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segunda-feira, dezembro 10, 2018

O que fazer com Angra 3...


O que fazer com Angra 3? Pelos bilhões de dólares que já foram gastos e por outros bilhões que ainda serão gastos, o assunto exige um debate nacional: transparente e tecnicamente sustentável. Não podemos aceitar que uma decisão de tal importância se faça pelo twitter.

Pelo andar da carruagem já deu para perceber que há uma simpatia do próximo governo pela retomada da obra. O vice- presidente eleito, o general Mourão, já declarou se tratar de uma obra estratégica. A indicação do novo ministro de Minas e Energia, o almirante Bento Costa Lima, defensor da tecnologia nuclear, também caminha nessa direção. (*)

Estudos recentes apontam que o custo do MWh de Angra 3, devidamente atualizado, será um dos  custos da energia elétrica mais caros do mundo. Portanto, estamos diante de um grande dilema: o que fazer com Angra 3? A obra se arrasta desde a década de 80. Os equipamentos, se ainda recordo, foram fabricados 40 anos atrás. Em 2004, como deputado federal, membro da Comissão de Minas e Energia, fomos verificar em que condições eles estavam sendo armazenados. Depois de tantos anos, não sei dizer como se encontram agora. Só sei que o tempo não para, principalmente quando se trata de energia nuclear. A segurança é tudo, já que o risco existe e é grande. (**)

Em relação aos sinais emitidos pelo novo governo percebe-se um movimento em curso para a retomada de Angra 3. Imagino que todos saibam, que o valor corrigido da energia produzida em Angra 3 é proibitivo: muito acima do que custa a energia proveniente de fontes renováveis. A conta será alta e paga por nós. Sem considerar que estamos seguindo o caminho inverso da tendência das novas políticas energéticas globais, a descentralização da geração.(***)

A cada dia se discute mais a geração distribuída, como o futuro. A ideia de se produzir a energia que se consome, cresce no mundo todo. Mesmo no segmento dos reatores nucleares, o tempo das grandes usinas, como Angra 3, passou. Desconhecer esse fato, não tem nada de estratégico.

 Recentemente o Departamento de Energia dos EUA, a Southern, empresa de eletricidade americana, e Bill Gates, se juntaram para desenvolver pequenos reatores nucleares, mais baratos, mais seguros e mais eficientes do que os grandes reatores nucleares. (Fonte: Washington Examiner Magazine)

Embora não se saiba muito do andamento do projeto, as mini usinas nucleares trazem inovação tecnológica e acompanham a tendência global da geração distribuída. Bem ao contrário do que representa retomar Angra 3. No futuro, um mini reator poderia estar dentro da sua casa, como um micro ondas, gerando a energia que você precisa através de uma pilha comprada no super mercado.

(*) Como pode uma obra estratégica ficar parada por mais de quarenta anos...

(**) O tempo não para, principalmente quando se trata de tecnologia. Como pode um equipamento fabricado 40 anos atrás estar tecnologicamente atualizado...

(***) Por acaso alguém ouviu falar na retomada de Angra 3 durante o processo eleitoral...



sexta-feira, julho 20, 2018

E por falar em péssimo exemplo

Dar bons exemplos nunca foi uma marca do governo Temer. Só que no apagar das luzes ele se superou. No dia 15 de julho,a manchete da Folha é: Temer retoma plano nuclear. Até pensei que se tratava de uma fake news. Por ser da minha área de atuação procurei me inteirar da veracidade da informação. Para minha surpresa a proposta saiu do Palácio do Planalto.

O documento, segundo a Folha, foi produzido pelo Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro. A coordenação é do general Sérgio Etchegoyen, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Portanto, fake news não é.

Para a grande maioria dos brasileiros que não era nem nascida, o Programa Nuclear Brasileiro nasceu durante o regime militar. Nunca foi discutido com a sociedade. Voltar ao passado, não me parece  um bom exemplo. Ainda mais tratando desse assunto. Das usinas programadas, apenas Angra I e Angra II, estão operando. Angra III, uma vergonha em todos os sentidos. A obra se arrasta por décadas. Seu  custo final poucos sabem. E quem sabe não conta. Pior do que isso é que está sendo montada com equipamentos fabricados há quarenta anos atrás.

Na época do Programa Nuclear Brasileiro, a tecnologia era alemã. Da mesma Alemanha que decidiu desativar todas suas usinas atômicas, substituindo-as por fontes de energia renovável.

E nós de olho no passado. O órgão  gestor do programa respondeu a Folha que o tema "afeta diretamente a segurança nacional". Então tá. 


quarta-feira, julho 13, 2016

Lixo nuclear: o que fazer?

Desde de 2011 quando o governo da chanceler Angela Merkel decidiu abandonar o programa nuclear e desativar os reatores existentes, a discussão sobre o que fazer o lixo atômico é um tema presente na Alemanha.

Para a comissão de especialistas responsável pela escolha do melhor lugar para construir um imenso e definitivo depósito para armazenar o lixo nuclear no próximo século, a tarefa não tem sido nada fácil. Os riscos são grandes e as comunidades - bem organizadas - resistem à ideia de acolher uma ameaça que irá atravessar várias gerações.

Outro ponto polêmico é quem irá arcar com os custos de vários bilhões de euros que serão gastos. O valor envolvido com a desativação das usinas atômicas, com o armazenamento do lixo e o desmonte seguro dos reatores é incalculável. O governo quer repassar para o setor da indústria nuclear esse custo. Outra tarefa nada fácil. (Fonte: BBC)

Mesmo diante todos os problemas que a histórica decisão tomada em 2011 está gerando, o grau de consciência da sociedade impressiona: pesquisa divulgada na semana passada aponta que 77% dos alemães aprovam o desligamento dos reatores nucleares no país. Aliás, cabe lembrar que a Alemanha  liderou essa tecnologia por muito tempo: e foi o principal fornecedor de equipamentos para o programa nuclear brasileiro na década de setenta.

PS- enquanto isso,  por aqui, Angra III se arrasta. Por décadas parada no tempo, recentemente teve as obras retomadas. Agora, as notícias que chegam associam a obra a Operação Lava-Jato....... É o Brasil, na contramão da história: desviando recursos e perdendo oportunidades.

terça-feira, dezembro 02, 2014

Usinas nucleares, será que é isso que queremos...

De tempos em tempos, o ministro Lobão declara que faz parte do planejamento estratégico do setor de energia implantar usinas nucleares no litoral do nordeste.  O programa nuclear brasileiro - é uma história antiga. Nasceu com os militares e perambula  pelos corredores de Brasília por décadas. O mundo, ao contrário do ministro, só fala em energias renováveis. Recentemente,  a energia solar mostrou sua potencialidade: mais de 30 projetos, totalizando 1 GW- foram aprovados no leilão de 31 de outubro. Não me lembro do ministro ter festejado como devia essa boa notícia. 

Para os defensores do programa nuclear refletirem, seguem alguns horrores que os russos ainda convivem após 21 anos de desastre de Chernobil. A contaminação radioativa nos territórios próximos à usina nuclear de Chernobil, na Ucrânia, demorará mais de 300 mil anos para se dissipar, segundo revelaram ambientalistas russos, no 21º aniversário da maior tragédia nuclear da história.   

Os territórios em um raio de 50 quilômetros em torno de Chernobil nunca poderão ser habitados – disse Alexei Yablokov, dirigente do Partido Verde russo.


Yablokov, professor e especialista em assuntos ambientais, disse que, atualmente, pelo menos cinco milhões de pessoas vivem nas regiões contaminadas pela explosão de 26 de abril de 1986, nos territórios da Ucrânia, Rússia e Belarus.

Nunca vai se saber o número de mortos relacionados ao desastre. Mesmo assim as previsões são alarmantes:

Apesar de não haver dados oficiais definitivos, fontes ucranianas, russas e bielo-russas calculam que, nos últimos 20 anos, ao menos 350 mil pessoas morreram em conseqüência da radioatividade produzida pela explosão.

Nos primeiros dias após a tragédia, mais de 850 mil militares, operários, engenheiros e especialistas de toda a União Soviética foram à região do acidente.

Rapidamente, este exército de homens e máquinas construiu, a curto prazo, o “sarcófago”, uma enorme couraça de aço e concreto para cobrir o quarto reator destruído e centenas de toneladas de escombros altamente contaminados com radiação.

O trabalho destes homens salvou o planeta de um enorme e mortal foco radioativo, mas causou a morte de muitos, e tornou a maior parte dos que participaram da obra inválidos.

Segundo organizações sociais, nos três países, o número chega a mais de meio milhão, que precisam de ajuda médica, pelo deterioramento de sua saúde. (Fonte EFE/JB online)

Será que é isso que queremos......

PS- As informações acima foram publicadas em 2007.

quinta-feira, outubro 04, 2012

E as nucleares......

Outro tema importante que se debateu no Canal FUTURA na semana passada, foi sobre o programa nuclear brasileiro. Muito embora a EPE tenha deixado fora do PDE 2021 novas usinas nucleares, o presidente em exercício Amilcar Guerreiro comentou que a ausência de novas usinas nucleares no planejamento se deu em função dos prazos necessários para a implantação de novas centrais, de dez anos desde o início de seu desenvolvimento até sua entrada em operação, o que, entretanto, não exclui a possibilidade de novas plantas nos próximos planos decenais.  Argumentei que países líderes na tecnologia nuclear, como Japão e Alemanha, estão revendo seus programas mesmo numa condição de dependência energética que não é a nossa. O Brasil tem outras alternativas mais seguras para atender nossa demanda futura. Portanto, não faz sentido insistir com a retomada de um projeto criado no regime militar na década de 60.   

terça-feira, outubro 11, 2011

O Brasil e a energia nuclear

E já que comentei sobre a decisão da Siemens de abortar seus projetos em usinas nucleares e, em boa hora, anunciar seu compromisso empresarial e tecnológico com as energias renováveis, não custa perguntar como fica a posição do governo brasileiro em relação ao seu progama nuclear? Antes do ocorrido em Fukushima e antes do governo alemão se posicionar contra novos projetos nucleares em seu país, a posição do governo brasileiro era de presentear a costa nordestina com várias novas usinas atômicas. Como o programa nuclear brasileiro sempre esteve associado a tecnologia alemã acredito que a decisão do governo de implantar novas usinas nucleares no Brasil deverá passar por processo de reavaliação. Assim esperamos.

domingo, outubro 09, 2011

Energia Nuclear: a posição da Siemens

Na semana passada o CEO da Siemens, Peter Loscher, declarou a principal revista alemã, a SPIEGEL, que a Siemens está revendo sua política de investir em energia nuclear. A decisão da maior empresa da Alemanha no setor de energia se deve ao desastre de Fukushima e a posição do governo alemão de suspender seu programa nuclear. Segundo Loscher essas mudanças estão em sintonia com a sociedade alemã que está plenamente consciente sobre os riscos ligados a energia nuclear. Para dar uma idéia da dimensão dessa decisão, dois anos atrás a Siemens havia anunciado seu propósito de construir 400 usinas nucleares até 2030. Uma impressionante mudança de rumo que não para aí. Loscher declarou também a SPIEGEL que o projeto do século da companhia é investir em energias renováveis. Ainda bem!

segunda-feira, maio 30, 2011

As consequências de Fukushima

Embora ainda cedo para afirmar, o acidente nuclear no Japão deixou muito governo falando sozinho. Na Alemanha, por exemplo, berço da indústria nuclear, onde 22% da energia produzida vem da fonte atômica, o governo de Angela Merkel muda a orientação e anuncia o abandono das usinas nucleares até 2022. A Alemanha depois da França é o país com maior número de usinas atômicas em operação - 17. É um plano audacioso mas necessário. A sociedade vem cobrando do governo mais investimento em energias renováveis e pressionando o governo na desativação de seus reatores atômicos. Preocupada com as eleições a chanceler vem sinalizando pela desativação das usinas nucleares.

No Brasil, onde não se domina a tecnologia nuclear, onde não se precisa dela, onde os recursos naturais são quase que inesgotáveis, onde pouco se explorou de energia eólica e nada se fez em relação a energia solar - ainda tem gente defendendo usinas nucleares no nordeste!

PS - voce sabia que uma pequena área de 30 km por 30 km, menos do que se desmata por ano no Brasil, se fosse coberta por placas fotovoltaicas a energia solar produzida seria suficiente para atender toda a demanda de energia elétrica do Brasil. Pense nisso?

segunda-feira, abril 25, 2011

O futuro da energia nuclear, no Brasil e no mundo

Depois da Segunda Guerra, países como a França, Alemanha, Itália, entre outros, sem grandes recursos naturais e sem petróleo e gás, precisaram investir em tecnologia nuclear para gerar energia. Na época era moderno e também uma alternativa para atender a demanda crescente de energia elétrica que a recuperação dos países envolvidos no conflito exigia. Com a consolidação do setor a indústria nuclear se expandiu chegando até nós. O Brasil construiu Angra I e II no belo litoral do Rio de Janeiro. Quer agora construir Angra III e já anunciou uma série de outras usinas no litoral do Nordeste. Mesmo com o lamentável acidente de Fukushima a posição do governo brasileiro tem sido a de manter seus projetos nucleares.

Na Itália, diferentemente do Brasil, com poucas possibilidades de desenvolver projetos sustentáveis, mesmo assim, o governo decidiu promover um plebicito para ouvir a sociedade sobre a continuidade do seu programa nuclear. Até 2020, 25% da matriz energética italiana é para ser atendida com usinas nucleares.

Na França, onde acabo de chegar, a energia nuclear é dominante. Além de atender a demanda do país, também é um produto de exportação. A França vende boa parte da energia produzida em seus reatores para outros países da Europa. O tema energia nuclear "pós Fukushima" vai ser um dos mais relevantes debates. Portanto, devemos nos preparar para contribuir com responsabilidade na busca do que for melhor para a humanidade. E essa necessidade começa agora!

segunda-feira, abril 04, 2011

O pânico nuclear é fruto da incerteza

Pelas notícias que circulam vão concretar Fukushima. Não deve ser nada fácil. Imaginem cobrir de concreto uma planta nuclear daquela dimensão. Uma medida drástica só é aplicada em situações extremas. Por isso acho que os vazamentos permanecem e o risco da contaminação também. As consequências dessas incertezas já refletem no mundo dos negócios. A falta de peças na indústria japonesa é uma realidade. O risco de apagões também. A maior geradora de energia, a Tokyo Electric Power (Tepco), dona da Fukushima, tem futuro incerto. As usinas nucleares são responsáveis por quase trinta por cento do que os japoneses consomem. E eles consomem muita energia. Depois dos EUA são os japoneses os maiores consumidores de energia por habitante. Por falar em energia nessa segunda-feira promovemos o Seminário Energia Limpa: conhecimento, integração e sustentabilidade. A abertura é no Centro de Convenções da UFSC, às 19 horas. A entrada é livre e começa com uma Mesa Redonda, tendo como um dos convidados, Ricardo Baitelo, cordenador do Greenpeace no Brasil. Já dá prá ver que o desastre nuclear no Japão estará presente. Compareça.

quinta-feira, março 31, 2011

FUKUSHIMA, o day after

Comentei na segunda-feira a dificuldade que vai ser quantificar o preço de um desastre nuclear. Passado o terremoto e o tsunami, que arrazou parte de uma região do Japão, começam a aparecer estudos e análises voltados para contabilizar a extensão do prejuízo. Preocupado com os números da tragédia o Wall Street Journal, principal jornal econômico dos EUA, publicou nessa semana uma matéria bem fundamentada sobre a importância do Japão e as consequências do "day after" do desastre nuclear na economia mundial.(Andrew Dowell - Wall Street) O Japão, em 2010, foi responsável por 8,7% da produção mundial. Suas exportações alcançaram US$ 787 bilhões (Fonte:Ministério da Fazenda do Japão). A destruição e a ameaça nuclear devem prejudicar o desempenho japonês em praticamente todos os setores: - Microchips Os fabricantes enfrentam vários problemas. Fábricas fechadas e falta de acesso. O Japão produzia, antes do ocorrido, 60% do silício mundial base da fabricação dos chips. As duas principais fábricas estão no momento fechadas. - Eletrônicos O Japão é um grande produtor de peças para a indústria mundial de eletrônicos. A Sony Corp., um dos maiores fabricantes, já informou que 9 de suas 25 fábricas tiveram suas atividades suspensas por causa de danos ou apagões causados pelo sismo. - Automóveis Há mais de 20 anos que as montadoras japonesas são uma ameaça aos americanos e europeus. Depois do terremoto vai haver uma modificação nesse quadro. Os recursos deverão ser direcionados para reconstrução de suas operações domésticas. A falta de peças já é sentida e poderá vir a ser substituída por novos fornecedores, como China e Índia. - Aço Mesmo sem matéria prima o Japão ultrapassou a China e se tornou o maior exportador mundial de aço em 2010. Analistas do setor preveem que a produção japonesa pode cair até 20%. -Máquinas e equipamentos Esse é um setor que deverá crescer pós terremoto. A reconstrução do país vai impulsionar o crescimento. -Químicos As petroquímicas japonesas tiveram poucos danos por causa dos desastres naturais. Podem vir a sofrer se houver racionamento de energia.

terça-feira, março 29, 2011

FUKUSHIMA, o tamanho da tragédia

O governo japonês vai levar anos para quantificar o tamanho da tragédia de Fukushima. O terremoto e o tsunami destruíram cidades, mataram milhares de pessoas, geraram dor e sofrimento, no entanto dá para avaliar o montante do estrago. As autoridades falam em mais de 200 bilhões de dólares. Já os efeitos de Fukushima e suas consequências ambientais, econômicas e sociais são imensuráveis. Não dá para quantificar. Do turismo a energia, da interrupção na cadeia produtiva da moderna indústria japonesa a produção de alimentos, serão outros bilhões de dólares que deixarão de gerar riqueza na terceira economia do mundo. Por isso devem crescer as manifestações contra usinas nucleares em todo o mundo. Fukushima será alimento dessas mobilizações. No domingo passado, a Alemanha assistiu o maior protesto contra suas usinas nucleares. Os efeitos de Fukushima já se fazem presentes na vida política do país. O partido da chanceler da Alemanha, Angela Merkel perdeu as eleições de domingo num Estado controlado por seus seguidores há várias décadas.

sexta-feira, março 18, 2011

Fukushima: nuvens suspeitas.

Enquanto o governo japonês procura minimizar os efeitos da radiação, nos EUA, Gregory Jaczko, a principal autoridade nas questões nucleares, alerta: a radiação liberada pela usina Fukushima é extremamente alta.
Para a Agência Internacional de Energia Atômica, ligada à ONU, as notícias ainda são desencontradas. Ontem, pela primeira vez, o imperador Akihito tomou a iniciativa de falar na TV , o que reforça a tese de que nem tudo está sendo dito e que é grave a situação.
Os olhos do mundo estão agora voltados para os bravos voluntários que trabalham na área afetada tentando evitar um desastre nuclear de proporções ainda maiores. O objetivo desse verdadeiros heróis é esfriar o calor emitido pelas radiações. A temperatura no centro do reator pode chegar a 1000°C. A da água do resfriamento chega a 300°C. É um calor insuportável. A verdadeira situação de Fukushima ainda está encoberta por "nuvens suspeitas".

quarta-feira, março 16, 2011

Japão em risco

Claro que sobre as catástrofes naturais temos pouca governabilidade. O terremoto do último dia 11, no Japão, seguido do devastador tsunami, o homem não tinha como evitar. Se formos muito rigorosos poderíamos até questionar como o Japão permitiu que cidades se desenvolvessem às bordas das placas tectônicas, região de abalos sísmicos com elevado grau de intensidade. Mesmo assim, é preciso ponderar: o Japão é formado por ilhas, sem espaço físico para atender 130 milhões de habitantes. No entanto, sobre o risco de colapso nuclear que se anuncia o homem tem responsabilidade. As novas explosões na usina de Fukushima, a interrupção no sistema de refrigeração, o aumento dos índices de irradiação, o sistema de bombeamento de água do mar para resfriar os reatores, as orientações desencontradas sobre as áreas a serem evacuadas (inicialmente era num raio de 10 km e agora já falam num raio de 30 km), a precária logística de abastecimento, entre outras comentadas situações - cabe ao homem a responsabilidade. Crescemos admirando a cultura japonesa. Sem qualquer recurso natural, um conjunto de ilhas, devastado por uma guerra, com vizinhos pouco simpáticos, o Japão é a terceira economia do mundo. Nas últimas décadas avanço tecnológico era sinônimo da indústria japonesa. Projetos futuristas como o carro híbrido, carro elétrico, trem bala, nasceram no Japão. Por ter poucas alternativas energéticas o Japão investiu pesado em energia nuclear. Como sabia dos frequentes terremotos seus projetos deviam considerar esses riscos. Mesmo assim deu no que deu. Os vazamentos podem durar meses, a exposição à radiação uma ameaça assustadora, a necessidade urgente de dar atendimento a centenas de milhares de pessoas que perderam tudo, são preocupações e desafios do governo japonês. Fico pensando uma catástrofe dessas proporções num outro país. Parece que a ficha caiu: na Europa alguns países já anunciam a suspensão do uso da energia nuclear. Enquanto isso no Brasil o ministro Lobão continua defendendo novas usinas nucleares no litoral do nordeste.

terça-feira, março 15, 2011

Pela "moratória nuclear"

Peter Droege, vive em Liechtenstein. Como eu é membro do WCRE - Conselho Mundial de Energias Renováveis. No sábado, logo depois das primeiras notícias sobre o vazamento de material radioativo na usina de Fukushima, Peter já ocupava a internet levantando a necessidade de se propor uma moratória nuclear. Antes mesmo do que ocorreu na semana passada no Japão o WCRE já vinha trabalhando essa idéia. Somos poucos é bem verdade, mas a causa é de muitos. Na sua mensagem Peter nos lembra que depois de Harrisburg, Three Mile Island, Chernobyl e agora Fukushima é hora de se fazer um movimento globalmente organizado, para parar com essa tecnologia de alto risco. Por fim, Peter nos lembra em sua mensagem: "não há país no mundo que não possa ser suprido por energia renovável. Como não podia deixar de ser logo me veio na cabeça o Brasil: em poucos anos viabilizamos as usinas eólicas. O potencial levantado nos mostra que o país tem todas as condições de ser líder no continente nessa forma de se produzir energia elétrica a partir dos ventos. Além dela o nosso potencial de biomassa e da energia solar (que ainda nem começou a se desenvolver) nos assegura uma matriz limpa e renovável para o futuro. No entanto, devemos estar alerta. Setores do governo defendem a energia nuclear. E pasmem, para serem instaladas no litoral do nordeste.

quarta-feira, junho 24, 2009

Usinas nucleares: um novo problema para Obama

Além da crise que atingiu profundamente a economia americana, um novo problema na área de energia, vem causando grande preocupação. Com a divulgação da investigação feita pela Associated Press em relação a situação dos reatores nucleares nos EUA, acendeu a luz vermelha. O governo autorizou 19 usinas nucleares a desativarem seus reatores. O que, aparentemente, seria uma boa notícia, tem causado preocupação nas pessoas. Paralizar ou desativar uma central nuclear, é um grande problema. O lixo radioativo pode vazar das usinas abandonadas. Para evitar qualquer desastre, as empresas são obrigadas a criarem um fundo para a desativação. No caso dos EUA, a crise também atingiu os fundos de reserva, que perderam US$ 4 bilhões. Agora, a situação é crítica: precisam dos fundos só que eles são insuficentes para desativar as usinas e remover o material radioativo.

Na sexta-feira, a Comissão Reguladora Nuclear dos EUA (NRC), divulgou relatório querendo saber como às operadoras pretendem resolver o problema. A NRC avalia que o custo de desmantelamento de um reator nuclear varia hoje de US$ 300 milhões a US$ 600 milhões. O tempo para um reator se manter ocioso, pelas regras americanas, é de 60 anos. Especialistas acham que, daqui a 60 anos, as empresas responsáveis pela descontaminação dos seus reatores, não existirão mais.

O exemplo que melhor ilustra esta preocupação, é a usina de Vermont Yankee, no sudeste de Vermont, que começou a funcionar em 1972, e sua licença se expira em 2012. Seu fundo para desativação tem menos da metade do dinheiro considerado necessário. Em dezembro de 2007, o fundo acumulava US$ 416 milhões. Com a crise caiu para US$ 384 milhões, nem perto do valor estimado para o desmantelamento da usina de US$932 milhões. (Fonte: Jornal O Valor)

Fico imaginando essa situação no Brasil, onde os equipamentos( comprados e pagos) de Angra 3, estão armazenados há mais de 20 anos. Quanto a criação do fundo para a desativação das usinas, o assistente da presidência da Eletronuclear, Leonan Guimarães, disse que o recolhimento dos recursos demorou para começar a ser feito por falta de uma legislação específica. Sinceramente, é hora de se pensar em construir 10 usinas nucleares aqui no Brasil ? Por favor, respondam!
(Fonte: Jornal O Valor)

terça-feira, junho 23, 2009

Desativar usinas nucleares, um novo desafio

As declarações dadas hoje em Viena, por Rejandra Pachauri, Prêmio Nobel da Paz em 2007, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) da ONU, que a revolução energética deve ser dramática e imediata, soou como um alerta. A transição para uma matriz energética de base renovável, biomassa, eólica e solar, precisa ser entendida como uma necessidade da humanidade.

O Brasil, pela sua potencialidade natural e tecnológica, tem um papel determinante nesse processo de transição/transformação. Todos os esforços nessa direção são muito bem vindos. Dentro da estrutura do Estado brasileiro, me parece que esta questão ainda não está de todo incorporada. Diferentes visões de como irá se desenvolver o setor de energia no nosso país, me fazem pensar que precisamos investir mais na divulgação do papel das renováveis no Brasil e na América Latina.

Por exemplo, o Ministro da Minas e Energia, Edson Lobão, tem falado muito na retomada do Programa Nuclear brasileiro. Serão 10 novas usinas. Essa é uma discussão que, no meu ponto de vista, precisa ser melhor debatida.: uma coisa é voce terminar uma obra que está 20 anos parada(como é o caso de Angra 3), outra é ressuscitar um projeto nuclear de grande porte para o país, sem compará-lo com outras alternativas.

A preocupação com usinas nucleares em relação a seus rejeitos e a desativação dos reatores, cresce no mundo. O Brasil, com o potencial renovável que tem, não pode abraçar a energia nuclear como uma alternativa futura. Angra 1, operando desde 1985, custou (sem os equipamentos)R$1,5 bilhões. Angra 2, operando desde 2001, custou R$ 5 bilhões. Já o preço de Angra 3, está estimado em 10 bilhões. É muito dinheiro! Fora isso, vem sendo cobrado na tarifa de energia, um valor considerável, para criar um fundo para a desativação dessas usinas no futuro. Cerca de 300 milhões de dólares para Angra 1 e 420 milhões de dólares para Angra 2(Fonte: Jornal O Valor, 22/6).

Nos EUA, país onde o número de reatores nucleares é expressivo, os fundos criados para desativar as usinas nucleares, após sua vida útil, são insuficientes. Segundo uma investigação da Associated Press, divulgada recentemente, as companhias proprietárias de quase metade dos reatores nucleares dos EUA não estão reservando dinheiro para desmanchá-los. Um sério problema está criado: muitas ficarão abandonadas, a mercê do tempo, criando risco de segurança pessoal e física. Amanhã falo mais sobre esse tema. Ele é muito mais grave do que se pensa.