quarta-feira, outubro 23, 2019

O Chile enfrenta a revolta do povo



 Foto: Esteban Felix/AP Photo

De todos os países da América Latina, o Chile foi o que radicalizou na aprovação de reformas ultra liberais. Elas foram idealizadas durante a ditadura militar. As reformas impostas à sociedade, como consequência, agravaram a miséria. O empobrecimento do povo é visível.

De todas  as reformas a mais emblemática e cruel, foi a da previdência. Nada de muito diferente do que está em curso no Brasil, onde a conta vai ser paga pelos que mais precisam. 

No Chile, a gota d'água foi um pequeno aumento na passagem do metro. Obviamente, não foram esses centavos que provocaram a maior onda de protestos que o país já viu (foto acima). A origem de tudo está lá no passado, quando aprovaram as reformas. Os aposentados foram conduzidos para o pior dos mundos, um plano de aposentadoria privado sem qualquer preocupação social. A maioria dos "jubilados" recebe menos que mil reais, num país onde o custo de vida é maior do que o nosso. 

Quando começou a discussão da reforma da previdência aqui no Brasil, um valor norteou toda a discussão: economizar mais de um trilhão de reais em 10 anos. Essa era a meta de Paulo Guedes. Como ele sabia que esse um trilhão sairia do bolso dos futuros aposentados, o segundo passo era levar esse contingente de pessoas  empobrecidas pelas novas regras para o paraíso: a previdência privada. Uma outra enganação. Quem não consegue viver com dignidade com o que ganha, jamais vai conseguir pagar um plano de aposentadoria complementar.

Portanto, a nossa preocupação é que  a crise social no Brasil se agrave e leve multidões às ruas como no Chile. Com o risco de  um grau de tensionamento ainda maior. Afinal, se compararmos os dois países a nossa realidade é bem pior: o desemprego é maior, a renda per capta bem menor e a nossa economia segue estagnada.(*)

(*) A renda per capta do Chile é a maior da América do Sul. A concentração de renda também.

PS - Segundo a opinião de especialistas, a reforma da previdência aprovada no Brasil irá afetar 78 milhões de brasileiros.  Isso representa quatro vezes a população do Chile. 

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