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segunda-feira, abril 08, 2024

Ditadura nunca mais, no STF: 11votos a ZERO

 

                                          Tentaram mas não levaram: ditadura nunca mais

Talvez o fato mais importante da semana que passou, foi a formação de uma sólida maioria contra o "poder moderador" das Forças Armadas. A esdrúxula tese nasceu quando os seguidores mais próximos do capitão, foto acima, perceberam que a eleição ocorreria, que as urnas eram seguras, e que os eleitores em sua maioria iam votar no primeiro e no segundo turno no Lula. Pelo menos não erraram na avaliação, foi exatamente isso que aconteceu. Diante da derrota - já prevista - por trás dos bastidores tudo fizeram para que o resultado das urnas não fosse validado. Até um golpe foi tentado.

Depois disso vem a história relatada pelo coronel Cid, que abalou o alto comando e expos o capitão e a sua turma a uma situação vexatória. Sem qualquer pudor e respeito a Constituição apelaram para o "poder moderador" das Forças Armadas. Algo que não se sustenta em qualquer país democrático. Certo está o ministro Flávio Dino, do Supremo Supremo Tribunal Federal, que nos lembrou no seu voto que não existe um poder militar. Pela Constituição as Forças Armadas estão subordinadas ao presidente da República. (*)

Num momento de preocupação com a nossa democracia, muito festejada após o resultado das eleições de 2022, é preciso registrar e comentar a importância de o STF sepultar o que as forças mais atrasadas e reacionárias pretendiam trazer para o palco das narrativas e armações antidemocráticas. O governo constituído é civil, ponto final. Os militares não estão autorizados a moderar conflitos entre os Poderes da República. Diante das movimentações suspeitas na região, a posição unanime do Supremo veio em boa hora. 

O Brasil por muito tempo esteve nas mãos dos militares, foram duas décadas de uma dura repressão. Até agora não se sabe tudo que passou, já os militares sabem e pelo jeito gostaram. Sem nenhuma tensão de fronteira, o Brasil é a segunda maior força militar da América, ficando atrás apenas dos EUA. Ao que consta no recente episódio da tentativa de golpe a cúpula militar pró golpe chegou a sondar o governo Biden sobre suas intenções, mas não houve acolhimento. Sempre é bom lembrar que por lá esse ano tem eleições. 

Portanto, é bom estar atento. Quando a luta pelo poder é insana, as armadilhas brotam do nada. As redes sociais proliferaram e funcionam sem qualquer controle. Aliás, é o que vem fazendo o dono delas durante toda a semana. Elon Musk, que nem cidadão brasileiro é, definiu como seu inimigo mortal, Alexandre de Moraes. Patético, uma coisa é a  liberdade de expressão, um dos principais pilares da democracia, outra coisa é a mentira e a má fé soltas por aí nas redes sociais. A posição do Supremo é uma garantia para a nossa jovem democracia:  ditadura nunca mais. (**)

(*) Para os que conviveram com o grande artífice da Constituição, o saudoso Ulisses Guimarães, sua aversão à ditadura esteve sempre presente na Carta Magna. Nada  de diferente poderia vir do Supremo Tribunal Federal. 

(**) No dia 8 de abril de 2024, a decisão tomada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, sem vacilos, por unanimidade, acaba com qualquer possibilidade de golpistas de plantão se utilizarem de artifícios obscuros para darem as Forças Armadas o poder moderador.  Se encerra assim mais uma tentativa escandalosa de se apoderar da vontade soberana do povo.

PS - Milei vem dando sinais de pautar a ditadura sangrenta que o povo argentino enfrentou, como algo positivo. Não foi por acaso que escolheu como vice, Victoria Villaruel, filha de um militar envolvido na dura repressão ocorrida na Argentina.  O exército argentino não se recuperou da Guerra das Malvina, está sucateado e militarmente enfraquecido. Com o país economicamente falido e sem apoio político, Milei busca reverter o jogo criando situações midiáticas descabidas.    

  

quinta-feira, fevereiro 29, 2024

Rio (10/4/1984) X Av. Paulista (25/2/2024), que retrocesso ...

       Leonel Brizola e Tancredo Neves discursam pelas DIRETAS no centro do Rio (10/4/1984 )
                                              Vidal da Trindade - Acervo CPDoc FGV

Quis o destino que em 1984 fosse com a família estudar no Rio de Janeiro. Em função do que fazia na Eletrosul, fui fazer os créditos do mestrado em planejamento energético na COPPE/UFRJ. Por uma feliz coincidência um ano de muita agitação política. A sociedade estava tomada por um sentimento de liberdade, motivada pela campanha das DIRETAS JÁ. De janeiro a abril daquele ano, o povo estava nas ruas. Grandes nomes da política arrastavam multidões. Segundo informações coletadas, mais de 5 milhões de brasileiros participaram das manifestações. O Rio era o grande palco. (*)

No dia 10 de abril a cidade parou. No final da tarde mais de um milhão de pessoas concentraram na Avenida Presidente Vargas. Queriam ouvir os seus líderes, queriam exercer a cidadania. Naquela época não havia nada que facilitasse a chegada dessa multidão: não tinha caravana de ônibus, lanche para o povo, voucher deslocamento e outros atrativos. Quem estava ali, queria ter o direito de votar para presidente da República. No ar daquele fim de tarde e chegada da noite, se respirava liberdade.

O tempo passa, mas as imagens daquele dia 10 não me saem da lembrança. Às vezes me pergunto, como se formou aquela multidão. Quem eram aquelas pessoas, de onde vieram, como ocuparam a Presidente Vargas de ponta a ponta. Não havia celular, o primeiro foi lançado em 1990. Internet, nem pensar. Redes sociais, Whats App, robôs propagadores de notícias falsas, pra época tudo pura ficção. (**)

Na Avenida Paulista, domingo, 25, acompanhando os novos tempos da política do maniqueísmo, as manifestações foram em prol da anistia dos condenados que agiram contra a democracia e os Poderes da República. Que tristeza, como regredimos. Os pronunciamentos vazios, sem qualquer conteúdo político ou preocupação com o futuro do país, não passavam de palavras de ordem para animar uma massa convocada para dar uma sobrevida a um mito desgastado e assustado.

Com todo o esforço que fizeram, apenas quatro governadores estiveram presentes. Três de olho no lugar do capitão, por ordem alfabética: Caiado, Tarcísio e Zema. Os outros que tiveram acesso a palavra, ou rezaram ou insultaram seus desafetos. Para os que estavam  lá, a culpa é do "Xandão" e não adianta explicar. Ninguém quer saber que as provas dos crimes cometidos saíram da boca do fiel escudeiro do capitão Jair, o coronel Cid. Gente amarga incapaz de se dobrar aos fatos, que não se importa de conviver com a mentira. (***)

(*) Na COPPE conheci e fui aluno do professor Luiz Pinguelli Rosa (1942/2022). Físico, professor e  pesquisador da UFRJ. Membro da Academia Brasileira de Ciências e ex-presidente da Eletrobrás. De aluno viramos amigos, sempre nos apoiou no Instituto IDEAL.    

(**) No meio da tarde do dia 10 de abril sai do Fundão mais cedo. A viagem levava uma hora até o centro e o coração batia forte. Quando desci na Candelária a multidão já estava aquecida. A capa do jornal O Globo do dia seguinte era "A cidade faz por Diretas seu maior comício".

(***) Durante a semana algumas polêmicas foram levantadas sobre o número de participantes no ato da Paulista. Não importa o número, o objetivo do encontro foi atingido: ter imagens para mostrar lá fora uma força que o capitão não tem mais.  

PS - Em relação ao ato do dia 25 na Paulista, a Universidade de São Paulo, a USP como é conhecida, fez uma pesquisa sobre o perfil das pessoas que estavam na manifestação. Os presentes são da ultra direita, sem vida política/partidária, são brancos, classe média alta, não valorizam a democracia, flertam com a ditadura e não mudam de opinião. Felizmente, segundo a pesquisa, representam uma pequena parcela da sociedade.     

  

sexta-feira, fevereiro 23, 2024

Eles sabem o que fizeram - parte III

                                                             Foto: agência Senado 

O então ajudante de ordem do capitão Jair, não aguentou a pressão. Ao abrir a boca o coronel Cid deixou o capitão sem ação. Com as informações nas mãos, o cerco se fechou. A Polícia Federal convocou para depor, dia 22/2, o ex-presidente e sua tropa de choque. Pela responsabilidade e repercussão internacional do caso, dificilmente a PF deixou algum fio  solto. A sociedade está atenta e aliviada pelo fracasso do golpe. O Brasil respira e quer democracia, agora é fechar a porta do atraso e seguir em frente. 

A volta da normalidade pode ser observada na tarde de ontem em Brasília. No mesmo dia que o capitão e seus generais, optaram por ficar em silêncio no inquérito da Policia Federal, sobre o golpe de 8 de janeiro, Flavio Dino que teve um importante papel protegendo a democracia, tomava posse como ministro do Supremo Tribunal Federal.

O fato de que nada do ocorrido balançou o país, é muito positivo. O Brasil tem encarado seus desafios, que não são poucos, com uma grata maturidade que só vem com o tempo. Se o silêncio dos depoentes foi uma estratégia de seus advogados, a leitura a ser feita é que nada tinham a acrescentar nas suas defesas. Em outras palavras, o que está gravado são provas irrefutáveis da gravíssima opção que fizeram: tramaram à luz do dia dentro do Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo, contra a própria Democracia. 

Quando o coronel Cid foi preso, já estava traçado o destino do capitão e sua turma. Cid sabia demais, só que a sua aparente fidelidade não aguentou dois meses de prisão. Ao abrir a boca expôs todo o grupo. Ainda sem ter sido julgado, Cid já está pagando a sua pena no isolamento de dias intermináveis e no vazio de suas noites de insônia. O coronel provavelmente se inclui na lista daqueles que o general Braga Neto vem chamando de cagões, são seus pares de farda que gostavam do lugar que ocupavam e das benesses que recebiam. Segundo Braga Neto, quando precisou do apoio deles roeram a corda. 

A surpresa do dia 22 ficou por conta de Valdemar da Costa Neto e Anderson Torres, que deixaram os fardados isolados. Ambos resolveram responder as perguntas da PF sinalizando a disposição de colaborar com o inquérito. Provavelmente orientados por seus advogados, o que se espera são novas versões sobre a gravidade do que os golpistas tramavam no Palácio.  Eles sabem o que fizeram.      

quinta-feira, fevereiro 08, 2024

Eles sabiam o que estavam fazendo ...

                      Matheus Mayer Milanez e Augusto Heleno (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

A foto acima do general Heleno, tendo ao lado quem imagino ser seu advogado, fala por si. Todos em volta de Bolsonaro sabiam o que estavam fazendo. Não tem ninguém inocente no bloco dos trapalhões. O golpe que deu errado, nos tirou do destino que tinham traçado, transformar o Brasil na pior das "republiquetas". Em 2018 mantiveram Lula preso para eleger o "sem noção". Depois foi o que se viu, um despreparado  presidindo um país complexo como o nosso. 

Quando veio a covid, com dois anos de negação das vacinas,  o que se viu foi uma tragédia humana: mais 700 mil brasileiros mortos. Para entender o desatino, num curto espaço de tempo cinco ministros da Saúde foram nomeados, para explicar o inexplicável. Até hoje não se sabe porque tanta falta de amor próprio por um cargo. Ao aceitar o convite sabiam o que estavam fazendo. Aliás, depois da fatídica reunião ministerial de 22 de abril de 2022, quando Salles ganhou seu minuto de fama propondo abrir a porteira para passar a boiada, nenhum membro do governo pode alegar que não sabia o que estavam fazendo.

Quando vazou o escândalo das joias e dos presentes desviados, o ex-ministro das Minas e Energia, o almirante Bento Albuquerque, se escafedeu. Ninguém mais fala nele, um desqualificado que tentou enquadrar um funcionário da Receita, com intuito de burlar a Lei. Esse péssimo exemplo de um almirante e então ministro da República, acabou com qualquer possibilidade de um governo tão medíocre renascer. Todos sabiam muito bem o que almirante Bento estava fazendo. 

Os sinais de que a casa estava caindo apareciam a todo instante. A cada semana um escândalo. O Gabinete do Ódio, instalado no próprio Palácio, era o escritório onde despachava um vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro. O que fazia um vereador do Rio em Brasília, boa coisa não era. No mínimo uma evidente disfunção. Só que agora "Carluxo" como é chamado nos bastidores, está na mira da Polícia Federal. Todos do núcleo de poder sabiam o que ele estava fazendo lá.

Aos poucos as verdades estão aparecendo e os envolvidos no golpe estão sentindo na pele as consequências. Nunca vamos esquecer a gravidade do que houve. Imaginem um avião da FAB, que já serviu para carregar joias e drogas, decolar, sem um motivo aparente, levando um presidente "fujão", ministros e assessores para passar as festas de Fim de Ano na Flórida.  Coisa mais estranha. Se o golpe do dia 8 de janeiro de 2023 desse certo, eles voltariam num avião da FAB, cercado pela Esquadrilha da Fumaça, dando rasante nos céus de Brasília. 

Só que os "trapalhões", se atrapalharam. O caminhão bomba estacionado em frente ao Aeroporto de Brasília, chamou a atenção de um curioso e o grande ato simbólico do terrorismo da extrema direita tupiniquim, deu ruim. Os homens bomba estão presos e os mandantes torcendo para que não façam delação premiada. Aliás, depois do Mauro Cid e agora do Ronnie Lessa, não falem em delação premiada perto de alguém do núcleo duro do ex-presidente. Só de pensar entram em pânico.

"Eles sabiam o que estavam fazendo", pode virar o que a gente quiser: um livro, um documentário, uma mini série ou mesmo um filme. Moro que faz parte dessa trama da nossa recente história,  policialesca e ao mesmo tempo política, já teve o seu minuto de fama. O ex-ministro, abandonado pelos seus pares, está prestes a ser cassado - pelo que fez. Que o mundo dá volta, todos nós sabemos. Só que aqui a reviravolta se deu por um sentimento da sociedade que acordou a tempo. Foram apena dois milhões de votos de diferença, alegavam na época os que perderam. Agora, sabendo o que fizeram, fica o nosso mais profundo agradecimento para esses dois milhões de brasileiros - a mais - que nos tiraram do pior destino que uma nação pode ter,  a maldade como política de Estado. 

Ao longo de ano de 2023, o pressentimento que algo estava por vir logo virou uma certeza. A normalidade do país era o sinal que que as forças democráticas esperavam. Com milhares de provas documentadas, a delação premiada de quem fazia tudo para o "chefe", o coronel Cid, o trabalho exemplar da Polícia Federal, a determinação do ministro Alexandre de Moraes, o visível enfraquecimento do ex-presidente junto as Forças Armadas e a sociedade, estavam sendo monitorados. O presidente Lula pouco se manifestava sobre os malfeitos dos golpista. Sempre alegava que se tratava de um problema da Justiça e da polícia. O presidente estava certo, quando deflagaram a operação "hora da verdade" os foliões já estavam nas ruas se divertindo abrindo alas para o Carnaval passar. Nada é por acaso.   

 


segunda-feira, outubro 02, 2023

Como será o amanhã...

                                        
                                         Amazônia seca: 60 cidades sem acesso

Por uma necessidade de limitar a análise sobre o amanhã, o foco é o Brasil. Num setembro escaldante, com registros de temperaturas em pleno inverno acima de 40 graus, seca no Norte e enchente no Sul, as intempéries climáticas são mais frequentes e descontroladas. O que traz, obviamente, muita insegurança a todos nós. A previsibilidade sobre os fenômenos naturais, a extensão da tragédia e reduzir seus efeitos, ainda deixam a desejar. Quase sempre a resposta vem depois do ocorrido, sem que os atingidos sejam devidamente atendidos. Portanto, honestamente, não se sabe como será o amanhã. (*) 

Na economia e, principalmente, nas relações exteriores, o Brasil tem mostrado uma melhora significativa. O mês de setembro confirma o bom momento e traz esperança de volta. O país volta a ter protagonismo lá fora, graças a boa relação do presidente Lula com seus pares. Internamente, o ministro Fernando Haddad, de forma professoral, tem convencido o mercado de suas boas intenções, construindo dessa forma indicadores econômicos consistentes e positivos para o país. (**)

Em outro Poder da República, a presidenta do Supremo Tribunal Federal, ministra Rosa Weber, na última semana de setembro, passou o cargo para o ministro Luís Roberto Barroso. Justamente ali, na sede de um dos Poderes da República, onde nove meses atrás vândalos ocuparam, destruíram e ameaçaram os ministros da Corte. Por coincidência, o mesmo local onde agora os amotinados estão sendo julgados pelos crimes que cometeram. 

Nesse mesmo dia, 28, bem perto dali, um outro Poder da República, o Legislativo, aprova uma Lei sobre o Marco Temporal em terras indígenas, contrariando a posição do Supremo que acabara de julgar a matéria como inconstitucional.  A independência dos poderes pode gerar situações como essa. O presidente Lula pode e deve vetar a Lei.  Tudo isso faz parte da democracia. O que não faz parte da democracia são as ameaças que estão de volta nas redes sociais aos indígenas e a todos que os defendem. Para essas pessoas, que se alimentam de ódio e só pensam em si, "não tem amanhã". 

Com muita preocupação observamos um Congresso desfigurado, descolado da sociedade. Os temas pautados são determinados por  algumas bancadas, que por sua vez se tornaram mais fortes que os próprios partidos. Sem qualquer pudor, boa parte dos congressistas não se importa com o papel que faz. Só sobem a tribuna para serem gravados nos celulares dos seus assessores, que se encarregam de postar nas redes sociais as insanidades do patrão. Zombam dos princípios democráticos, ao fazerem política e aparições públicas carregando nas mãos suas metralhadoras. Se andar armado dá voto é porque alguma coisa está fora da ordem. Essa observação cabe para presidente, governador, senadores e deputados. (***) 

Quem pensa no amanhã, tem que se preocupar com o que vivenciamos nos  últimos cinco anos. O Brasil é um país jovem e promissor, que não pode ficar submetido a desinformação em época de eleição. Em 2018 um medíocre deputado federal, se elegeu. presidente da República. Na época poucos sabiam quem era, embora estivesse na Câmara por quase trinta anos. Quando tentou ser presidente da Casa, pasmem, teve quatro votos. Um sem noção, que por onde passou boas lembranças não ficaram.

(*) Toda a vez que nos deparamos com uma tragédia natural, sempre vem a sensação de que poderia ser evitada. No entanto, elas são mais frequentes e mais destrutivas. Até quando .

(**) Segundo o IBGE, a massa salarial aumentou 5% em relação ao ano passado. O emprego formal, com carteira assinada, também cresceu quase isso. O desemprego é de 7%, o menor índice desde 2015.

(***) Não vote em quem faz campanha com arma na mão. Arma mata. No ano que vem temos eleições municipais, valorize o seu voto. Aqui em Florianópolis com a cidade à venda, vote em quem quer preservá-la. Simples assim, pense no amanhã.  

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sábado, setembro 09, 2023

Nossa gratidão em quem votou no Lula



Depois do "dia dos insanos", 8 de janeiro, até o Dia da Independência, 7 de setembro, muita coisa aconteceu. Com certeza foram os meses mais tensos e ao mesmo tempo mais importantes, da história recente do país. Quando, segundo o TCU, o avião da FAB foi utilizado irregularmente para amoitar o então presidente na Flórida, já se sabia que as intenções eram as piores possíveis. Agora, com a delação anunciada do seu ajudante  de ordem, Mauro Cid, muita coisa vai ser esclarecida. O que se espera de alguém preso, por envolvimento direto com tudo que aconteceu durante o governo passado, é a verdade. Uma longa história que começou nas eleições de 2018. De uma republiqueta que se formou em Curitiba, do gabinete do ódio dentro do Palácio, das 700 mil mortes por covid, das ameaças durante as eleições de 2022, da negação do resultado das urnas até se chegar a um golpe contra a democracia. Sem esquecer, obviamente, o escândalo das joias.

À rigor, Mauro Cid não vai contar nada que não se saiba, só que - politicamente e judicialmente - é fatal. A farsa que alguns insistiam em não ver, ficará exposta ao tempo. A canalhice que envergonhava o país,  será extirpada pelo coronel mais próximo do então presidente. Esse inesperado desfecho, vai desarmar pessoas e espíritos que ainda perambulam por aí. Como a reforma política não chega, governadores ainda fazem campanha "armados" com metralhadora. Jamais isso poderia dar voto. A insustentável fragmentação partidária com 35 partidos e muito dinheiro envolvido, ainda permanece. O esforço pela valorização do voto e em defesa da democracia deve ser perene; a sociedade  precisa incorporar o seu papel nessa história.

Portanto, nossa gratidão em quem votou em Lula. Homens e mulheres, de todas as idades por todo o país, que foram as urnas, mesmo quando constrangidas por agentes do Estado. Que enfrentaram a mais sórdida das campanhas que implantavam mentiras nas redes sociais, através de robôs. Que fizeram de tudo para desmoralizar o Brasil e seu confiável sistema eleitoral. Que quando perceberam a vitória dos que defendiam a democracia, não titubearam em planejar e articular o pior dos mundos - o golpe de Estado. O que teria sido então de nós, como Nação, como sociedade. Que humilhação perante o mundo, a maior democracia da América Latina abrir mão da sua liberdade. 

PS - Por isso, que "desarmado", pergunto à todos: já pensaram no tamanho do buraco, se o resultado fosse outro.... 

quarta-feira, fevereiro 01, 2023

Janeiro de 2023, um mês para ficar na história

 

                        Lula recebe o chanceler alemão Olaf Scholz. Foto: Ricardo Stuckert

Nos EUA o segundo principal feriado nacional é em janeiro. O dia é definido por Decreto Presidencial todos os anos. O homenageado é Martin Luther King, um pastor batista que se tornou o principal ativista político da causa negra até o seu assassinato em 1968. Todos os anos as principais universidades americanas promovem uma semana de discussão sobre a sua história e a importância do seu legado.

Por coincidência estava na Universidade do Texas, em Austin, quando ocorreu a semana MLK em janeiro de 2018. Agora, também por acaso, durante o mais turbulento janeiro da nossa história, estava em Madison na Universidade de Wisconsin. Depois de quatro anos de desgoverno sabia que iam aprontar. Só não imaginava que houvesse tanta cumplicidade e tanta ousadia a ponto de transformar a capital federal numa mini cidade de golpistas e criminosos.

O que se passou naquele dia 8 de janeiro de 2023 em Brasília não pode ser esquecido. No domingo anterior a magnífica cerimônia da posse de Lula com repercussão no mundo todo, não podia ser enlameada por um bando de insanos com a visível conivência das forças de segurança responsáveis para proteger os bens públicos da República. Com certeza foi o pior dia da nossa história recente.

Um bando de alucinados se juntou para derrubar um governo recém eleito. Gente de todo o tipo, arrebanhados como gado, a serviço de inescrupulosos da pior espécie. Os mandantes e financiadores da barbárie estão sendo identificados e presos. Para o bem do país o governo agiu rapidamente. O afastamento do governador do Distrito Federal, Ibaneis Barros, e a prisão do seu Secretário de Segurança, o ex-ministro da Justiça Anderson Tores, se deu no momento certo.

No dia seguinte, 9 de janeiro, o Brasil era outro. As novas  manifestações de rua pró golpe em outras capitais não vingaram, os militares recuaram e o capitão fujão continuava em férias na Flórida, nos EUA. O presidente Lula não perdeu tempo e em poucos dias mostrou a todos porque se elegeu. (*)

O que não aconteceu em quatro anos, Lula fez acontecer em três semanas: duas reuniões com todos os governadores, ministros devidamente empossados, países vizinhos visitados, recepção com  assinatura de vários acordos de cooperação com o chanceler alemão Olaf Scholz e a atenção especial a tragédia dos yanomami. Só não vê quem não quer. (foto acima)

Se o golpe previamente organizado com a conivência de muitos não fosse abortado, o nosso destino estava traçado: seríamos hoje a maior republiqueta do mundo, com mais de 200 milhões de pessoas! Por isso deixo como sugestão que o dia 8 de janeiro seja uma data oficial para se debater "A DEFESA DA DEMOCRACIA". Quem sabe o ministro da Justiça Flávio Dino goste da ideia. Não custa tentar.

(*) O capitão Jair está atrás de um novo visto para ficar mais tempo nos EUA. Até onde sei, não é bem-vindo. Ao solicitar essa nova condição, o ex-presidente está reconhecendo sua culpa. Quem diria, o todo poderoso tem que se explicar lá e aqui. Seus seguidores por essa não esperavam. O mito virou mico. 

PS - A defesa da democracia tem que estar presente entre nós. O Brasil não tem motivos e nem razão para ter o segundo maior exército do continente americano. Só perde para os EUA. Nossa última participação num conflito armado com vizinhos foi na guerra do Paraguai, de 1864 a 1870. Historiadores estimam que entre civis e militares 400 mil "hermanos" morreram na guerra. A guerra é o pior dos mundos, uma  tragédia para todos. O conflito Rússia/Ucrânia vai completar um ano sem vencedores, só mortos. Não se pode militarizar governos. O gosto de se perpetuar no poder aparece.  Uma parcela considerável da sociedade ainda não entendeu o que estava em jogo no Brasil. Parte se deve aos "ceo's de robôs" que inundaram as redes sociais com notícias falsas. O pior já passou, mas é preciso estar atento.