A inesperada mudança de rumo da Aneel em relação a geração distribuída, causou perplexidade e indignação no setor. A reação foi imediata. Penso que é um assunto mal resolvido dentro da própria Agência. De fora se consegue ver melhor o tamanho do estrago. De tudo que li e ouvi, a impressão que ficou foi a pior possível. Buscaram nos convencer, sem estarem convencidos.
Ao contrário de como a Aneel se manifestou na apresentação que fez para justificar o retrocesso praticado, nos EUA a energia solar cresce a cada ano. Depois dos chineses e dos indianos, vem os americanos entre os países que mais investem nesse setor. Tudo começou no estado da Califórnia, através de uma política pública amigável às fontes renováveis de energia.
A iniciativa da Califórnia rapidamente se tornou um exemplo para o mundo, a ponto de cinco autores brasileiros publicarem um trabalho acadêmico sobre o que passou por lá. A Aneel com certeza conhece o estudo, já que o mesmo foi apresentado no VII Congresso Brasileiro de Energia Solar, em Gramado(4/2018).(*)
Embora a Califórnia carregue os méritos pelo seu pioneirismo, é forte a presença da energia solar em estados como Massachusetts, Colorado, Nova York, Havaí, Novo México, Nevada, Florida e Texas. Tanto assim que o número de empregos no setor triplicou nos últimos 10 anos. Em 2017, nos EUA mais de 350 mil pessoas trabalhavam com energia solar.(**)
O Texas, por exemplo, conhecido por sua relação histórica com o petróleo, tem uma forte presença de energia solar e eólica na sua matriz energética. Segundo a AIE, o Texas foi o estado que respondeu pelo maior volume de energia produzida por essas duas fontes. Outro estado americano que vem se destacando na implantação de uma matriz energética mais limpa e renovável, é o Iowa. No ano passado, 37% da energia produzida veio do sol ou do vento. (***)
(*) Assim inicia o trabalho sobre a Califórnia dos professores: Alexandre Batista, André Alves, Antônio Pedro Lima, Lorrene Câmara e Nivalde Castro: "A fonte solar se mostra como uma alternativa viável para o alcance das metas estratégicas, energéticas e ambientais do estado da Califórnia, que desenvolveu benefícios substanciais nos últimos anos, para aqueles que optassem pela instalação de painéis fotovoltaicos em suas propriedades."
(**) No Brasil a energia solar não representa 1% da nossa matriz energética. E ainda assim, a Aneel e o lobby das concessionárias querem inibir o seu crescimento.
(***) Quinze dias atrás, um pesquisador da Universidade do Texas, John Goodenough, com 97 anos, ganhou o Prêmio Nobel de Química por seus estudos relacionados às novas baterias. No futuro, a GD não vai depender mais da rede. Será um outro modelo, para um outro mundo. Em breve o consumidor vai gerar sua própria energia e otimizar seu uso. Sem a intervenção da agência e da concessionária. E a Aneel sabe disso.
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