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segunda-feira, janeiro 25, 2021

Apesar de Trump e Bolsonaro - a ciência está vencendo o atraso

 A história vai tratar de cobrar as mortes nos Estados Unidos (+400mil) e no Brasil (+200mil). Justamente as maiores economias da América, pasmem, são as recordistas mundiais em mortes por covid 19. Apesar do fracasso de Trump e Bolsonaro, em razão das suas sandices e a má gestão que fizeram, as duas nações vão sobreviver. As vacinas estão chegando e a ciência está vencendo o atraso. O que é muito bom. Nos EUA, Biden tomou posse sem grandes confrontos. Por aqui, as pessoas estão acordando e se afastando do que Bolsonaro representa. Finalmente...

Hélène Landemore é professora de ciência política da Universidade de Yale desde 2009. Para ela a democracia já estava em coma antes de Trump. Afirma que a desigualdade social é o que gera ressentimento e, por consequência, inflama o populismo. Sem uma resposta concreta que reduza as desigualdades, novos confrontos virão. No que concordo.(*)

Reduzir as desigualdades tem que ser visto como prioridade do Estado. Claro que para isso tem que se ultrapassar limites, ainda mais partindo de congressos conservadores, cujos membros representam - majoritariamente - as classes mais abastadas da sociedade.  

 A volta da chamada "normalidade", não  tem nada de normal. Ao meu ver, o mundo pós covid será outro. No Brasil a desigualdade é um dos nossos maiores problemas. O desemprego não vai se resolver facilmente, a sociedade está dividida e empobrecida. Afora isso, temos pela frente uma eleição, a guerra das vacinas e as consequências da pandemia.

O futuro, que tanto preocupa o papa Francisco:  é uma incerteza. Antigamente não faltavam pensadores. Suas diferentes visões de mundo, muito contribuíram para a humanidade. Agora são poucos à nos fazer refletir. O Papa é um deles, sabe da importância do papel que tem e defende suas ideias. Dá para dizer que as grandes mensagens que nos chegam - vem através de Francisco.

Quando assistimos os desatinos de Trump e de Bolsonaro, precisamos manter a lucidez e resistir. Apesar deles, a vida segue. Um já se foi, falta o outro. (**)

(*) Hélène Landemore, 45, tem mestrado em ciência política pela Sciences-Po e em filosofia pela Sorbonne-Paris 1. Doutorado em ciência política pela Universidade de Harvard.

(**) Segundo Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, a popularidade de Bolsonaro desaba em 2021. Em dois anos, a reprovação de Bolsonaro chegou a 40%. No mesmo tempo de mandato, FHC tinha 12%; Lula estava com 13%; Dilma 7%.

segunda-feira, novembro 18, 2019

O que vai ser da América Latina?



Protestos no Chile. Autor: Carlos Figueroa

Para aonde vai a América Latina é uma pergunta sem resposta. Aparentemente nos unir seria o óbvio. Uma região que tem todas as condições de dar certo, com água potável em abundância, terra fértil, uma biodiversidade que a todos seduz, uma cultura diversa e uma língua quase que única. (*)

Quando fiz parte do Parlamento do Mercosul, já me incomodavam as barreiras que havia. Pouco se fazia para uma integração mais efetiva. O Brasil, por ser o maior país do bloco, nunca entendeu o seu papel regional. De todos os países da América do Sul, éramos nós que tínhamos essa condição. E os erros continuam. Fechamos as portas para a Bolívia,Venezuela e, em breve, para a Argentina.

Para quem não sabe, a Bolívia é a nossa maior área de fronteira, nos abastece de gás e tem a maior reversa de lítio do mundo (**). A Venezuela está situada num ponto estratégico da América do Sul, por sua proximidade com a América Central e o Caribe. Suas reservas de petróleo estão entre as maiores do mundo. Em comum com esses países temos também a Amazônia e todas as suas riquezas. 

Porque então não nos agruparmos como latinos que somos?

A primeira impressão que se tem é que não querem. Infelizmente, o que estamos assistindo nesse ano de 2019 confirma isso. As explosões sociais estão por todos os lugares e vão continuar pautando a política global. Os governos estão sem rumo e uma boa parte da população sem perspectiva. Ou alguém acha que as manifestações que perduram no Chile se deve ao reajuste de 30 centavos de peso nas passagens do metro? Acordem!

Reprimir com a violência nunca deu certo. Ficar criando partido também não. Se autoproclamar presidente é uma insanidade. Quando os conflitos se acirram, só algo novo pode ajudar. E a sociedade precisa acreditar que as mudanças virão e a esperança também. Não é um caminho fácil e nem tarefa para aventureiro. Tem que ter um olhar de estadista, com a  percepção e a dimensão do vazio que se criou entre o Estado e o povo. Só assim é que a América Latina vai poder se encontrar com o futuro.  

(*) Na América Latina somos os únicos que falamos português. Há de se reconhecer que é mais fácil de entender o espanhol que o polonês.

(**) O futuro dos carros elétricos passa pelo lítio. O interesse de grandes multinacionais pelo valioso lítio da Bolívia não é de hoje.

quarta-feira, novembro 13, 2019

Libertação e renúncia

                                Foto Domingos Tadeu em janeiro de 2006.

Pode até ser coincidência, no dia seguinte à libertação de Lula, na Bolívia, Evo Morales renúncia. Dois líderes sindicais que governaram seus respectivos países com um olhar para o povo. Lula, o presidente brasileiro com melhor avaliação até hoje, não se aventurou a estender seu mandato por mais tempo. Já Evo, também considerado o melhor presidente da Bolívia, se encaminhava para o seu quarto mandato. Num regime democrático, a alternância no poder faz parte do jogo. Os registros mostram que mandatos longos costumam gerar desgaste.

Independente dos destinos de cada um, a caminhada que fizeram e o legado que deixaram já fazem parte da recente história política da América Latina. No entanto, os episódios do último final de semana, tanto na Bolívia como aqui, mostram a tênue fronteira que separa a barbárie da civilidade.

A libertação de Lula veio no bojo de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, sem estar relacionada diretamente ao ex-presidente. Mesmo assim mereceu de uma advogada do Rio Grande do Sul, Claudia Teixeira Gomes, uma declaração criminosa: "Que estuprem e matem as filhas dos ordinários ministros do STF". Uma mensagem de "ódio cego e visceral", como se pronunciou publicamente o decano do Tribunal, ministro Celso de Mello.

Na vizinha Bolívia os confrontos se arrastam também movidos por sentimentos de ódio. A casa de Evo e de seus familiares foram invadidas por manifestantes tomados pela violência. Uma prefeita do interior ligada ao presidente teve  seus cabelos cortados, sua pele pintada e agredida por uma multidão de insanos. O próprio avião oficial do governo do México que veio buscar Evo para o seu exílio, precisou buscar rotas alternativas para abastecer.

Não se deve minimizar o que está acontecendo. E muito menos se omitir. A sociedade precisa entender o que representa tanta agressividade e suas consequências. Não há futuro sem respeito às pessoas e às instituições. Apostar no ódio e na violência, só leva a um caminho: a barbárie.

PS - Na Bolívia, uma senadora, Jeanine Añez, se autoproclamou presidenta do país. Em Brasília, a embaixada da Venezuela foi invadida por simpatizantes de um outro autoproclamado presidente, Juan Guaidó. Se a moda pega, os conflitos se acirram e  a barbárie se estabelece.  


quarta-feira, outubro 23, 2019

O Chile enfrenta a revolta do povo



 Foto: Esteban Felix/AP Photo

De todos os países da América Latina, o Chile foi o que radicalizou na aprovação de reformas ultra liberais. Elas foram idealizadas durante a ditadura militar. As reformas impostas à sociedade, como consequência, agravaram a miséria. O empobrecimento do povo é visível.

De todas  as reformas a mais emblemática e cruel, foi a da previdência. Nada de muito diferente do que está em curso no Brasil, onde a conta vai ser paga pelos que mais precisam. 

No Chile, a gota d'água foi um pequeno aumento na passagem do metro. Obviamente, não foram esses centavos que provocaram a maior onda de protestos que o país já viu (foto acima). A origem de tudo está lá no passado, quando aprovaram as reformas. Os aposentados foram conduzidos para o pior dos mundos, um plano de aposentadoria privado sem qualquer preocupação social. A maioria dos "jubilados" recebe menos que mil reais, num país onde o custo de vida é maior do que o nosso. 

Quando começou a discussão da reforma da previdência aqui no Brasil, um valor norteou toda a discussão: economizar mais de um trilhão de reais em 10 anos. Essa era a meta de Paulo Guedes. Como ele sabia que esse um trilhão sairia do bolso dos futuros aposentados, o segundo passo era levar esse contingente de pessoas  empobrecidas pelas novas regras para o paraíso: a previdência privada. Uma outra enganação. Quem não consegue viver com dignidade com o que ganha, jamais vai conseguir pagar um plano de aposentadoria complementar.

Portanto, a nossa preocupação é que  a crise social no Brasil se agrave e leve multidões às ruas como no Chile. Com o risco de  um grau de tensionamento ainda maior. Afinal, se compararmos os dois países a nossa realidade é bem pior: o desemprego é maior, a renda per capta bem menor e a nossa economia segue estagnada.(*)

(*) A renda per capta do Chile é a maior da América do Sul. A concentração de renda também.

PS - Segundo a opinião de especialistas, a reforma da previdência aprovada no Brasil irá afetar 78 milhões de brasileiros.  Isso representa quatro vezes a população do Chile. 

segunda-feira, agosto 19, 2019

Argentina: o novo alvo de Bolsonaro

Depois de dois comentários que postei sobre a desastrosa participação de Bolsonaro nas primárias da Argentina, o blog bombou.. O interesse foi grande. Pelo controle que tenho, o número de acessos ficou bem acima da média. A minha percepção  é de as pessoas mais conscientes não gostaram nem um pouco da forma como o presidente do Brasil se intrometeu na política de um país amigo. A Argentina por ser nossa vizinha e principal parceira comercial na América Latina, deveria ter recebido do presidente do Brasil um tratamento mais respeitoso. (*)


Não satisfeito com o que fez durante as prévias, Bolsonaro continua provocando os argentinos. Na semana passada, chamou de "bandidos" os que votaram contra o atual governo. Não deve ter sido informado do que se passou por lá. O próprio presidente Macri, após o resultado das urnas, reconheceu seus erros e pediu desculpas aos argentinos.  Fez, exatamente, o que todos que respeitam  o cargo que ocupam deveriam fazer. A situação da Argentina é muito grave. Enfrenta uma crise financeira sem precedentes que atinge profundamente os idosos e os mais carentes.(**)



(*) Depois da China que detêm 28% das relações comerciais com o Brasil, vem os EUA com 13%. A Argentina está em terceiro lugar com 4,6%.  Ao contrário do que afirma Paulo Guedes,  a Argentina é um importante mercado à preservar.

(**) A nossa situação também é grave. E só não é tão grave quanto a da Argentina, porque nos governos Lula e Dilma se construiu um grande lastro em dólar. Segundo o BC são 370 bilhões de dólares (a sexta maior do mundo).

PS -  A economia está estagnada e o desemprego continua. No final de semana, a má notícia foi de que os investidores estão se afastando do Brasil. Alguns analistas já falam em recessão.

sexta-feira, agosto 16, 2019

Argentina: depois das prévias o vale tudo

Quem diria, depois de perder as prévias na Argentina, o presidente Mauricio Macri se soltou. Não sei qual vai ser a reação dos argentinos diante do "vale tudo" por ele anunciado. Com intuito de alavancar votos junto à população mais sofrida, Macri não se fez de rogado: três meses de congelamento nos combustíveis, aumento do salário e pagamento dos impostos a perder de vista. Se isso não faz parte do populismo que condenava, que seu governo ultraliberal peça desculpas pelo agravamento da pobreza na Argentina. 

O governo que ora se encerra não deu a devida atenção à população mais carente. Embora essa atenção sempre tenha feito parte da história política da Argentina, Macri não demonstrou a preocupação do Estado com aqueles que mais dependiam dele. A resposta veio agora nas prévias.

Parece até ironia do destino. Macri, que nada tem a ver com Evita Péron (*), na hora do desespero, sem qualquer constrangimento, se agarra justamente no populismo que nunca acreditou. Fico imaginando o que deve estar passando na cabeça do eleitor argentino com o pacote de bondades de Macri. Uma mudança de comportamento que só a vontade de se reeleger consegue explicar. Evita costumava dizer aos que nela não acreditavam algo mais ou menos assim: "Se ainda querem duvidar das minhas intenções, é só olhar pra dentro de mim". Agora, 60 anos depois, nem isso Macri  consegue dizer.

(*) Sobre Evita - Nasceu em Los Toldos, em 1919. Filha de uma família pobre, se tornou a primeira dama da Argentina depois de ter casado, em 1945, com Juan Domingo Péron. Adoentada, pedia aos seus seguidores para não chorarem por ela. Morreu em Buenos Aires, em 1952. Seu velório durou 14 dias em razão das intermináveis filas para o último adeus.


PS-  Pressionado por todos os lados, Macri cancelou o congelamento por 90 dias do preço dos combustíveis. A incerteza sobre o futuro da Argentina fez com que o peso perdesse ainda mais seu valor perante o dólar. E a inflação disparou.    



quarta-feira, agosto 14, 2019

Bolsonaro, Macri e as prévias na Argentina

A acachapante derrota de Macri, domingo, 11, durante as prévias na Argentina, de imediato refletiu aqui: a bolsa caiu 2% e o dólar passou dos R$ 4,00. Lá foi pior ainda, o peso desabou: com U$$ 1,00 se compra agora mais de 60 pesos. Em 2015, ano que Macri se elegeu, eu cursava o posgrado na Universidade de Belgrano em Buenos Aires. O dólar valia 15 pesos. Pobre Argentina.

O apoio público de Bolsonaro a Macri de nada adiantou. Penso que até contribuiu para a derrota de domingo. Faltou uma melhor orientação da diplomacia brasileira. Um presidente não deve se envolver de forma tão acintosa na eleição de um país vizinho, com fortes relações comerciais como é o caso da Argentina. Que sirva de lição. (*)

A Argentina, para quem não sabe, tem suas peculiaridades. Na política então é pura emoção. A nova direita latino-americana vai ter que repensar suas estratégias. Países com extrema desigualdade social como os nossos, emprego e renda vão ser sempre prioridade. Os "novos amigos", Bolsonaro e Macri, ao que parece, ainda não perceberam que a humilhante derrota de Macri no último domingo tem a ver com isso.

(*) Achar que o eleitor vai decidir seu voto porque Bolsonaro pediu, só mesmo quem não conhece os argentinos. Em Pelotas, Bolsonaro voltou a provocar os hermanos. Pobre Macri.

PS- Faltou a Macri, durante o seu governo,  olhar para os que mais precisam. Aliás, está escrito na letra da música que o tempo não apaga : "Non llores por mi Argentina".



terça-feira, fevereiro 26, 2019

Afastem-se da Venezuela

A última vez que fomos protagonistas de uma guerra foi a do Paraguai, em 1864. Não é da nossa índole andar armado e muito menos guerrear com os nossos vizinhos. Ajuda humanitária é tarefa da Cruz Vermelha, a maior organização humanitária do mundo. Sempre foi assim, até parece que não sabem.

Mas, afinal, o que tem a ver andar armado com a Venezuela? Não sei. Perguntem ao novo governo. Em 17/2, no comentário que fiz pode estar parte da resposta:


"A vontade louca que se abateu no novo governo de se aproximar dos EUA, principalmente através de seguidas manifestações do atual Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, nos leva a pensar sobre o que temos em comum. De pronto descartamos futebol e samba. A língua, os costumes e a cultura também. O gosto por armas, guerras e conflitos, também não nos aproxima. É bem verdade que agora temos por aqui uma certa simpatia por armas. Sem falar de  um certo interesse em se envolver com a crise da Venezuela. Duas bobagens que não se sustentam."




Depois de um final de semana tenso, o Grupo de Lima se reúne nessa segunda, 25, em Bogotá. O que mais se escuta é aumentar a pressão sobre a Venezuela. Não sei se isso tem o mesmo significado para todos. Para o jovem presidente autoproclamado da Venezuela, Juan Guaidó, o que ele quer é uma intervenção militar. Algo totalmente sem propósito, que só atende a interesses externos de olho na maior reserva de petróleo do planeta.


O Brasil, segundo o general Mourão: "Não vai entrar nessa aventura". É o que a gente espera. Com tanto problema por aqui, só faltava entrar num conflito armado com nossos vizinhos. 



quinta-feira, dezembro 13, 2018

CURTAS - direto de Montevidéu

 O presidente executivo do CAF - Banco de Desenvolvimento da América Latina, Luiz Carranza, declarou domingo em Montevidéu, ao jornal El País, "que o baixo crescimento na América Latina não é econômico, é político". Sobre os problemas que afetam quase todos os países, o ajuste fiscal, explicou que em parte se deve a uma redução significativa da pobreza e do acesso aos serviços básicos que ocorreu nas duas últimas décadas. Países em desenvolvimento precisam investir. E a energia do sol é um dos caminhos: ele nasce e se põe todos os dias como mostra a foto acima. E o nosso continente tem uma excelente insolação.


-  No evento III Semana de la Energia, promovido pelo Ministério de Energia do Uruguai, IRENA, OLADE, BID e CEPAL, o Brasil não se fez presente. Entre os temas: Foro de Integração Energética Regional, Eficiência Energética, Acesso a Energia e Energias Renováveis. Enquanto isso o novo governo considera Angra 3 estratégica. 


- O país anfitrião, o Uruguai, foi reconhecido por todos pelo seu empenho: 98% da energia que produz é renovável. Dez anos atrás o Uruguai dependia do petróleo que não tinha. O preço da energia era um impeditivo ao desenvolvimento do país. 




A mobilidade elétrica foi um dos destaques do encontro no novo centro de eventos de Montevidéu (foto acima). Ônibus,  carros e táxis elétricos, estavam expostos para visitação. É o novo tempo chegando (fotos abaixo). O compromisso com a mobilidade elétrica dos mais de vinte países presentes, nos deu a certeza de que esse é um caminho sem volta. Sempre foi essa a nossa posição, só que ouvir dos outros é bem melhor. 


 


sexta-feira, outubro 19, 2018

Um homem livre para construir uma sociedade melhor


A liberdade não tem preço. Defendê-la é obrigação de todos nós. A história nos ensina isso. As vezes parece que nos esquecemos do básico: viver em liberdade! Foi caminhando por Santiago que encontrei a relíquia acima. A frase é de Salvador Allende e fica exatamente em frente do Palácio La Moneda onde perdeu sua vida por defender suas ideias.

Salvador Allende (1908 a 1973), ex-presidente do Chile, era médico. Até hoje lembrado por todos, Salvador Allende ao longo da vida só fez o bem. Ao fundo, o Ministério dos Direitos Humanos do Chile. Aliás, direitos humanos sempre foi uma de suas grandes preocupações. Abaixo, sua última morada -  o Palácio de La Moneda.

 O preço que pagou por ter sido o primeiro presidente socialista eleito na América Latina foi alto. Quem passa pela Praça da Cidadania sempre vê chilenos e turistas (como se fosse possível),  indo se encontrar com Allende. Cidadania: como faz bem!






quarta-feira, outubro 17, 2018

Mais um pouco sobre o Chile, onde a democracia vem sendo respeitada


Sempre é bom retornar ao Chile e conhecer melhor as razões das mudanças em curso. Um país aberto que consegue se manter estável, mesmo tendo sérios problemas de fronteira com os seus vizinhos. Segundo a nossa embaixada, o que tem facilitado os avanços comerciais é que somos "amigos sem fronteira". O recente acordo firmado entre os dois países ACE - 35, que isenta tributos de importação entre o Chile e o Brasil, tem ajudado bastante os negócios entre os dois países.


A Petrobras que era o maior investimento brasileiro no Chile, em função de sua nova gestão vendeu todos os seus ativos no Chile. Atualmente, o maior investidor brasileiro no Chile é o Banco Itaú. No momento, o principal projeto de integração regional é a ligação Atlântico /Pacífico. Uma rota alternativa, que corta o  Paraguai. A atual rota, é por Mendoza na Argentina. Além de ser bem mais curta, também é mais segura evitando as seguidas interrupções no inverno em função da neve nos Andes.


O Chile, basicamente, se sustenta pelas exportações de cobre, frutas e pescados. Na América Latina é líder nesses três itens. Por uma decisão política, deixou de produzir o que não tinha competência e abriu seu mercado a quase tudo. Esporta o que pode e importa o que precisa. Como a balança comercial é superavitária e a população pequena, 18 milhões de pessoas, o PIB per capita é o segundo maior entre os países latinos. Só perde para o Panamá. 


O Brasil é o terceiro país que mais exporta para o Chile, principalmente petróleo e carros. O comércio no último ano cresceu 20%. Na América Latina, o Chile é o nosso segundo maior parceiro. Só fica atrás da Argentina. 


PS - Amanhã comento mais sobre o Chile, um país que respeita a democracia.  


terça-feira, maio 15, 2018

As meias verdades sobre o dólar

A recente e desesperadora crise cambial que passa a Argentina, ascendeu a luz para toda a América Latina. Embora a alta do dólar impacte de forma diferenciada em cada país, dependendo do grau de participação da moeda na economia local, a ameaça é real(*). O caso mais emblemático, com certeza é a Argentina. A dolorização da economia é muito forte. Os argentinos adoram ter dólar: é mais uma questão cultural que econômica. Basta observar o número de casas de câmbio em Buenos Aires e o movimento que elas tem. Como são milhares pessoas trocando peso por dólar todos os dias, o governo não aguenta e o dólar dispara. Além disso, na macro economia, boa parte da dívida pública que representa 50% do PIB - é em dólar. Diante da grave situação, não restou outra alternativa ao governo de Maurício Macri do que  bater na porta do FMI.

E quanto a nós, já que não se trata  de futebol, não temos nada para festejar. Além da Argentina ser o nosso terceiro parceiro comercial, os efeitos de lá já chagaram aqui. Ontem o dólar fechou em 3,62 reais. O maior valor dos últimos anos. Como é ano de eleição, os efeitos da crise vizinha sobre a nossa economia vão virar meias verdades. Já li que a desvalorização do real perante o dólar, vai contribuir para aumentar o fluxo de turistas que nos visitam. Para mim, uma meia verdade. Nem sempre lugares baratos, em razão de uma moeda desvalorizada, atraem turistas.  Prova disso é que entre as  cidades mais visitadas do mundo estão Londres, Paris e Nova York. Todas muito caras, só que historicamente atraem milhões de turistas por ano. Portanto, façam suas contas antes de viajar. Se não for esse o seu caso, pense com seus botões: pode ser bom para um país a moeda perder muito valor para o dólar?  Não será essa mais uma meia verdade sobre o dólar? Até quando o dólar continuará sendo o senhor absoluto das relações comerciais no mundo? Será que não há outra forma do comércio exterior se relacionar? E o tal de "bitcoin", como moeda global, no futuro poderá substituir o dólar? Sei lá. O tempo é que pode dizer...

(*) Na América Latina nós temos os dois extremos. A economia protegida das flutuações do dólar, como é o caso do Equador que optou pelo dólar americano como moeda oficial do país; e a economia esfacelada da Venezuela, onde a moeda virou pó. 

PS -  No Brasil, todos os grandes doleiros foram presos ou fugiram. Sem dólar disponível no mercado paralelo, a moeda se valorizou. É a velha lei da oferta e da procura. Quem sabe a recente alta do dólar, em parte, não  está  associada a atividade criminosa. Aqui, tudo é possível. Até porque, só sabemos "meias verdades". 



terça-feira, janeiro 23, 2018

Distribuição de energia elétrica na AL: o retrato do atraso

Fonte: andinalink.com/blog/blog

Que loucura a foto acima. Talvez você já tenha visto algo parecido na sua cidade. São postes tomados por cabos e fios, que ameaçam todo o sistema de distribuição na América Latina. Um negócio à parte se estabeleceu, com a conivência dos órgãos responsáveis. Quanto mais penduricalhos no poste, mas dinheiro a concessionária arrecada. Não há preocupação com a estética e nem com a segurança do poste.

O alerta para este "monumento ao atraso", dos latinos em geral, vem de recente estudo publicado por Gabriel Levy e Sergio Urquijo, onde relatam as péssimas condições do setor de distribuição de energia elétrica. O que antigamente era para uso exclusivo da rede elétrica, atualmente é também monopólio de uso para qualquer cabeamento aéreo. Além da degradação visual das cidades, os  postes expõem ao risco as pessoas por não serem dimensionados para suportar o peso adicional que recebem.

Em resumo, os postes deveriam sair do cenário urbano. As redes de distribuição local, em países desenvolvidos é subterrânea. Mais segura e com sua expansão assegurada. Se nada for feito, postes vão continuar caindo. Só que ninguém está preocupado com isso. A foto acima fala por si.

PS - A Universidade do Texas, com cerca de 50 mil alunos é um centro de referência em estudos da América Latina. As fotos abaixo dão uma ideia do que é a UT, como é conhecida a universidade.



Ao fundo o maior estádio universitário dos Estados Unidos, com capacidade para 80 mil pessoas


Ao fundo o prédio da Reitoria. Na foto abaixo, a fonte que é a principal referência do Campus.




quinta-feira, setembro 14, 2017

América sem Carbono, um caminho sem volta

A ideia da América sem Carbono nasceu em 2015, durante meu pósgrado na Universidade de Belgrano, na Argentina. Sempre que apresento a ideia, no primeiro momento há uma desconfiança. Depois argumentando com números e estudos que vem sendo feitos, tudo fica mais fácil. No fundo estão todos tão acostumados com o petróleo que não percebem que ele é finito. E que  na América Latina, na próxima década, poucos países vão ter o que usar para se mover.(*)

A Argentina, por exemplo, no passado tinha uma situação confortável em relação ao petróleo. Praticamente produzia o que consumia.  A revista Energia e Negócios da semana passada, apresenta dados e gráficos que mostram investimentos e produção em queda. As empresas do setor que investiram 7,3 bilhões de dólares em 2016, nesse ano vão investir 11% menos. A produção de petróleo acumulada segue também em queda. A previsão é de menos 10%. Um outro indicador relacionado a produção é o de número de poços perfurados. Em 2016 foi o pior ano, o número de poços ficou 30% abaixo da média histórica de perfurações.

O resumo que ora faço vem a confirmar minhas convicções: América sem Carbono, um caminho sem volta. Quanto antes entendermos essa mudança de modelo de desenvolvimento - melhor!

(*) Me arrisco a dizer que a Venezuela, pelas reservas que tem, e o Brasil, pelos resultados obtidos no pré sal, podem ter um pouco mais de tempo para organizar a travessia. Mas quanto antes começarem melhor.

terça-feira, agosto 15, 2017

Quem prega a violência alimenta o ódio

A ameaça de Trump de promover uma ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, não pode cair no esquecimento. Uma das características do presidente americano é falar o  que não deve, para  ver como é que fica. Só que: quem prega a violência alimenta o ódio. E  o  que a humanidade não precisa é de gente assim. A violência está no cotidiano das pessoas: em casa, nas ruas, no trânsito, nos hospitais  e nas escolas. Parte em razão da ausência do Estado, parte pelo desencanto das pessoas com a vida. Um quadro desanimador, que os políticos não se sensibilizam porque boa parte deles só tratam dos seus interesses.

Mas voltando a Trump, motivo do comentário. Depois de ter ameaçado a Venezuela, no sábado o mundo assistiu mais uma explosão de ódio e violência. Só que dessa vez não foi nas ruas de Caracas, mas em Charlottesville, uma importante cidade universitária, na Virgínia. Os confrontos se estenderam no domingo e o clima por lá continua tenso. No seu clube de golfe em Bedminster, Trump deu uma breve declaração aos jornalistas, minimizando o ocorrido. Precisou o senador republicano Cory Gardner, do seu partido, dar a devida dimensão da gravidade do ocorrido: "Presidente, precisamos chamar o mal por seu nome. Foram supremacistas brancos, e o que aconteceu  foi terrorismo doméstico".(*)

(*) -  Enquanto Trump encobria o "terrorismo doméstico", sua filha, Ivanka Trump, foi muito mais dura que o pai. Se manifestou no Twitter: “Não há lugar na sociedade para o racismo, a supremacia branca e os neonazistas.". Um belo exemplo. Costumo dizer que toda a vez que um filho se mostra melhor que o pai, renasce a esperança. Afinal, pela ordem natural da vida, serão eles que terão que corrigir nossos erros. Diante das duras criticas em casa, dentro do próprio partido, nas redes sociais e nos principais meios de comunicação, dentro e fora dos Estados Unidos, ontem Trump voltou atrás. O presidente dos EUA declarou que neonazistas e supremacistas brancos são "repugnantes".    

segunda-feira, agosto 14, 2017

Trump e a Venezuela

Se tem alguma coisa que "blogueiros" não podem reclamar - é falta de assunto.  Para quem escreve, o difícil está em escolher sobre o que escrever. No início da semana, Rodrigo Janot era o assunto: Temer e Gilmar Mendes, detonaram com o procurador. No meio da semana foi a inexplicável visita noturna de Raquel Dodge ao Jaburu. A explicação dada, só piorou: ninguém acreditou. Já no fim de semana, o caos nas contas públicas e a reforma politica dividiram o espaço nos noticiários. Nos dois casos, aflorou o nosso conhecido sentimento "me engana que eu gosto".

A introdução serve para mostrar a diversidade de temas importantes que temos pela frente. No entanto, se olharmos com atenção, todos eles relacionados a um país sem rumo. O que me faz pensar que eles ainda vão estar na pauta por muito tempo. Diante dessa constatação, a escolha sobre o comentário da semana recaiu sobre as recentes ameaças de Trump a Venezuela. Um país latino, que faz fronteira com o  Brasil, a Venezuela passa por uma grave crise que precisa ser superada.

Enquanto Trump e Kim Jong-um esbravejavam e trocavam ameaças entre si, nós latinos assistíamos tudo como um jogo de palavras de lideranças despreparadas. Quando na sexta-feira, Trump de forma intempestiva e inconsequente incluiu a Venezuela na sua sinistra lista de "possível opção militar", a perplexidade foi geral. As declarações do presidente americano não podem ficar sem resposta. 

A Venezuela, não é uma ameaça a paz mundial. É um país latino, que sempre teve fortes relações com os Estados Unidos. Boa parte do  petróleo venezuelano abastece o mercado americano. E, historicamente, a elite da Venezuela é quem mais se identifica com os Estados Unidos. Portanto, por trás das ameaças, algo mais pode estar em jogo.  

Não precisa ser um cientista político para reconhecer as fragilidades de Maduro. Seu despreparo é visível, e as consequências estão nas ruas. A eleição  da Assembleia Constituinte, no último dia 30, só serviu para agravar a crise. Os confrontos são crescentes e o grau de enfrentamento também.

No entanto, nada justifica uma intervenção militar dos EUA na Venezuela (*).


Hugo Chávez se elegeu em 1998. Se reelegeu em 2000 e 2006 (**). Morreu em 2013. Maduro, seu vice, assumiu a presidência da Venezuela num momento muito difícil. Uma sociedade dividida e um país endividado. Se não bastasse, o preço do petróleo no mercado internacional despencou. Sem a receita do seu  principal produto de exportação, a economia da Venezuela desabou (***).

Agora a expectativa é que as ameaças de parte a parte, não prosperem. A crise da Venezuela precisa - obrigatoriamente - ser tratada no campo da diplomacia. Os países membros da Organização dos Estados Americanos - OEA, já se posicionaram: "negociação plena, com respeito às regras do direito internacional e do princípio de não intervenção". E que as bravatas de Trump, não passem de meras bravatas. Uma ação militar na América Latina, nos faz relembrar o passado. Um tempo  com tanques nas ruas e irmãos se enfrentando. Um tempo de muito sofrimento, sem liberdade, sem futuro. Um passado que ninguém mais quer.

(*) Trump parece que não aprende. Conflitos internos, são resolvidos internamente. A ação militar externa só agrava o quadro. No sábado, em Charlottesville, nos EUA, uma violenta manifestação da direita ultra radical foi manchete em todo o mundo.  Um confronto com mortos e feridos, que trouxe à tona problemas políticos e sociais mal resolvidos nos EUA. Guardadas as devidas proporções, o que se viu em Charlottesville foram cenas bem parecidas com o que temos visto nas ruas de Caracas. 

(**) Em 2006, como deputado federal, fui indicado para ser observador internacional da eleição que reelegeu Chávez. Uma experiência única, que me permitiu circular por Caracas num dia de muita tensão. Na época a Venezuela já estava dividida e a disputa acirrada. 

(***) A Venezuela tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Com o preço do barril na casa dos 150 dólares, não faltava dinheiro. Agora com o barril do petróleo valendo 1/3, não há o que fazer. Falta tudo. Até dólar para pagar suas importações.  

terça-feira, julho 25, 2017

Politica externa: regredimos!

Nos dois últimos fóruns internacionais que participamos: o G 20, na Alemanha, e o Mercosul, na Argentina, foi visível nossa inexpressiva participação. Pouco acrescentamos. Na politica externa já fomos mais presentes: regredimos!

A fila anda, mesmo num mundo em crise. Embora minha visão de futuro esteja muito focada na América Latina, recanto do planeta desconsiderado por muitos, considero estratégico uma politica de reaproximação com "os hermanos". Potencialmente temos muito a ganhar. Infelizmente, o Mercosul não avança como bloco e muito menos dá sinais de buscar uma maior integração.

Enquanto a Ásia está em ascensão, com forte e crescente presença no PIB mundial, com a China acumulando uma fatia da poupança bruta equivalente a soma dos Estados Unidos e Europa, os emergentes latinos, incluído nós, padecemos de recursos próprios para financiar nosso crescimento.

Num mundo cada vez mais regionalizado e com politicas protecionistas crescente (vide os EUA), se não tivermos uma politica latina para nos fortalecer como bloco e criar oportunidades de comércio entre nós, não vamos longe.

PS- O descaso com os latinos é tamanho, que estudo recente sobre "os rumos do mundo", de Martin Wolf, do Financial Times, não nos cita. 



terça-feira, março 28, 2017

ARTILLEROS: produzindo energia limpa e sustentabilidade no campo.

O parque eólico ARTILLEROS, em Colônia, no Uruguai, é mais do que um parque: trata-se de uma iniciativa que envolve integração entre dois países, energia renovável e uma boa qualidade de vida para os assentados. A 20 km da bucólica Colônia do Sacramento, o parque ocupa uma área de mais de 1000 hectares do governo do Uruguai. O investimento é da UTE em parceria com a Eletrobrás. A obra foi realizado dentro do prazo e do orçamento. Além de gerar energia limpa, a área do parque é todo cultivada por colonos uruguaios que plantam soja e sorgo entre as torres. (fotos abaixo) 
Colônia do Sacramento foi fundada pelo português Manuel Lobo no século XVI. Durante décadas portugueses e espanhóis lutaram pela posse da vila. Em 1776, Cevallos, o primeiro vice rei espanhol do Rio da Prata, ao chegar em Buenos Aires buscou o fim dos conflitos e o Tratado que dava a Coroa da Espanha o direito sobre a Colônia do Sacramento. (foto abaixo) 
O bucólico lugar, atualmente é um dos principais pontos turísticos do Uruguai. (foto abaixo) 

segunda-feira, março 13, 2017

Energia solar não para de crescer na AL.

A última edição da pv magazine (10-3) veio confirmar nossas previsões: a energia solar não para de crescer na América Latina. No México, só em 2016, foram 50 mil instalações em geração distribuída:  cerca de 10 vezes mais do que aqui. E o Chile, pelas excelentes condições de insolação que tem - consolida sua liderança na América Latina.

Um estudo da Universidad Internacional de Valencia (VIU) destaca que a América Latina passou a ser uma das regiões mais dinâmicas em energias renováveis. O estudo mostra que Chile, México e Brasil estão entre "los diez países más atractivos para la inversión en renovables".

A potencia instalada de "energías renovables no convencionales" cresceu muito nos últimos anos na região. Segundo o estudo entre 2007 e 2015: no Chile o incremento foi 3.485,9 %,  2.840%  no Panamá, 1.558 %  no Peru,  1.079%  em Honduras e 569,8%  no Uruguai. Quanto a participação das renováveis na matriz elétrica no ano passado, incluindo as fontes hídricas, os números falam por si:
Costa Rica  99%, Uruguai  94% e o Brasil  76%. Nestes países é forte a presença das hidroelétricas na matriz. Por outro lado, "las renovables representaron un 44,3 por ciento en Honduras y un 41,6 por ciento en Chile. En estos dos últimos países a contribución de la solar fue notable."

PS- a América Latina, como região, é onde a presença das renováveis mais cresce. Pelo potencial que se tem de vento e sol, as perspectivas em relação ao futuro são as melhores possíveis. É nesse cenário que vejo a iniciativa do Instituto IDEAL de promover um programa que nos prepare para uma América sem Carbono, oportuna e promissora.

segunda-feira, outubro 17, 2016

O fato político da semana. (parte I)

Dois acontecimentos importantes marcaram a semana: a indicação do presidente da Colômbia para o Nobel da Paz e, em terras brasileiras, a aprovação em primeira votação da PEC 241. Como são temas tão distantes e distintos que prefiro comentá-los por partes.

Sobre a indicação de Juan Manuel Santos, para o prêmio Nobel da Paz - nada mais justo. E o mais importante: anunciado cinco dias depois do acordo de paz com as Farc ter sido rejeitado nas urnas.

Pode ser obra do destino ou da mão divina, mas que veio em boa hora - veio! Foram anos de negociação para por fim décadas de um conflito que já matou mais de 250 mil pessoas. O empenho pessoal do presidente Santos em desarmar a Colômbia tinha acabado de sofrer um inesperado revés nas urnas (50,2% para o "não"), contrariando uma expectativa mundial que havia pela paz.

A indicação para o mais importante dos prêmios  - o Nobel da Paz - dá legitimidade a Juan Manuel Santos (*)a continuar sua caminhada. O próprio presidente reconheceu que a premiação é um grande estímulo para a construção da paz no país. Que as partes voltem a mesa, retomem as negociações e consigam celebrar o acordo tão esperado.

* Juan Manuel Santos vem de uma família abastada de Bogotá. Estudou nos EUA e no Reino Unido. Foi ministro da defesa de Álvaro Uribe (hoje seu arquirrival). De formação liberal, surpreendeu a todos pela sua determinação em buscar a paz.