalham numa velocidade assustadora. 

(*) A reunião em Imbituba era para tratar  da primeira Usina Solar Municipal.

(**) Na sexta-feira, Temer ameaçou colocar o Exército nas estradas. Na mesma hora o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, declarou: governo fraco é que costuma usar a força. Chega ser patético o desencontro entre os Poderes, num momento grave como esse. Se juntaram para colocar Temer e agora não sabem o que fazer com ele.


ATUALIZANDO - domingo, 27. Dia de muito sol em Florianópolis. Por coincidência, na Ilha, mais uma prova do IRONMAN. Sempre trafegar nesse dia é um caos. Quem mora aqui sabe do que estou  falando. Como no sábado tinham anunciado - mais uma vez - o fim da greve, nada como checar nas principais ruas e estradas a veracidade da informação. Como o anunciado pelo governo não se confirmou, mais incertezas sobre o fim da paralização o "desgoverno" criou.


PS - As fotos acima, tiradas no domingo, às 14 horas, mostram os efeitos da greve. A Madre Benvenuta, principal avenida da Bacia do Itacorubi, estava deserta (primeira foto). Já a foto do meio, fala por si: rodovia Admar Gonzaga, que liga o Itacorubi com a Lagoa da Conceição, completamente vazia. Passam por ela 22.000 veículos por dia. Por último, a SC 401. Conhecida por seus constantes engarrafamentos, é a rodovia estadual mais movimentada de Santa Catarina. Passam por ela mais de 40 mil veículos por dia. Mesmo com duas pistas interrompidas por causa do IRONMAN, o movimento que havia era em função da prova. 

sexta-feira, maio 25, 2018

Os caminhoneiros e o desgoverno

Uma única certeza vem da greve dos caminhoneiros: o desgoverno é real. Agora todos alegam que foram surpreendidos.  A corda está apertando e não tem plano B. Como observador de ruas e estradas, mesmo sem ser especialista em nada, quando vi os agricultores se juntaram ao movimento e levarem suas máquinas para a estrada, como em Araranguá (foto abaixo), comentei com os meus botões: que encrenca.



Quando estive em Imbituba, os dois trevos da cidade portuária estavam bloqueados (foto abaixo). Os navios ao largo aguardavam a  vez para atracar. O que todos querem saber é sobre a extensão do possível acordo. A trégua anunciada é provisória. Como sempre, meias verdades estão sendo ditas. Em relação ao dólar, a Petrobrás e a politica de preço dos combustíveis. Enfim, até o próximo sufoco.



As consequências da paralisação chegaram nas estradas, nas ruas e no dia a dia das pessoas. A origem de tudo partiu dos caminhoneiros autônomos, sem vinculação com as grandes transportadoras. Uma greve sem líderes e com forte adesão. O governo foi surpreendido pela mobilização, o que é lamentável. Sem informação e sem iniciativa, deu no que deu.

quinta-feira, maio 24, 2018

Protesto dos caminhoneiros avança pelo país

Na quarta-feira, durante o meu retorno pela BR 101, pude testemunhar o quanto ganhou força o protesto dos caminhoneiros. Ainda no Rio Grande do Sul, em Terra de Areia, já dava para perceber que o movimento era forte. (foto abaixo)

No terceiro dia de greve em Torres, na fronteira com Santa Catarina, mais caminhões parados. (foto abaixo)


Mais à frente, em Araranguá, os caminhoneiros ganharam o apoio dos agricultores. Em Imbituba, nos dois trevos, tudo parado. Com a prefeitura sem diesel para os ônibus escolares, o prefeito estava para anunciar a suspensão das aulas até sexta-feira. Outra consequência da paralisação é a falta de combustível nos postos. Grandes filas de carro se formavam ao longo da estrada.

Enquanto o caldo engrossa, o governo bate cabeça. Até aí nada de novo.

PS- O diesel já subiu 56% nos últimos 10 meses. Em três meses, a gasolina subiu 24% . A inflação anual ficou em 3%. Os números falam por si. E legitimam a luta dos caminhoneiros.